Sábado, 28 de Março de 2009

Globalização e comércio

 

The nuts and bolts come apart

publicado por Jorge A. às 13:02
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Segunda-feira, 2 de Julho de 2007

Surpresa

Coisas que não percebiamos a ouvir Mário Soares: Menos Pobreza no Mundo

270 milhões de pobres a menos no mundo.
O número de pobres no mundo baixou de 1,25 mil milhões para 980 milhões de pessoas, o que corresponde a 16% dos habitantes da Terra.

Convém recordar Soares, na sua entrevista à revista Única do Expresso [negritos meus]:

P-Como define a relação que existe actualmente com o dinheiro?
R-O neoliberalismo deu às pessoas a ideia de que o mundo é uma selva e a selva é para os mais fortes, que se alimentam dos mais fracos. É o que se chama o "darwinismo social". A força, aliás, não se mede pelo músculo, mas pelo dinheiro. Cada vez há mais pobres e maiores desigualdades e o que acontece a esses pobres? É indiferente: estão condenados a desaparecer. Neste momento há um relatório, nos Estados Unidos, onde se diz que o grande inimigo já não é o terrorismo, mas o perigo que podem representar as populações do Sul, famintas, vítimas do desenvolvimento e das catástrofes naturais, procurando desesperadamente entrar nos países ricos do Norte. É a única resposta possível - diz o relatório - será a exterminação em massa. Vejam! Trata-se de preconizar o regresso à barbárie... Depois do humanismo iluminista e, apesar de tudo, de dois séculos de progresso.

Na cabeça de Soares talvez o (neo)liberalismo tenha-lhe deixado a ideia que "o mundo é uma selva", mas Soares também tem a ideia que há um relatório americano que alerta para o "perigo que podem representar as populações do Sul" e cuja solução para tal problema é a "exterminação em massa"... logo, eu diria que as ideias de Soares andam um bocado deslocadas da realidade. Mas o que me interessava mesmo na reportagem era a parte do "cada vez há mais pobres", ideia mil vezes repetida pelas gentes de esquerda, parados no tempo, e incapazes de perceber as vantagens da globalização e do comércio livre. Ao menos numa coisa gostava de concordar com Soares, na previsão de que os pobres "estão condenados a desaparecer". Afinal de contas, o número absoluto de pobres decresceu em 27 vezes a população portuguesa. O que me assusta, e muito, é aquele Portugal multiplicado por 98 que continua a viver na pobreza - e não seria certamente com as ideias de Soares que esse número seria reduzido.

publicado por Jorge A. às 22:20
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Domingo, 3 de Junho de 2007

Obrigatório

Devido a este post do Francisco Burnay, lembrei-me das TED Talks, e especialmente desta apresentação - brilhante a todos os niveis - do professor Hans Rosling sobre os mitos acerca do terceiro mundo:

No fim, para quem quiser saber mais, pode sempre dar um pulinho por aqui.

publicado por Jorge A. às 12:18
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Sábado, 2 de Junho de 2007

Socialismo Sec.XXI

Rostock invadida pela violência

“O mundo está moldado pelo domínio do G-8, é um mundo de fome, guerra, divisões sociais, destruição ambiental e barreiras contra os imigrantes e refugiados”, podia ler-se num dos folhetos distribuídos pela organização dos protestos.

No meio da multidão onde muitos dos manifestantes permaneciam de rosto tapado, um cartaz exibia uma mensagem que resume toda uma ideologia: "Outro mundo é possível".

O "outro mundo possível" deve ser o defendido por Chávez, Morales, ou Boaventura Sousa Santos, se bem que no fim, não me parece que os exemplos dados pelos novos paladinos do socialismo do século XXI sejam grande coisa. Ora são televisões encerradas, ora são as manifestações pelo "outro mundo possível" que resultam nisto:

publicado por Jorge A. às 22:02
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Quarta-feira, 2 de Maio de 2007

Comércio Livre

The Case for Free Trade

Today, as always, there is much support for tariffs [...] Of course, no group makes its claims on the basis of naked self-interest. Every group speaks of the "general interest," of the need to preserve jobs or to promote national security. The need to strengthen the dollar vis-à-vis the deutsche mark or the yen has more recently joined the traditional rationalizations for restrictions on imports.

One voice that is hardly ever raised is the consumer's. [...] the supporters of tariffs treat it as self evident that the creation of jobs is a desirable end, in and of itself, regardless of what the persons employed do. That is clearly wrong. If all we want are jobs, we can create any number--for example, have people dig holes and then fill them up again or perform other useless tasks. Work is sometimes its own reward. Mostly, however, it is the price we pay to get the things we want. Our real objective is not just jobs but productive jobs--jobs that will mean more goods and services to consume.

Another fallacy seldom contradicted is that exports are good, imports bad. The truth is very different. We cannot eat, wear, or enjoy the goods we send abroad. We eat bananas from Central America, wear Italian shoes, drive German automobiles, and enjoy programs we see on our Japanese TV sets. Our gain from foreign trade is what we import. Exports are the price we pay to get imports. As Adam Smith saw so clearly, the citizens of a nation benefit from getting as large a volume of imports as possible in return for its exports or, equivalently, from exporting as little as possible to pay for its imports.

