Terça-feira, 7 de Julho de 2009

Aviso aos jovens de 30 anos

Por isso, quando disse que o futuro de Portugal é tornar-se uma espécie do Alentejo ou Trás-os-Montes da Europa, estive errado. Vai ser muito pior. É que, apesar do empobrecimento relativo do Alentejo ou de Trás-os-Montes, a existência de um sistema de Segurança Social a nível nacional permitiu tratar a população dessas regiões – nomeadamente os seus pensionistas – em igualdade de circunstâncias com o todo nacional. I.e., a solidariedade nacional funcionou para atenuar parte dos efeitos do empobrecimento relativo.

A nível da Europa, tais mecanismos de solidariedade não existem e é muito pouco provável que venham a existir. Nem é expectável que toda a população portuguesa emigre. Pelo que as consequências sociais do empobrecimento relativo de Portugal vão ser muito piores do que têm sido as do empobrecimento relativo das suas regiões do interior.

Solução? Mudar rapidamente de politica económica. Mas, para isso, é necessário um consenso social alargado que, no actual contexto de crescente ódio que caracteriza a disputa política, é altamente improvável. Consequência? Os jovens com capacidades de funcionar no mundo global (uma minoria, em qualquer caso), se agirem racionalmente, vão-se embora enquanto é tempo. Os outros – os que chamo de “massas localizadas” – vão ficar e suportar o peso da factura.

 

Aqui por Vitor Bento. Na minha qualidade de jovem com menos de 30 anos, levo muito a sério o aviso deste. O problema português é que existem umas almas que acham possível a criação desses mecanismos de solidariedade no contexto europeu. Tanto acham, que continuam a advogar uma política económica irresponsável por parte de Portugal, na esperança que um dia, nomeadamente os alemães, nos paguem a crise. A propósito também vale a pena ler o post O poker da Madeira. Sobre isso, escrevia Dostoievski no seu livro O Jogador: "O russo ao contrário mostra–se incapaz de adquirir algum capital; antes, dissipa–o a torto e a direito de uma maneira revoltante. Todavia, nós os russos também precisamos de dinheiro – acrescentei –, e por consequência recorremos sem vacilar a processos tais como a roleta, que nos dá ensejo de enriquecermos subtamente, em duas horas, sem trabalhar. Oh! Isso nos encanta! Mas, como jogamos insensatamente, perdemos”. Há qualquer coisa de russo na cultura portuguesa.

publicado por Jorge A. às 06:02
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Terça-feira, 19 de Maio de 2009

A Estrada

Nós nunca seríamos capazes de comer uma pessoa, pois não? Não. É claro que não. Mesmo que estivéssemos a morrer de fome? Nós já estamos a morrer de fome. Tu disseste que não estávamos. Morrer de fome é uma maneira de dizer. Nós estamos cheios de fome, mas não estamos mesmo a morrer. Mas nunca faríamos isso. Não. Nunca. Aconteça o que acontecer. Sim. Aconteça o que acontecer. Porque nós somos os bons. Sim. E transportamos o fogo. E transportamos o fogo. Sim. Está bem.

 

A Estrada, Cormac McCarthy, Relógio d'Água, Página 87

 

De um dos meus livros favoritos. Sobre a procura do bem, sobre o que nos torna humanos, uma das mais belas histórias sobre o amor entre um pai e o filho. Agora terá direito a adaptação cinematográfica [trailer]. Tom Chiarella da Esquire chama-lhe o mais importante filme do ano. Confesso que a crónica na Esquire e o trailer deixam-me de certa forma de pé atrás. A Estrada é tudo menos uma história de acção (como o trailer sugere) e o rótulo de "mais importante do ano" cheira-me a golpe publicitário. Mas é, neste momento, um filme muito aguardado por estas bandas.

