Quinta-feira, 1 de Janeiro de 2009

Recomendação para 2009 (IV)

 

Pode ficar sentado a acreditar que tudo é possível sem esforço, que a mudança (para onde e para o quê?) um dia chegará na simples eleição de um politico (bullshit). Ou pode você mesmo ser factor de esperança e mudança. Não porque alguém lhe impõe o rumo da mudança, nem o sentido da esperança, mas porque você quer e aceita pegar na sua vida e tenta fazer dela aquilo a que se propõe. Certo, o fracasso está logo alí ao virar da esquina, mas pode ter a certeza que o sucesso não está nas mãos de outro do que se não você (quanto muito os outros decidem se querem ser ou não um obstáculo no seu percurso). O mundo não precisa de um Obama, o mundo precisa de vários Obamas... pessoas ambiciosas que sonham alcançar aquilo que outrora parecia impossível. Há quem acredite demasiado no antigo senador de Illinois, julgo que lhes escapou a principal mensagem da campanha presidencial norte-americana, pelo que mais cedo ou mais tarde os que acreditam demasiado sairão decepcionados. Se há mensagem importante a retirar da campanha americana é que só faz bem cada um de nós acreditar em sí, não nos outros, como a crise financeira também veio provar a fé inabalável em sistemas e pessoas que temos como seguros leva mais cedo ou mais tarde a resultados negativos. Desconfiança quanto baste nunca fez mal a ninguém. Para 2009, não perca o espirito critico.

publicado por Jorge A. às 19:31
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Segunda-feira, 29 de Dezembro de 2008

Sailor Moon?

Ban Ki-moon considera "inaceitável" violência em Gaza

 

Confesso que não vejo mangas japonesas/coreanas faz algum tempo para conhecer todos os personagens actuais. Entretanto, alguém sabe-me dizer se as forças da ONU no Libano já trataram de cumprir o seu objectivo de desarmar o Hezbollah? É que isto de mandar bocas é engraçado...

publicado por Jorge A. às 19:10
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Terça-feira, 16 de Dezembro de 2008

"That’s what people do in a free society."

Foi assim que George Bush reagiu ao atirar do sapato de Muntader al-Zaidi. Por outro lado, segundo consta, o lançador de sapatos tornou-se um herói para alguma gente do mundo árabe e, também de forma manifesta com uma breve pesquisa pela imprensa e comentários na internet, para muitos no ocidente. O ódio por George W. Bush a muitos cega. Sim, o episódio é divertido, eu próprio fiz imediata referência ao mesmo, mas a reacção ao incidente não se fica pelo humor, há quem se reveja naquele gesto e só tenha pena que George Bush não tenha efectivamente levado com o sapato. Bush, aliás, é pau para toda a obra: desde o relógio roubado na Albânia que nunca foi até à falta do apertos de mão na recente cimeira do G-20 que também nunca aconteceu. Por outro lado, noticia o New York Times, o mais recente herói tinha ligações ao partido de Saddam Hussein, tendo pertencido ao sindicado estudantil durante o mandato deste e um dos seus editores diz que é pessoa ambiciosa, "sonhava tornar-se um dia presidente do Iraque". George Bush fez muita coisa errada, de onde o Iraque pode ser o maior exemplo, mas mesmo aí nem tudo foi mau. O actual primeiro ministro iraquiano Nuri al-Maliki é uma gigantesca melhoria face ao seu antecessor. Convinha que as pessoas percebessem que no gesto e na figura de al-Zaidi, o lançador de sapatos, bem como nas manifestações de alguns árabes, não há alí nada de bom para festejar - o homem que sonha ser presidente do Iraque tem afinal como modelo o anterior ditador.

publicado por Jorge A. às 09:00
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Terça-feira, 9 de Dezembro de 2008

Pergunta

Mugabe regime renews crackdown, rights group says

President Robert Mugabe's regime has renewed assaults on dissidents, a human rights group said Tuesday, even as he faced more international pressure to step down amid a cholera outbreak that has killed nearly 600 people.

