Segunda-feira, 15 de Dezembro de 2008

Pobreza, Definição e Limites

Risco de pobreza estabiliza em 18 por cento entre 2006 e 2007

Há 18 por cento de indivíduos residentes em Portugal que se encontravam em risco de pobreza em 2007, o mesmo valor indicativo observado em 2006, avança hoje o Instituto Nacional de Estatística (INE) no inquérito às Condições de Vida e Rendimento realizado em 2007, com base nos rendimentos de 2006. A taxa de risco de pobreza corresponde à proporção de habitantes com rendimentos anuais por adulto equivalente inferiores a 4544 euros em 2006, valor que corresponde a 379 euros mensais - aumento do limiar de pobreza de quatro por cento face a 2005.

A pobreza é um flagelo que afecta todas as sociedades e a necessidade de combate à mesma é em si um dever. Mas os números são manipuláveis e como tudo que envolve e influencia politicas, a definição de pobreza é tudo menos consensual, jogando cada um com os números que mais lhe dão jeito e com as comparações que mais servem as ideias que pretendem defender. A esse propósito tome-se em atenção o seguinte quadro:

 

(Fonte: Relative or absolute poverty in the US and EU? The battle of the rates)

 

O que os autores do estudo em questão fizeram foi comparar a medida de pobreza (relativa) utilizada na Europa, que colocaria os Estados Unidos como os com maior incidência de pobreza entre o conjunto de países considerado, com a medida de pobreza (absoluta) utilizada nos Estados Unidos, que faria saltar a pobreza em Portugal para um nível quatro vezes superior à dos Estados Unidos no ano 2000. Claro que ambos os indicadores tem os seus criticos e, sejamos sinceros, ambos são facilmente criticáveis porque não há indicador perfeito para este tipo de coisas, mas também fique claro desde já que dou muito mais valor ao segundo. É que com base no primeiro seria, por exemplo, possível a Portugal ter o mesmo nível de pobreza que uma Alemanha, quando nesta alguém que ganha o dobro do que é o limiar de pobreza definido pelo INE para Portugal (379 euros) ainda é considerado pobre. E depois, claro está, há coisas que estas medições não tomam em atenção. Por exemplo que nos Estados Unidos da América a pobreza persistente é quase nula (Dynamics of Economic Well-Being: Poverty 1996-1999 - durante o período em causa apenas 2% da população esteve abaixo do limiar da pobreza durante mais de 2 anos - facto a que a inexistência de persistência de desemprego de longo-prazo, contrariamente ao caso português, não deverá ser alheia). E para terminar, para quem goste mesmo do assunto, pode dar uma vista de olhos por aqui: EU versus USA.

publicado por Jorge A. às 18:57
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Sábado, 19 de Julho de 2008

Mecanismos de Empobrecimento

A pobreza em Portugal é persistente. A oposição defende mais apoio aos pobres. O Governo toma medidinhas. Mas há uma pergunta que fica sempre por responder. Porque é que ainda existe pobreza? [...] Os mecanismos de combate à pobreza tornam estas comunidades dependentes do Estado, mas auto-suficientes em relação ao resto da sociedade. Os membros destas comunidades não precisam de entrar na economia formal externa à sua comunidade nem de se adaptarem às normas de conduta da sociedade em que supostamente vivem. Os mecanismos de combate à pobreza tornam-se assim em mecanismos de perpetuação da pobreza e fonte de comportamentos irresponsáveis e de exclusão social.

João Miranda, na crónica habitual e sempre recomendável de sábado no DN

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publicado por Jorge A. às 20:11
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Sexta-feira, 6 de Junho de 2008

A Bom Porto

Portugal: uma economia submergente, por Nuno Garoupa no Jornal de Negócios: 

Pouco a pouco o Governo vai percebendo aquilo que é a realidade: Portugal continuará a ser um case study nas escolas de economia por este mundo fora. Desta vez, não por ser um caso de êxito sem precedentes (como se dizia nos anos 90), mas porque é talvez a primeira economia desenvolvida que se pode designar de economia submergente. Tal como manda a definição, a economia portuguesa vive um processo de empobrecimento continuado, sustentado e possivelmente irreversível. [...] 

[...] Por outras palavras, muito possivelmente só a geração que nasceu nos finais dos anos 90 quando chegar ao mercado de trabalho, lá para os finais da segunda década do século XXI, terá consciência de que a sua qualidade de vida, em média, vai ser significativamente inferior à que tinham os seus pais quando chegaram ao mercado de trabalho. Por isso, o processo de empobrecimento é sustentado. Não gerará nenhuma ruptura social ou política grave. A ideia que se generalizou nalguns sectores da opinião pública de que “isto tem de rebentar” ou “isto vai acabar mal” tem um cheirinho a 25 de Abril que não vai acontecer. “Isto” pode durar assim muitos e muitos longos anos. [...]

 

[...] Espero estar enganado, mas parece-me que o processo de empobrecimento é também irreversível, salvo qualquer choque externo positivo que não se vislumbra (e que seguramente teria de ser de uma magnitude muito superior ao choque que a economia portuguesa teve com a adesão à CEE ou à moeda única). A culpa, por uma vez, não é dos políticos, nem dos empresários, nem dos funcionários públicos, mas de todos os portugueses. Desde sempre a maioria dos portugueses tem deixado claro quando vota que não quer mudança, que não quer suportar os pesados custos das reformas necessárias em troca de benefícios incertos e longínquos. Uma atitude perfeitamente racional, mas extraordinariamente míope. [...]

 

[...] Os arautos do optimismo têm o seu trabalho cada vez mais complicado. Andaram três anos a dizer que, agora sim, as coisas iriam mudar e em menos de dois meses a realidade tirou-lhe o tapete. Afinal as Cassandras (esses malvados profetas da desgraça) e os Velhos do Restelo (essa figura tão difamada) até tinham razão. Esquecem-se de que a decadência do império português e o período filipino em breve demonstraram que o Velho do Restelo estava absolutamente certo. No caso da Cassandra não foram precisas duas gerações, bastou um ano. No nosso caso recente foram mesmo só dois meses.

(via: Portugal Contemporâneo)

publicado por Jorge A. às 01:28
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Segunda-feira, 22 de Outubro de 2007

Em Cuba poucos tem telemóvel

Ainda bem que decidi deixar de assistir ao Prós e Contras desta noite, o João Miranda teve a gentileza de fazer um óptimo resumo.

A partir do momento em que um dos intervenientes referiu o telemóvel como um exemplo das maiores dificuldades dos pobres de hoje em contrapartida com os pobres de ontem, procurando explicar a enorme pressão que o desejo de posse destes bens supérfluos exerce sobre os cidadãos actuais (a eterna apologia da maldita sociedade de consumo), achei por bem não ver o programa.

É que estas merdas colocam imensa pressão sobre a minha frágil capacidade de análise. Começo imediatamente a ponderar onde o tipo pretende chegar? Quer o tipo dizer que o óptimo seria todos terem telemóvel? Devia ser proibido o telemóvel? Senhas de racionamento?
publicado por Jorge A. às 23:29
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