Segunda-feira, 6 de Abril de 2009

Free

Sobre a declaração da cimeira do G20 em Londres e a de Novembro de 2008: “… a commitment to free market principles …” has been replaced by “… based on market principles …”. Note that the word “free” is nowhere in the document.

 

Mais aqui.

publicado por Jorge A. às 21:01
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Segunda-feira, 2 de Março de 2009

Homens Livres

Tudo isto tem faltado, desde há muito, em Portugal. E os portugueses não são, hoje, verdadeiramente livres. Não o são porque dependem mais do estado do que de si mesmos, e não o são porque o estado lhes impõe frequentemente obrigações que eles não gostariam de cumprir e às quais não deveriam ser obrigados. Esta situação foi resultado de um estatismo secular, ancestral na nossa cultura e na nossa história política (Portugal foi o primeiro estado unitário europeu), e não é o facto de votarem com alguma liberdade de tempos a tempos, que lhes confere a qualidade de homens livres.

Rui A. no Portugal Contemporâneo

publicado por Jorge A. às 20:09
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Domingo, 15 de Fevereiro de 2009

Rorschach

No Twitter, no Blip e na minha antiga conta do Blogger adoptei como icone de apresentação uma representação do Rorschach, a personagem mais fascinante do Watchmen de Alan Moore. O motivo não é a minha identificação especial com o personagem e aquilo que ela representa, mas há uma particularidade que sempre achei curiosa e relevante em Rorschach. Este não é muito mais do que a representação que Alan Moore fazia das ideias de Ayn Rand.

 

O personagem é, em última instância e recorrendo à própria classificação de Moore, um elemento da extrema-direita. Ao mesmo tempo não andarei longe da verdade se o classificar como o mais interessante e misterioso personagem aos olhos da maioria dos leitores do livro.

 

Mas o fascinio que desperta vem também embrulhado num sentimento de repulsa. O objectivismo e absolutismo moral de que a sua personalidade se reveste (a divisão clara entre o bem e o mal, a visão a preto e branco do mundo) e a sua refusa em pactuar com os designios do "bem-comum", tornam-no tanto num herói como no seu contrário. E deixam o leitor confuso sobre a concordância ou a falta dela para com as acções de Rorschach.

 

Em parte, Moore procura retratar Rorschach não como um agente de mudança para com o mundo podre em que se encontra, mas como um ser cujas acções fazem parte integrante desse mundo (e perpetuam o estado das coisas). Nesse sentido, ao contrário do V de V for Vendetta, que luta contra um estado policial e procura efectivamente mudar o mundo, atreveria-me a dizer que Rorschach poderia, num contexto fora de Watchmen, ser elevado ao posto de representante máximo desse estado policial imaginado por Moore no universo de V for Vendetta.

 

No fim, sendo certo que não partilho com todo o pensamento de Ayn Rand, confesso que é impossível não achar que Moore apresenta uma visão distorcida do objectivismo de Rand. E esta forma de preconceito generalizado para com as posições de Rand são fáceis de encontrar no mundo real perante outros pensadores como Hayek, Mises ou Rothbard. Alan Moore está longe portanto de cometer uma originalidade.

 

Moore não faz mais do que é prática corrente no mainstream, que é tratar todo o pensamento que aparenta ser estranho e diferente como coisa de maluquinhos e paranóicos. É isso que ele directamente chama a Rand com o seu Rorschach. Curiosamente, ou então não, o mainstream não anda muito longe de classificar as ideias politicas e filosóficas de Moore da mesma forma.

 

E nem é preciso ir às ideias de Moore. Afinal, confessem lá, o que diriam de um tipo que se presta a aparecer em público nesta figurinha:

 

publicado por Jorge A. às 16:42
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Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2009

Dois Livros Indispensáveis

 

Ora aqui está uma parelha de livros que terei muito orgulho em ter cá por casa. E tudo obra das Edições 70 que em 2006 lembraram-se de editar Sobre a Liberdade de John Stuart Mill e agora tem a feliz e oportuna ideia de publicar O Caminho para a Servidão de Friedrich Hayek (via: O Insurgente).

 

publicado por Jorge A. às 13:03
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Sábado, 6 de Dezembro de 2008

Culpa II

Não basta apenas rejeitar, ainda que claramente, as vias oferecidas pelo neocapitalismo e pelo neoliberalismo, por incapazes de resolverem as contradições da sociedade portuguesa e de evitarem a inflação, o desemprego, a insegurança e a alienação nas sociedades que constróem.

