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Despertar da Mente

"Democracy and socialism have nothing in common but one word, equality. But notice the difference: while democracy seeks equality in liberty, socialism seeks equality in restraint and servitude." Alexis de Tocqueville

"Democracy and socialism have nothing in common but one word, equality. But notice the difference: while democracy seeks equality in liberty, socialism seeks equality in restraint and servitude." Alexis de Tocqueville

Despertar da Mente

14
Out09

Santana: Escolha Pessoal da Líder

Jorge Assunção

Na noite das autárquicas, muitos referiram Santana Lopes como escolha pessoal da líder do PSD. Fizeram por esquecer que este não foi propriamente uma escolha pessoal da líder, mas antes (quase) uma imposição da distrital e de muitos círculos do partido (não esqueçamos que Santana representou nas últimas eleições do partido quase 1/3 dos votos). É verdade que Ferreira Leite aceitou-o enquanto candidato, mas isso também fez em relação a todos os restantes autarcas do país. De resto, é ainda mais curioso que sejam os mesmos a criticar o afastamento de Pedro Passos Coelho como uma medida de desunião do partido, a aproveitar a derrota da candidatura de Santana Lopes a Lisboa para criticar Ferreira Leite. Aposto que, caso Ferreira Leite não tivesse escolhido Santana Lopes como candidato a Lisboa, lá estariamos a ouvir a mesma ladainha sobre a desunião que esta e os seus estrategas haviam promovido no partido.

12
Out09

Autárquicas: A Comunicação Social

Jorge Assunção

Na noite de ontem e em alguns jornais de hoje descobriram-se novas fórmulas para apurar o vencedor objectivo das eleições autárquicas, deixou de ser o número de câmaras ganhas para passar a ser o número de votos obtidos. Pena é que nos mesmos canais de televisão onde comentaristas e políticos iam divulgando os novos critérios de atribuição do vencedor da noite, todos os canais continuassem a contar o número de câmaras obtidas pelos partidos concorrentes mas nenhum deles tivesse o apuramento em tempo real do número de votos obtidos. Esqueceram-se de avisar os directores dos respectivos canais que a tradição (apurar quem venceu mais câmaras municipais e declarar esse o partido vencedor da noite), não contaria na eleição de ontem.

 

A mim, confesso, pareceu-me que o critério principal para apurar o vencedor da noite era 'o PSD da Manuela é que não ganha de certeza'. Dai que, ao longo da noite, outros crítérios foram lançados ao ar para convencer-nos quem era o vencedor da noite. Um deles era muito simples: quem ganha Lisboa, ganha a noite. O PS ganhou Lisboa, ganhou a noite. Outro, muito mais interessante, foi: em relação às eleições de 2005, o PSD ganhou menos autarquias e o PS ganhou mais. O PS ganhou a noite. Confesso que acho muito curioso este último critério, é que só passaram 15 dias desde as eleições legislativas onde só um partido perdeu votos e deputados face às eleições legislativas anteriores e, pelos mesmos comentaristas e políticos de serviço, esse partido foi, objectivamente, o grande vencedor de dia 27 de Setembro.

 

Importante também para percebermos o tipo de comentaristas que temos foi a comparação absurda entre o resultado das legislativas do PSD e do CDS/PP em Lisboa e o resultado de Santana Lopes. E é importante porque os comentaristas acharam por bem só aplicar tal critério em Lisboa. Primeiro esquecem-se que o PSD e o CDS/PP concorrerem em separado não é a mesma coisa que concorrerem coligados, em segundo lugar fizeram por não aplicar o mesmo raciocinio a todo o país (olhem, por exemplo aqui no Algarve, por essa lógica, o PS só teria perdido uma autarquia, o que manifestamente não aconteceu), o que demonstra o que pretendiam com tal análise: rebaixar o resultado de Santana Lopes. Ao mesmo tempo descobri que Elisa Ferreira, grande derrotada no Porto, não era aposta pessoal de José Sócrates, porque só assim se justifica que em relação a Santana várias vezes tenham referido que era uma aposta pessoal de Ferreira Leite, não aplicando o mesmo raciocinio à escolha da candidata socialista do Porto, que obteve derrota mais estrondosa que a de Santana.

03
Out09

Preto é preto

Jorge Assunção

ImageHost.org

 

Embora existissem dúvidas, confirma-se que José Apolinário é José Apolinário. Confirma-se também que os socialistas, que têm ocupado a presidência do Munícipio durante a maior parte dos anos, são os principais responsáveis pelo endividamento excessivo da autarquia. No entanto, José Apolinário tem um trunfo para as eleições: não tem obra feita do actual mandato, mas promete que no próximo levará a cabo uma revolução na zona ribeirinha da cidade. É preciso ter lata: o tipo acaba de completar um mandato e concorre não com base na obra feita, mas com base na obra que vai fazer.

