Quinta-feira, 10 de Dezembro de 2009

O político perfeito

Para mim, é óbvio que Paulo Portas fez asneira da grossa na negociação dos contratos para a compra de submarinos. E a asneira da grossa é algo que ele fez, outros antes dele haviam feito, e os que se lhe seguiram continuam a fazer. Refiro-me, naturalmente, à forma como foram negociadas as contrapartidas e como estas foram elemento decisivo para ceder o contrato à empresa que ganhou o concurso. Claro que para o político as contrapartidas tem uma aparência em tudo positiva, pois permitem, logo após a assinatura do contrato, vir fazer figura para a televisão a garantir que o contrato é óptimo porque inclui isto e aquilo. No papel está isto e aquilo, na realidade, chegada a hora da verdade, isto é pouco e aquilo nem vê-lo. O assunto atormenta Portas há algum tempo e qual tem sido a reacção deste sobre o caso? Foge do assunto como o diabo da cruz. Ou seja, nada diferente do sujeitinho que agora é primeiro-ministro quando o assunto é incómodo. Seria assim tão difícil a Paulo Portas reconhecer que errou, mostrar-se arrependido, prometer que aprendeu a lição e que, com isso, tornou-se ainda melhor político? É que o político perfeito não existe e aqueles que gostam de aparentar a perfeição são, normalmente, os piores que existem.

publicado por Jorge Assunção às 14:30
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4 comentários:
De Ega a 10 de Dezembro de 2009 às 18:53
Caro Jorge,

O problema mais grave até nem é só a falta de cumprimento do contrato (claro que é grave, não só politica, como financeiramente)

Mas o mais grave é que este negócio, tal como outros deste genero, trouxe a muita gente (ligada ao poder) uns prémios bem chorudos. E, o mais certo, é nada se saber em concreto, como sempre.
De Jorge Assunção a 11 de Dezembro de 2009 às 14:24
Caro Ega,

o primeiro problema é que não é certo que exista incumprimento do contrato. Mas concordo com o problema referido no último parágrafo.
De António de Almeida a 11 de Dezembro de 2009 às 13:37
O problema são desde logo a existência de contrapartidas, preferia ver baixar o custo da aquisição esquecendo contrapartidas, mas obviamente que estas dão tacho, perdão emprego a muita gente...
De Jorge Assunção a 11 de Dezembro de 2009 às 14:34
Mas sabes que as contrapartidas tem outra motivação que não só garantir tachos: ao aceitarem-se as contrapartidas como uma mais valia, desvirtua-se a concorrência e quase que é permitido tornar vencedor do concurso qualquer empresa. Para tal, basta combinar com essa empresa a apresentação de contrapartidas avultadas que lhe garantem o contrato, sabendo essa empresa de antemão que, mais tarde, as contrapartidas não terão obrigatoriedade e não serão aplicadas. Talvez mais do que tachos, penso que este tipo de coisas pode originar é financiamentos partidários ilicitos e outras coisas tais.

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