Quinta-feira, 18 de Junho de 2009

British Airways vs Virgin Atlantic

British Airways pede a funcionários para trabalhar sem remuneração. Será estranho que isto suceda? Porque passa a British Airways por dificuldades? Bem, talvez porque a BA pague ao pessoal de cabine £29,900, contra as £14,400 pagas pela Virgin Atlantic e as £20,200 da EasyJet. Já os pilotos da BA ganham em média £107,600, contra £89,500 para os da Virgin e £71,400 para os da EasyJet. A crise nesse aspecto não perdoa, os mais ineficientes normalmente fecham portas (fonte).

 

Isto também me levou a outra reflexão. Normalmente, associa-se as companhias de baixo custo a menor segurança. Isto porque são companhias que procuram minimizar os gastos e poderão, em teoria, recorrer a despesas em segurança mínimas para poupar. Já neste blogue tentei demonstrar que não é bem assim, pelo contrário, as companhias de baixo custo são das que mais segurança apresentam, por dois motivos: primeiro porque usam aviões recentes (mais seguros e gastam menos combustível) e segundo porque, exactamente por essa desconfiança natural com a segurança das mesmas, tendem em ter maior preocupação com a segurança dos seus aparelhos (imaginem, por exemplo, que o avião que caiu no vôo Rio de Janeiro - Paris era de uma low cost e não da Air France e perceberão onde quero chegar). Contudo, se as companhias grandes, com custos elevados, estão a passar nesta fase por dificuldades financeiras, não deveriam ser estas neste momento o alvo da desconfiança por parte dos utilizadores de avião?

publicado por Jorge A. às 06:52
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Domingo, 19 de Abril de 2009

The conservative soul

"Why have conservatives been in favor of free markets historically? And I would posit the following:

 

The critical argument behind free markets is that markets devolve decisionmaking to the people closest to the activities involved, and those people have the most knowledge and understanding of what they are doing. The closer you are to what you are dealing with, the more likely you are to know what you are doing. And the further away you are from those particular interactions on the ground, the more likely you are to get it wrong.

 

And so conservatism in the 20th century had a very powerful critique, from Hayek to Oakeshott, of the insanity of governments and of central authorities dictating to large, complex, organic, dynamic groups of people what was the right way to order their economies or societies.

 

Why? Because one individual, one expert, is often wrong. Not only that; when people become certain that they are right, they can create great damage to the fabric of society. This was the essence of Burke’s critique of the French Revolution: You are messing with things you do not understand. French society is too complex for one human mind, however brilliant, to master.

 

Michael Oakeshott had a great metaphor for this particular issue. He called it governing by the book. When Oakeshott spoke of “the book,” he was speaking primarily of the 1940s, ‘50s, and ‘60s, of the great era of liberal triumphalism: We have figured it all out. We know how to make society wealthy. We will abolish poverty. We will be rid of war. We have figured it all out at Harvard, and we are just going to implement it all upon the world.

 

Oakeshott said no at a time when it was very unpopular and difficult to say no. But he said no for a very simple and powerful purpose. He said: If you are governing a society by a book, and you are actually having to govern as you are reading and understanding and writing that book, every now and again you are going to have to look up from the book just to make sure that people are behaving according to plan. And very soon after you have written that book and you have your idea of what the world should be like, you will look up and realize there are people misbehaving. They are not following the rules in the book. If you are going to govern them, you are going to have to keep looking up from the book just to keep them all in line. And eventually you are going to be looking up from the book so often that there will come a moment when you will have to close the book."

 

Andrew Sullivan [um excelente profile de Sullivan pode ser encontrado aqui]

publicado por Jorge A. às 09:43
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Segunda-feira, 6 de Abril de 2009

Free

Sobre a declaração da cimeira do G20 em Londres e a de Novembro de 2008: “… a commitment to free market principles …” has been replaced by “… based on market principles …”. Note that the word “free” is nowhere in the document.

