Sábado, 26 de Setembro de 2009

Carimbo de campanha (V)

 

Ele nunca pediu desculpas pelo não cumprimentos das promessas feitas na campanha de 2005, afinal, a culpa não é dele. Por outro lado, exigiu várias vezes desculpas ao maior partido da oposição. Sócrates conseguiu inverter as eleições, transformando-as numa avaliação ao passado e às propostas da oposição. A oposição tem a culpa de não ter evitado cair na estratégia socialista. Mas se Sócrates não pediu desculpa, eu sei quem um dia terá de pedir: aqueles que agora se preparam para o reeleger.

publicado por Jorge Assunção às 09:00
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Sexta-feira, 25 de Setembro de 2009

Carimbo de campanha (IV)

 

Um dos principais temas da pré-campanha foi o dos professores. Todos os partidos da oposição tentaram capitalizar o descontentamento da classe e o próprio Partido Socialista deu uma volta de 180º na sua política inicial para o sector. Uma volta feita de pequenos passos, mas que salda-se, após tantas batalhas e recuos, na inexistência de um processo de avaliação eficaz dos professores. Os professores são muitos e suficientes para retirar a maioria absoluta ao PS. O tema foi tratado com o cuidado merecido e obrigou o animal feroz a transformar-se em cordeiro nas televisões sempre que questionado sobre o mesmo. Está prometido que José Sócrates não mais enfrentará qualquer sector como enfrentou os professores. No fundo, está prometido que o próximo governo não será reformista, nem sequer tentará parecer reformista como foi seu timbre nesta legislatura que passa. Essa é uma promessa em que eu acredito.

publicado por Jorge Assunção às 11:00
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Quinta-feira, 24 de Setembro de 2009

Carimbo de campanha (III)

 

Em toda a minha vida, nunca vi primeiro ministro mais jeitoso do que este. É verdade, o sexto homem mais sexy do mundo foi tema de campanha como a taxa de desemprego, porventura, não terá sido. Entre um homem tão sexy e uma velha tão sem estilo, a escolha está facilitada. No fundo, os portugueses preferem a imagem ao conteúdo.

publicado por Jorge Assunção às 17:21
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Carimbo de campanha (II)

 

A avaliar pelas sondagens e pelos acontecimentos mais recentes, o PS sairá vencedor, de forma muito mais folgada do que a inicialmente prevista, nas eleições de dia 27 de Setembro. Como não acredito que os portugueses vejam nos últimos quatros anos e meio um exemplo de boa governação, só encontro explicação para tal resultado na falta de crença que é depositada nos partidos da oposição. E é sobretudo pena que o maior partido da oposição, o PSD, não tenha tido a arte e o engenho para capitalizar os erros sucessivos dos socialistas. Entre o governo péssimo e a oposição que nada fez para parecer melhor, sobrou o Bloco de Esquerda que verá a sua cotação subir em flecha. O CDS também deverá aproveitar algumas sobras de desiludidos com o PSD e o PCP ficará na mesma. Mas no fundo, o que importa é que a este PS o povo português prepara-se para dar outra oportunidade. Não dúvido que sofrerá uma grande desilusão.

publicado por Jorge Assunção às 08:38
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Quarta-feira, 23 de Setembro de 2009

Carimbo de campanha (I)

 

Elevado desemprego? Crescimento económico paupérrimo? Não foi culpa do actual governo. A culpa foi da crise internacional. Que nunca, durante a actual legislatura, a taxa de desemprego tenha sido inferior à existente quando o governo tomou posse, pouco importa. Que as previsões futuras para o crescimento económico nacional, num eventual cenário pós-crise, apontem para manutenção de desemprego elevado e continuação das taxas de crescimento diminutas, não é motivo para preocupação, afinal, essas instituições já erraram e podem voltar a errar. Que nos indicadores de competitividade internacional, destacados no programa eleitoral que serviu de base ao actual governo, tenhamos caído a pique, é um faits-divers. Que, já em 2008, o governo tenha sido obrigado a recorrer a receitas extraordinárias para manter o défice abaixo dos 3% e que em 2009 o défice vá disparar de tal forma que o país bem pode voltar ao discurso da tanga num futuro não tão distante quanto isso, é assunto a ignorar. O endividamento é um mito e o TGV é o caminho do progresso e da modernidade. Que a minha geração, em inicio de carreira, tenha como perspectiva não alcançar o nível de vida dos seus pais, é conversa de velho do Restelo.

Tudo correu bem, o que correu mal não é culpa nossa e se em alguma coisinha a culpa foi nossa, já mudamos para melhor. Avançar Portugal.

publicado por Jorge Assunção às 21:09
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