Que o processo Casa Pia chegue ao fim. O facto de podermos manifestar este desejo para o ano de 2010, tantos anos após o ínicio do processo, é vergonhoso.
Parte interessante da entrevista de Judite de Sousa a Armando Vara foi aquela em que o entrevistado confirmou ter recebido uma carta anónima a avisar que Sócrates estava a ser apanhado em escutas, mas, apesar disso, nada disse ao seu amigo, mesmo porque não deu qualquer importância ao que lá era dito. Percebe-se porque mente (e só não diz que a carta era de amor porque a judiciária teve acesso a ela), é que perante estas notícias como é que um gajo deve reagir quando ouve o primeiro-ministro muito preocupado com a revelação de escutas que violam o segredo de justiça ou coisa que o valha. De resto, fico muito contente quando Vara afirma que pretende levantar o segredo de justiça do seu processo, afinal, Vara só pretende facultar aos outros aquilo que há muito lhe estava facultado.
Soube-se hoje que o Segredo de Justiça no caso Face Oculta foi violado no fim de Junho, 4 meses antes de a violação ter chegado aos jornais. Essa violação do Segredo de Justiça favoreceu os suspeitos e a classe política associada. Só mesmo seguindo o conselho de Passos Coelho de não falar no assunto é que se pode preservar a credibilidade das instituições. Note-se que algo semelhante já tinha acontecido no caso Casa Pia. Alguns dos suspeitos souberam que estavam a ser investigados através de circuitos de informação ligados às tais “instituições” dias antes de o assunto ter sido tornado público pelos jornais.
João Miranda, no Blasfémias. E em quantos outros casos aconteceu o mesmo. Não foi Pinto da Costa avisado das buscas a sua casa e do mandato de detenção? Pois...
Anda tudo num alvoroço porque existem umas escutas que confirmam que o primeiro-ministro mentiu na Assembleia da República quando se pronunciou sobre o caso TVI. Peço desculpa, meus caros, mas a mentira era evidente há muito. Só compreendo o barulho como manobra para manter o tema escutas ao primeiro-ministro à tona de água, mesmo porque, aparentemente, o conteúdo destas vai muito para além da descoberta que o primeiro-ministro mentiu. Ainda sobre a mentira, não é de negar a sua gravidade, mas o que nego é que o assunto só mereça atenção agora.
Em segundo lugar, também anda tudo em alvoroço porque a Sábado fez uma investigação onde apurou que os orgãos de comunicação sociais, nomeadamente o Público e o Sol, foram prejudicados pela publicidade feita por entidades de capital público. Ora, meu caros, mas alguém não sabia que assim era? Mais uma vez, não nego a gravidade do assunto, nego é que o assunto só mereça atenção agora.
No fundo, este é o país do faz de conta. Todos (ou quase todos, há sempre um ou outro mais ingénuo) sabemos o que se passa, mas ficamos à espera da confirmação do óbvio para abordarmos as coisas tal como elas são e para atribuir-lhes a gravidade de que se revestem. Outros há que, mesmo perante a descoberta do óbvio, continuam a tratar o assunto com pinças, não porque não saibam a gravidade do assunto em causa, mas sabem que o visado, o actual governo, mais propriamente o primeiro-ministro, é da sua área, e suspeitam que outro que lá vá parar, de outra área política, deixará tudo na mesma, por isso, mal por mal, antes este que outro. Estes últimos rapidamente evoluem para os que já nada de grave vêem nestas coisas: porque as coisas são o que são e sempre foram assim.
Portanto, meus caros, deixemos o primeiro-ministro descansar. Como não podem compreender essa primeira garantia que a sociedade portuguesa nos reserva: as coisas são o que são e sempre foram assim. Sempre foram assim e assim hão-de ser no futuro. Qualquer luta contra isso é uma luta inglória.
