Terça-feira, 16 de Dezembro de 2008

"That’s what people do in a free society."

Foi assim que George Bush reagiu ao atirar do sapato de Muntader al-Zaidi. Por outro lado, segundo consta, o lançador de sapatos tornou-se um herói para alguma gente do mundo árabe e, também de forma manifesta com uma breve pesquisa pela imprensa e comentários na internet, para muitos no ocidente. O ódio por George W. Bush a muitos cega. Sim, o episódio é divertido, eu próprio fiz imediata referência ao mesmo, mas a reacção ao incidente não se fica pelo humor, há quem se reveja naquele gesto e só tenha pena que George Bush não tenha efectivamente levado com o sapato. Bush, aliás, é pau para toda a obra: desde o relógio roubado na Albânia que nunca foi até à falta do apertos de mão na recente cimeira do G-20 que também nunca aconteceu. Por outro lado, noticia o New York Times, o mais recente herói tinha ligações ao partido de Saddam Hussein, tendo pertencido ao sindicado estudantil durante o mandato deste e um dos seus editores diz que é pessoa ambiciosa, "sonhava tornar-se um dia presidente do Iraque". George Bush fez muita coisa errada, de onde o Iraque pode ser o maior exemplo, mas mesmo aí nem tudo foi mau. O actual primeiro ministro iraquiano Nuri al-Maliki é uma gigantesca melhoria face ao seu antecessor. Convinha que as pessoas percebessem que no gesto e na figura de al-Zaidi, o lançador de sapatos, bem como nas manifestações de alguns árabes, não há alí nada de bom para festejar - o homem que sonha ser presidente do Iraque tem afinal como modelo o anterior ditador.

publicado por Jorge A. às 09:00
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Domingo, 14 de Dezembro de 2008

Despedida

 

Bush chegou ao Iraque para se despedir das tropas

 

Escusava o presidente de ir em pessoa, a bem das tropas, uma simples emissária faria mais e melhor.

 

Adenda: acham que à Alessandra Ambrosio acontecia isto:

 

"Iraq's prime minister, Nuri al-Maliki, tried to block President Bush when a man threw his shoes at the president during a news conference in Baghdad on Sunday." (via: NYT)

publicado por Jorge A. às 18:13
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Domingo, 17 de Agosto de 2008

O Iraque

Através da Liliana cheguei ao blogue do jornalista da RTP Luis Castro. O jornalista em causa é um dos habituais enviados especiais da estação pública ao Iraque para noticiar a guerra. Curiosamente, ou então não, nos comentários a este seu post, o jornalista tenta explicar a realidade do Iraque da seguinte forma:

E se tivessemos um tanque todos os dias a barrar a rua onde vivemos? E ter os americanos a rebentar as portas da nossa casa, entrando aos gritos e acordar com o cano de uma M-16 encostada à cabeça? E ver que os EUA estão no nosso país, não porque tínhamos um qualquer Salazar, mas sim porque foram descobertas bacias de petróleo ao largo do Alentejo? E ver um pai morrer porque subiu ao telhado e os americanos acharam que ele era da resitência? São apenas algumas das razões que nos levariam também a resitir contra o invasor.

Evitando outras considerações, a pergunta que fica por responder sobre a realidade iraquiana é sobre quem faz mesmo parte da resistência ao inimigo opressor? Não são aqueles que fazem atentados terroristas que matam milhares do seu próprio povo? E qual o seu objectivo? Será expulsar o invasor ou garantir que o Iraque baseado no modelo imposto pelos Estados Unidos não prospera? Já agora, entre os resistentes aos invasores, são todos iraquianos? E quem financia a resistência? Com que intuito?

 

Mais, independentemente dos motivos que levaram à guerra do Iraque, qual o resultado prático da saida das tropas americanas do território iraquiano nesta altura? Os resistentes que matam os do seu próprio povo desapareceriam? Ou acusariam o governo iraquiano actual de serem fantoches do governo americano e por essa via continuariam a considerar legitima a sua luta contra o seu próprio povo?

 

O problema é que não é possível procurar compreender uma resistência (o mesmo se aplica por exemplo ao Hamas na Palestina) que recorre ao assassino de civis, de forma odiosa, execrável e injustificada. A não ser que se aceite que os fins jusitificam os meios. Nestas coisas, está certo, não é possível fazer uma distinção clara entre o Bem e o Mal, o mundo e os seus problemas complexos não se reduzem a modelos simplistas, mas no caso do Iraque eu sei muito bem quem são os maiores demónios que aterrorizam aquele povo e, mesmo que essa não seja a percepção de parte do povo iraquiano, esses não são certamente os americanos.

publicado por Jorge A. às 15:05
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