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publicado por Jorge A. às 17:34
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Sexta-feira, 3 de Abril de 2009

Kafka à beira-mar

Deve ter sido do olhar do gato que se apresenta na capa da versão portuguesa, mas há muito tempo que algo me atraia neste livro do escritor japonês Haruki Murakami. Não arriscava contudo comprá-lo, tive-o várias vezes na mão, mas desistia sempre de levá-lo comigo e mantinha-me fiel às minhas paixões habituais. Sim, o titulo do livro também é sugestivo. O escritor checo é um dos meus favoritos, para não dizer o meu favorito, e a associação era imediata. Mas foi exactamente há uma semana atrás que, motivado por um desconto de 30% no preço (que coisa mais banal, eu sei), adicionei-o à minha mini-biblioteca pessoal. Foram cerca de 600 páginas que num instante voaram, foram cerca de 600 páginas de prazer. O autor envolve-nos num universo fantástico, de contornos surreais a espaços, e termina deixando muito por esclarecer. Questionado sobre qual a explicação para toda a obra, Murakami recomendou nova leitura ao livro (que a cada nova leitura, novas coisas se descobrem, novos pormenores saltam à vista). Não sei se existe uma explicação final para toda a obra, dúvido dela e, para ser sincero, também não me interessa. Há coisas que valem pelo mistério que transportam. E este livro vale mesmo a pena.

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publicado por Jorge A. às 16:19
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Sábado, 7 de Março de 2009

Correntes Literárias

O Tiago Moreira Ramalho envolveu-me em mais uma corrente (tenho tantas por responder), mas esta é daquelas de resposta rápida e fácil, o que significa que é das que gosto (e não é nova, neste mesmo blogue já respondi uma outra vez a algo igual - o que me leva a perguntar se isto dá a volta, ou se alguém lembra-se de relançar, sem qualquer maldade nisso, a mesma coisa over and over again?). Mas no caso da corrente em causa, faz sentido, porque dificilmente depois de tanto tempo desde que dei a primeira resposta, esta poderia ser igual. O objectivo é consultar a página 161 do livro mais próximo do local onde nos encontramos e publicar a quinta frase completa que aparece em tal página. Ora, ontem, enquanto escrevia o texto sobre o filme Watchmen e pensava no Dune de David Lynch, andei a consultar o livro de Frank Herbert. Não é por isso de estranhar que o livro mais à mão seja Dune de Frank Herbert, publicado pela New English Library.

 

"When the worm came, there was nothing to recover the crawler," Kynes said.

 

E agora, passo a batata quente à Ana Silva Fernandes, ao António de Almeida, ao Daniel Santos, ao Manuel Gouveia, e ao commonsense.

publicado por Jorge A. às 17:00
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Domingo, 1 de Março de 2009

Fruto dos Tempos

Atlas felt a sense of déjà vu

BOOKS do not sell themselves: that is what films are for. “The Reader”, the book that inspired the Oscar-winning film, has shot up the bestseller lists. Another recent publishing success, however, has had more help from Washington, DC, than Hollywood. That book is Ayn Rand’s “Atlas Shrugged”.
Reviled in some circles and mocked in others, Rand’s 1957 novel of embattled capitalism is a favourite of libertarians and college students. Lately, though, its appeal has been growing. According to data from TitleZ, a firm that tracks bestseller rankings on Amazon, an online retailer, the book’s 30-day average Amazon rank was 127 on February 21st, well above its average over the past two years of 542. On January 13th the book’s ranking was 33, briefly besting President Barack Obama’s popular tome, “The Audacity of Hope”.
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Segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2009

Fernão Capelo Gaivota

"A maior parte das gaivotas não se querem incomodar a aprender mais que os rudimentos do voo, como ir da costa à comida e voltar. Para a maior parte das gaivotas, o que importa não é saber voar, mas comer. Para esta gaivota, no entanto, o importante não era comer, mas voar."

No Insurgente recomendou-se o The Fountainhead como primeira leitura para quem queira conhecer a obra de Ayn Rand (eu concordo). E isso fez-me recordar esta lista dos 50 livros de culto elaborada pelo The Telegraph onde o The Fountainhead de Rand foi incluido, com as habituais palavras nada abonatórias para a obra (embora a obra de culto da escritora seja mais o Atlas Shrugged). Na lista consta também Dune de Frank Herbert (outra paixão pessoal) e Jonathan Livingstone Seagull de Richard Bach, de onde a citação foi retirada. São três livros que com prazer fazem parte da minha biblioteca.

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Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2009

Dois Livros Indispensáveis

 

Ora aqui está uma parelha de livros que terei muito orgulho em ter cá por casa. E tudo obra das Edições 70 que em 2006 lembraram-se de editar Sobre a Liberdade de John Stuart Mill e agora tem a feliz e oportuna ideia de publicar O Caminho para a Servidão de Friedrich Hayek (via: O Insurgente).