Quem disse isto? Francisco Louçã? Jerónimo de Sousa? Mário Soares? Longe disso. Foi esse icon do partido laranjinha português muito celebrado que dá pelo nome de Francisco Sá Carneiro (via: Carlos Guimarães Pinto). Mas tão importante quanto o quem é o quando, para perceber que passado mais de um quarto de século o discurso que vinga é o mesmo e as pessoas, quais ovelhas numa fábula de Orwell, vão atrás. Mas sem um inimigo (imaginário) a quem apontar o dedo o sistema há muito teria ruido.

publicado por Jorge A. às 12:08
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Culpa

A propósito da crise financeira não há gente que apareça na televisão, da esquerda à direita, que não venha com a treta que a crise prova que os fundamentalistas do mercado estavam errados, que o neo-liberalismo morreu, e coisa e tal. Eu acho particularmente engraçada a coisa. Olhemos por exemplo para o caso português, digam-me um, um só politico português cuja escola de pensamento económica fosse liberal? Um só ministro das Finanças cujo fundamento da governação fosse o laissez-faire? Não há. A coisa chega a atingir contornos ridiculos quando alguns lideres fazem de conta que o poder não foi seu nos últimos anos e vão agora, qual dom quixote, resgatar a economia das malhas do neo-liberalismo e impôr uma nova ordem mundial - exemplo máximo nesse fantástico ser que é Durão Barroso que procura salvar a Europa de uma crise que certamente, nem questionem tal facto, não tem em nada culpa dele. Isto é cómico, não fosse trágico.

 

Na Europa tivemos no poder das três maiores nações europeias lideres como Tony Blair, Gordon Brown, Jacques Chirac, Nicolas Sarkozy, Gerard Schroder e Angela Merkel. Nem um estadista e todos liberais como se sabe - para melhorar a coisa, três deles estão inclusivamente na linha da frente do restabelecimento da economia mundial, cujo caos nada tem de culpa deles ou dos que os antecederam. Ponto assente. Não discuto.

 

Talvez a verdade seja outra, quando atiram as culpas para os neo-liberais querem simplesmente atirar a culpa para a potência económica mundial a que associam essas prática: os Estados Unidos. Mas a pergunta mais uma vez coloca-se: em tom sério, alguém é capaz de apontar George Bush como um liberal? Um defensor do mercado livre e desregulado? Do estado pequeno e com pouca interferência na vida económica do país? Com base em que politica? Na que não existiu? Não foi por acaso que Obama, um democrata com uma visão politica social-democrata, obteve em várias sondagens a vantagem no voto liberal norte-americano (ou libertário, se preferirem, para que não fiquem dúvidas).

 

Os liberais tornaram-se o tubo de escape que todas as culpas suportam e de todos os males são responsáveis. O facto de a maior parte dos orgãos de poder e do mainstream económico nunca ter cedido ao liberalismo (contrariamente ao que alguns fazem por crer) pouco importa. O que importa é perpetuar o poder e para o perpetuar nada melhor do que atribuir a culpa aos outros - com um pouco de sorte e habilidade politica ainda vêem o seu poder reforçado.

 

Os mesmos politicos de sempre vão continuar a governar-nos e os mesmos economistas de sempre vão continuar a mandar os seus bitaites na televisão. É aquilo que se chama, plagiando a campanha de Obama, mudança em que se pode acreditar. Entretanto, um pouco à semelhança da mão de Adam Smith, os invisiveis dos neo-liberais que dominavam o mundo e impunham a sua ideologia são dados como vencidos.

 

A sociedade pode deleitar-se de contente com o caminho escolhido, os inimigos derrotados, um novo mundo renasce, rumo à próxima crise...

publicado por Jorge A. às 03:08
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Sexta-feira, 5 de Dezembro de 2008

Departamento de Previsões

[W]e do know something - at least abstractly - about the future. We know that other great crises will come. Whether they will be occasioned by foreign wars, economic collapse, or rampant terrorism, no one can predict with assurances. Yet in one form of another, great crises will surely come again... When they do, governments almost certainly will gain new powers over economic and social affairs... For those who cherish individual liberty and a free society, the prospect is deeply disheartening.

