Sexta-feira, 26 de Dezembro de 2008

Estranho Mundo o Nosso...

No Afeganistão, onde a situação militar neste momento parece mais complicada que no Iraque, os americanos procuram novos caminhos para combater os Talibans: Little Blue Pills Among the Ways CIA Wins Friends in Afghanistan

publicado por Jorge A. às 23:14
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Terça-feira, 16 de Dezembro de 2008

"That’s what people do in a free society."

Foi assim que George Bush reagiu ao atirar do sapato de Muntader al-Zaidi. Por outro lado, segundo consta, o lançador de sapatos tornou-se um herói para alguma gente do mundo árabe e, também de forma manifesta com uma breve pesquisa pela imprensa e comentários na internet, para muitos no ocidente. O ódio por George W. Bush a muitos cega. Sim, o episódio é divertido, eu próprio fiz imediata referência ao mesmo, mas a reacção ao incidente não se fica pelo humor, há quem se reveja naquele gesto e só tenha pena que George Bush não tenha efectivamente levado com o sapato. Bush, aliás, é pau para toda a obra: desde o relógio roubado na Albânia que nunca foi até à falta do apertos de mão na recente cimeira do G-20 que também nunca aconteceu. Por outro lado, noticia o New York Times, o mais recente herói tinha ligações ao partido de Saddam Hussein, tendo pertencido ao sindicado estudantil durante o mandato deste e um dos seus editores diz que é pessoa ambiciosa, "sonhava tornar-se um dia presidente do Iraque". George Bush fez muita coisa errada, de onde o Iraque pode ser o maior exemplo, mas mesmo aí nem tudo foi mau. O actual primeiro ministro iraquiano Nuri al-Maliki é uma gigantesca melhoria face ao seu antecessor. Convinha que as pessoas percebessem que no gesto e na figura de al-Zaidi, o lançador de sapatos, bem como nas manifestações de alguns árabes, não há alí nada de bom para festejar - o homem que sonha ser presidente do Iraque tem afinal como modelo o anterior ditador.

publicado por Jorge A. às 09:00
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Segunda-feira, 15 de Dezembro de 2008

Pobreza, Definição e Limites

Risco de pobreza estabiliza em 18 por cento entre 2006 e 2007

Há 18 por cento de indivíduos residentes em Portugal que se encontravam em risco de pobreza em 2007, o mesmo valor indicativo observado em 2006, avança hoje o Instituto Nacional de Estatística (INE) no inquérito às Condições de Vida e Rendimento realizado em 2007, com base nos rendimentos de 2006. A taxa de risco de pobreza corresponde à proporção de habitantes com rendimentos anuais por adulto equivalente inferiores a 4544 euros em 2006, valor que corresponde a 379 euros mensais - aumento do limiar de pobreza de quatro por cento face a 2005.

A pobreza é um flagelo que afecta todas as sociedades e a necessidade de combate à mesma é em si um dever. Mas os números são manipuláveis e como tudo que envolve e influencia politicas, a definição de pobreza é tudo menos consensual, jogando cada um com os números que mais lhe dão jeito e com as comparações que mais servem as ideias que pretendem defender. A esse propósito tome-se em atenção o seguinte quadro:

 

(Fonte: Relative or absolute poverty in the US and EU? The battle of the rates)

 

O que os autores do estudo em questão fizeram foi comparar a medida de pobreza (relativa) utilizada na Europa, que colocaria os Estados Unidos como os com maior incidência de pobreza entre o conjunto de países considerado, com a medida de pobreza (absoluta) utilizada nos Estados Unidos, que faria saltar a pobreza em Portugal para um nível quatro vezes superior à dos Estados Unidos no ano 2000. Claro que ambos os indicadores tem os seus criticos e, sejamos sinceros, ambos são facilmente criticáveis porque não há indicador perfeito para este tipo de coisas, mas também fique claro desde já que dou muito mais valor ao segundo. É que com base no primeiro seria, por exemplo, possível a Portugal ter o mesmo nível de pobreza que uma Alemanha, quando nesta alguém que ganha o dobro do que é o limiar de pobreza definido pelo INE para Portugal (379 euros) ainda é considerado pobre. E depois, claro está, há coisas que estas medições não tomam em atenção. Por exemplo que nos Estados Unidos da América a pobreza persistente é quase nula (Dynamics of Economic Well-Being: Poverty 1996-1999 - durante o período em causa apenas 2% da população esteve abaixo do limiar da pobreza durante mais de 2 anos - facto a que a inexistência de persistência de desemprego de longo-prazo, contrariamente ao caso português, não deverá ser alheia). E para terminar, para quem goste mesmo do assunto, pode dar uma vista de olhos por aqui: EU versus USA.

publicado por Jorge A. às 18:57
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Domingo, 14 de Dezembro de 2008

Auto Bailout

 

White House: No decisions yet on auto bailout

 

Mas a indústria tem bons argumentos do seu lado...

publicado por Jorge A. às 18:03
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Sexta-feira, 12 de Dezembro de 2008

Bernard L. Madoff

No Insurgente é feita referência ao caso de Bernard Madoff, um reputado financeiro de Wall Street que chefiava a empresa Bernard L. Madoff Investment Securities, e que foi apanhado num gigante esquema de Ponzi (em termos gerais, o retorno dos investidores mais antigos era feito com base no dinheiro dos investidores mais recentes). A culpa é da falta de regulação, não é? Bem, talvez não:

According to Charlie Gasparino, the SEC received a letter in 2005 that stated, "Bernie Madoff is running a Ponzi scheme."

Ou melhor ainda, pelo menos desde 2001 que muitas suspeitas se levantavam sobre a forma de actuação de Bernard Madoff, mas vejam a resposta deste:

Madoff, who believes that he deserves “some credibility as a trader for 40 years,” says: “The strategy is the strategy and the returns are the returns.” He suggests that those who believe there is something more to it and are seeking an answer beyond that are wasting their time.