 

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Quinta-feira, 13 de Novembro de 2008

Visto

O filme baseado na obra de Saramago - Ensaio sobre a Cegueira - é provocativo, interessante, mas o argumento deixa algo a desejar (não sei se fruto da adaptação ao cinema, se fruto do próprio livro que nunca li). Os personagens - de quem nunca saberemos o nome - são suficientemente densos para não cairem nos lugares comuns e a interpretação dos actores é positiva, mas é nas suas acções que entram em confronto com a minha visão da humanidade. De referir que, ao ver o filme, recordei-me de outro livro mais recente, A Estrada, de Cormarc McCarthy, outra história pós-apocaliptica, onde também os nomes dos personagens nunca são revelados. Sobre o livro de Cormarc McCarthy o New York Times na critica escrevia que "keeping memory alive is difficult, since the past grows increasingly remote. It is as if these lonely characters are experiencing “the onset of some cold glaucoma dimming away the world.” The past has become like a place inhabited by the newly blind, all of it slowly slipping away." - a única diferença aqui é que os "newly blind" no filme não se resumem a figura de estilo (e sobre a recusa/aceitação do passado o casal japonês é particularmente interessante para o desenrolar do argumento). Mas há uma diferença entre o livro de McCharty e a história de Ensaio sobre a Cegueira, no primeiro entra-se imediamente em contacto com o mundo pós-apocaliptico e nunca nos é explicado qual o motivo da devastação, já no segundo existem dois planos de acção: inicialmente é nos dado a conhecer os acontecimentos que levam ao apocalipse, para só depois sermos confrontados com o mundo pós-apocaliptico.

 

Não me posso alongar muito porque não quero entrar em pormenores sobre o argumento do filme, mas existem acontecimentos sucedidos e acções permitidas ao longo do filme que fogem à minha compreensão do que é o ser humano (o homem é capaz de cometer os actos mais cruéis e desumanos em momentos de grande tensão, mas não é menos capaz de cometer os actos mais bravos e heróicos nesses mesmos momentos - especialmente quando confrontado com a injustiça e a pura maldade - claro que, mais tarde na história isso irá surgir, mas os "bons" são demasiado passivos o que torna a coisa irreal e desfocada para mim, isto para não falar na vantagem competitiva que tinham desde o inicio sobre todos os restantes elementos daquela sociedade primitiva de cegos) .

 

Acho também curiosas as recomendações que o IMDB faz no seu site para quem gosta de Ensaio sobre a Cegueira. A começar pelo The Dark Knight, isto porque este, nomeadamente aquela cena em que o Joker confronta a escumalha e pessoas de bem naquela cena do barco, em que ambos os grupos, contrariando a expectativa do Joker, decidem fazer o que está certo, veio-me à memória enquanto via este filme (mas se quiserem uma coisa mais real, o United 93 é outro belo exemplo do espirito humano). E depois porque recomenda o Dawn of the Dead e o 28 Days Later - e nestas coisas que tratam do mundo apocaliptico e da acção (des)humana, na minha opinião, nada há melhor do que um bom filme zombie (no próprio mundo pós-apocaliptico de Ensaio sobre a Cegueira, a maior parte dos humanos cegos que restam a pouco mais assemelham-se do que a isso, zombies), sendo que o de Danny Boyle é certamente das melhores coisinhas que já vi, quer em argumento, quer no ambiente visual.

 

Não achei Ensaio sobre a Cegueira um grande filme, mas gostei. Não é brilhante, mas procura ser inteligente e algumas vezes assim o é. Comigo já garantiu uma coisa, voltou-me a pôr a comprar Saramago - quanto mais não seja para verificar até que ponto as falhas que detectei no filme surgem no livro.

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publicado por Jorge A. às 20:39
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Sábado, 11 de Outubro de 2008

Realidade Alternativa

Ainda sobre o meu post anterior: The Nobel Prize in Literature from an Alternative Universe (via: Maradona)

publicado por Jorge A. às 12:03
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Sexta-feira, 10 de Outubro de 2008