Passado que está um ano desse "sucesso" que foi a cimeira UE-África, o que mudou nas relações afro-europeias?

publicado por Jorge A. às 21:19
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Quarta-feira, 26 de Novembro de 2008

Em Guerra

Polícia indiana confirma 80 mortos e 250 feridos nos atentados de Bombaim

 

Há quem diga que não se pode olhar para o mundo a preto e branco, dividir o mundo entre bons e maus. Mas os que actuaram esta noite na India não tem desculpa e não admito que quem quer que seja introduza um "mas" na explicação da sua conduta. Podemos discutir a forma de lutar contra esta gente, mas não há discussão possível sobre a necessidade de lutar. Alguns tolinhos podem andar entretidos à espera que George W.Bush seja levado a julgamento por crimes de guerra, podem andar entretidos em equivalências morais que só existem na sua noção deturpada do que é a moral. Podemos discutir Guantanamo, Abu-Ghraib, a guerra do Iraque no seu todo, mas não podemos perder a noção de quem é o inimigo, nem a dimensão do confronto com que nos deparamos. Nos actos desta gente está espelhada a maldade pura, não se tratam de erros de julgamento (é verdade que na tentativa de praticar o bem, muitas vezes são cometidas atrocidades, mas esta gente nunca na vida está a tentar praticar o bem), ao optarem pelo terror, a matança de inocentes, não há justificação possível nem aceitável. Atacar na India é atacar na democracia mais populosa do mundo, é com isso que nos defrontamos, com um ataque não menor, nem menos preocupante, do que aquele que aconteceu em Nova Iorque, em Bali, em Madrid ou em Londres. A confirmar-se, e olhando para os pontos alvo do ataque parece óbvio que assim é, que os terroristas procuravam ostentivamente atingir cidadãos de países ocidentais, fica evidente que os ataques podem ser na cidade indiana longingua de Mumbai, mas é a mim que me atacam e eu sinto-me atacado. Espero pois que os meus governantes, aqueles que perfilham dos meus valores e dos meus ideais, tenham a reacção indicada para com a gentalha em causa...

publicado por Jorge A. às 23:31
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Sábado, 15 de Novembro de 2008

Follow the Leader

 

Através do New York Times descubro que o candidato da direita israelita, Benjamin Netanyahu, tem um site que é cópia exemplar do site de Barack Obama (aqueles simbolos que populam os menus, para quem se lembra do site de Obama em plena campanha, são marca registada). Mas o melhor surge quando vamos verificar o site do mesmo candidato na sua versão russa:

 

 

Reparem no pormenor da fotografia... o que não vai faltar agora em politica são pequenos Obamas, mesmo entre quem menos se espera.

publicado por Jorge A. às 01:00
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Quarta-feira, 12 de Novembro de 2008

Guerra...

... no Congo. Nobody Cares.

publicado por Jorge A. às 21:41
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Domingo, 19 de Outubro de 2008

The Reluctant Warrior

But Powell's discomfort comes because he can no longer play by his own rules. The Powell Doctrine - first and foremost, restraint - emerged from his time as America's highest military official under Presidents Bush Senior and Clinton. Roughly put, it is: do not get involved in military intervention unless it is in the nation's vital interests; only intervene militarily if the political goals are clear and achievable; only use overwhelming force, properly built up.

This was what made Powell invade Kuwait but urge a withholding of US military power in Bosnia. Powell insisted on a disastrous military intervention in Somalia: the humiliating retreat underpinned his mistrust of armchair generals clamouring for action. 'As soon as they tell me military intervention is limited, it means they do not care whether you achieve a result or not,' he said. 'As soon as they tell me it's surgical, I head for the bunker.' He added: 'We do deserts, we don't do mountains.