Certamente que não seria a Securities and Exchange Commission (um agente regulador norte-americano que tem as suas origens ainda na crise de 1929) a questionar a credibilidade do homem. Lá como cá.

publicado por Jorge A. às 21:25
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Segunda-feira, 24 de Novembro de 2008

Retórica

N'O Insurgente um post com atenção para o artigo do Wall Street Journal que aponta o novo secretário do tesouro norte-americano, Timothy Geithner, como o "Secretary of Bailouts", o Francisco Almeida Leite no Corta-Fitas diz que o homem "é um defensor acérrimo do intervencionismo do Estado" e que para quem está agora espantado "não foi por falta de aviso". Ora, sobre bailouts e intervencionismo de estado acho que a referência ao nome do actual secretário do tesouro republicano Hank Paulson devia arrumar o assunto de vez - porque pensar que os republicanos são nesse aspecto muito diferentes dos democratas é pura ilusão (especialmente com McCain a liderar uma administração republicana). Ao contrário do que o Francisco Almeida Leite sugere no seu post, se alguns devem mostrar-se admirados com as escolhas de Obama e agradavelmente surpreendidos é por estas indicarem  uma aposta na competência e aptidões técnicas, sendo do ponto de vista ideológico muito mais viradas para o centro do que para a esquerda (embora de alguém que tivesse Austan Goolsbee e Jason Furman como conselheiros económicos avisados já nós estávamos). E vale a pena dar uma vista de olhos pelo que algum pessoal de direita insuspeito têm dito das escolhas de Obama para a área económica:

"The Dow is up 6.5 percent. And Tim Geithner will be Treasury Secretary. That's the two pieces of good news." Tyler Cowen

"Christina Romer to chair the CEA. She understands the Great Depression very well. I can't vouch for her managerial or political abilities one way or the other, but intellectually this is a very good pick." Tyler Cowen

 

"Obama has named his economics team. Marquee names: Christina Romer at the CEA, Larry Summers to head the NEC, and Tim Geithner of the New York Fed for Treasury Secretary. All of these people are sterling choices... except for Geithner. And Geithner is wrong not because he won't be a good Treasury Secretary, but because he's such a very good president of the New York Fed." Megan McArdle

 

"President-elect Obama plans to name Christina Romer... to chair his Council of Economic Advisers. An excellent choice." Greg Mankiw (convém referir que Mankiw exerceu tal cargo durante a presidência de George Bush)

 

"Christina Romer’s appointment to the chair of the President’s Council of Economic Advisors is excellent news." Will Wilkinson

Já agora, para quem quer perceber o porquê do entusiasmo da direita americana com a escolha de Christina Romer, o estudo desta em cojunto com o marido onde chegavam a conclusões como esta talvez ajude (via. Hit & Run):

"Our estimates suggest that a tax increase of 1% of GDP reduces output over the next three years by nearly 3%. The effect is highly statistically significant."

Eu gostava de saber é o quê que o Daniel Oliveira e o Rui Tavares tem a dizer sobre tais escolhas.

publicado por Jorge A. às 20:46
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Domingo, 23 de Novembro de 2008

Ironia

Irony Is Dead. Again. Yeah, Right.

 

Mas a Ferreira Leite está a tentar ressuscitá-la.

publicado por Jorge A. às 17:57
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Ler os Outros

O Pedro Correira tem feito um óptimo apanhado de algumas das coisinhas que à esquerda se foi escrevendo sobre Barack Obama subordinado ao tema para mais tarde recordar. E é um trabalho interessante porque estou absolutamente convencido que, salvo com a manutenção de uma qualquer ilusão, praticamente todos à esquerda (falo dos socialistas na verdadeira acepção da palavra e não dos sociais-democratas - ler a propósito o último tópico deste artigo do Alberto Gonçalves) irão mais tarde ou mais cedo desapontarem-se com Obama (a questão do médio oriente é uma boa aposta para motivo da primeira grande desilusão). Esta noticia do New York Times é particularmente relevante para perceber o que espera certa esquerda que se reviu em Obama: Obama Tilts to Center, Inviting a Clash of Ideas. Escuso de mencionar o quanto o "centro" na politica norte-americano anda muito próximo do que por cá se chamaria direita neoliberal. Por outro lado também vale a pena recordar o que o Pedro Correia dizia em Setembro de 2008:

Enquanto Obama não ganhou um voto com a péssima escolha de Joe Biden, enquanto deixava Hillary Clinton à margem. A qualidade de um político mede-se também por estas escolhas: quem está seguro da sua capacidade de liderar não receia designar um número dois que possa fazer-lhe sombra...

Espero agora que a the right woman in the right place lhe traga mais confiança nas qualidade politicas de Obama, que aliás sempre foram conhecidas por quem acompanhou o seu percurso desde o principio, ler a propósito o que diz David Axelrod agora sobre o novo presidente-eleito:

"I think it's fair to say that all of these appointees will have the full backing of the president. That's why he's selecting them. And the one thing I can tell you from working for six years with Barack Obama - that he is someone who invites strong opinions. He enjoys that - he thinks it's an important element of leadership."
publicado por Jorge A. às 17:00
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Sócrates 2.0 (II)

Obama menos ambicioso que Sócrates no emprego (via: O Insurgente)

Com efeito, os 150 mil novos empregos anunciados então representavam um aumento de 2,9% da população empregada portuguesa, enquanto os 2,5 milhões de Obama não vão além de 1,7% da massa trabalhadora norte-americana.

 

É que o Governo português contava criar 150 mil empregos, essencialmente por via do crescimento económico e pela melhoria das qualificações dos portugueses. Já Barack Obama aposta sobretudo no investimento público, tendo sublinhado que os novos empregos estarão associados à construção de estradas e pontes, à modernização das escolas e à construção de infra-estruturas de energias alternativas.