Credibilidade

Deixem-me confessar que tenho muita dificuldade em olhar para esta lista e atribuir-lhe uma credibilidade por aí além. Como é normal nestas coisas, quando Franz Kafka era vivo ninguém previu que fosse tornar-se num dos maiores escritores do século XX, logo não teve direito a Nobel. Mas o que dizer por exemplo de Leo Tolstoi? A fama já tinha batido à porta quando o Nobel da Literatura começou a ser atribuido, teve o grande escritor russo direito ao seu momento de glória? Não. Atribuir um Nobel à norte-americana Pearl S.Buck em 1938 e deixar Virginia Wolf sem o seu, que morreu em 1941, devia ser só por si capaz de retirar qualquer credibilidade ao prémio. O argentino Jorge Luis Borges também não podia receber nenhum porque estava politicamente demasiado à direita. E Vladimir Nabokov é só por si um ensaio à cegueira, quando pensamos naqueles pelo qual o grande autor americano foi preterido. Por falar em ensaio à cegueira, alguém no seu perfeito juizo acha que em pleno século XX o melhor que Portugal teve para oferecer a nivel literário foi José Saramago? O século do grande Fernando Pessoa? Mas a lista dos não vencedores prolonga-se quase até ao infinito, incluindo nomes como Mark Twain,  James Joyce ou Graham Greene, certamente longe desse génio literário que foi Winston Churchill.

 

No século XXI, e por muito que Jean-Marie Gustave Le Clézio merecesse o prémio, a insistência em deixar os grandes nomes americanos como Philip Roth, Comarc McCarthy ou Don DeLillo de fora dos possíveis vencedores não é só errada, é absolutamente cancerigena para o estatuto do prémio, mas a olhar à história do mesmo, faz jus a esta.

publicado por Jorge A. às 23:52
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Domingo, 17 de Agosto de 2008

As cultural exchanges go

She describes an evocative episode in 1642, when a Dutch ship is greeted by canoes off New Zealand, and the two sides, after fruitlessly calling to each other in their own languages, resort to music—a series of trumpet calls, first one and then the other, until darkness falls. Sadly there was death in the morning, but as cultural exchanges go, it did not start too badly.

Na Economist, sobre o livro com o titulo sugestivo Come on Shore and We Will Kill and Eat You All: A New Zealand Story, de Christina Thompson.

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publicado por Jorge A. às 16:55
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Segunda-feira, 4 de Agosto de 2008

Soljenitsine na blogosfera

Na morte de Soljenitsine, por Pedro Correia:

Quando outros calaram, por cobardia ou conveniência, ele expôs-se - servindo-se de um papel e de uma caneta para denunciar um regime iníquo. Estaline mandou deportá-lo para um campo de concentração siberiano, Brejnev deu-lhe ordem de expulsão do país.

Solzhenitsyn, RIP, por Andrew Sullivan: 

His accounts of what torture and dehumanization do to people - the enforcers and the victims - helped me better understand the utter incompatibility of freedom and torture of any kind, anywhere. If I had to point to one author who inspired my horror at what Cheney and Bush have done to America's integrity these past few years, it would be Solzhenitsyn.

Aleksandr Solzhenitsyn dies at 89, por Tyler Cowen: 

He did not in every way favor liberty, but he did more for liberty than almost any other person of the late 20th century.

The Best of Solzhenitsyn, por Bryan Caplan: 

But if any writer can make future generations of Russians look on the Soviet era with the horror it deserves, it's the man who stared down the Soviet Union at the height of its power - and outlived it by 17 years.
publicado por Jorge A. às 21:43
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Domingo, 3 de Agosto de 2008

Arquipélago Gulag

Alexander Solzhenitsyn Is Dead at 89 

Solzhenitsyn's unflinching accounts of torment and survival in the Soviet Union's slave labor camps riveted his countrymen, whose secret history he exposed. They earned him 20 years of bitter exile, but international renown. And they inspired millions, perhaps, with the knowledge that one person's courage and integrity could, in the end, defeat the totalitarian machinery of an empire.

No livro onde relata as atrocidades dos campos de concentração soviéticos, Alexander Solzhenitsyn faz a dedicação em honra "a todos aqueles que não viveram para o contar". O livro é uma narrativa do autor sobre a sua experiência enquanto prisioneiro de um desses campos, e em honra de Solzhenitsyn e da história que tantas vezes é esquecida, em nome daqueles que não viveram para contar, mas também para que no futuro não haja nada do género para contar e pessoas que percam a vida antes de o poderem fazer, recomendo a leitura de Arquipélago Gulag.

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publicado por Jorge A. às 23:19
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Sexta-feira, 25 de Abril de 2008

Dilema Moral

Vladimir Nabokov ao morrer deixou expressa a vontade que o seu último trabalho, The Original of Laura, fosse queimado. Passados 31 anos da morte de seu pai, Dmitri Nabokov decidiu avançar com a publicação do livro. Imagino o dilema moral que tal decisão implica e, na prática, não me parece que exista uma escolha certa ou uma escolha errada. Poderemos afimar que Max Brod quando decidiu não cumprir a vontade expressa por Kafka de destruir a sua obra cometeu um erro?