Robert Higgs em Crisis and Leviathan. Ano: 1987. (via: Econlog).

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publicado por Jorge A. às 23:15
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Sábado, 15 de Novembro de 2008

Cruel, Cold and Heartless

Façam o favor de ler com a devida atenção:

 

Save the Rust Belt!, por Megan McArdle:

A few heartfelt pleas from native Michiganders who don't want to see their state destroyed. Several emails and comments complaining that I'm a heartless, effete New York type who doesn't understand that if the Big Three go down, some darn fine folks and a beautiful way of life will be destroyed. 

 

I love western New York, which may be the most beautiful place on earth. I love the old cities, the Victorian shells that whisper of much happier days, and the broad, rolling hills, and the broad flat accents of the people who live on them. I love waterfalls softly falling downtown and the Buffalo City Hall. I love the place as you can only love somewhere that your family has been living for 200 years. I would save it if I could. But I can't save it. Pouring government money in has been tried . . . and tried, and tried, and tried. It props up the local construction business, or some company, for a few more years, and then slowly drains away. Western New York has been the lucky recipient of largesse from a generous federal government, a flush state government, and not a few self-made men with happy memories of a childhood there. And still, it dies.

 

Moreover, it wouldn't be right to save it by destroying someone else's business, killing someone else's town. That's the choice we are facing. At its heart, economics is not about money; it is about resources. Every dollar sent to Detroit buys a yard of steel, a reel of copper wire, an hour of labor that now cannot be consumed by a business that actually produces a profitable, desireable product. It's not right to strangle those businesses in order to steal some air for the dying giants of an earlier day.

Failure: For Our Future, por Will Wilkinson:

We should do what we can to limit downside risk consistent with the goal of producing broad prosperity. And we should feel a pang for those whose expectations are disappointed, whose lives turn out harder than they’d hoped. But the impulse to freeze the system, to try to tape all the cracks and staple all the cleavages, to ensure that nobody has to explain to their kid why Christmas this year is going to be a lousy Christmas, that is one of our greatest dangers. Our sympathy, untutored by a grasp of the larger scheme, can perversely make itself ever more necessary. When we feel compelled to act on our uncoached fellow-feeling, next year’s Christmas is likely to turn a bit worse for everybody. And then somebody has to explain to the kids that they can’t find a job at all. Businesses that would get started don’t get started, wealth that would be created isn’t. And in just a few decades, the prevailing standard of living is much, much lower than it could have been had our sympathy been more far-seeing. There is no justice, and great harm, in diminishing the whole array of future opportunity to save a few people now from a regrettable fate.

On Human Suffering, por Conor Friedersdorf:

Perhaps you disagree with Will. That is, however, irrelevant to this point: asking will to support the Detroit bailout, without changing his mind about human suffering, is the same as asking that he deliberately condemn people to suffering. Or put another way, saying to Will, "How can you stand by without bailing these people out, you callous man," is akin to saying to a doctor enforcing a quarantine, "How can you let that man suffer alone in there without releasing him into human company," even though the doctor believes with all his heart that releasing the man would spread his disease through an entire population that would otherwise not suffer so.

 

Try to change the mind of Will and like-minded people who oppose an auto-bailout if you think their premises are incorrect — but if you accuse them of being callous, or appeal to their sympathy, you are misunderstanding their position. Indeed it is their very sympathy and humanity, informed by their logic, that prevents them from being able to support a bailout, though they feel for those who would be helped by it just as the doctor feels for the quarantined man. (I should add that this analogy isn’t perfect, because the quarantined man can and should be helped in other ways.)

Em Portugal, desde comunistas a socialistas, passando por sociais democratas e democratas cristãos, todos gostam de falar sobre a sua preocupação para com as pessoas e com os mais pobres/carenciados - e falam dessa preocupação para propôr ideias e medidas de apoio de curto prazo. Visto dessa perspectiva, por vezes, fica a ideia que pessoas que não partilham das suas soluções de curto prazo não só não tem essa preocupação, como estão completamente nas tintas para o conjunto de pessoas mais desfavorecidas. Ora, o que se passa é precisamente o contrário, é por nos preocuparmos com as pessoas e os mais desfavorecidos, com as condições de vida das populações servidas pelos politicos que nos governam, que seguindo aquilo que acreditamos não temos outra hipótese se não ser contra medidinhas de curto-prazo que podem trazer beneficios imediatos a algumas pessoas, mas prejudicam muitas mais a médio prazo (incluindo, por vezes, as próprias beneficiadas no imediato). Claro que retratar o adversário como uma pessoa desumana, fria e cruel, é uma boa forma de ganhar a simpatia popular face ao adversário, mas não é certamente uma boa maneira de ganhar no plano do debate de ideias.