Por outros palavras, Sócrates nunca foi honesto na sua promessa e Obama é (chamam-lhe falta de ambição, funny). Sócrates prometeu algo que não era da sua dependência criar, Obama promete algo que pode cumprir. Para além disso o primeiro dava a entender que os novos empregos seriam saldo liquido face aos empregos criados e aos destruidos (não se aceite este ponto, e a promessa era não só pouco ambiciosa, como estúpida: era mais que certo que num mandato governamental, o sector privado criaria ao todo mais empregos do que o número em causa), já o segundo promete criar emprego com o dinheiro do contribuinte para compensar o mais que certo aumento do desemprego no sector privado. O primeiro mina a democracia, o segundo não (mesmo porque o segundo já fala na condição de eleito e não de quem se procura eleger, como fez o primeiro). Mas o essencial mantém-se, a proposta de Obama é, para mim, nos seus pressupostos errada. Contudo, o termo de comparação mais correcto para com o governo de Sócrates não é essa famosa promessa dos 150 mil novos empregos (a distinção inglesa entre politics e policy era muito bem aplicada a esse caso), mas muito mais a visão socialista do investimento público como o motor da economia, transposta no seu programa de grandes obras públicas como o TGV e o novo aeroporto de Lisboa.

publicado por Jorge A. às 16:05
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Domingo, 9 de Novembro de 2008

Toda a Verdade III

O Arnold Kling explica em parte porquê que a indústria automóvel norte-americana vê-se em risco de declarar falência:

The market is telling the American auto industry that it has too much capacity. It needs to shrink. A big reason that the auto industry is in trouble financially is that many of its current and past workers have retirement benefits (including medical care) that are defined benefits. That is, the benefits are promised regardless of whether enough money was contributed to provide for them. Under these circumstances, if the industry shrinks, it may not be able to cover the fixed costs represented by those defined benefits. In that case, the market is telling the auto companies to declare bankruptcy, with the proceeds from the sale of the auto plants going to creditors, including pension beneficiaries.

E o Greg Mankiw tem óptima recomendação para o novo presidente americano:

Economic isolationism is not in the national interest. A high point of the Clinton presidency was the enactment of the North American Free Trade Agreement, which passed both the House and Senate with a majority of Republicans and a minority of Democrats. Last Tuesday, many people voted for Mr. Obama hoping that he would achieve the kind of economic success that Mr. Clinton enjoyed in the 1990s. The best chance of delivering what they want requires abandoning some positions and pursuing a more moderate, bipartisan course.

E isto tem algum interesse para Portugal e os portugueses? Como Sarah Palin não diria melhor, you betcha - a começar no simples plano do debate de ideias, a acabar nas implicações que a adopção de um caminho mais proteccionista norte-americano terá na economia global enquanto um todo. E nós sabemos o quanto somos afectados pelo clima internacional.

publicado por Jorge A. às 01:06
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Sábado, 8 de Novembro de 2008

Toda a Verdade II

Para além da crise no sector financeiro, o outro grande sector em crise nos Estados Unidos é o da indústria automóvel. Os três grandes de Detroit, General Motors, Ford e Chrysler, passam por um mau período. A primeira garante que a continuar assim ficará sem dinheiro para funcionar em meados de 2009; a segunda recentemente apresentou três biliões de dólares em prejuizo operacional e parece óbvio que se a GM falir a Ford vai atrás; a terceira, depois de falhadas as conversações para ser adquirida pela GM, está em negociações com a companhia sul-coreana Hyundai para o efeito. O motivo para esta quebra daquelas que são das maiores companhias automóveis do mundo? Bem, em primeiro lugar podemos começar pela protecção a que os trabalhadores destas empresas estão sujeitos pelos fortes sindicatos que os representam (e natural perda de competitividade que isso implica para a indústria no comércio global) - a United Auto Workers é um desses exemplo, não sendo de estranhar que recentemente tenham gasto três milhões de dólares na campanha para eleger Barack Obama para a presidência (lá, como cá, os sindicatos estão sempre dispostos a mamar do estado à custa de todos os restantes membros da sociedade). Em segundo lugar, a culpa é dos gestores bem remunerados destas empresas que tomaram decisões ruinosas, nomeadamente na decisão de apostar forte e feio no segmento dos SUV's. Não bastante o facto de estarem a levar uma coça dos modelos mais baratos e eficientes da Toyota (e o surpreendente dominio do Pryus no segmento ecológico), os gestores das grandes empresas americanas responderam, não apostando na eficiência, mas sim na potência e grandeza do carro (diziam eles que o consumidor americano tinha preferência por essas caracteristicas). A subida do preço do petróleo, como é óbvio, veio dar uma machadada nessa estratégia.

Ora, o quadro anterior procura demonstrar que o problema das grandes empresas automóveis americanas no seu próprio mercado não se trata só de um problema de quebra de vendas, as vendas tem diminuido para praticamente todas as empresas, mas é acima de tudo um problema de perda de quota de mercado. À medida que o consumidor americano cada vez mais prefere (seja pelo preço, pela eficiência, pela elegância, etc...) os carros de fabricantes asiáticos, as três grandes marcas americanas continuam a exercer pressão para ir ao bolso do contribuinte americano e assim salvarem-se.

