Quarta-feira, 14 de Outubro de 2009

Santana: Escolha Pessoal da Líder

Na noite das autárquicas, muitos referiram Santana Lopes como escolha pessoal da líder do PSD. Fizeram por esquecer que este não foi propriamente uma escolha pessoal da líder, mas antes (quase) uma imposição da distrital e de muitos círculos do partido (não esqueçamos que Santana representou nas últimas eleições do partido quase 1/3 dos votos). É verdade que Ferreira Leite aceitou-o enquanto candidato, mas isso também fez em relação a todos os restantes autarcas do país. De resto, é ainda mais curioso que sejam os mesmos a criticar o afastamento de Pedro Passos Coelho como uma medida de desunião do partido, a aproveitar a derrota da candidatura de Santana Lopes a Lisboa para criticar Ferreira Leite. Aposto que, caso Ferreira Leite não tivesse escolhido Santana Lopes como candidato a Lisboa, lá estariamos a ouvir a mesma ladainha sobre a desunião que esta e os seus estrategas haviam promovido no partido.

publicado por Jorge Assunção às 13:56
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Segunda-feira, 12 de Outubro de 2009

Autárquicas: A Comunicação Social

Na noite de ontem e em alguns jornais de hoje descobriram-se novas fórmulas para apurar o vencedor objectivo das eleições autárquicas, deixou de ser o número de câmaras ganhas para passar a ser o número de votos obtidos. Pena é que nos mesmos canais de televisão onde comentaristas e políticos iam divulgando os novos critérios de atribuição do vencedor da noite, todos os canais continuassem a contar o número de câmaras obtidas pelos partidos concorrentes mas nenhum deles tivesse o apuramento em tempo real do número de votos obtidos. Esqueceram-se de avisar os directores dos respectivos canais que a tradição (apurar quem venceu mais câmaras municipais e declarar esse o partido vencedor da noite), não contaria na eleição de ontem.

 

A mim, confesso, pareceu-me que o critério principal para apurar o vencedor da noite era 'o PSD da Manuela é que não ganha de certeza'. Dai que, ao longo da noite, outros crítérios foram lançados ao ar para convencer-nos quem era o vencedor da noite. Um deles era muito simples: quem ganha Lisboa, ganha a noite. O PS ganhou Lisboa, ganhou a noite. Outro, muito mais interessante, foi: em relação às eleições de 2005, o PSD ganhou menos autarquias e o PS ganhou mais. O PS ganhou a noite. Confesso que acho muito curioso este último critério, é que só passaram 15 dias desde as eleições legislativas onde só um partido perdeu votos e deputados face às eleições legislativas anteriores e, pelos mesmos comentaristas e políticos de serviço, esse partido foi, objectivamente, o grande vencedor de dia 27 de Setembro.

 

Importante também para percebermos o tipo de comentaristas que temos foi a comparação absurda entre o resultado das legislativas do PSD e do CDS/PP em Lisboa e o resultado de Santana Lopes. E é importante porque os comentaristas acharam por bem só aplicar tal critério em Lisboa. Primeiro esquecem-se que o PSD e o CDS/PP concorrerem em separado não é a mesma coisa que concorrerem coligados, em segundo lugar fizeram por não aplicar o mesmo raciocinio a todo o país (olhem, por exemplo aqui no Algarve, por essa lógica, o PS só teria perdido uma autarquia, o que manifestamente não aconteceu), o que demonstra o que pretendiam com tal análise: rebaixar o resultado de Santana Lopes. Ao mesmo tempo descobri que Elisa Ferreira, grande derrotada no Porto, não era aposta pessoal de José Sócrates, porque só assim se justifica que em relação a Santana várias vezes tenham referido que era uma aposta pessoal de Ferreira Leite, não aplicando o mesmo raciocinio à escolha da candidata socialista do Porto, que obteve derrota mais estrondosa que a de Santana.

publicado por Jorge Assunção às 15:22
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Quinta-feira, 8 de Outubro de 2009

Por favor

"Rui Rio tem o apoio de 6 milhões de benfiquistas". Isto diz-no a candidata do PS à Câmara do Porto. O desespero dá mesmo para tudo.

publicado por Jorge Assunção às 11:06
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Terça-feira, 6 de Outubro de 2009

É impressão minha ou...