28
Set09

Cavaco '87 e Guterres '02

Jorge Assunção

Algumas notas que me levam a pensar que o caso de Cavaco em '87 não pode ser replicado por este governo socialista de Sócrates. 1) o governo de Cavaco era a sua primeira experiência governativa, ou seja, passou de um governo minoritário para um governo maioritário. Fazia sentido que o povo lhe desse esse resultado: em minoria não conseguiu governar, deixemos o homem governar em maioria. Sócrates, pelo contrário, já teve uma maioria e o resultado de ontem já demonstrou que a maioria do povo não gostou do seu trabalho. 2) Na sequência do ponto anterior, Cavaco chegou ao poder em 1985 para pôr o país em ordem. Sócrates mantém o poder em 2009 para continuar o rumo que traçou em 2005. Sócrates não pode alegar que quer pôr o que quer que seja em ordem, afinal, segundo o próprio, a governação que antecede o seu actual governo foi uma maravilha. 3) Esta comparação com o primeiro governo de Cavaco quase que parece saido da máquina de spin socialista, porque  centra a discussão de cenários futuros de forma favorável aos socialistas (e é uma forma de começar já a pressionar os restantes partidos para serem suaves com o poder socialista: vejam lá, partidos da oposição, não queiram dar nova maioria absoluta ao PS). A comparação que devia estar a ser feita é com o segundo mandato de Guterres. 4) It's the economy, stupid. Se algumas previsões confirmarem-se, nomeadamente desemprego em subida, crescimento económico diminuto e necessidade de começar a combater o défice (e acho que as noticias recentes não deixam dúvidas quanto a este último ponto), não há governo minoritário que resista a tal. E, mais uma vez, o paralelo com o segundo governo de Guterres é evidente.

28
Set09

Governar à esquerda

Jorge Assunção

Rui Tavares, hoje, no Público, escreve uma crónica onde afirma que "o eleitorado [...] quer ser governado à esquerda" e que "qualquer acordo à direita será feito contra uma maioria do eleitorado". Acaba a crónica a apelar à união entre PS, PCP e BE. Temos pena, mas Rui Tavares não tem razão. Os resultados de ontem, para infelicidade da extrema-esquerda, representaram uma viragem, ainda que pouco acentuada, do país à direita. Portanto, o que fica claro é que o eleitorado pretende que o futuro governo Sócrates governe mais à direita. Aliás, é curioso que sejam muitos daqueles que apontavam a governação de Sócrates como uma governação à direita, a incluir agora os votantes do PS no grupo da esquerda. Não foi o BE que sempre rejeitou qualquer acordo com o PS? Agora tem o que merece. E, eu que sou de direita, bem agradeço a José Sócrates por ter desmascarado Francisco Louçã como nenhum líder da dita direita teve a coragem de o fazer. Ao PCP e ao BE, as contas saíram furadas. Sobretudo ao BE, que nunca imaginou ser ultrapassado pelo CDS/PP e menos ainda imaginou que conseguindo a dupla PS+CDS a maioria absoluta, uma possível coligação PS+BE não a consiga.

 

O meu problema com estes resultados, contudo, é outro: o país virou à direita, mas não o suficiente para ter um governo de direita. A extrema-esquerda, que agora poderá lamentar-se por não conseguir influenciar a governação como pretendia, daqui a um ou dois anos, com 650 mil desempregados e um governo minoritário do PS desacreditado, poderá estar novamente a disputar eleições. Ao CDS/PP e ao PSD exige-se que saibam, sem forçar a queda imediata do PS neste momento, passar as responsabilidade dos futuros resultados negativos da governação do país, única e exclusivamente, para o PS. O jogo de xadrez está lançado e convém saber aplicar o cheque-mate.

27
Set09

Notas Iniciais

Jorge Assunção

1) O resultado da política de verdade de Manuela Ferreira Leite salda-se numa estrondosa derrota. Ter um resultado próximo do que teve Santana Lopes é uma vergonha. A cabeça da líder devia rolar já esta noite. Pedro Passos Coelho deve estar com um sorriso, mas o partido ficaria bem com Paulo Rangel a liderá-lo.

 

2) Teremos de gramar com Sócrates outra vez. Durante uma legislatura inteira? Espero bem que não. O PS perdeu a maioria absoluta, mas se o resultado disso for uma coligação com um PCP ou um BE, estamos ainda mais tramados. Óptimo era uma aliança com o CDS/PP.

 

3) No campeonato dos mais pequenos, o BE bem pode festejar, mas o debate Sócrates/Louçã terá custado entre dois a três pontos na votação do partido. O CDS e Paulo Portas estão de parabéns, fizeram a campanha que o PSD não soube fazer e isso nota-se nos resultados. A CDU será o novo partido do taxi?

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