A citação é do artigo do Guardian de Setembro de 2001 quando os americanos passavam pelo trauma do atentado terrorista e preparavam a resposta à Al-Qaeda. Um artigo que merece ser lido para quem quer conhecer a figura de Colin Powell. Na altura, Powell tentou a todo o custo travar as pretensões bélicas de Cheney, Rumsfeld e Wolfowitz e se, de certa forma, no inicio conseguiu limitar a guerra ao Afeganistão, pouco tempo depois era obrigado ele próprio a ir às Nações Unidas apresentar as justificações americanas (armas de destruição massiça) para a guerra no Iraque. Não foi por isso de estranhar que tenha abandonado a administração Bush no fim do seu primeiro mandato.

 

Powell nem sempre foi Republicano, poderia de certa forma afirmar que faz parte daquele universo a que se designou chamar os "Reagan Democrats". Mas foi com os Republicanos e enquanto Republicano que ganhou notoriedade, tendo servido como conselheiro de segurança nacional do presidente Ronald Reagan a partir de 1987 e atingido o posto de Chefe do Estado-Maior dos Estados Unidos em 1989 por nomeação de George H.G. Bush (cargo que manteria até Setembro de 1993, já com Bill Clinton no poder).

 

Este é o homem que questionado por Madeleine Albright (futura Secretária de Estado na administração Clinton) sobre Qual o ponto de estar sempre a referir-se a uma superioridade miltar quando não a podemos usar?, terá respondido qualquer coisa como Os soldados americanos não são brinquedos para andarem a ser movidos num qualquer tabuleiro de jogo global. Talvez por isso, Powell apresentava-se como a escolha certa para Secretário de Estado dum George W.Bush que prometia em campanha eleitoral ser menos interventivo do que a administração Clinton.

 

O 11 de Setembro de 2001 mudou tudo isso. O GOP, contrariamente ao que era a tradição recente, tornou-se no partido da guerra e tomou, sob a liderança de Bush júnior, um sem número de decisões erradas no quadro internacional. Colin Powell atribuiu hoje o seu apoio a Barack Obama.

publicado por Jorge A. às 15:20
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Quarta-feira, 1 de Outubro de 2008

Plano de Salvação Nacional

(via: The Big Picture)

 

É engraçado que é entre aqueles que mais depressa criticavam Bush que agora encontram-se boa parte dos mais ardentes apoiantes (na lógica do: ou é isto, ou é o fim do mundo) do plano de "salvação" nacional (mundial) que o presidente americano vem defendendo dia após dia com a retórica do medo e muito fraca argumentação para jornalista ouvir e eleitor escutar. No excelente Mutual Information, o Luis Pedro Coelho recorreu ao humor da velhinha série Yes, Minister que de forma excelente parece retratar o actual quadro de relflexão lógica entre uma certa elite bem pensante. As premissas: "Alguma coisa tem de ser feita" e "Isto é alguma coisa". A conclusão: "Isto tem de ser feito". A falácia aqui é por demais evidente.

 

Entre alguns orgãos de comunicação social culpam-se os republicanos (uns malvados) pelo chumbo do plano Paulson (um republicano) do governo de George Bush (o republicano culpado pela má fama dos republicanos), sendo que tal plano é neste momento o paradigma da coisa que tem de ser feita, independentemente da análise à (in)justificação da coisa. O próprio McCain (um republicano que na Europa ninguém quer na presidência americana) afirma que ou aprovam o plano ou é a catástrofe.

 

Os republicanos andam a remar contra Bush? Ainda bem, prova evidente que a queda deste partido republicano é o melhor caminho para a renovação do partido e que a mesma não demorará a chegar. O McCain é a favor do plano? Mais um exemplo de porquê que este não pode reconquistar a presidência para os republicanos. Para a defesa de um socialismo de mercado ou do big government, é melhor alguém que se assuma enquanto tal. Ao menos, quando a coisa falhar, pode ser que deixem de culpar o neoliberalismo (o que quer que isso seja) - claro que para boa parte da elite bem pensante europeia tudo o que vem da américa só pode ser neoliberalismo.

publicado por Jorge A. às 23:52
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Sexta-feira, 12 de Setembro de 2008

Influência Russa

Recomenda-se este post de Daniel Drezner (via: A Fistful of Euros) sobre a influência da Rússia nos tempos que correm. O principal ponto encontra-se aqui: 

It’s been more than a week since Russia recognized Abkhazia and South Ossetia as independent states. The number of other countries that have followed Russia’s lead is…. well, maybe one (Nicaragua), as near as I can tell.

