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Despertar da Mente

"Democracy and socialism have nothing in common but one word, equality. But notice the difference: while democracy seeks equality in liberty, socialism seeks equality in restraint and servitude." Alexis de Tocqueville

"Democracy and socialism have nothing in common but one word, equality. But notice the difference: while democracy seeks equality in liberty, socialism seeks equality in restraint and servitude." Alexis de Tocqueville

Despertar da Mente

18
Dez09

O sismo

Jorge Assunção

O sismo que mais me preocupa não é aquele que, na madrugada de ontem, provocou inicialmente a sensação de uma rajada de vento muito forte a embater na janela da minha sala, rapidamente transformada na percepção de que era a movimentação da terra, e não o vento, que originava a tremideira da mesa onde está apoiada a minha televisão ou o baloiço da cadeira em que estava sentado, tudo isto acompanhado pelo barulho dos copos chocando uns com os outros no móvel de madeira situado nas minhas costas. Não é o que mais me preocupa agora, embora naqueles breves segundos tenha ficado preocupado. Lembro-me de ter pensado que se aquilo continuava a tremer daquela maneira durante muito tempo, ia fazer estragos, mas ainda mal me levantava da cadeira e já o tremor havia passado. Então, ainda duvidei se não tinha sido a imaginação a pregar-me uma partida, mas o movimento do candeeiro de cristal por cima da minha cabeça não deixava grande margem para dúvidas. Foi um sismo. Mas o sismo da madrugada de ontem, que abriu os telejornais do dia, passou sem fazer estragos. Mas há outro sismo na sociedade portuguesa, um que abala a estrutura e as instituições desta terceira república, e esse prolonga-se há muito no tempo e não dá sinais de parar. E faz estragos, o que é pior.

06
Dez09

Um século XX inteiramente democrático

Jorge Assunção

N’A Conspiração Contra a América, Roth imagina uma América alternativa, na década de 40 do século passado, que seria liderada por alguém refém da ideologia Nazi. O exercício é interessante e levou-me a pensar em algo semelhante para Portugal: o que teria sido deste país se não tivesse existido ditadura? O que teria acontecido em Portugal se, em vez dos acontecimentos que perpetuaram Salazar no poder durante quase 40 anos, o país tivesse seguido a via democrática? Sobretudo, o que seria do país no presente? A minha resposta a esta última pergunta deixa sempre uma sensação amarga. É que, do ponto de vista económico - e a economia é a ferida aberta deste país na actualidade -, duvido que a inexistência da ditadura tivesse garantido ao país uma conjuntura económica melhor do que aquela com que nos deparamos. A democracia não deixa de ser imensurávelmente melhor que qualquer ditadura, mas há aqui uma falha estrondosa que não deixa de ser assustadora e merecedora de debate. Para começar, talvez seja bom abdicar do chavão de que “o povo tem sempre razão”. Não tem. E se calhar o nosso, o povo português, erra mais do que outros.

04
Dez09

Não é bem o abismo

Jorge Assunção

Nas várias metáforas usadas para descrever a situação económica e social que o país enfrenta, muitas vezes recorre-se à imagem da proximidade do abismo, pelo que qualquer passo em falso pode resultar num fim trágico. A imagem acaba por ser profundamente enganadora, isto porque a ideia do abismo dá a entender que basta um ligeiro desvio da rota, do percurso, e tudo ficará bem. Nada mais errado. O problema do país não é o abismo, mas antes estarmos enfiados num buraco que nós próprios escavamos. Um buraco tão profundo que, de onde nos encontramos, já não é possível avistar qualquer indício da luz à superfície. E há algo de verdadeiramente deprimente nisso porque 1) estamos dependentes que aqueles que mais torceram pela escavação do buraco, reconheçam o erro, e dêem inicio à escalada para a superficie; e 2) alguns, já tão habituados à escuridão do buraco, não sentem qualquer necessidade de procurar a luz da superfície.

25
Nov09

Recuperou do coma e vai escrever um livro. Será?

Jorge Assunção

Leio isto: após várias sessões de fisioterapia, Houben, agora com 46 anos, começou a conseguir digitar mensagens num ecrã de computador. “Todo este tempo tentava gritar, mas não havia nada para as pessoas escutarem", afirmou após 23 anos sem conseguir comunicar com as pessoas. “Frustração é uma palavra muito pequena para descrever o que eu senti”.

 

E isto: Houben's mother said her son has become so proficient at punching sentences that he has even started writing a book. [...] American experts acknowledged a vegetative state diagnosis can often be wrong. But in most cases, they said, it involves a patient who is minimally conscious, whose muted and intermittent signs of awareness might be overlooked, rather than a patient like Houben, who is fully conscious but paralyzed.

 

Acrescento isto: Médicos portugueses duvidam de milagre de coma belga

 

Talvez, mas só talvez, o paciente em causa não esteja totalmente consciente como é pintado na história. Talvez Houben não seja capaz de escrever um livro. Talvez aquele computador que permite, com a ajuda de alguém, descobrir que o paciente diz coisas como "todo este tempo tentava gritar, mas não havia nada para as pessoas escutarem", talvez seja uma farsa. Talvez seja bom dúvidar um bocadinho. Talvez valha a pena ler isto: This Cruel Farce Has To Stop!

Talvez o paciente não tenha capacidade para escrever um livro. Talvez venham a receber muito dinheiro pelo livro. Talvez.

23
Nov09

Quem critica os críticos

Jorge Assunção

No outro dia, Miguel Sousa Tavares disparava veneno contra o guarda-redes Eduardo pelas declarações que este havia proferido sobre aqueles que haviam criticado as suas qualidades para ser o titular da selecção. Dizia Sousa Tavares que os jogadores de futebol deviam pensar que eram os únicos intocáveis, os únicos que podiam e deviam estar livres de criticas em Portugal. Não concordo com Sousa Tavares. Na minha avaliação, aqueles que em Portugal mais julgam estar livres de criticas são os próprios críticos. O que é terrível, porque neste país são poucos os que fazem critica pura e dura de forma independente e, contrariamente ao que parece pensar Sousa Tavares, em poucas áreas há tanto crítico como no futebol. Mas se os poucos que existem raramente aceitam discutir as suas análises criticas (e aqui não me refiro particularmente ao futebol), a partir de certa altura parece que pensam que tudo o que dizem é um dogma e não uma opinião discutível como tantas outras. Mas se, quando um crítico é criticado, este defende-se alegando que quem o ataca não aceita a crítica, não estará ele próprio a fazer aquilo que critica ao outro? Pois, bem prega Frei Tomás...

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