... o povo está farto de campanhas eleitorais e não está a ligar patavina às autárquicas?

publicado por Jorge Assunção às 10:18
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Sábado, 3 de Outubro de 2009

Preto é preto

ImageHost.org

 

Embora existissem dúvidas, confirma-se que José Apolinário é José Apolinário. Confirma-se também que os socialistas, que têm ocupado a presidência do Munícipio durante a maior parte dos anos, são os principais responsáveis pelo endividamento excessivo da autarquia. No entanto, José Apolinário tem um trunfo para as eleições: não tem obra feita do actual mandato, mas promete que no próximo levará a cabo uma revolução na zona ribeirinha da cidade. É preciso ter lata: o tipo acaba de completar um mandato e concorre não com base na obra feita, mas com base na obra que vai fazer.

publicado por Jorge Assunção às 12:27
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Sexta-feira, 2 de Outubro de 2009

Rouba, mas faz

Sondagem: Isaltino arrasa em Oeiras

 

Num país onde não é possível acreditar na justiça e todos os políticos são olhados com a mesma desconfiança, não admira que Isaltino Morais possa ganhar. Relembre-se que é o concelho que possui, percentualmente, o maior número de licenciados e doutorados no país. Avançar Portugal!

publicado por Jorge Assunção às 12:06
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Segunda-feira, 28 de Setembro de 2009

Cavaco '87 e Guterres '02

Algumas notas que me levam a pensar que o caso de Cavaco em '87 não pode ser replicado por este governo socialista de Sócrates. 1) o governo de Cavaco era a sua primeira experiência governativa, ou seja, passou de um governo minoritário para um governo maioritário. Fazia sentido que o povo lhe desse esse resultado: em minoria não conseguiu governar, deixemos o homem governar em maioria. Sócrates, pelo contrário, já teve uma maioria e o resultado de ontem já demonstrou que a maioria do povo não gostou do seu trabalho. 2) Na sequência do ponto anterior, Cavaco chegou ao poder em 1985 para pôr o país em ordem. Sócrates mantém o poder em 2009 para continuar o rumo que traçou em 2005. Sócrates não pode alegar que quer pôr o que quer que seja em ordem, afinal, segundo o próprio, a governação que antecede o seu actual governo foi uma maravilha. 3) Esta comparação com o primeiro governo de Cavaco quase que parece saido da máquina de spin socialista, porque  centra a discussão de cenários futuros de forma favorável aos socialistas (e é uma forma de começar já a pressionar os restantes partidos para serem suaves com o poder socialista: vejam lá, partidos da oposição, não queiram dar nova maioria absoluta ao PS). A comparação que devia estar a ser feita é com o segundo mandato de Guterres. 4) It's the economy, stupid. Se algumas previsões confirmarem-se, nomeadamente desemprego em subida, crescimento económico diminuto e necessidade de começar a combater o défice (e acho que as noticias recentes não deixam dúvidas quanto a este último ponto), não há governo minoritário que resista a tal. E, mais uma vez, o paralelo com o segundo governo de Guterres é evidente.

publicado por Jorge Assunção às 21:11
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Governar à esquerda