Quantos países haviam reconhecido o Kosovo durante a primeira semana: dezassete. Quantos é que já reconheceram o Kosovo até ao dia de hoje: quarenta e seis. A Rússia, passada uma semana que está do seu reconhecimento, ainda só conseguiu que outro país oficialmente lhe seguisse os passos. Entretanto, entramos no jogo do diz que não disse.

publicado por Jorge A. às 01:21
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Terça-feira, 9 de Setembro de 2008

Assim até eu começo a gostar de Sarah Palin

Diz Mário Soares no DN sobre a candidata a vice-presidente pelos republicanos (a minha coluna cómica favorita da imprensa nacional):

É uma neocon radical. Reclama mais armas, mais política de força, intensificação das guerras, mais pena de morte, mais petróleo, sem a mínima preocupação com a defesa do planeta ameaçado. É religiosa fanática, contra o aborto, contra os gays, criacionista, subscreve os desvarios anticientíficos contra a teoria da evolução, unilateralista, está convencida que a América, com a bênção de Deus, poderá governar o mundo. Ignora as crises, o desemprego, o déficit astronómico, e quanto à política externa, zero. Quer dizer, se fosse eleita, a América teria mais quatro anos do mesmo... ou pior. Um pesadelo e um desastre para o Ocidente - nomeadamente para a União Europeia - e para o mundo.

Sinceramente que gostava de ver a justificação para todos os rótulos que Soares cola à senhora. Mais armas? Que eu saiba a única coisa que ela defende é o direito ao porte de arma, muito diferente da forma quantitativa como Soares apresenta a questão. Intensificação das guerras? o pouco que a mulher disse do Iraque é que queria saber se existia um plano de retirada dos soldados americanos do campo de batalha, e ainda disse achar que a mesma era motivada por interesses energéticos, teoria certamente acarinhada pelo drº Soares. Contra os gays? Curiosamente o curriculo da senhora nesse aspecto não anda muito longe do curriculo do partido socialista português, pelo que se depreende... Fanática religiosa? Tanto quanto o srº Soares demonstra ser um ambientalista fanático. Criacionista? E isso interessa? Ou o que interessa é se tal posição influenciaria a sua actuação pública? Ora, na actuação politica os dados que existem demonstram que o facto de ser criacionista não se nota na sua acção enquanto governadora. Unilateralista? Como se vê pela retórica de Soares, este será pluralista desde que do outro lado não estejam pessoas com pensamento semelhante ao de Palin. Ignora o déficit astronómico? De facto ignora, uma vez que o orçamento do Alasca tem um dos maiores superavits dos Estados Unidos, mas com gente pouco séria como o senhor Soares, que tal como os republicanos baseia mais no medo o avanço das suas posições do que na argumentação lógica, pouco há a debater. Resta manter a minha leitura cómica da coluna do drº Soares ao mesmo tempo que entristece-me saber que há gente que lê estas coisas e toma-as como verdades adquiridas.

publicado por Jorge A. às 23:25
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Domingo, 7 de Setembro de 2008

A Caminho da Sociedade Feliz

Em Angola, segundo consta, a votação no MPLA ronda os 82%. Em 2002 Saddam Hussein fez melhor, atingiu os 99,96% - mas já não é muito o que separa a felicidade geral dos angolanos em 2008 com a  felicidade geral dos iraquianos em 2002. 

publicado por Jorge A. às 12:31
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Quarta-feira, 3 de Setembro de 2008

Há os cadáveres e depois há os fantoches

Medvedev considera Presidente da Geórgia um “cadáver político” 

A Rússia já não vê Mikheil Saakachvili como Presidente da Geórgia e qualifica-o mesmo como um “cadáver político”. Em entrevista a uma televisão italiana, retransmitida na Rússia, o Presidente Dmitri Medvedev afirmou que para a Rússia “o actual regime georgiano abriu falência” e o seu “Presidente deixou de existir”.