 

Observação: qual a quota de mercado de empresas chinesas na indústria automóvel? Há historietas populistas que não colam tão bem com Japão e japoneses ou Coreia do Sul e sul coreanos. Mas a solução simples já se sabe qual é, diabolizar tudo o que é estrangeiro e proteger o que é nacional, tarifas para o que vem de fora, ou apoios estatais para o que é de dentro. O efeito, prolongar da crise para os americanos e os seus parceiros comerciais...

publicado por Jorge A. às 20:48
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Toda a Verdade

Na SIC Noticias dá uma reportagem que é para mim perturbante. E é perturbante pela ideia que lá tenta-se passar, uma espécie de diabolização da China e dos trabalhadores chineses que roubam emprego aos trabalhadores americanos. É uma forma engraçada de atribuir responsabilidades à crise e incapacidade americana à China. Faz lembrar a diabolização que os soviéticos faziam dos americanos.

publicado por Jorge A. às 13:42
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Quarta-feira, 5 de Novembro de 2008

Barack Hussein Obama

O novo presidente dos Estados Unidos da América está escolhido.

publicado por Jorge A. às 03:29
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Terça-feira, 4 de Novembro de 2008

AMÉRICA

Para quem me lê habitualmente, sabe a admiração que tenho para com os Estados Unidos da América, a esse propósito, aqui fica um texto feito especialmente para o dia de hoje (que, dada a dimensão, ameaça contrariar todos os consensos sobre o que deve ser escrever na blogosfera) - será o post único do dia presente na página principal, assim que Barack Obama for confirmado como próximo presidente dos Estados Unidos da América, este blogue regressa ao normal:

 

O MUNDO DE OLHOS POSTOS NUMA NAÇÃO

 

Para quem duvidava da influência e importância dos Estados Unidos no mundo, os últimos tempos deixaram pouca margem para tal argumentação. É ver a forma como tantos apaixonadamente falam das eleições americanas, ou como tantos ficaram na expectativa da resposta americana à crise financeira. Nos noticiários tugas as eleições americanas ocupam largo espaço e recursos financeiros, com os melhores jornalistas de cada estação a serem enviados para a nação americana acompanhar a evolução da campanha. Ao mesmo tempo, a culpa da crise financeira foi imediatamente apontada ao grande satã americano e a responsabilidade da resposta à mesma, inicialmente, foi deixada só para estes.

 

George W. Bush deixou meio mundo indignado com os Estados Unidos e a "estupidez" do seu povo, capaz de eleger tal "incapaz" para o cargo mais importante do mundo. O mundo indigna-se acima de tudo porque na escolha para o cargo mais importante do mundo, o resto do mundo não é tido, nem achado (os americanos tem até a mania, imagine-se, de pensarem pela sua cabeça, e por vezes na escolha contrariam a vontade do mundo). Talvez ficasse bem ao resto do mundo, especialmente aos europeus, preocuparem-se mais com a quantidade de gente capaz e inteligente que elege, do que com os incapazes do outro lado. A altivez e condescendência do povo europeu para com o americano, que tanto serve para tratar os americanos como ignorantes, como logo de seguida para dizer que estes olham para si como os maiores do mundo, deriva mais de um complexo de inferioridade do que outra coisa. Claro que existem outras causas a suportar uma visão negativa para com os Estados Unidos, a queda da União Soviética deixou muita gente irada e a aguardar impacientemente pelo ajuste de contas com o passado. Mas o que realmente importa é: o que faz dos Estados Unidos uma grande nação?

 

Às portas de entrada de Nova Iorque, na liberty island, estará certamente a primeira dica para a explicação. Nenhuma outra nação do mundo valorizou tanto o conceito de liberdade como a americana, não tivesse sido a formação daquele povo força da vontade de ser livre. "A Europa foi criada pela história. Os Estados Unidos pela filosofia." A frase é de Tatcher e ajuda a explicar as diferenças que marcam um povo do outro. O marco dos pais fundadores da nação americana mantém-se até aos dias de hoje, e aquele maravilhoso parágrafo da Declaração da Independência Norte-americana, onde Jefferson atribui como direitos inalienáveis do Homem a vida, liberdade e a procura da felicidade é música para os meus ouvidos. É certo que a fundação americana foi influenciada pela revolução francesa, mas a revolução francesa, que brotava como a americana de uma revolta contra a tirania, a certa altura desvaneceu no ar e outra tirania foi imposta. Os americanos, e Jefferson em particular, tiveram mais cuidado na formação da nova nação que nascia, estabelecido ficou que o poder do governo deriva do Povo e é Direito desse povo derrubar qualquer governo que recorra à tirania. Desta desconfiança dos americanos face ao governo, nasceu um sistema de checks and balances limitativo da actuação dos vários ramos do poder - só por isso Bush merecia cair, uma vez que, tendo como desculpa o 11 de Setembro, fortaleceu o poder do governo face aos governados.

 

Ora, de uma nação cujos principios basilares eram a vida, a liberdade e a procura da felicidade, mais tarde ou mais cedo a grandeza emergiria. E emergiu, na realidade do famigerado sonho americano. E se na liberty island temos o simbolo, na ellis island tivemos a porta de entrada de milhões de imigrantes em busca de outras condições de vida do que aquelas que tinham nos seus países de origem. E de forma poética os descendentes de muitos desses imigrantes foram os mesmos que mais tarde vieram dar a sua vida a lutar pela liberdade europeia nas costas da Normandia.

 

Mas a construção da nação americana não foi só constituida por facilidades. A expansão para oeste não foi feita sem sofrimento por parte do povo indio que viu as suas terras serem ocupadas pelo novo povo que chegava - contudo, as comunidades no oeste foram criadas praticamente sem ajuda de qualquer governo, às vezes tendo de suportar a lei da bala e da força, mas mais vezes com base na fé e esperança de homens comuns na simples procura de uma vida melhor para sí e para os seus - e assim uma nação ergueu-se para oeste, não venham agora esperar que boa parte dessas comunidades tenham particular fascinio, ou sintam necessidade, dos seus governantes. Boa parte daquilo que chamam a américa profunda nasceu destas comunidades, onde o progresso era feito com base no mérito e vontade de cada um, mas onde os mais fracos eram também eles poupados pelo acolhimento entre os membros da sociedade - e onde a relgião tinha relevância fundamental para ajudar a suportar as agruras do dia a dia. Querer mudar isto, como por vezes alguns progressistas americanos pretendem, é querer fazer outra revolução americana, mas desta vez uma que não brota do próprio povo a que se destina.

