Sábado, 8 de Novembro de 2008

Toda a Verdade II

Para além da crise no sector financeiro, o outro grande sector em crise nos Estados Unidos é o da indústria automóvel. Os três grandes de Detroit, General Motors, Ford e Chrysler, passam por um mau período. A primeira garante que a continuar assim ficará sem dinheiro para funcionar em meados de 2009; a segunda recentemente apresentou três biliões de dólares em prejuizo operacional e parece óbvio que se a GM falir a Ford vai atrás; a terceira, depois de falhadas as conversações para ser adquirida pela GM, está em negociações com a companhia sul-coreana Hyundai para o efeito. O motivo para esta quebra daquelas que são das maiores companhias automóveis do mundo? Bem, em primeiro lugar podemos começar pela protecção a que os trabalhadores destas empresas estão sujeitos pelos fortes sindicatos que os representam (e natural perda de competitividade que isso implica para a indústria no comércio global) - a United Auto Workers é um desses exemplo, não sendo de estranhar que recentemente tenham gasto três milhões de dólares na campanha para eleger Barack Obama para a presidência (lá, como cá, os sindicatos estão sempre dispostos a mamar do estado à custa de todos os restantes membros da sociedade). Em segundo lugar, a culpa é dos gestores bem remunerados destas empresas que tomaram decisões ruinosas, nomeadamente na decisão de apostar forte e feio no segmento dos SUV's. Não bastante o facto de estarem a levar uma coça dos modelos mais baratos e eficientes da Toyota (e o surpreendente dominio do Pryus no segmento ecológico), os gestores das grandes empresas americanas responderam, não apostando na eficiência, mas sim na potência e grandeza do carro (diziam eles que o consumidor americano tinha preferência por essas caracteristicas). A subida do preço do petróleo, como é óbvio, veio dar uma machadada nessa estratégia.

Ora, o quadro anterior procura demonstrar que o problema das grandes empresas automóveis americanas no seu próprio mercado não se trata só de um problema de quebra de vendas, as vendas tem diminuido para praticamente todas as empresas, mas é acima de tudo um problema de perda de quota de mercado. À medida que o consumidor americano cada vez mais prefere (seja pelo preço, pela eficiência, pela elegância, etc...) os carros de fabricantes asiáticos, as três grandes marcas americanas continuam a exercer pressão para ir ao bolso do contribuinte americano e assim salvarem-se.

 

Observação: qual a quota de mercado de empresas chinesas na indústria automóvel? Há historietas populistas que não colam tão bem com Japão e japoneses ou Coreia do Sul e sul coreanos. Mas a solução simples já se sabe qual é, diabolizar tudo o que é estrangeiro e proteger o que é nacional, tarifas para o que vem de fora, ou apoios estatais para o que é de dentro. O efeito, prolongar da crise para os americanos e os seus parceiros comerciais...

publicado por Jorge A. às 20:48
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