A pergunta que se coloca é como pretende a mãe Rússia lidar com o "cadáver politico"? É que cadáver ou não, Saakachvili sempre foi eleito com o voto dos georgianos e dúvido (para não dizer que tenho a certeza) que em novas eleições seja eleito um líder pró-rússia. Mas a mãe Rússia nunca se deu bem com a democracia, nem com o facto dos paises vizinhos terem vontade própria diferente da deles. O objectivo dos russos sempre foi terem não cadáveres, mas uma espécie de, os chamados fantoches politicos.

publicado por Jorge A. às 01:30
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Segunda-feira, 1 de Setembro de 2008

Já os americanos adoram a administração Bush

O Henrique Raposo diz que a "administração Bush é odiada na Europa, mas a Europa (já) não é sinónimo de mundo". E no final questiona se "japoneses, indianos e africanos têm de ser ensinados a odiar Bush, não é?" Ora, não querendo discordar do Henrique, acho apesar de tudo que primeiro é preciso ensinar os americanos a não odiar Bush, não é?

 

Depois, gostava de lembrar o Henrique que aos japoneses já não é preciso ensinar nada, veja-se o que diziam em 2004 aquando das eleições entre Kerry e Bush:

Some 57 percent of respondents said they don't back Bush while 13 percent voiced support for him, the Mainichi Shimbun said in its poll.
publicado por Jorge A. às 23:42
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Segunda-feira, 25 de Agosto de 2008

Secção de Cartas

Diplomatic Language: "SIR – It was with an equal dose of sheer pleasure and utter horror that I read the letter from Alexander Kramarenko at the Russian Ministry of Foreign Affairs (August 9th). Regarding Zimbabwe, Mr Kramarenko said Russia believes “that negotiations… are the best way to avoid more bloodshed”, and, “as a matter of principle, we do not believe in the punishment or isolation of sovereign states”. I read this while watching the Russian bombardment of the Georgian city of Gori." - Emile Gregoire, Paris

 

A high price for gold: "SIR – Critics of the Atlanta games in 1996 derisively called them the Coca-Cola Olympics. Staging the event, however, didn’t cost taxpayers $17 billion, which is the equivalent of the £9.3 billion public-sector budget for the London Olympics (“Passing the baton”, August 9th). I’ll take Coca-Cola as the official drink of the games any day, and leave $17 billion in taxpayers’ pockets." - Roger Wilson, Falls Church, Virginia

 

Na sempre fantástica secção de cartas da The Economist

publicado por Jorge A. às 21:28
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Domingo, 17 de Agosto de 2008

Vitória Russa?

Quando o conflito no cáucaso parece prestes a estabilizar, vale a pena ler a análise de Michael Waltzer sobre a possibilidade daquilo que foi uma derrota para os Estados Unidos e para a União Europeia não se transformar numa vitória para os russos. Isto porque:

The most heartening moment in the last week was the arrival in Tbilisi on Tuesday of the presidents of Latvia, Lithuania, Estonia, Ukraine, and Poland to stand in solidarity with Saakashvili. They are not ready to accept the reassertion of an old-fashioned Russian “sphere of influence.” And their public presence and resistance are more important than any American or European statements.