Rui Tavares, hoje, no Público, escreve uma crónica onde afirma que "o eleitorado [...] quer ser governado à esquerda" e que "qualquer acordo à direita será feito contra uma maioria do eleitorado". Acaba a crónica a apelar à união entre PS, PCP e BE. Temos pena, mas Rui Tavares não tem razão. Os resultados de ontem, para infelicidade da extrema-esquerda, representaram uma viragem, ainda que pouco acentuada, do país à direita. Portanto, o que fica claro é que o eleitorado pretende que o futuro governo Sócrates governe mais à direita. Aliás, é curioso que sejam muitos daqueles que apontavam a governação de Sócrates como uma governação à direita, a incluir agora os votantes do PS no grupo da esquerda. Não foi o BE que sempre rejeitou qualquer acordo com o PS? Agora tem o que merece. E, eu que sou de direita, bem agradeço a José Sócrates por ter desmascarado Francisco Louçã como nenhum líder da dita direita teve a coragem de o fazer. Ao PCP e ao BE, as contas saíram furadas. Sobretudo ao BE, que nunca imaginou ser ultrapassado pelo CDS/PP e menos ainda imaginou que conseguindo a dupla PS+CDS a maioria absoluta, uma possível coligação PS+BE não a consiga.

 

O meu problema com estes resultados, contudo, é outro: o país virou à direita, mas não o suficiente para ter um governo de direita. A extrema-esquerda, que agora poderá lamentar-se por não conseguir influenciar a governação como pretendia, daqui a um ou dois anos, com 650 mil desempregados e um governo minoritário do PS desacreditado, poderá estar novamente a disputar eleições. Ao CDS/PP e ao PSD exige-se que saibam, sem forçar a queda imediata do PS neste momento, passar as responsabilidade dos futuros resultados negativos da governação do país, única e exclusivamente, para o PS. O jogo de xadrez está lançado e convém saber aplicar o cheque-mate.

publicado por Jorge Assunção às 13:04
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Domingo, 27 de Setembro de 2009

Resultado eleitoral

O PS perdeu 500 mil votos e numa possível coligação de dois partidos, o PS só consegue maioria absoluta na Assembleia da República coligado com o CDS/PP ou com o PSD. Do mal o menos.

publicado por Jorge Assunção às 23:45
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Notas Iniciais

1) O resultado da política de verdade de Manuela Ferreira Leite salda-se numa estrondosa derrota. Ter um resultado próximo do que teve Santana Lopes é uma vergonha. A cabeça da líder devia rolar já esta noite. Pedro Passos Coelho deve estar com um sorriso, mas o partido ficaria bem com Paulo Rangel a liderá-lo.

 

2) Teremos de gramar com Sócrates outra vez. Durante uma legislatura inteira? Espero bem que não. O PS perdeu a maioria absoluta, mas se o resultado disso for uma coligação com um PCP ou um BE, estamos ainda mais tramados. Óptimo era uma aliança com o CDS/PP.

 

3) No campeonato dos mais pequenos, o BE bem pode festejar, mas o debate Sócrates/Louçã terá custado entre dois a três pontos na votação do partido. O CDS e Paulo Portas estão de parabéns, fizeram a campanha que o PSD não soube fazer e isso nota-se nos resultados. A CDU será o novo partido do taxi?

publicado por Jorge Assunção às 20:14
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Escola C+S de Lagoa

Hoje passei por lá. Se votei, se não votei, o que acham? Bem, só vos digo que a minha secção de voto estava às moscas comparada com outras, presumo que como aquilo está organizado por número de eleitor, a minha secção tenha muitos jovens inscritos, que votam menos que outros grupos etários. Entre os jovens, a minha irmã está em Lisboa, mesmo que pretendesse votar não o poderia fazer. Entretanto, e como previsão, presumo que a entrada na madrugada de segunda-feira possa ser feita com um copo de whisky na mão acompanhado pela Norah Jones: "That nothing is as scary as election day. But the day after is darker, And darker and darker it goes".