É certo que pode dever-se à minha irritação para com o facto de José Penedos ainda manter-se como presidente em funções da REN, mas não deixei de ficar incomodado com o sorriso que o homem ostentava no dia em que era ouvido no âmbito de um processo onde é suspeito de um crime grave. O sorriso pode não revelar propriamente o que vai na alma de Penedos, mas fiquei com a impressão que estava ali alguém a gozar com a nossa justiça. Afinal, com a quantidade de gente grauda que não está na prisão (mas merecia, definitivamente merecia), talvez a justiça mereça mesmo ser alvo de algum gozo. Penedos ri não sei bem do quê, eu rio para não chorar.

O cargo de José Sócrates não é o cargo de Pinto da Costa. Era bom que na abordagem das suspeições que pairam sobre o primeiro-ministro não as tratássemos como se fossem suspeições sobre o presidente de um clube de futebol.
Se as escutas a José Sócrates são nulas, tal resulta de uma lei aprovada durante a legislatura anterior, em que José Sócrates era primeiro-ministro. Tivesse este caso acontecido com Durão Barroso, António Guterres ou Santana Lopes, e as escutas não poderiam ser anuladas com o pretexto invocado.
Face Oculta: Supremo diz que escutas a Sócrates são nulas
Afinal, só ainda não percebeu quem não quer: Sócrates é intocável. Infelizmente, não é intocável à maneira de Eliot Ness e dos elementos do seu grupo, aos quais a expressão "os intocáveis" derivava do facto de serem homens incorruptíveis. Intocáveis, portanto, porque eram homens íntegros, que não se deixavam tocar pela sujeira. Mas longe disso no caso do nosso primeiro: Sócrates é intocável à maneira de Al Capone. É isso que penso. E Noronha de Nascimento, obviamente, não é nenhum Eliot Ness.
A aprovação no exame de condução era passível de ser comprada (bastava dar uma palavrinha ao instrutor uns dias antes, e no próprio dia do exame, levávamos o envelope com determinda importância, colocava-se o envelope no porta luvas do carro e estava garantida a aprovação - instrutor e examinador tinham mais um rendimento extra). Na aquisição de habitação era (quase) sempre declarado um valor inferior ao efectivamente pago (o construtor tinha menos lucro para apresentar ao fisco e o comprador pagava menos taxas). Não era dificil, quando apanhados pela brigada de trânsito a cometer uma infracção, assinalar com determinado valor monetário e sair impune (o polícia obtia um rendimento extra e o infractor poupava a diferença entre o valor utilizado para corromper o polícia e o valor da multa e as consequência que dai podiam advir). Boa parte das pessoas tem isto bem presente na memória e se, entretanto, algumas destas coisas mudaram, não é menos verdade que existiram e muitas das pessoas não só têm estas coisas na memória, como terão usufruido uma ou outra vez destas. É por isso que muitos aceitam perdoar o político corrompido e o empresário que corrompe, é por isso que não desejam que estes sejam julgados de forma dura. Na sua consciência, pesa o facto de que, se estes agora merecem pena dura, também eles, outrora, não agiram melhor (à escala do que lhes era possível, é certo) e mereciam igual sorte.
Há uma história, aqui das redondezas da zona onde vivo, que ilustra bem o tipo de justiça que temos: existe um elemento da brigada de trânsito que enriqueceu como que do dia para a noite. Os sinais exteriores de riqueza substanciavam-se, entre outras coisas, numa vivenda que havia construido e nos carros que possuia. Na povoação, falava-se constantemente, com surpresa, da proveniência do dinheiro que teria permitido aquela nova vida. Suspeitavam que a profissão do sujeito não era alheia ao estilo de vida, mas as coisas não passavam da suspeita. Mais tarde, existiram fortes indicios, descobertos pela própria instituição, de que o sujeito era corrupto. Qual foi o castigo do homem? Foi remetido para trabalho de secretaria e ainda lá está. Foi esta a pena dura do homem.