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publicado por Jorge A. às 15:37
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Quarta-feira, 23 de Abril de 2008

110 Livros

Através do Paulo Pinto Mascarenhas cheguei a este artigo do Telegraph que procura enunciar os melhores 110 livros, divididos religiosamente por secções, que deveriam compôr a biblioteca perfeita. Sinceramente, li 9 dos 110 titulos presentes, mas qualquer colecção de livros que não inclua Crime e Castigo do Dostoievsky, O Processo ou A Metamorfose de Kafka e obras politicas, para citar as que gosto, como Road to Serfdom de Hayek ou Atlas Shrugged de Ayn Rand está longe de poder constituir uma biblioteca perfeita.

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publicado por Jorge A. às 01:43
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Terça-feira, 18 de Março de 2008

Dos grandes que se vão



Science fiction author Arthur C Clarke dies aged 90

Oscar Winner Minghella Dies at 54

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Domingo, 6 de Janeiro de 2008

Livros e Filmes

Satisfazendo a curiosidade do Ega, andei a reflectir sobre qual o filme que mais gostei de ver em 2007, bem como o livro que mais gostei de ler no ano que passou. Pede-me também o Ega que diga qual o filme e livro que mais expectativas me criam para 2008. Confesso que me é particularmente dificil fazer tal escolha, especialmente no campo do cinema onde o leque possível para escolha foi maior. Começo portanto pelo campo mais fácil, o da leitura.

O livro que mais gostei de ler foi a obra de Cormac McCarthy, A Estrada. Curiosamente, na altura que acabei de o ler não fiquei com a impressão que fosse a melhor coisa que havia lido até então - o livro era bom, mas não o melhor. Contudo hoje, e em perspectiva, recordo-me perfeitamente da história contada e de muitas passagens do livro. Esta capacidade de uma história marcar presença constante na memória de quem a lê é uma propriedade só ao alcance de grandes obras - e de 2007, é d'A Estrada que nem tão cedo me esquecerei. Para 2008 duas expectativas, uma a de ler o Exit Ghost de Philip Roth e ficar com a mesma impressão dos criticos que tenho lido, ou seja, que o livro é excelente. A segunda a de fazer com Cormac McCarthy o que fiz este ano com Philip Roth - gastar uma pequena fortuna e comprar boa parte da colecção literária do escritor e lê-la.

No cinema, sou obrigado a fazer algumas divisões, porque não consigo eleger um único filme. No campo do fantástico, o Stardust foi o que mais gostei de ver. No tipico filme para toda a familia, foi o The Pursuit of Happyness que mais gostei (e sim, é happiness escrito com y). Na comédia romântica, mais para o lado da comédia o Knocked Up, mais para o lado do romântico o No Reservations. Na comédia pura e dura, o Hot Fuzz. No campo dos dramas, entre os que vi no cinema destaco o Zodiac de David Fincher, entre os que não faço a minima a ideia como já os vi destaco o No Country for Old Men dos irmão Cohen. Para 2008, a breve trecho estou ansioso por ver o Sweeney Todd, There Will Be Blood e The Darjeeling Limited. A mais longo prazo estou com curiosidade de ver o que vai sair deste Atlas Shrugged que para além de ser a adaptação ao cinema de uma obra de Ayn Rand, contará com a presença da magnifica Angelina Jolie.
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publicado por Jorge A. às 02:34
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Segunda-feira, 24 de Dezembro de 2007

Feliz Natal

O centro comercial a abarrotar. As últimas compras de natal. A secção de doces no supermercado com as prateleiras vazias. Uma indecisão final entre os destaques literários da FNAC. De Cormac McCarthy lá estava o "Este País Não é Para Velhos" e de Philip Roth "O Animal Moribundo". Optei pelo segundo, o primeiro vou esperar pelo filme. Não me contenho, sou um tipo que tem de oferecer prendas a sí próprio. Mais umas ofertas compradas e no fim mais um fato para a minha colecção. Carteira vazia, mas trato-me bem. O natal é uma vez por ano, ou num registo mais optimista, o natal é quando o homem quiser. Tratem-se bem e tratem bem os outros.

