Sexta-feira, 11 de Setembro de 2009

Competitividade

"A fraca competitividade e a baixa produtividade estão na raiz do baixo crescimento da economia portuguesa. Em vez de melhorarmos, temos descido nos “rankings” internacionais." Isto dizia-nos o PS no seu programa eleitoral para as legislativas de 2005 (via Rua Direita). Para sustentar a tese, o PS recorria ao Índice de Competitividade do World Economic Forum, onde Portugal aparecia na 25ª posição em 2004. O relatório para 2009-2010 foi divulgado recentemente, Portugal aparece na 43ª posição. Fantástica a evolução, não é?

E qual é o factor que pesa mais na péssima colocação do ranking para Portugal? A eficiência do mercado de trabalho, onde somos colocados no 103º lugar. Quero lembrar o que escrevi anteriormente no Delito de Opinião: Medina Carreira solicitava na SIC Noticias que fosse criada uma comissão para avaliar o motivo dos investidores estrangeiros trocarem Portugal por outros países europeus. Não tenho a mínima dúvida que um desses motivos é a elevada protecção ao emprego que vigora em Portugal e não é preciso nenhuma comissão independente para descobrir isso.

Contudo, podemos estar confiantes que PS e PSD nada de extraordinário pretendem alterar neste panorama. O PSD, tal como o PS em 2005, afirma a banalidade do costume: "Em consequência dos problemas estruturais de falta de produtividade e de competitividade, Portugal tem vindo a crescer cada vez menos." Tal como o PS versão 2005,  também demonstra conhecer o Índice de Competitividade do World Economic Forum: "No ranking de competitividade do World Economic Forum, Portugal caiu da 31.ª para a 43.ª posição entre 2005 e 2008." No entanto, fica por estas banalidades e pouco parece preocupar-se com os factores que contribuem para a nossa péssima posição.

Pretender reformar a legislação laboral é daquelas coisas que não compensa eleitoralmente. Fazer demagogia sobre a perda de direitos dos trabalhadores conquista votos. O país vai longe a continuar assim.

publicado por Jorge Assunção às 13:05
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Sexta-feira, 28 de Agosto de 2009

Zapatero a levar Espanha pelo mau caminho

Zapatero confirma que habrá subidas de impuestos, aunque "limitadas" y "temporales"


Una ruptura que, insistió Zapatero, estuvo motivada por las pretensiones de la CEOE de introducir una reforma laboral, lo que no aceptaron ni el Gobierno ni los sindicatos.

 

Aumentar os impostos? Sim. Reformar o mercado de trabalho? Não. Se aumenta os impostos, mas não produz qualquer reforma estrutural, seja no mercado de trabalho, seja noutro lado qualquer, o problema de base irá manter-se. Temo pelo futuro próximo de Espanha.

publicado por Jorge Assunção às 13:53
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Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

Vambora

Trabalhadores da Autoeuropa chumbam proposta de acordo com a administração

 

Se a empresa decidir abandonar o país, ninguém se queixe. E com isto não estou a tirar a razão aos trabalhadores, mas tão só a justificar uma possível saida da empresa. É que, para quem não tenha percebido, o mercado automóvel atravessa uma crise profunda e de obrigatória reformulação da cadeia produtiva.

publicado por Jorge A. às 22:18
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Segunda-feira, 2 de Fevereiro de 2009

Deve ser do clima

(Fonte: The Economist)

publicado por Jorge A. às 20:22
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Domingo, 19 de Outubro de 2008

Nas Entrelinhas

Portugal é o quarto país onde menos se trabalha. Será mesmo? Porquê? Bem, talvez este parágrafo ajude (via O Insurgente):

Já no que diz respeito à Função Pública, as coisas mudam. Portugal, com 35 horas de trabalho por semana, é nesta área de actividade o segundo país com menos carga laboral, a seguir à Itália, cujos funcionários públicos trabalham 32,9 horas. Neste caso, a Eurofound deixa o reparo: as horas de trabalho na Função Pública estão «significativamente abaixo» da média nacional.