 

Mas o maior revés, algo que sempre colidiu com as palavras inscritas na declação da independência americana, terá sido a existência de escravatura. Para resolvé-la, os americanos tiveram de recorrer á lei da bala em meados do século XIX, sendo que em plena década de 60 do século XX ainda andaram entretidos com o movimentos dos direitos civis. Esse é o assunto que desde a fundação americana até aos dias de hoje nunca foi completamente resolvido. O racismo foi parte integrante da história americana e o assunto terá tido uma relevância que em mais nenhum país do mundo a teve, mas estas eleições americanas de 2008, independentemente dos resultados finais, já foram um passo gigante para a cura desse mal que alimenta o coração de alguns dos americanos.

 

A américa não é perfeita. Na américa existe probreza como no resto do mundo. Na américa existem corruptos como no resto do mundo. Na américa existe racismo como no resto do mundo. Na américa existe fundamentalismo como no resto do mundo. Na américa existe homofobia como no resto do mundo. Mas o que torna então a américa diferente? Em parte é exactamente a existência de tudo um pouco - e existindo de tudo um pouco, a capacidade de conciliar todas as diferentes tendência sobre um mesmo tecto. E acima de tudo, na américa a oportunidade de triunfar é mais palpável do que em qualquer outro país. O sucesso não é garantido, mas é possível. E como a politica americana bem prova, existe a garantia que por mais improvável que algumas concretizações aparentem ser, elas são bem reais e estão logo ali ao virar da esquina, basta para isso sorte e muito, mas mesmo muito, mérito. E esta valorização do mérito é inata à sociedade americana como, muito provavelmente, em mais nenhuma sociedade do mundo.

 

Mas vamos lá às eleições presidenciais de 2008 propriamente ditas...

 

JOHN MCCAIN E O FUTURO DOS REPUBLICANOS

 

Nestes últimos dias de campanha a minha simpatia para com John McCain veio ao de cima, confesso. Gosto de McCain, e se algumas vezes fui muito duro para com o que este disse e fez, tal deve-se única e exclusivamente à minha preferência por uma vitória democrata nestas eleições. A história de vida deste homem de 72 anos impõe respeito e admiração, a começar pelos cinco anos e meio que foi um prisioneiro de guerra no Vietname e a acabar na quantidade de vezes que contra tudo e contra todos, incluindo os do seu próprio partido, o homem manteve-se fiel às suas ideias e principios.

 

Nas primárias republicanas do ano 2000 foi dos primeiros candidatos a usar a internet e, por essa vida, a mobilização dos cidadãos comuns para fazer progredir uma campanha presidencial. À semelhança de Obama com Clinton em 2008, McCain na altura enfrentava a poderosa máquina do homem do partido, George Bush. A simpatia e apelo aos independentes e moderados fez McCain ameaçar a campanha de Bush, mas a simpatia por sí (e ainda bem) não ganha eleições, as mentiras no entanto (ainda mal) ganham-nas - McCain não quis recorrer à politics as usual e perdeu em 2000, não sei até que ponto isso não influenciou a sua estratégia para 2008.

 

Mas este ano dificilmente cairia para John McCain. O principal motivo? Fácil e resume-se a duas palavrinhas apenas: presidente Bush. De pouco serviu a McCain as provas dadas de independência face ao partido republicano, mesmo porque essas provas limitavam a sua aceitação por parte do eleitorado mais conservador do partido. E se a certa altura a sua mensagem parecia vingar, a crise financeira logo lembrou todo o mundo que McCain tinha uma visão sobre a economia semelhante a George Bush. Mas terá mesmo?

 

A minha opinião é que não. O próprio McCain divergiu de Bush quando este apresentou pela primeira vez o seu plano de corte de impostos. Dizia McCain na altura que de nada servia cortar impostos sem cortar primeiro na despesa, e eu não posso estar mais em acordo com o agora candidato presidencial republicano. Mais, e esta foi a desgraça de Bush, por muito que nos discursos tenha feito por defender as visões do conservadorismo económico, na prática deu muito pouco uso a elas. Antes pelo contrário, Bush expandiu os tentáculos do estado a outros sectores da sociedade americana como a saúde e a educação. Acredito sinceramente que com McCain teria sido diferente, mas este está a concorrer fora do seu tempo.

 

E, claro está, McCain tinha cometido o pecado capital quando esteve na linha da frente na defesa da guerra do Iraque. É certo que foi pioneiro na defesa de uma nova estratégia militar para o Iraque ainda antes daquilo começar a falhar por todos os lados, mas não é menos verdade que nunca percebeu (ou não quis dar parte fraca) que a guerra revelara-se completamente desnecessária. As suas declarações pré-guerra que a mesma ia ser quick and easy são de um erro de avaliação que só consigo compreender tendo em conta que McCain na altura estava mais virado para avaliações politicas do que racionais.

 

Apesar do apoio à guerra, em quase tudo o resto a escolha de McCain apresentava uma oportunidade fantástica para os republicanos porem para trás o legado de George Bush e reconstruirem o partido rumo, não necessariamente ao centro, mas à sua visão mais centrada no conservatorismo económico do que evangélico. Ronald Reagan, por exemplo, era um conservador social, mas a sua visão era inclusiva, e, para quem não se lembra, derrotou em 1980 o democrata Jimmy Carter que tinha para todos os efeitos uma visão profundamente religiosa da sociedade. O que Bush fez, em conjunto com alguns dos lideres evangélicos americanos ambiciosos por poder, foi criar a noção a este grupo que existia uma batalha pelo governo que influenciava as suas crenças e os seus valores. E desta forma um grupo que, até ali, pouca participação tinha na escolha do presidente do país, aderiu em massa na votação para um candidato. Bush deu-se bem, ganhou duas eleições, mas o país deu-se mal. McCain era mal visto entre este grupo, alguns prometiam a pés juntos não ir votar nele, e na casa destes levou uma assobiadela monumental. Isto era encarado pela equipa de McCain (dominada pelos tipos que tinham montado a campanha de 2004 para George Bush) como uma fatalidade que custaria certamente as eleições gerais.