Feliz Natal a todos os leitores que por cá passam ou, num registo politicamente correcto, boas festas.
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Domingo, 9 de Dezembro de 2007

Obra Infantil

Quem o diz é Philip Pullman, autor da triologia His Dark Materials, cujo primeiro livro vê agora ser feita a adaptação para cinema com o filme The Golden Compass. Pullman claramente não gosta da triologia de Tolkien, chegando mesmo a apelidar The Lord of the Rings como uma obra infantil. Diz ainda mais, diz que "Tolkien is not interested in the way grown-up, adult human beings interact with each other. He's interested in maps and plans and languages and codes."

Sobre The Chronicles of Narnia de C.S.Lewis, Pullman também não tem opinião muito favorável. Em 1998, aquando do centenário do nascimento do escritor britânico, Pullman escrevia no Guardian o artigo "The Darkside of Narnia", onde concluia da seguinte forma: "I haven't the slightest doubt that the man will be sainted in due course: the legend is too potent. However, when that happens, those of us who detest the supernaturalism, the reactionary sneering, the misogyny, the racism, and the sheer dishonesty of his narrative method will still be arguing against him."

Sobre As Crónicas de Nárnia tenho pouco a dizer, também não sou grande fã. Agora sobre Tolkien e o seu magistral O Senhor dos Anéis acho que Pullman falha redondamente na sua análise. Fazia-lhe bem ler um pouco de Tom Shipey. A preocupação de Tolkien com mapas, planos, linguagens e códigos é uma constatação para quem lê a obra, mas não é só isso que lá está presente, nem é isso o que de mais importante se retira da leitura. O livro de Tolkien é todo ele um épico glorioso sobre a natureza do mal e a luta que todo o homem enfrenta para guiar-se pelo valores correctos. O anel como simbolo de poder que consegue corromper até o coração dos mais justos.

Mas Pullman agora terá motivos para ponderação. A "obra infantil" The Lord of the Rings conseguiu fascinar tantos e de todas as idades - quer em livro, quer em filme - e a sua obra "magistral", apesar de um sucesso ao nível do livro, parece destinada a falhar ao nível do grande ecrã (ou pelo menos, a não passar de um êxito modesto). O motivo, como tão bem explica aqui o Alex Tabarrok com ironia, é a falta de direcção do filme (recorde-se que o titulo do filme é A Bússola Dourada). Por outro lado, aqui, Christopher Orr aponta a mesma critica ao filme com a frase "somebody get the director a map."

Afinal, ironia das ironias, embora fosse evidente para meio mundo, o que distingue a obra de Tolkien de todas as restantes é exactamente aquela preocupação com os mapas, planos, linguagens e códigos. Não vai faltar quem culpe o relativo insucesso da adaptação de His Dark Materials ao cinema em relação ao The Lord of the Rings com o trabalho do realizador, mas tivesse Chris Weitz o mesmo mundo com que trabalhar que teve Peter Jackson e a história poderia ser outra.
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publicado por Jorge A. às 14:00
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Terça-feira, 20 de Novembro de 2007

Recorrente

O caro Ega mudou de ares. Depois d'o juizo do ega e do espaço da liberdade democrática, é agora a vez do metafisica do esquecimento (já adicionado, como merecido, à barrinha do lado direito). E para começar, lança-me logo uma daquelas correntes caracteristicas da blogosfera - que para além de animar a malta, deu-me aqui um óptimo pretexto para um post - e é certo que gosto de manter a média da publicação de um post por dia, mesmo que alguns posts sejam autênticas obras da arte de encher chouriços.

O desafio consiste em escolher a 5ªfrase da página 161 do livro que estiver mais à mão (recordo já ter respondido a tal desafio por uma vez aqui). Desta vez, os livrinhos que tenho mais à mão são os da colecção completa dos Escuteiros Mirim, mas não consta que qualquer um destes tenha página 161 - perante tal facto incontornável, a solução óptima é aquilo que na giria economista se apelida de second best, e esta recaiu sobre o livro de Howard Fast, Max, Imperador de Hollywood. Ao abrir a página 161 do livro em causa, deparo-me com esta magnifica frase:

"Esta era uma linda jovem ruiva que se chamava Della O'Donell e, pelo que constava, uma parente afastada do Patrão Murphy."