Não por acaso surgem coisas como esta: Ukraine offers satellite defence co-operation with Europe and US

publicado por Jorge A. às 16:41
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O Iraque

Através da Liliana cheguei ao blogue do jornalista da RTP Luis Castro. O jornalista em causa é um dos habituais enviados especiais da estação pública ao Iraque para noticiar a guerra. Curiosamente, ou então não, nos comentários a este seu post, o jornalista tenta explicar a realidade do Iraque da seguinte forma:

E se tivessemos um tanque todos os dias a barrar a rua onde vivemos? E ter os americanos a rebentar as portas da nossa casa, entrando aos gritos e acordar com o cano de uma M-16 encostada à cabeça? E ver que os EUA estão no nosso país, não porque tínhamos um qualquer Salazar, mas sim porque foram descobertas bacias de petróleo ao largo do Alentejo? E ver um pai morrer porque subiu ao telhado e os americanos acharam que ele era da resitência? São apenas algumas das razões que nos levariam também a resitir contra o invasor.

Evitando outras considerações, a pergunta que fica por responder sobre a realidade iraquiana é sobre quem faz mesmo parte da resistência ao inimigo opressor? Não são aqueles que fazem atentados terroristas que matam milhares do seu próprio povo? E qual o seu objectivo? Será expulsar o invasor ou garantir que o Iraque baseado no modelo imposto pelos Estados Unidos não prospera? Já agora, entre os resistentes aos invasores, são todos iraquianos? E quem financia a resistência? Com que intuito?

 

Mais, independentemente dos motivos que levaram à guerra do Iraque, qual o resultado prático da saida das tropas americanas do território iraquiano nesta altura? Os resistentes que matam os do seu próprio povo desapareceriam? Ou acusariam o governo iraquiano actual de serem fantoches do governo americano e por essa via continuariam a considerar legitima a sua luta contra o seu próprio povo?

 

O problema é que não é possível procurar compreender uma resistência (o mesmo se aplica por exemplo ao Hamas na Palestina) que recorre ao assassino de civis, de forma odiosa, execrável e injustificada. A não ser que se aceite que os fins jusitificam os meios. Nestas coisas, está certo, não é possível fazer uma distinção clara entre o Bem e o Mal, o mundo e os seus problemas complexos não se reduzem a modelos simplistas, mas no caso do Iraque eu sei muito bem quem são os maiores demónios que aterrorizam aquele povo e, mesmo que essa não seja a percepção de parte do povo iraquiano, esses não são certamente os americanos.

publicado por Jorge A. às 15:05
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Sexta-feira, 15 de Agosto de 2008

Amor com amor se paga

Geórgia: Washington avisa que crise terá consequências nas relações com Moscovo

 

Rússia fala de agravamento das relações com EUA devido a acordo com Polónia

 

A Europa (leia-se, França) fez de conta que negociou um cessar-fogo entre a Rússia e a Geórgia, mas o facto é que foram os Estados Unidos a forçar a aceitação do cessar-fogo por parte da Rússia. O acordo com a Polónia para a instalação dos misseis defensivos é só mais uma das respostas firmes americanas que se impunham à crise. Mas claro que parte do sucesso americano na resposta está dependente dos seus aliados. 

publicado por Jorge A. às 12:56
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Sábado, 9 de Agosto de 2008

Ossétia do Sul

Para quem ainda não tenha reparado, iniciou-se uma guerra entre a Rússia e a Geórgia no dia de ontem (diria que o timing, em dia de inauguração dos jogos olimplicos de Pequim, foi perfeito para quem procurasse evitar os grandes cabeçalhos dos jornais de hoje). A origem da guerra reside nas pretensões independentistas da Ossétia do Sul, com o apoio dos russos, face à Geórgia. Dirão alguns que face ao precedente Kosovo (como de certa forma parece ser a opinião do António de Almeida) a Ossétia do Sul tem o mesmo direito de se tornar independente - não contesto. O que contesto é a intervenção russa e a aparente passividade da comunidade internacional - se há governo que não pode reclamar do precedente Kosovo para defesa das suas posições internacionais é o governo de Moscovo, que mantém a Chechênia sobre o seu jugo contra a vontade do povo da região. Curiosa é também a reacção dos sempre vigilantes contra as acções de guerra norte-americanas - por exemplo, o melhor que o Daniel Oliveira conseguiu atirar foi este post onde informa-nos que "ainda está longe a estabilização das ex-repúblicas soviéticas" e que "o novo mapa ainda não está desenhado".