 

Mas McCain tinha uma vantagem, não era fácil fazer crer aos independentes e moderados americanos que estávamos na presença de outro Bush. O ódio que alguns tinham por Bush em muito pouco se reflectia na sua visão de McCain. Na minha opinião McCain devia ter optado por, fazendo crença nesta vantagem, preparar a campanha tendo em conta isso - caminharia para uma derrota como em 2000? Quase certo, mas sairia de cabeça erguida e restabelecendo a marca republicana no sentido que era o seu antes de Bush chegar ao poder. Mas depois deu-se uma decisão que alteraria o rumo da campanha...

 

SARAH PALIN E A SUA BASE. O PIOR DA AMÉRICA?

 

McCain escolheu Sarah Palin como candidata a vice-presidente dos Estados Unidos da América. Lá se foram boa parte das vantagens que enunciei mais acima. O motivo? Bem, eu não sei se dada a rapidez e manifesta falta de ponderação sobre a escolha, os motivos foram completamente ponderados e estudados. Uma coisa é certa, do lado de McCain sabia-se que o rumo da campanha ia no sentido da derrota. Um game-changer era necessário e Palin, boa ou má escolha, permitia isso. Claro que logo no inicio tentou-se usar a candidata, mesmo que pelo simples facto de ser mulher, para cativar o eleitorado de Hillary Clinton (acho que é agora aceite que tal não resultou). Procuraram também atrair o eleitorado feminino no geral, por vezes denunciando os ataques iniciais a Palin como puro sexismo, mas também esse argumento caiu muito cedo na campanha. O que sobrou, o apelo ao eleitorado evangélico que tinha sido a base de apoio de Bush. E neste último ponto resultou em grande, mas quais os custos?

 

O custo foi a perda de popularidade de McCain junto dos moderados e independentes. Porque se o efeito Palin pareceu arrasador no inicio, à medida que a vida e carreira politica de Palin ia sendo escrutinada, o seu valor junto do eleitorado em geral foi caindo. Pior, as parecenças politicas entre Sarah Palin e George Bush eram inegáveis. Desde  o seu percurso focado em assuntos do conservadorismo social que muito agradam à direita ultrareligiososa, como nas discrepâncias entre o que prometiam ser a sua visão económica e aquilo que era a efectivamente a história económica dos cargos públicos por onde tinham passado.

 

Não é contudo justo a forma como muitos trataram Palin e, mais concretamente, a sua base apoiante. Se Bush hostilizou aqueles que defendiam ideias diferentes das suas, convém não recompensar a coisa fazendo simplesmente o inverso. Aquiilo que vi e ouvi na forma como trataram a chamada américa profunda revela tanta ignorância daqueles que atacam essa américa como a que pretendem imputar ao grupo de cidadãos que dela faz parte.

 

E aí entra o homem que, melhor do que todos os outros, soube ler os acontecimentos que desenrolavam-se à sua volta...

 

EXPECTATIVAS ELEVADAS PARA OBAMA

 

Quando a maior parte vinha com a experiência como cartão de visita, um homem percebeu o que o povo americano desejava: mudança. E a mudança não advém só das politicas, mas, mais importante, da forma de fazer politica. Para além disso, Barack Hussein Obama só por sí representa a mudança de paradigma: um jovem, preto, desconhecido há cinco anos atrás, que viveu parte da sua vida num país muçulmano, chegar à casa branca, queira-se ou não, faça sentido ou não, deixará uma simbologia e uma marca forte na américa e no mundo. 

 

Os discursos são redondos? Sim, certamente, mas os de McCain ou de Palin não o são menos. Tem um tique socialista? Sem dúvida, mas pior que Bush dificilmente será, e sendo-o, daqui a quatro anos é corrido da casa branca. Para além disso aparenta, e provou, uma verdadeira capacidade para escutar o outro lado e adoptar algumas das visões contrárias às suas. Se mais dúvidas existissem, a gente que tem a aconselhá-lo ou a apoiá-lo é garantia suficiente que não fará uma presidência muito diferente da de Bill Clinton. E estou disposto a argumentar de bom grado com alguém em como Clinton foi melhor que George Bush.

 

É também o tipo que esteve desde o primeiro dia contra a guerra do Iraque, manifestado naquele discurso onde afirmava não ser por natureza contra a guerra, mas contra "guerras estúpidas". Não tenham contudo ilusões que os Estados Unidos deixarão de intervir militarmente no mundo com uma presidência Obama, como alguns ansiosamente aguardam e outros ameaçadoramente advertem, no campo da politica externa a única coisa que verdadeiramente deverá mudar é a visão sobre o Iraque - e mesmo assim é uma mudança minima, visto que é possível afirmar que neste momento a administração Bush já adoptou a politica de Obama para a região e prepara a saida.

 

No campo financeiro e económico é onde Obama implica mais receios. Se, dada a sua visão sobre o comércio internacional, adoptar uma politica mais proteccionista, os Estados Unidos e o mundo bem podem preparar-se para um prolongamento das dificuldades e não o seu contrário. Há contudo razões para acreditar que uma administração Obama terá mais facilidade na adopção de um programa moderado para fazer face às dificuldades económicas do que aquele que seria permitido a McCain.