Dito isto, passo a corrente à Eo e ao Fusco. À serotonina não passo... ainda recentemente passou-lhe pela mão a corrente adulterada, vejam bem que não lhe pediram o livro mais à mão, mas os cinco livros mais à mão... não se faz.
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publicado por Jorge A. às 22:36
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Terça-feira, 30 de Outubro de 2007

Outras Leituras

The threat to capitalism from the worldwide green movement is formidable, and Lal’s chapter “The Greens and Global Disorder” is the best short analysis of it I have read. He exposes the misanthropy underlying green philosophy. I have yet to meet a classical liberal who does not appreciate a healthy and diverse environment. However, the questions are: What can we preserve, and how can we preserve it without inflicting greater harm on ourselves? The green movement grows by preying on people’s natural fears of ecological catastrophe. Greens object to life-saving chemicals such as DDT, low-emission nuclear energy, genetically modified crops that save millions from malnutrition and starvation, harvesting of renewable resources, wind farms, geoengineering, and innumerable other initiatives worldwide that threaten their idyllic and static view of the world. They seek to employ the precautionary principle to veto any enterprise that bureaucratic scientists do not declare to be environmentally risk free. Civilization cannot exist in such a regime. The great green trump, of course, is climate change. The facts that the climate changes without human causation, that its fluctuations over long periods are well known, that the human contribution to climate change is speculative, that there are enormous costs in trying to stop climate change, that there are actual gains from climate change, that adaptation to climate change is feasible, and that there are technological and market-based alternatives to the Kyoto scheme do not deter green fundamentalists.
publicado por Jorge A. às 23:50
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Terça-feira, 21 de Agosto de 2007

Enquanto há vida há esperança

O Lusco Fusco pergunta onde nos leva esta estrada, referindo-se ao último livro que li. Eu havia prometido ao Fusco dar uma palavrinha sobre o livro, ora cá vai.

O livro abre com um "Quando acordava nos bosques, na escuridão e no frio da noite, estendia a mão para tocar na criança que dormia a seu lado. Noites de trevas mais densas do que as próprias trevas e cada dia mais cinzento do que o anterior." E assim inicia um livro que vale a pena ler.

A história parte de uma simples premissa: um homem e seu filho (a criança) percorrem a estrada rumo a sul, no meio da devastação total - uma devastação que nunca nos chega a ser explicada, mas que deixou a terra despida de cor e de vida - o cinzento predomina, e os poucos seres humanos com que nos deparamos ao longo da estrada, com raras excepções (das quais pai e filho são o mais brilhante exemplo), são seres que há muito perderam a sua dimensão humana. E há um cão, mas isso já é outra história...

A estrada torna-se então um lugar onde, para além do homem e da criança (cujos nomes nunca viremos a saber), vagueiam almas perdidas e os "maus", como a criança apelida os que se alimentam da sua própria espécie - sempre em justaposição a eles próprios, os "bons".

Pressume-se que a praticamente inexistência de outros animais - com a rara excepção do ladrar de um cão - seja facilmente explicável com a teoria de terem servido de alimentação aos humanos que sobreviveram ao apocalipse, isto antes de alguns da espécie humana, por escassez de alimentos, terem decidido alimentar-se dos que outrora foram seus semelhantes.

Pai e filho recusam-se a recorrer ao mesmo meio de subsistência - e entre o permanente receio de se virem transformados em comida para outros, lá vão vivendo do que vão encontrando nas casas abandonadas das povoações despidas de gente. Não sem contudo, a certa altura e no meio de um dos vários períodos de fome que tem de suportar, o rapaz questionar o pai sobre o canibalismo dos outros, e sobre a necessidade de um dia no futuro eles próprios terem de recorrer a tal forma de vida.

É certo que nunca ao longo do livro os dois vão recorrer ao canibalismo, mas não é menos certo que, em função da sua sobrevivência, é notório nas reacções do pai a sua desumanização - o que provoca sempre reacções de profunda tristeza à criança. É perceptível através do livro que o pai mantém-se vivo por causa do filho, mas não é só isso que deve à criança, deve-lhe também o facto de manter-se humano (pelo menos a dimensão humana a que me refiro).

Uma história que vive do amor entre pai e filho, mas também da força que caracteriza a esperança e a fé... tendo sido a perda dessas duas coisas que levaram ao trágico destino da mãe da criança.

Para mais, aconselho a leitura do livro, e logo saberão o que se encontra no fim da estrada...
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publicado por Jorge A. às 21:07
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