publicado por Jorge A. às 15:53
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Quinta-feira, 30 de Outubro de 2008

Contra McCain

A Closed Theory Case Study, por Julian Sanchez:

I’ve never classed myself as a proper conservative of any sort, and indeed, over the last eight years my tendency has been to increasingly see allies on the left, if only as a counterweight to the monstrous excesses of the Bush administration. But unlike my friends who march under the progressive banner, I have no desire to see the Republican party relegated to permanent—or even persistent—irrelevance. 

 

I’m going to cheer their coming defeat at the polls precisely because it’s clear that a corrective is in order: They need a time-out to think about what they’ve done. But I’m terrified they’ll spend the next two-to-four years concluding that they erred only in not indulging resentment and celebrating ignorance enough, in not being intransigent enough, in not demonizing their opponents enough. Because if they do, we’re looking at eight years of Democratic supermajorities in Congress under a Democratic executive.

 

I’m not going to pretend that the political answer is to tack hard libertarian—I have no illusions that the right policy agenda is, by some sort of wonderous Leibnizinan coincidence, also a big electoral winner. But if the shrinking conservative remnant believes that it’s only libertarians and latte-sippers who’ve been turned off by the trifecta of crude populism, fundamentalism, and militarism that has recently been ascendant, they’re in for a still ruder awakening in 2012.

publicado por Jorge A. às 23:52
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Segunda-feira, 22 de Setembro de 2008

Cinzento

"At all times sincere friends of freedom have been rare, and its triumphs have been due to minorities, that have prevailed by associating themselves with auxiliaries whose objects often differed from their own; and this association, which is always dangerous, has sometimes been disastrous, by giving to opponents just grounds of opposition."

 

A citação é de Lord Acton e é a mesma que serve de introdução ao brilhante texto de Friedrich Hayek Why I Am Not a Conservative. No blogue Organization and Markets, Peter Klein procura adivinhar o que teria Hayek a dizer da crise actual. Ora, Hayek muito provavelmente atribuiria as culpas ao socialismo monetário na linha da escola austriaca de pensamento económico que é aquela que partilho.

 

Os próximos tempos serão contudo cinzentos, mesmo na badalada pátria do capitalismo selvagem o plano de salvação é absolutamente socialista. As culpas da crise parecem identificadas e a resposta passa certamente por mais e pior Estado.

 

O problema é que esta atribuição de culpas ao liberalismo é natural, justificada e, em parte, permitida pelos próprios liberais. Muitos, ao aceitarem formar barricada com outros que no fim não partilham a mesma visão de sociedade e que são em parte responsáveis pela crise actual, perderam força moral para defenderem agora a sua solução para a crise.

 

Em Portugal, contudo, vale a pena dar uma espreitadela ao que o Carlos Novais vai escrevendo por aqui ou aqui. O Carlos Novais, mais conhecido por CN entre o pessoal da bloga, é dos poucos que nunca refugiou-se na barricada de outros, antes pelo contrário, é dos que não se importa, via caixa de comentários, de fazer incursões ofensivas às barricadas dos outros. Isso garante-lhe moral para falar sobre a coisa, mas mais importante que a moral, é a razão que lhe assiste.

publicado por Jorge A. às 23:58
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Sexta-feira, 1 de Agosto de 2008

Friedman

Milton Friedman recordado por Diogo Costa (via O Insurgente)

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publicado por Jorge A. às 01:58
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Quarta-feira, 16 de Julho de 2008

Ler os outros

"Os liberais, pessimistas sobre a natureza humana, ou melhor, realistas, sabem que só o governo mínimo pode reduzir os riscos de prejuízos máximos para a liberdade. Os liberais nunca acreditaram na teoria das elites como fundamento do sistema de governo. Eles preferem o processo de mercado, onde cada interveniente se encontra em plano de igualdade com os demais, para que os indivíduos possam fazer as suas escolhas." Rui Albuquerque, no Insurgente.
publicado por Jorge A. às 22:05
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Quarta-feira, 9 de Julho de 2008