 

O Congresso e o Senado sairão das eleições com maioria democrata - e os poderes do presidente estão limitados por estas duas câmaras. Paradoxo ou não, será mais fácil a Obama contrariar as correntes esquerdistas destas duas câmaras e puxar de alguma forma por algumas medidas favorecidas pelos republicanos do que seria a uma administração McCain. Digo mais, estou convicto, sabendo de antemão que nos Estados Unidos o presidente eleito em primeiro mandato começa imediatamente trabalhar para ser eleito para um segundo, que Obama assim actuará, com ponderação e não hostilizando os republicanos.

 

As expectativas que Obama criou junto de tanta gente são contudo impossíveis de realizar. Os primeiros a perceber isso serão os que, contrariamente ao que lhes é natural, torcem fora dos Estados Unidos por este. Mas, mesmo internamente, a coligação que muito provavelmente elegerá Obama é tão instável, constituida por progressistas, conservadores moderados, libertários, que tenho dúvidas que em 2012 se repita.

 

Até lá, o mais importante, independente do resultado desta noite, manterá-se. Os Estados Unidos continuarão a ser uma sociedade maioritariamente de centro-direita, com o cunho forte dos pais fundadores ainda a marcar o seu presente e futuro, e com uma sociedade civil suficientemente activa para não deixar que nada nem ninguém ponha isso em causa. Venham os perigos dos excessos da direita ou dos excesso da esquerda.

publicado por Jorge A. às 11:52
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Sábado, 4 de Outubro de 2008

Desfazendo Mitos II

 

Nota: na parte superior os dados referem-se à economia americana, na parte inferior os dados referem-se à economia portuguesa. Fonte: OECD

 

O Pedro Sales em comentário ao meu post refere que a divida pública americana "quando Bush chegou ao poder era pouco mais de metade da actual", ou seja, Pedro Sales continua a insistir no erro. A divida pública era pouco mais de metade da actual em termos absolutos, o PIB americano hoje também já não é o mesmo que era anteriormente. E continua, dizendo que "podia dar-se o caso da dívida ter sido contraída para melhorar a qualidade da educação ou a universalidade da saúde, mas não o foi", o que dizer então do No Child Left Behind Act ou do Medicare Prescription Drug, Improvement, and Modernization Act, este último um programa de tal dimensão que é preciso recuar boas dezenas de anos para encontrar algo semelhante?

 

Ah! Mas o Pedro Sales diz que o aumento da divida "foi para suportar os massivos cortes de impostos para os 2% mais ricos, dizendo que essa política ia dinamizar a economia". É no minimo engraçado que no dominio dos impostos o Pedro Sales apresente uma capacidade analitica a que não recorre no caso da divida pública, isto porque em 2000 Bush herdou uma herança de 2918 biliões de dólares em arrecadação de impostos, em 2006 as receitas de impostos atingiram os 3707 biliões de dólares, quissesse eu ser demagogo e utilizaria contra o Pedro Sales a mesma técnica que ele utiliza com a dívida pública. A politica económica de Bush foi errada não por causa da baixa da taxa de impostos, mas porque tal baixa não foi compensada por diminuição da despesa, quer em politicas governamentais como as que refiro acima, quer no erro gigante em que resultou a guerra no Iraque. Mas quanto à dinamização da economia, não sei se o Pedro Sales terá algo a dizer em relação às taxas de crescimento real durante o mandato Bush? Uma coisa é certa, a subida de impostos é que raramente dinamiza a economia (veja-se o caso português).

 

O Pedro Sales deixa ainda uma farpa quando diz que "parece que andam para aí uns liberais a tentar mimetizar as políticas de Bush e companhia", neste ponto não lhe retiro a razão, mas longe de mim querer copiar as ideias de Bush no que toca ao aumento do peso do Estado na economia ou à erosão das liberdades individuais que se tem verificado nos Estados Unidos nos últimos anos.

 

Agora, por muita preocupação que as medidas económicas de Bush me causem, são os dados da metade inferior do quadro acima que me deixam verdadeiramente preocupado. E se Bush é uma nódoa, como o Pedro Sales deverá efectivamente pensar e eu, por motivos diferentes, não me oponho, os tipos que tem passado pelo governo português não lhe ficam atrás. E esta última fraude, um tal de Sócrates, parece encaminhado para a reeleição com maioria absoluta.

publicado por Jorge A. às 21:38
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Desfazendo Mitos

 

À atenção do Pedro Sales, que revela muita preocupação para com o elevado valor absoluto da dívida pública americana (via: O Insurgente). No outro dia alguém comentava numa conversa comigo que a divida pública americana havia atingido um valor astronómico, que os americanos eram os maiores devedores mundiais, tudo muito certinho, excepto que escapa sempre o pormenor que o produto interno bruto americano também é uma coisa extraordinariamente astronómica, o maior do mundo em valor absoluto, o que torna a situação da divida pública deles só um bocadinho menos preocupante que a situação da divida pública, sei lá, portuguesa, será? Já agora, e andando eu preocupado com outros números, dado os notórios conhecimentos do Pedro Sales sobre matérias económicas e a sua manifesta preocupação para com a saúde da economia americana, poderia tentar explicar-me o quadro que se segue (desemprego de longo prazo em percentagem do número de desempregados) com obrigação de recorrer ao uso da expressão "protecção ao emprego":

 

 

(Fonte dos dados: OECD)

publicado por Jorge A. às 04:20
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Quarta-feira, 1 de Outubro de 2008

Plano de Salvação Nacional

(via: The Big Picture)

 

É engraçado que é entre aqueles que mais depressa criticavam Bush que agora encontram-se boa parte dos mais ardentes apoiantes (na lógica do: ou é isto, ou é o fim do mundo) do plano de "salvação" nacional (mundial) que o presidente americano vem defendendo dia após dia com a retórica do medo e muito fraca argumentação para jornalista ouvir e eleitor escutar. No excelente Mutual Information, o Luis Pedro Coelho recorreu ao humor da velhinha série Yes, Minister que de forma excelente parece retratar o actual quadro de relflexão lógica entre uma certa elite bem pensante. As premissas: "Alguma coisa tem de ser feita" e "Isto é alguma coisa". A conclusão: "Isto tem de ser feito". A falácia aqui é por demais evidente.