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publicado por Jorge Assunção às 11:36
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Sábado, 26 de Setembro de 2009

Houve um tempo

 

 

Houve um tempo em que a blogosfera não fingia respeitar o período de reflexão.

publicado por Jorge Assunção às 13:14
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Dia de reflexão

Aqui não se pratica tal coisa e recomenda-se o voto no PSD ou no CDS.

publicado por Jorge Assunção às 11:00
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Carimbo de campanha (V)

 

Ele nunca pediu desculpas pelo não cumprimentos das promessas feitas na campanha de 2005, afinal, a culpa não é dele. Por outro lado, exigiu várias vezes desculpas ao maior partido da oposição. Sócrates conseguiu inverter as eleições, transformando-as numa avaliação ao passado e às propostas da oposição. A oposição tem a culpa de não ter evitado cair na estratégia socialista. Mas se Sócrates não pediu desculpa, eu sei quem um dia terá de pedir: aqueles que agora se preparam para o reeleger.

publicado por Jorge Assunção às 09:00
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Sexta-feira, 25 de Setembro de 2009

Carimbo de campanha (IV)

 

Um dos principais temas da pré-campanha foi o dos professores. Todos os partidos da oposição tentaram capitalizar o descontentamento da classe e o próprio Partido Socialista deu uma volta de 180º na sua política inicial para o sector. Uma volta feita de pequenos passos, mas que salda-se, após tantas batalhas e recuos, na inexistência de um processo de avaliação eficaz dos professores. Os professores são muitos e suficientes para retirar a maioria absoluta ao PS. O tema foi tratado com o cuidado merecido e obrigou o animal feroz a transformar-se em cordeiro nas televisões sempre que questionado sobre o mesmo. Está prometido que José Sócrates não mais enfrentará qualquer sector como enfrentou os professores. No fundo, está prometido que o próximo governo não será reformista, nem sequer tentará parecer reformista como foi seu timbre nesta legislatura que passa. Essa é uma promessa em que eu acredito.

publicado por Jorge Assunção às 11:00
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Quinta-feira, 24 de Setembro de 2009

Carimbo de campanha (III)

 

Em toda a minha vida, nunca vi primeiro ministro mais jeitoso do que este. É verdade, o sexto homem mais sexy do mundo foi tema de campanha como a taxa de desemprego, porventura, não terá sido. Entre um homem tão sexy e uma velha tão sem estilo, a escolha está facilitada. No fundo, os portugueses preferem a imagem ao conteúdo.

publicado por Jorge Assunção às 17:21
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Carimbo de campanha (II)

 

A avaliar pelas sondagens e pelos acontecimentos mais recentes, o PS sairá vencedor, de forma muito mais folgada do que a inicialmente prevista, nas eleições de dia 27 de Setembro. Como não acredito que os portugueses vejam nos últimos quatros anos e meio um exemplo de boa governação, só encontro explicação para tal resultado na falta de crença que é depositada nos partidos da oposição. E é sobretudo pena que o maior partido da oposição, o PSD, não tenha tido a arte e o engenho para capitalizar os erros sucessivos dos socialistas. Entre o governo péssimo e a oposição que nada fez para parecer melhor, sobrou o Bloco de Esquerda que verá a sua cotação subir em flecha. O CDS também deverá aproveitar algumas sobras de desiludidos com o PSD e o PCP ficará na mesma. Mas no fundo, o que importa é que a este PS o povo português prepara-se para dar outra oportunidade. Não dúvido que sofrerá uma grande desilusão.

publicado por Jorge Assunção às 08:38
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Quarta-feira, 23 de Setembro de 2009

Carimbo de campanha (I)

 

Elevado desemprego? Crescimento económico paupérrimo? Não foi culpa do actual governo. A culpa foi da crise internacional. Que nunca, durante a actual legislatura, a taxa de desemprego tenha sido inferior à existente quando o governo tomou posse, pouco importa. Que as previsões futuras para o crescimento económico nacional, num eventual cenário pós-crise, apontem para manutenção de desemprego elevado e continuação das taxas de crescimento diminutas, não é motivo para preocupação, afinal, essas instituições já erraram e podem voltar a errar. Que nos indicadores de competitividade internacional, destacados no programa eleitoral que serviu de base ao actual governo, tenhamos caído a pique, é um faits-divers. Que, já em 2008, o governo tenha sido obrigado a recorrer a receitas extraordinárias para manter o défice abaixo dos 3% e que em 2009 o défice vá disparar de tal forma que o país bem pode voltar ao discurso da tanga num futuro não tão distante quanto isso, é assunto a ignorar. O endividamento é um mito e o TGV é o caminho do progresso e da modernidade. Que a minha geração, em inicio de carreira, tenha como perspectiva não alcançar o nível de vida dos seus pais, é conversa de velho do Restelo.