Great Lines

A propósito do V for Vendetta a que a Eo faz referência nesta caixa de comentários, lembrei-me desta grande linha:

 

 "The best government records are tax records."

publicado por Jorge A. às 11:24
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Segunda-feira, 5 de Maio de 2008

Prós e Contras

Enquanto consulto o conceito das vantagens comparativas e dou uma vista de olhos pelo Mercantilismo, perco também algum tempo a consultar a entrada sobre o Nazismo, ideologia que desprezava o liberalismo económico/politico e sonhava com uma Alemanha autosuficiente. E não se enganem, aquele tipo que dá pelo nome de Arlindo Cunha no prós e contras e que tem uma retórica anti-liberal, que para além de estúpida e ignorante, faz lembrar o mais dedicado dos comunistas, foi mesmo ministro em dois governos do dito partido de direita PSD. Para evitar as náuseas, vou voltar a dar uma vista de olhos pelo novo trailer do Dark Knight.

publicado por Jorge A. às 23:39
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Quinta-feira, 6 de Dezembro de 2007

A ler

O excelente post do João Miranda: Liberalismo e as causas culturais. Também de acompanhar a discussão gerada na caixa de comentários.
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publicado por Jorge A. às 22:40
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Sábado, 1 de Dezembro de 2007

Esperança da Direita Liberal?

"[T]o proclaim spiritual sisterhood with lesbians... is so repulsive a set of premises from so loathsome a sense of life that an accurate commentary would require the kind of language I do not like to see in print." Ayn Rand

"involves psychological flaws, corruptions, errors, or unfortunate premises" idem

"is immoral, and more than that; if you want my really sincere opinion, it's disgusting."
idem
Ora, isto é para citar alguém cujo pensamento filosófico julgo que o CAA aprecia - CAA esse que na sequência deste post do Tiago Mendes - que casca forte e feio no André Azevedo Alves - refere que ainda "há esperança para a direita liberal em Portugal". Espero que o CAA liberte-se de vez do pensamento de Rand, não vá as esperanças desvanecerem por aqueles lados. O debate em torno do "eu sou mais liberal do que tu" é coisa que não me empolga, e já o Tiago Mendes tinha enveredado por esse caminho nas suas últimas palavras: Se me indicarem uma escola filosófica (a Bobone não vale, tenham lá paciência) onde a educação se sobreponha liminarmente a tudo o resto (incuindo os “restos” que ao visado dizem nada) e uma tradição liberal que simpatize com tão guerreira e visceral intolerância, vergo-me perante vós.

Mas não é nada que não tenha sucedido antes na blogosfera liberal. Assim sucedeu (e sucede) com Pedro Arroja, que sempre que debita um post onde o nome judeu aparece escrito é vilipendiado a torto e a direito - curiosamente, um dos maiores patrocinadores da sua saida do Blasfémias foi, se não ele quem mais, CAA.

Tenho cá para mim que as opiniões de Ayn Rand sobre a matéria da homossexualidade eram tão legitimas como a minha, que tenho opinião diferente. Com Pedro Arroja também não concordo em quase nada do que escreve sobre os judeus e com o André Azevedo Alves discordo a maior parte das vezes do seu lado "beato" (se é que me entendem). Mas não contesto o facto de serem liberais de corpo e alma só porque tem uma opinião diferente da minha - parece-me, aliás, uma má ideia (e nada liberal) a promoção do pensamento uniformizado.

O que me importa a mim, no Pedro Arroja, no AAA, no Tiago Mendes, no CAA, e em todos os outros que se dizem liberais, é que independentemente dos seus pontos de vista pessoais, no fim consigam fazer como Ayn Rand:
"I do not approve of such practices or regard them as necessarily moral, but it is improper for the law to interfere with a relationship between consenting adults."
E mais não digo...
publicado por Jorge A. às 00:06
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Segunda-feira, 12 de Fevereiro de 2007

Sobre a liberdade


Acabadinho de comprar na FNAC do Algarve Shopping.

On Liberty escrito por John Stuar Mill é um livro que me falta ler. Em breve, terei essa lacuna colmatada.
publicado por Jorge A. às 14:24
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Sábado, 3 de Fevereiro de 2007

Não é preciso ler Hayek

Basta ver a Guerra das Estrelas.