Ou as gerações mais novas começam a ser criadas num ambiente diferente, ou arriscamos prolongar esta sociedade que convive bem com a corrupção durante longos anos. É que o primeiro passo para mudar este estado de coisas é através da censura social. Maria José Nogueira Pinto lamentava, na Sic Noticias, que essa censura social fosse praticamente inexistente na nossa sociedade. Pois ela é inexistente porque aquele que não se sente limpo, não se atreve a julgar e condenar de forma dura o sujo. Mas tratem, ao menos, e a bem da evolução da nossa sociedade, de não sujar as gerações mais novas.
Armando Vara suspendeu funções como administrador do BCP, o que espera José Penedos, presidente da REN, para fazer o mesmo?
Paulo Penedos: o homem que correu para líder do PS: É amigo do secretário de Estado Marcos Perestrello e de Sérgio Sousa Pinto, uma geração que fez percurso político na 'jota'. [...] Paulo esteve ao lado de José Sócrates quando este se candidatou a secretário geral do PS.
Toda esta rede tentacular que envolvia o presidente de uma grande empresa pública, o administrador de um dos maiores bancos nacionais, e um empresário miúdo que de forma suspeita se transformou rapidamente em gente grande, o que é possível concluir sobre a forma como os negócios são feito em Portugal? Alguém dúvida da podridão a que isto chegou?
Como a política é cada vez mais necessária para fazer avançar os negócios em Portugal, alguém pode deixar de pensar no caso dos contentores em Lisboa e na Mota Engil do Jorge Coelho. No caso do aeroporto, do TGV, e como o ministro Mário Lino defendeu-os com unhas e dentes, a quem serve estes projectos? A quem serve os governantes medíocres que temos tido? Os submarinos do Portas. Os sobreiros do Abel Mateus. O Banco do Oliveira e Costa e do Dias Loureiro. O Freeport, o que é afinal o Freeport? O que aconteceu ao processo Casa Pia assim que tocou em políticos? O que aconteceu ao juiz Rui Teixeira?
Todos os partidos convivem com a podridão e parece que já não se incomodam com o cheiro nauseabundo. Os que tentam de alguma forma lutar contra a podridão são arrumados a um canto, atirados para fora do sistema, ou acabam por desistir e apodrecem com o sistema. Mas dentro dos partidos existem pessoas honestas e de valor considerável, não dúvido, recuso-me a imaginar outro cenário. É tempo de deixar de acreditar nisso de que são 'todos iguais', ou, quando os consideramos 'todos iguais', estamos a incluir-nos no saco? É que os políticos são produto da sociedade, constituindo, portanto, um espelho desta. Quando os designamos por 'todos iguais', estamos automaticamente a dizer que também aqueles que estão fora do sistema, aqueles cuja participação activa na política limita-se ao voto (se chega a isso), são iguais a tais políticos medíocres e incompetentes? É isso.
Desculpem-me, mas não aceito essa tese. Não aceito porque, em primeiro lugar, não quero ser atirado para esse saco e, em segundo lugar, não aceito que atirem todos os outros para esse saco. Quem se mete no saco, meta-se. Fique lá, habitue-se à podridão. Diga que são 'todos iguais', por descarga de consciência, porque a partir do momento em que são todos iguais, como pode o que considera que assim é, não ser também igual a eles?
Ah, claro que percebo! Se são 'todos iguais', não faz mal votar no comprovado corrupto, como Isaltino Morais. Se são 'todos iguais', não faz mal imaginar-me na posição destes a actuar de igual forma. Se são 'todos iguais', quando, à minha escala, recorro a artificios semelhantes, estou automaticamente perdoado, porque são 'todos iguais'.
São 'todos iguais', meus caros. Por isso, o empresário está automaticamente perdoado por procurar corromper o político para favorecer-lhe o negócio. O político está automaticamente perdoado por deixar-se corromper e favorecer o empresário. E o povo está automaticamente perdoado por votar em tais políticos. São 'todos iguais'. Azar daquele que, sendo igual a todos os outros, é apanhado pela justiça. Como pode a justiça julgar quando são 'todos iguais'? É injusto julgar o igual de forma diferente. Mais do que isso, também o juiz é igual ao que julga. Repito: são 'todos iguais'.