E neste ano de 2009 têm garantida a subida dos salários em 2,9%. Já muitos dos portugueses no privado nem o posto de trabalho têm garantido, quanto mais andarem preocupados com aumentos salariais.

publicado por Jorge A. às 14:45
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Sábado, 4 de Outubro de 2008

Desfazendo Mitos

 

À atenção do Pedro Sales, que revela muita preocupação para com o elevado valor absoluto da dívida pública americana (via: O Insurgente). No outro dia alguém comentava numa conversa comigo que a divida pública americana havia atingido um valor astronómico, que os americanos eram os maiores devedores mundiais, tudo muito certinho, excepto que escapa sempre o pormenor que o produto interno bruto americano também é uma coisa extraordinariamente astronómica, o maior do mundo em valor absoluto, o que torna a situação da divida pública deles só um bocadinho menos preocupante que a situação da divida pública, sei lá, portuguesa, será? Já agora, e andando eu preocupado com outros números, dado os notórios conhecimentos do Pedro Sales sobre matérias económicas e a sua manifesta preocupação para com a saúde da economia americana, poderia tentar explicar-me o quadro que se segue (desemprego de longo prazo em percentagem do número de desempregados) com obrigação de recorrer ao uso da expressão "protecção ao emprego":

 

 

(Fonte dos dados: OECD)

publicado por Jorge A. às 04:20
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Sábado, 20 de Setembro de 2008

Código do Trabalho

Código do Trabalho aprovado com quatro deputados do PS contra

A proposta do Governo de revisão do Código do Trabalho foi aprovada hoje, na generalidade, com os votos favoráveis do PS, abstenções do PSD e CDS-PP, e os votos contra da oposição de esquerda e de quatro deputados socialistas.

O Código do Trabalho continua a ser um dos maiores entraves ao desenvolvimento do país, ao valorizar em demasia a protecção do empregado em pouco ou nada defende aquele que está em situação de desemprego e procura trabalho, tapando os olhos aos incentivos (ou falta deles) que tal protecção implica nas decisões de contratar/despedir trabalhadores por parte das empresas. Dessa forma, o que agora faz o PS são apenas alterações sem significancia que em pouco alteraram o quadro depressivo que é o mercado de trabalho português, mantendo praticamente tudo igual ao que já havia sido a reforma de Bagão Félix, sendo que também esta pecava por defeito na altura. Mas vale a pena recordar o que o então PS defendia:

 

PS vota contra proposta de Código de Trabalho

PS "compreende" greve geral

JS apoia greve geral da próxima terça-feira

 

E recordar a retórica comunista no assunto quando era um governo de direita no poder:

 

Código de Trabalho é "ajuste de contas com o 25 de Abril"

 

É bom saber que entre o PS na oposição em 2002 e o PS no poder em 2008 a evolução foi para melhor e que os comunistas certamente sentem-se um bocado orfãos dos fantasmas do passado - a retórica anti-fascista tem mais dificuldade a vir ao de cima quando o PS é governo. E quem quiser continuar a votar nesta canalha não tem que esperar muito, em 2009 tem nova oportunidade.

publicado por Jorge A. às 10:39
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Quarta-feira, 10 de Outubro de 2007

Um Mercado à Parte

É fantástico, não é? Em média, um português aguenta mais de 12 anos na mesma empresa (na Europa só a Grécia faz melhor - ou pior, conforme a perspectiva). Nos Estados Unidos aguentam 4 anitos apenas. É a teoria do emprego para a vida que alimenta o sonho de parte do povo trabalhador. Em parte o medo de arriscar, o desejo da segurança. Mas em muito maior parte isto deve-se à impossibilidade de arriscar. Com as leis laborais que temos, uma empresa pensa duas vezes antes de contratar quem quer que seja, e o trabalhador pensa duas (para não dizer três ou quatro) vezes antes de deixar a sua empresa. Ou isso, ou o trabalhador português contenta-se com pouco, e rapidamente descobre o emprego que o deixa feliz...