 

Entre alguns orgãos de comunicação social culpam-se os republicanos (uns malvados) pelo chumbo do plano Paulson (um republicano) do governo de George Bush (o republicano culpado pela má fama dos republicanos), sendo que tal plano é neste momento o paradigma da coisa que tem de ser feita, independentemente da análise à (in)justificação da coisa. O próprio McCain (um republicano que na Europa ninguém quer na presidência americana) afirma que ou aprovam o plano ou é a catástrofe.

 

Os republicanos andam a remar contra Bush? Ainda bem, prova evidente que a queda deste partido republicano é o melhor caminho para a renovação do partido e que a mesma não demorará a chegar. O McCain é a favor do plano? Mais um exemplo de porquê que este não pode reconquistar a presidência para os republicanos. Para a defesa de um socialismo de mercado ou do big government, é melhor alguém que se assuma enquanto tal. Ao menos, quando a coisa falhar, pode ser que deixem de culpar o neoliberalismo (o que quer que isso seja) - claro que para boa parte da elite bem pensante europeia tudo o que vem da américa só pode ser neoliberalismo.

publicado por Jorge A. às 23:52
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Terça-feira, 30 de Setembro de 2008

Think About It

No post anterior a este digo que os congressistas americanos estão todos em campanha eleitoral. Errei. A maior parte está. Alguns não irão recandidatar-se. Adivinhem qual o sentido de voto da maioria destes? O Nate Silver talvez esclareça.

publicado por Jorge A. às 22:26
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Segunda-feira, 29 de Setembro de 2008

I Want Your Money*

First, let's think about it.

Câmara dos Representantes chumba plano de salvamento financeiro

A Câmara dos Representantes chumbou o plano de ajuda ao sector bancário norte-americano, por 228 votos contra e apenas 205 a favor. A maior oposição surgiu da bancada republicana, onde metade dos representantes votou contra a iniciativa da Administração Bush. O resultado fez mergulhar o Dow Jones, principal índice de Wall Street, mais de 400 pontos.

A minha fé na américa deriva deste género de coisas. E sim, a curto-prazo os efeitos da não aprovação de um plano poderão ser nefastos, mas como explica Ron Paul, a sua aprovação teria no longo prazo efeitos ainda mais perversos. Mantenho contudo a convicção que mais cedo ou mais tarde, dada a pressão existente, um plano virá mesmo a ser aprovado (mas o efeito que o João Miranda aqui refere fica garantido). E, para os mais desatentos, que continuam agradados com os fantoches que temos pelo nosso parlamento, tomem nota como deve ser o funcionamento regular numa democracia a sério. Folgo também em saber que os congressistas republicanos, todos eles também em campanha eleitoral, não se importam de entalar o candidato presidencial pelo seu partido, John McCain. E continuo perplexo por notar que perante o recurso, já habitual, ao medo do presidente Bush e da sua administração para forçar um plano, são os democratas os que mais depressa cedem.

 

* retirado daqui

publicado por Jorge A. às 22:49
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Quinta-feira, 11 de Setembro de 2008

7 Anos

 

publicado por Jorge A. às 00:28
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Segunda-feira, 1 de Setembro de 2008

Já os americanos adoram a administração Bush

O Henrique Raposo diz que a "administração Bush é odiada na Europa, mas a Europa (já) não é sinónimo de mundo". E no final questiona se "japoneses, indianos e africanos têm de ser ensinados a odiar Bush, não é?" Ora, não querendo discordar do Henrique, acho apesar de tudo que primeiro é preciso ensinar os americanos a não odiar Bush, não é?

 

Depois, gostava de lembrar o Henrique que aos japoneses já não é preciso ensinar nada, veja-se o que diziam em 2004 aquando das eleições entre Kerry e Bush:

Some 57 percent of respondents said they don't back Bush while 13 percent voiced support for him, the Mainichi Shimbun said in its poll.
publicado por Jorge A. às 23:42
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Sábado, 23 de Agosto de 2008

Medalhas

Os sites noticiosos norte-americanos preferem fazer a contagem das medalhas com base no número total de medalhas conquistadas (ouro, prata e bronze), o que não será alheio ao facto dos norte-americanos liderarem nessa mesma contagem. Já a contagem no site oficial do evento (bem como nos jornais britânicos, espanhóis e italianos) é ordenada com base no número total de medalhas de ouro. É, no minimo, engraçado que num dos países do mundo onde se atribui tanto valor aos vencedores, façam de conta que duas medalhas de bronze tenham mais importância que uma de ouro.

 

Contudo, é indesmentível que os americanos continuam a ser a maior potência mundial do desporto e para sabermos isso, se quiserem, podemos ficar pelas medalhas de ouro. Onde é que os chineses e os americanos ganharam as suas medalhas de ouro? Ora, nós sabemos facilmente quem são os campeões do mergulho, do badminton, do ténis de mesa e do levantamento do peso. Mas por falar em peso, qual a importância destas modalidades face, sei lá, à natação? Claro, não me vou esquecer da terceira modalidade mais importante do evento, a ginástica artistica, onde os chineses levaram vantagem, mas onde os americanos ficaram imediatamente na posição seguinte do pódio. E o que dizer da modalidade superior dos jogos, o atletismo? Os chineses, salvo erro, não terão oportunidade de ouvir o seu hino entoado no "ninho de pássaro", onde até a nós portugueses foi dada essa oportunidade. E depois podiamos também pensar nas modalidades mais importantes de equipa, como o voleibol, o futebol, o basquetebol e o andebol e verificar a diferença de prestação entre chineses e norte-americanos.

publicado por Jorge A. às 14:32
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