 

Mais aqui.

publicado por Jorge A. às 21:01
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Segunda-feira, 16 de Março de 2009

Uma lição

"Where large sums of money are concerned, it is advisable to trust nobody." Agatha Christie

 

No New York Times, Joe Nocera escreve um artigo onde afirma que as vítimas de Bernie Madoff foram na prática cúmplices deste. A explicação para tal conclusão passa pelo facto de boa parte dos investidores terem acreditado de olhos fechados em Madoff, não questionando onde e como era gerada a rentabilidade dos seus investimentos, bem como pelo facto de terem em muitos casos entegue todo o seu dinheiro nas mãos de uma só pessoa. Bruce Greenwald, citado no artigo, afirma mesmo que a situação constitui "uma lição real pois demonstra que no que se refere às nossas finanças pessoais não nos é possível abdicar da responsabilidade pessoal".

 

É também dito que muitas destas pessoas consideram que foram duplamente prejudicadas, quer por Madoff, quer pela agência reguladora norte-americana que devia ter identificado préviamente o esquema fraudulento. Com isto, dada a impossibilidade de recuperarem o seu dinheiro via Madoff, procuram obter compensação pelas suas perdas através do governo - por outras palavras, pretendem que o contribuinte pague.

 

O quadro pintado apresenta semelhanças com a situação que muitos dos clientes do Banco Privado Português atravessam. Mas, apesar de alguns destes casos terem contornos dramáticos, não é possível pedir ao contribuinte que pague pelos erros dos outros. E os primeiros a errar, pelos mais variados motivos, foram os detentores do dinheiro. A total desresponsabilização dos investidores seria um erro com custos futuros, a sua responsabilização com o assumir da perda financeira será uma lição quer para eles, quer para todos os restantes membros da sociedade.

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publicado por Jorge A. às 10:24
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Sábado, 14 de Março de 2009

Oportunidades de Negócio

Exemplar da primeira BD do Super-Homem vendido por 245 mil euros

 

Custava 10 cêntimos em 1938 e o agora vendedor comprou-a por 35 cêntimos em 1950.

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publicado por Jorge A. às 13:48
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Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2009

Protestos

O petróleo dispara 17% em três dias e a Galp, Cepsa, BP e Repsol descem preços do gasóleo e gasolina. Aguarda-se os protestos por tão absurda decisão das gasolineiras portuguesas.

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publicado por Jorge A. às 18:21
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Sábado, 15 de Novembro de 2008

Cruel, Cold and Heartless

Façam o favor de ler com a devida atenção:

 

Save the Rust Belt!, por Megan McArdle:

A few heartfelt pleas from native Michiganders who don't want to see their state destroyed. Several emails and comments complaining that I'm a heartless, effete New York type who doesn't understand that if the Big Three go down, some darn fine folks and a beautiful way of life will be destroyed. 

 

I love western New York, which may be the most beautiful place on earth. I love the old cities, the Victorian shells that whisper of much happier days, and the broad, rolling hills, and the broad flat accents of the people who live on them. I love waterfalls softly falling downtown and the Buffalo City Hall. I love the place as you can only love somewhere that your family has been living for 200 years. I would save it if I could. But I can't save it. Pouring government money in has been tried . . . and tried, and tried, and tried. It props up the local construction business, or some company, for a few more years, and then slowly drains away. Western New York has been the lucky recipient of largesse from a generous federal government, a flush state government, and not a few self-made men with happy memories of a childhood there. And still, it dies.

 

Moreover, it wouldn't be right to save it by destroying someone else's business, killing someone else's town. That's the choice we are facing. At its heart, economics is not about money; it is about resources. Every dollar sent to Detroit buys a yard of steel, a reel of copper wire, an hour of labor that now cannot be consumed by a business that actually produces a profitable, desireable product. It's not right to strangle those businesses in order to steal some air for the dying giants of an earlier day.