publicado por Jorge A. às 10:13
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Sábado, 12 de Julho de 2008

What a way to run the world

O titulo do post é o titulo da capa da última semana da Economist. É de facto uma pergunta que se impõe, especialmente para aqueles que ainda vêem na ONU uma organização responsável e onde os problemas do mundo podem e devem ser resolvidos: sanções contra o Zimbabwe bloqueadas pelo veto da Rússia e China. Por muito que custe a muita gente, se o mundo tem a estabilidade e segurança actual (façam uma verificaçãozinha pelo número de mortos civis resultantes de conflitos em qualquer década do século passado e comparem com esta primeira década do século XXI), eu sei perfeitamente a quem mais o deve

publicado por Jorge A. às 13:27
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Terça-feira, 24 de Junho de 2008

O Exemplo do Zimbábue

"We can't ask the people to cast their vote on June 27 when that vote will cost their lives. We will no longer participate in this violent sham of an election.''

 

Mesmo porque a derrota antecipada numas eleições à partida viciadas era mais que certa, acho que o lider da oposição no Zimbabué tomou a decisão correcta. Mugabe, esse, fica só como mais um dos exemplos do que a demagogia da extrema-esquerda e a prática do marxismo-leninismo conseguem fazer ao povos que governam. A reforma da terra, que visava tirar das mãos dos brancos ex-colonos a propriedade e passar essa mesma propriedade para o povo de maioria negra, resultou no redondo fracasso que se conhece com o colapso da agricultura do país (se bem que, como diz o NYT, Mugabe claimed he ordered the seizures, begun in 2002, to benefit poor blacks. But many of the farms instead went to his loyalists).

 

Depois, confrontado com uma hiper-inflação e o colapso financeiro do país, o governo tentou resolver o problema por decreto, através do controlo artificial dos preços e da taxa de câmbio - em vez de melhorar a situação, piorou. A juntar a isto tudo o poder judicial no país é uma farsa, e os resultados eleitorais da primeira volta das presidenciais foram aldrabados de forma a suportar a reeleição à segunda de Mugabe com as consequências que tal situação acarreta para a crença na democracia daquele povo - o poder em África ainda é sinónimo de sangue e fogo.

publicado por Jorge A. às 22:33
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Sexta-feira, 20 de Junho de 2008

Os fantasmas, esses, são só do lado do "não"

Tratado de Lisboa: UE admite dificuldades de ratificação na República Checa

Os líderes europeus admitiram hoje que, depois do “não” irlandês, também a República Checa poderá ter dificuldades para ratificar o Tratado de Lisboa, mas os 27 sublinham que não vão deixar cair o documento.
Além da República Checa, o processo está também em suspenso na Polónia, já que o Presidente conservador, Lech Kaczynski, tem em mãos há mais de duas semanas o tratado e ainda não o assinou.
O Presidente francês, Nicolas Sarkozy, foi mais longe e avisou os países de Leste que a UE não poderá concretizar os alargamentos previstos, em particular à Croácia, cuja integração deveria ocorrer até ao final da década. “Um certo número de países europeus que têm reservas sobre o Tratado de Lisboa são os mais favoráveis ao alargamento. Ora, sem Tratado de Lisboa, não haverá alargamento”, declarou.

Um misto de demagogia (porque fazer depender do tratado a possibilidade de novo alargamento é pura mentira) com chantagem (o objectivo é pela via do medo forçar países a uma posição contrária à que defendem) . Nicolas Sarkozy pensa que a partir de Paris pode governar a Europa e ameaça, sem medo de repressálias, os restantes estados-membros que em teoria estão em igualdade de circunstâncias com a França. Mas todos sabemos que a igualdade de circunstâncias é coisa que não existe... como diria Orwell: "todos somos iguais, mas há uns mais iguais do que os outros".

publicado por Jorge A. às 20:46
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