Tudo correu bem, o que correu mal não é culpa nossa e se em alguma coisinha a culpa foi nossa, já mudamos para melhor. Avançar Portugal.

publicado por Jorge Assunção às 21:09
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Domingo, 13 de Setembro de 2009

O(s) debate(s)

Confesso que, ao contrário do que oiço em alguns dos que fazem os debates pós-debates, achei os confrontos entre os líderes partidários verdadeiramente fracos no que toca ao conteúdo. O que é pena, porque o país nesta situação difícil exigia mais. Contudo, e apesar de Ferreira Leite parecer-me muitas vezes farinha do mesmo saco que José Sócrates (o debate de hoje acentuou essa ideia), sei que existe uma diferença entre ambos: de Sócrates, já sei que só posso esperar uma péssima governação, de Ferreira Leite, antevejo que a governação não será melhor, mas há uma diferença entre a certeza e a adivinhação (ainda que sustentada em fortes indícios), pelo que não me é indiferente quem ganha as eleições. E sei também o quanto me irritam os anti-corpos preconceituosos, ou de vingançazinha pessoal (afectados pelo vírus do passoscoelhismo), que encontro num ou noutro comentário contra Ferreira Leite. A avaliação aos debates pelos comentadores também deixa-me deprimido, às tantas parece-me que a vitória ou a derrota no debate é averiguada não pelo que efectivamente foi dito e a validade das afirmações feitas, mas pela imagem que passou. Ou seja, quando um político mente, mas mente bem e faz passar uma ideia errada que lhe dá votos, o analista, mesmo quando admite que tal político mentiu, acha que ganhou o debate porque fez passar a sua imagem deturpada da realidade. Aqui é o virus socrático no seu esplendor. É avaliar o debate pelas regras dos demagogos, pelas regras dos Sócrates e Louçãs deste mundo. Talvez por isso o país tenha os políticos que merece, embora eu prefira pensar, e pensarei certamente até dia 27 de Setembro, que a maioria dos habitantes deste país não se revê nos analistas medíocres que poluem as nossas televisões.

publicado por Jorge Assunção às 00:07
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Terça-feira, 7 de Julho de 2009

Duplas candidatas

Alegre lança repto a Elisa Ferreira e Ana Gomes para que optem por uma só candidatura

 

O problema das duplas candidatas é que se optam pelo Parlamento Europeu, ficam muito mal vistas depois do que andaram a apregoar relativamente às câmaras municipais onde se candidatam. Para quem, como Elisa Ferreira, afirmou que os cidadãos do Porto estavam em primeiro lugar, optar agora pelo lugar garantido do Parlamento Europeu não faz o mínimo sentido. Por outro lado, abdicar do Parlamento Europeu neste momento também não é uma decisão que traga grandes benefícios a qualquer uma delas. É certo que abdicam de um lugar com salário mais que razoável para arriscar uma campanha por um lugar não garantido, mas se essa decisão poderia ser vista com bons olhos pelos munícipes das Câmaras onde se candidatam, a verdade é que esses mesmos cidadãos por esta altura já perceberam que não é uma posição que parta da vontade das próprias e o problema essencial, certamente, não será esquecido: Elisa Ferreira e Ana Gomes comprometeram-se a concorrer às autarquias de Porto e Sintra respectivamente, sem deixar de assegurar primeiro lugar noutro lado. Houve quem chamasse a atenção para esse facto e as candidatas resolveram fazer de conta que não era nada com elas, agora, por pressão do próprio partido, a estratégia pode estar em risco.

publicado por Jorge A. às 16:50
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Terça-feira, 23 de Junho de 2009

Contrariado

O Presidente disse ter informação de que "sondagens que terão sido feitas manifestam uma preferência por eleições simultâneas", ou seja, na mesma data das eleições autárquicas. "Mas, repito, nesta matéria a opinião dos partidos é importante", vincou.