Failure: For Our Future, por Will Wilkinson:

We should do what we can to limit downside risk consistent with the goal of producing broad prosperity. And we should feel a pang for those whose expectations are disappointed, whose lives turn out harder than they’d hoped. But the impulse to freeze the system, to try to tape all the cracks and staple all the cleavages, to ensure that nobody has to explain to their kid why Christmas this year is going to be a lousy Christmas, that is one of our greatest dangers. Our sympathy, untutored by a grasp of the larger scheme, can perversely make itself ever more necessary. When we feel compelled to act on our uncoached fellow-feeling, next year’s Christmas is likely to turn a bit worse for everybody. And then somebody has to explain to the kids that they can’t find a job at all. Businesses that would get started don’t get started, wealth that would be created isn’t. And in just a few decades, the prevailing standard of living is much, much lower than it could have been had our sympathy been more far-seeing. There is no justice, and great harm, in diminishing the whole array of future opportunity to save a few people now from a regrettable fate.

On Human Suffering, por Conor Friedersdorf:

Perhaps you disagree with Will. That is, however, irrelevant to this point: asking will to support the Detroit bailout, without changing his mind about human suffering, is the same as asking that he deliberately condemn people to suffering. Or put another way, saying to Will, "How can you stand by without bailing these people out, you callous man," is akin to saying to a doctor enforcing a quarantine, "How can you let that man suffer alone in there without releasing him into human company," even though the doctor believes with all his heart that releasing the man would spread his disease through an entire population that would otherwise not suffer so.

 

Try to change the mind of Will and like-minded people who oppose an auto-bailout if you think their premises are incorrect — but if you accuse them of being callous, or appeal to their sympathy, you are misunderstanding their position. Indeed it is their very sympathy and humanity, informed by their logic, that prevents them from being able to support a bailout, though they feel for those who would be helped by it just as the doctor feels for the quarantined man. (I should add that this analogy isn’t perfect, because the quarantined man can and should be helped in other ways.)

Em Portugal, desde comunistas a socialistas, passando por sociais democratas e democratas cristãos, todos gostam de falar sobre a sua preocupação para com as pessoas e com os mais pobres/carenciados - e falam dessa preocupação para propôr ideias e medidas de apoio de curto prazo. Visto dessa perspectiva, por vezes, fica a ideia que pessoas que não partilham das suas soluções de curto prazo não só não tem essa preocupação, como estão completamente nas tintas para o conjunto de pessoas mais desfavorecidas. Ora, o que se passa é precisamente o contrário, é por nos preocuparmos com as pessoas e os mais desfavorecidos, com as condições de vida das populações servidas pelos politicos que nos governam, que seguindo aquilo que acreditamos não temos outra hipótese se não ser contra medidinhas de curto-prazo que podem trazer beneficios imediatos a algumas pessoas, mas prejudicam muitas mais a médio prazo (incluindo, por vezes, as próprias beneficiadas no imediato). Claro que retratar o adversário como uma pessoa desumana, fria e cruel, é uma boa forma de ganhar a simpatia popular face ao adversário, mas não é certamente uma boa maneira de ganhar no plano do debate de ideias.

publicado por Jorge A. às 15:53
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Sábado, 18 de Outubro de 2008

Mercado de Apostas

Há uns dias o Luis Pedro comentava no seu blogue a existência de cotações diferentes para Obama e McCain caso se apostasse no Intrade ou no Iowa Electronic Markets, sugerindo a possibilidade de criar um portfolio entre os dois mercados que garantia retorno certo no final da eleição (possibilidade essa que nunca se verificou, o desfasamento só favorecia os apostadores em Obama a recorreram ao Intrade face ao Iowa Electronic Markets, visto que o primeiro garantia maior rentabilidade para a mesma aposta). Tal facto já havia levado Nate Silver a suspeitar do Intrade, o que pelos vistos confirmou-se. Um grande investidor apostou muito dinheiro em McCain no Intrade o que puxou a cotação deste para cima. O objectivo pode ter sido o de manipular o mercado e criar com isso algum momentum para o candidato republicano (por outro lado, pode ter sido apenas uma aposta de alto risco), mas o que de facto garantiu foi criar as condições no mercado para alguns ganharem dinheiro certo.

publicado por Jorge A. às 19:30
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