5 comentários:
De Miguel Lourenço Pereira a 5 de Novembro de 2009 às 14:43
Infelizmente ainda somos um país onde a corrupção está bem vista. O chico-espertismo português aplaude quem salta as normas e procura benificios sem olhar a regras morais.

O aluno que falsifica a assinatura dos pais, os filhos que roubam da carteira dos pais quando estes não olham, os funcionários que dão "um jeitinho", os estagiários que fazem trinta por malinha para agradar (especialmente se são "estagiárias" porque isto ainda é, infelizmente, assim). Somos um país onde todos nascem iguais e depois quem quer singrar na vida opta pelo caminho desonesto. Os outros limitam-se a lutar com as poucas armas que têm.

O problema é que essa corrupção está tão enraizada que já não escandaliza nada nem ninguém. A Face Oculta há muito que está descoberta e quem anda nos meios sabe perfeitamente que isto é o "pão nosso de cada dia". Empresas privadas ou publicas, camaras ou governos, é indiferente. É o país que temos. E que as novelas da TVI, o Benfica a ganhar, os "falsos-famosos" e afins vão servindo para enganar quem quer ser enganado. Os outros, são os que estão já no ringue.

Optima reflexão

um abraço
De Jorge Assunção a 6 de Novembro de 2009 às 12:35
Ora, nem mais Miguel, destaco esta tua observação:

"A Face Oculta há muito que está descoberta e quem anda nos meios sabe perfeitamente que isto é o "pão nosso de cada dia"."

Infelizmente, não podias ter mais razão. Mas esse sentimento de que todos sabem perfeitamente que isto é o "pao nosso de cada dia", mas ninguém consegue fazer muito para alterar tal estado de coisas, é um sentimento que pode facilmente descambar para a apatia. Para aceitarmos tal estado de coisas sem a capacidade de nos revoltarmos pelo que acontece e que todos sabemos que acontece. Para olharmos para a corrupção como o habitual e não a anormalidade que é necessário combater. Por isso falo das gerações mais novas e da necessidade de não corrompê-las.
De Miguel Lourenço Pereira a 6 de Novembro de 2009 às 15:14
Jorge,

Tens toda a razão, mais uma vez meu caro.

O problema é que esta questão de apatia está enraizada na cultura portuguesa. Nao é, como muitos gostam de dizer, um reflexo do salazarismo. O salazarismo é que é um reflexo do portugues.

A corrupçao nas empresas e estado é o macro-cosmos da realidade quotidiana. Dos pais e filhos, das familias, dos cafés, das pequenas empresas familiares, da escola publica e privada, da saude, de todos os sectores.

O portugues é um povo corrupto por natureza porque é o caminho mais curto para o chico-espertismo de fazer pouco e ganhar muito com isso. A apatia nao existe na realidade, porque as pessoas concordam com esse chico-espretismo. Praticam-no diariamente. Podem resmungar aqui e ali, mas sao participes, mesmo dando a ideia que nao o sao. A elevada abstensao, os corruptos elegidos com maiorias, tudo isso é o espelho do que pensa a populaçao.

Nao ha movimentos populares, nao ha uma constentaçao real nem visivel em periodos eleitorais. Nao ha uma imprensa critica e que denuncia. Isso nao chega a ser apatia. Isso chama-se cumplicidade. Nao é que nao haja capacidade de revolta. É que nao ha desejo de que isso suceda. E quanto ás geraçoes mais novas, o grande dilema é a pseudo-sexualidade dos Tokyo Hotel ou o lançamento da nova Playstation. E custa-me dize-lo, mas é a realidade que encontro diariamente.

Um abraço
De Livia Borges a 5 de Novembro de 2009 às 22:46
A partir do momento em que se elegem autarcas e diz-se, encolhendo os ombros, que "ele rouba, mas faz", está tudo dito.
Devemos, contudo, todos nós apontar o dedo a situações dessas e não encolher os ombros.
De António de Almeida a 6 de Novembro de 2009 às 10:55
Brilhante texto Jorge, não poderia estar mais de acordo.

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