No seu livro Caminho para a Servidão, Hayek começa por explicar como a guerra força o planeamento central. Terminada a guerra, os planeadores tenderão a querer manter-se no poder. Todavia, os planeadores não conseguem chegar a consenso sobre o caminho a adoptar para a sociedade (há vários planos, e nenhum agrada a todos). Isto leva à delegação do poder num só homem: o líder supremo e com carisma. A partir daqui o partido toma conta do país, e como forma de mobilizar as forças e manter a unidade nacional procurará encontrar um factor negativo. Daqui para a frente, segue-se a criação da policia secreta, e o planeamento de toda a sociedade ao mais infimo pormenor: a profissão de cada um é "planeada"; os salários são "planeados"; o pensamento é "planeado"; o divertimento é "planeado"; até a disciplina é "planeada"; enfim... o caminho para a servidão.

Chavez defends decree power as democratic, says Bush represents U.S. tyranny. Em Hugo Chavez, na Venezuela, nós vemos o desenrolar desta história já vista noutros tempos e tão bem explicada no livro de Hayek. Mas mesmo assim há quem não se coíba (não é Cohiba, mas lá que ia um charutinho desse outro refúgio chamada Cuba, ia) de falar bem de Chávez, e de olhar para Chávez com admiração... entre eles, Mário Soares - até podia aqui escrever uma palavrinha ou duas como Soares prejudica-se a si próprio, talvez por coisas destas, Cunhal e Salazar mereçam ter ficado à frente de Soares no concurso Grandes Portugueses, afinal o próprio Soares, tem simpatia para com tiranos como Chavez. No mundo actual, os pequenos ditadores, há muito que encontraram esses fenómenos negativos como forma de mobilizarem a sociedade numa causa comum: ora são os Estados Unidos, ora são as crenças religiosas. Ora vamos lá aceitar uns quantos sacrificios em favor da luta socialista contra o imperialismo americano, ou em favor da causa muçulmana contra os tiranos judeus e católicos. Mesmo o ocidente por vezes parece tentado em cair na teia do factor negativo, tão bem expresso na perda de liberdade verificada após 11 de Setembro de 2001 nos Estados Unidos, afinal de contas, vamos lá todos aceitar uns sacrificios em favor da luta contra o terrorismo.
Voltando ao Star Wars. Está lá tudo... o imperador Palpatine utiliza a guerra dos clones para atingir o poder, era necessário um homem forte que definisse a estratégia, e ele era o homem certo para tornar-se líder do Galactic Senate. O Darth Vader funciona como uma espécie de policia secreta, que tenta pôr tudo e todos em ordem, disciplinando aqueles que não seguem a linha oficial do partido: o Galactic Empire. Com o fim da guerra dos clones, Palpatine não pode abandonar o poder, porquê? porque afinal de contas ainda existem os rebeldes que tem de ser postos em ordem, e se Palpatine abandonasse o poder, tudo o que foi conquistado com a vitória na guerra dos clones poderia estar em causa. O que vale, é que os rebeldes lutarão até ao fim no sentido de "restore freedom to the galaxy".
Mas a realidade é que esta é uma batalha sem fim. A batalha pela nossa liberdade.
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publicado por Jorge A. às 13:07
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Sábado, 13 de Janeiro de 2007

Take Benfica for example...

Através d'O Insurgente, chego a este excelente texto do Professor José Adelino Maltez.

Gosto especialmente desta parte (vá-se lá saber porquê):

Take Benfica for example, and I’m not kidding, Benfica is something that does not exist anywhere else in Europe - a product of liberal activism in the turn from the 19th to the 20th century. Something unprecedented and quite interesting of that age was activism and elections for several associations in civil society. These traditions, in one way or another, persist up until today. There is since 1834 a rooted liberal tradition which does not capture the state but does capture Portuguese civil society. There is a rooted liberalism in civil society because Salazarist authoritarianism/dictatorship did not penetrate into civil society, Salazarism never meddled into Benfica’s elections (there were always communists in the board of Benfica during Salazarism), Salazarism did not meddle into trade union activism (until the 39-45 war), it was a form of authoritarianism in the state that did not interfere with civil society. This civil society is composed of elements attentive to egalitarianism and of strong activism living detached from the state.
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publicado por Jorge A. às 12:59
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