 

Por esta altura já se percebeu que Cavaco Silva teria preferência por marcar as eleições para o mesmo dia. Contudo, o facto de só ter o PSD a seu favor torna essa uma decisão com elevado custo político. Passa o risco de ver as suas decisões coladas ainda mais ao que a líder do PSD também defende. Já no caso das grandes obras públicas é notório que Cavaco alinha com o discurso laranja. Para evitar que esse alinhamento se torne mais notório, o presidente será de certa forma forçado a tomar uma posição neste caso que não é certamente a que defende.

 

Mas na minha opinião pessoal ficariamos melhor servidos se optássemos pelo mesmo dia para a realização das eleições. Por dois motivos: o primeiro porque é óbvio que o argumento económico deve contar. Já vi argumentar que se nas eleições adoptarmos tal argumento, não tarda nem eleições fazemos porque sai mais barato. Ora, isso é uma falácia, porque o argumento económico é tão só: perante aquilo que tem de ser feito, como é que tal é feito de forma eficiente ao mínimo preço possível. Ou seja, o argumento económico nunca pretende limitar aquilo que tem de ser feito, procura é responder à forma como tal deve ser feito. Por isso, para contrariar o argumento da poupança nos gastos, os partidários de eleições em dias diferentes têm de conseguir atribuir um custo à realização de eleições no mesmo dia, e é ai que entra o factor da contaminação do voto. Mas eu não compro esse argumento. Aceitar esse argumento significa que os mesmos que são capazes de decidir perante propostas diferentes e complexas qual a melhor para o país, não são capazes de distinguir nas urnas a natureza diferente de duas eleições. Mais do que isso, comprando esse argumento coloca-se a questão de como é que nas próprias autárquicas os eleitores já são confrontados com votação de natureza diferenciada, uma vez que votam para mais do que um orgão.

 

Já o segundo argumento a favor de eleições no mesmo dia é a abstenção. A situação não se colocaria se as eleições não fossem tão próximas (e o mesmo digo para o argumento económico), mas a questão a colocar é qual o efeito de ter duas eleições separadas por quinze dias? E o efeito não é dificil de adivinhar: as pessoas tem preferências e nem todas estão dispostas a deslocar-se por duas vezes em tão pouco tempo à urna de voto. É claro que é também aqui que, parece-me, se entra mais no jogo partidário e no motivo da oposição generalizada dos partidos políticos à decisão de eleições no mesmo dia. Aos partidos não lhes interessa o valor da abstenção, nunca interessou. Aos partidos políticos interessa ganhar. E o eleitorado das autárquicas é maioritariamente laranja. É possível então admitir que as eleições no mesmo dia diminuam a abstenção sobretudo com uma maior adesão de pessoas que votam tradicionalmente no PSD, pessoas essas que, talvez desmotivadas pela actual liderança do partido, de outra forma não se deslocariam para votar nas legislativas. Ou seja, as eleições no mesmo dia mobilizam o eleitorado do PSD. E nenhum dos outros partidos tem qualquer interesse nisso. Mas quando no dia das eleições alguns partidos políticos lamentarem a fraca adesão popular às eleições, não deixarei de esboçar um sorriso.

publicado por Jorge A. às 15:33
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Domingo, 7 de Junho de 2009

Caminhada

Efectivamente, Sócrates começa hoje a caminhada para as legislativas. Caminhada de marcha atrás. É preciso dar os parabéns aos colegas bloguers da Causa Nossa. :) 

publicado por Jorge A. às 20:33
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