De empregado de balcão a administrador: Vara sempre foi bem visto no PS. Através do seu amigo José Sócrates aproximou-se de Guterres e, após a vitória socialista nas legislativas de 1995 foi nomeado secretário de Estado da Administração Interna.
Armando Vara arguido na operação Face Oculta. Este, que subiu na carreira como uma flecha, sem qualquer currículo que o justificasse, é do mesmo barro do outro, do que é primeiro-ministro. Não espero que a justiça faça grande coisa com ele, uma vez que da justiça, tal como da política, emana um cheiro insuportável. O cheiro da podridão.
Valorização da Mota-Engil accionou alarme do regulador. É praticamente certo que alguém ganhou uns trocos com a situação, mas a dificuldade é provar. Aqui há uns tempos, o filho de um empresário muito conhecido da praça pública, aproveitando um negócio onde o pai estava envolvido, obteve uma mais valia em bolsa considerável. O caso, de tão evidente, levou à sua condenação. A multa monetária aplicada representou metade da mais valia que havia feito em bolsa. Conclusão: em Portugal compensava não cumprir a lei. Há quem diga que hoje em dia compensa menos, quando não compensa de todo, mas, enfim, tenho as minhas dúvidas...
A youthful error? Yes, perhaps.
But he's been punished for this lapse--
For decades exiled from LA
He knows, as he wakes up each day,
He'll miss the movers and the shakers.
He'll never get to see the Lakers.
For just one old and small mischance,
He has to live in Paris, France.
He's suffered slurs and other stuff.
Has he not suffered quite enough?
How can these people get so riled?
He only raped a single child.
Why make him into some Darth Vader
For sodomizing one eighth grader?
This man is brilliant, that's for sure--
Authentically, a film auteur.
He gets awards that are his due.
He knows important people, too--
Important people just like us.
And we know how to make a fuss.
Celebrities would just be fools
To play by little people's rules.
So Roman's banner we unfurl.
He only raped one little girl.
(fonte)
Sondagem: Isaltino arrasa em Oeiras
Num país onde não é possível acreditar na justiça e todos os políticos são olhados com a mesma desconfiança, não admira que Isaltino Morais possa ganhar. Relembre-se que é o concelho que possui, percentualmente, o maior número de licenciados e doutorados no país. Avançar Portugal!
... e porque não sou ingénuo e sei que algumas coisas que o PR disse ontem são verdade, nomeadamente a tentativa socialista para colar Cavaco a Ferreira Leite (recordem, por exemplo, a roubalheira do caso BPN), segundo percebi, as buscas sobre financiamento partidário no âmbito do processo de compra de submarinos seriam efectuadas em plena campanha eleitoral por opção do ministério público e só o bom senso do juiz que deu a ordem para as mesmas é que evitou que tal acontecesse. Não tarda e o PS vencia mesmo com maioria absoluta e lá se iam os 10% de Paulo Portas e do CDS/PP. Perigoso mundo o que vivemos. Acreditem!
PS chumba ‘Muito bom’ de juiz Rui Teixeira. Este caso é muito mais grave que qualquer compra de votos na distrital lisboeta do PSD. Claro que os jornalistas não lhe darão a importância merecida. Compreende-se, nem ninguém quer acabar como o juiz Rui Teixeira, nem ninguém quer acabar como Manuela Moura Guedes ou José Manuel Fernandes.
Outras Casas
Blogs
Hoje há conquilhas, amanhã não sabemos
Speakers Corner Liberal Social
Em Inglês
Think Tank
Foundation for Economic Education
Informação
Magazines
Desporto
Audiovisual
Ferramentas
desporto(383)
politica nacional(373)
cinema(291)
economia(191)
música(136)
ténis(132)
humor(131)
futebol(130)
eleições eua(118)
estados unidos(115)
portugal(115)
blogs(109)
miúdas giras(93)
jornalismo(88)
governo(79)
televisão(74)
blogosfera(69)
oscares(68)
pessoal(55)