[...]"Protection" really means exploiting the consumer. A "favorable balance of trade" really means exporting more than we import, sending abroad goods of greater total value than the goods we get from abroad.

[...]The argument in favor of tariffs that has the greatest emotional appeal to the public at large is the alleged need to protect the high standard of living of American workers from the "unfair" competition of workers in Japan or Korea or Hong Kong who are willing to work for a much lower wage. What is wrong with this argument? Don't we want to protect the high standard of living of our people?

The fallacy in this argument is the loose use of the terms "high" wage and "low" wage. What do high and low wages mean? American workers are paid in dollars; Japanese workers are paid in yen. How do we compare wages in dollars with wages in yen? How many yen equal a dollar? What determines the exchange rate?

[...]We are a great nation, the leader of the world. It ill behooves us to require Hong Kong and Taiwan to impose export quotas on textiles to "protect" our textile industry at the expense of U.S. consumers and of Chinese workers in Hong Kong and Taiwan. We speak glowingly of the virtues of free trade, while we use our political and economic power to induce Japan to restrict exports of steel and TV sets. We should move unilaterally to free trade, not instantaneously but over a period of, say, five years, at a pace announced in advance.

Few measures that we could take would do more to promote the cause of freedom at home and abroad than complete free trade. Instead of making grants to foreign governments in the name of economic aid--thereby promoting socialism--while at the same time imposing restrictions on the products they produce--thereby hindering free enterprise--we could assume a consistent and principled stance. We could say to the rest of the world: We believe in freedom and intend to practice it. We cannot force you to be free. But we can offer full cooperation on equal terms to all. Our market is open to you without tariffs or other restrictions. Sell here what you can and wish to. Buy whatever you can and wish to. In that way cooperation among individuals can be worldwide and free.


Adapted from "The Tyranny of Controls" in Free to Choose: A Personal Statement, by Milton Friedman and Rose Friedman

publicado por Jorge A. às 22:29
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Quarta-feira, 25 de Abril de 2007

É a globalização, estúpido

(via 25 centímetros de neve)

Em 1970, 38% da população mundial vivia abaixo da linha de pobreza (rendimento menor ou igual a 1 dólar por dia). Em 2000, a percentagem estava reduzida a 19% da população mundial. Apesar do crescimento populacional, o número de pobres foi reduzido de 1,4 biliões em 1970, para 1,2 biliões em 2000. O que permitiu tal facto? Já chego lá.
Em 1970, 86% da população mundial que vivia abaixo da linha de pobreza, residia no continente asiático. Em 2000, a percentagem de pobres asiáticos, havia baixado de 86% para 60%.
O continente africano, que em 1970 tinha 11% dos pobres mundiais, passou a representar 35% da pobreza mundial no ano 2000.
Qual foi o factor preponderante na saida de milhões de pessoas da pobreza? A globalização. E nenhum outro mercado, se não o mercado asiático, soube tão bem aproveitar esse factor para retirar as suas populações da miséria a que estavam sujeitas. O Japão deu o mote muito antes de todos os outros paises da zona, mas o processo iniciou-se efectivamente com os 4 tigres asiáticos (Hing Kong, Singapura, Taiwan e Coreia do Sul). Depois seguiram-se os 4 novos tigres asiáticos (Indónésia, Filipinas, Tailândia e Malásia). Mas acima de tudo, é com o desenvolvimento atingido pelos dois paises mais populosos do mundo (China e India), que a Ásia dá o salto nos gráficos relativos ao nível de pobreza absoluta no mundo.
Por sua vez, África debate-se com um enorme problema. Com as suas caracteristicas, dificilmente poderá usufruir dos beneficios da globalização da mesma forma que os paises do continente asiático - cuja principal vantagem competitiva residia na sua imensa mão de obra. Mão de obra essa que quando qualificada, permitiu-lhes dar o pulo de produtos de baixo valor acrescentado, para produtos de alto valor acrescentado, nomeadamente no campo tecnológico.
O continente africano a esse nível está muito limitado, e só pela via da exportação de produtos agricolas poderia dar o salto rumo a um futuro melhor. Mas nesse campo, sofre com as politicas de apoio à agricultura dos paises desenvolvidos, que impedem um verdadeiro mercado agricola livre a nível mundial - com o pior exemplo de todos a manifestar-se na Politica Agricola Comum da União Europeia.
Curioso será também perceber como é que com resultados positivos tão evidentes no nível de vida das populações, a globalização consiga ser tão amplamente criticada. Mas para isso eu já tinha de vir aqui dar noções do conceito de pobreza absoluta - entendida como a capacidade para adquirir uma quantidade de bens ou serviços - e de pobreza relativa - fixada com base no rendimento mediano de uma dada sociedade - fica para o próximo post.
PS: Recomendo vivamente um saltinho pelo Gapminder, nomeadamente pela ferramenta do Human Development Trend 2005.
publicado por Jorge A. às 12:39
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