Curiosamente (embora sem nada de curioso), a facilidade de despedir não promove taxas de desemprego elevadas. E mesmo sem gráfico, garanto-vos desde já que não promove salários baixos... Mais, boa parte da taxa de desemprego verificada nos EUA não é devido a desemprego de longo prazo (como em Portugal o é), mas por pessoas em situação de desemprego temporário enquanto acabaram de mandar um patrão à fava e procuram outro melhor.
O gráfico em cima é sobre o efeito do salário minimo no desemprego dos mais jovens. O que se constata é que quanto maior o salário minimo, maior o desemprego junto das classes mais jovens. Normal, um jovem sem habilitações e no inicio de actividade dificilmente terá um nível de produtividade que corresponda ao salário minimo...

Os estados a azul escuro, são estados norte americanos onde não existe salário minimo. Em Portugal nem se imagina o que isso é ou sequer que isso seja possível num país economicamente desenvolvido - há quem peça um salário mínimo tipo 426,5 euros. São curiosamente os mesmos que depois atacam o governo pelo desemprego elevado. Um dia, ainda me vão explicar de onde retiram estes valores. Qual o mecanismo e a forma de cálcular o salário minimo? Não há. De onde vem esta precisão dos 426,5? Podiam dizer qualquer coisa como à volta dos 425 euros, mas não, aquela merda é precisa: eles querem um salário minimo de 426,5 (atente-se no virgula cinco) euros. É um espectáculo. Mas em Portugal, acabar com o salário minimo seria o fim de qualquer governo.

Mas há sinais de mudança na sociedade portuguesa. No sector ao qual estou ligado, há várias pessoas a trabalharem no Algarve vindas de outras regiões do país (o que implica uma mobilidade não caracteristica do mercado de trabalho português), e boa parte do pessoal qualificado troca de empresa em busca de condições melhores a partir de certo ponto. Claro que continuam a existir pontos negros: há muito boa gente com qualidade para continuar a desempenhar funções na empresa que é posta de parte porque a empresa não pode arriscar ter mais um funcionário com contrato efectivo. Ao mesmo tempo que nessa empresa há pessoal efectivo que poderia muito bem ser posto de parte...

publicado por Jorge A. às 21:50
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Segunda-feira, 28 de Maio de 2007

Números são números

O tipo da FENPROF diz que a taxa de desemprego dos licenciados é 3 vezes superior à taxa de desemprego dos não licenciados. A debitar a cassete comete uma gaffe tremenda. O ministro aproveita. Remeto todos os que não conhecem os números para este post. Carvalho da Silva sai em defesa do colega e joga com os números, diz também que não cai em casca de banana, já o tipo da FENPROF não pode dizer o mesmo...
publicado por Jorge A. às 23:30
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Segunda-feira, 30 de Abril de 2007

Mercado de Trabalho


  • O mercado de trabalho português é um dos mais estáveis da OCDE. Há uma baixa rotação de trabalhadores, com o número médio de empregos ao longo da vida activa por trabalhador a ser relativamente baixo; e a antiguidade média no posto de trabalho, por oposição, a ser relativamente alta.

  • Os custos de despedimento em Portugal são elevadíssimos, portanto o salário máximo que o empregador está disposto a pagar ao trabalhador diminui e o limiar minimo de produtividade para criar um novo posto de trabalho é maior.

  • A dinâmica do mercado de trabalho português é fraca (não há os famosos quits que se vêem nos filmes norte-americanos, nem andamos com a casa às costas, sempre disponiveis para irmos atrás dos locais onde há emprego)

  • Os elevados custos de despedimento levam a que a quantidade de pessoas despedidas seja menor, mas ao mesmo tempo leva a que a duração média do desemprego aumente - logo o efeito sobre o nível de emprego é incerto.

  • Os Estados Unidos é o país com maior flexibilidade de despedimentos. Tendo tido taxas de desemprego semelhantes à portuguesa, apresenta contudo uma duração média do desemprego três vezes inferior à portuguesa.

  • Em Portugal a taxa de desemprego reflecte sobretudo o tempo que um individuo demora até encontrar emprego, nos Estados Unidos da América reflecte a constante entrada e saida de pessoas dos seus empregos (o quit para ir atrás de um emprego melhor).

Fonte: Trabalhos do Professor Pedro Portugal - docente da cadeira de Economia do Trabalho da Universidade Nova de Lisboa, entre outras coisas...

publicado por Jorge A. às 23:25
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