4 comentários:
De António de Almeida a 31 de Outubro de 2009 às 13:53
Não quero discutir as virtudes de Marcelo Rebelo de Sousa e são várias, por isso o que irei escrever de seguida não lhe é aplicável. Acho absolutamente extraordinário que alguma "tralha" responsável por sucessivas derrotas desde 1995, se julgue accionista maioritária do PSD, perecebo-os, eles são a boa moeda, alguns tiveram com todas as lideranças desde Marcelo, incluindo Santana Lopes, e se não estiveram com Menezes foi porque este não os quis por perto. Aguardo com expectativa a reacção de Marcelo, mas julgo que este se avançar não o fará contra Passos Coelho e estenderia imediatamente a mão aos seus apoiantes em caso de vitória, ao contrário dos sectários que dominam por agora o PSD. Por mim tenciono continuar a não votar em tal partido, pelo menos enquanto estiver dominado por esta gente...
De Jorge Assunção a 2 de Novembro de 2009 às 14:53
António,

nós temos percepção diferente, falar das elites do PSD e da boa moeda, de forma negativa, sem indicar nomes não me comove. Para mim o problema do PSD reside mesmo no facto dos 'populistas' Menezes e Santana Lopes conseguirem apoios dentro do partido. Não é uma questão de boa ou má moeda, mas apenas destes dois, bem como a maioria dos seus apoiantes (agora agrupados na facção de Passos Coelho) não me convencerem minimamente pela sua inconsistência, ou achas, e é uma pergunta sincera, que Menezes ou Santana Lopes são mais merecedores de confiança política que Pacheco Pereira? Repara, por exemplo, na posição de Pacheco na questão do Tratado de Lisboa e percebes onde lhe descubro a consistência que não detecto nos outros dois.
De António de Almeida a 3 de Novembro de 2009 às 13:09
Também estou de acordo com JPP em relação ao Tratado de Lisboa. Mas depois vem o resto, e discordo de JPP na maioria das vezes, desde sempre. Poderia recuar a 1991 quando queria encerrar a AR aos jornalistas, até aos nossos dias, acusando de situacionismo todos os que ousam pensar de forma diferente. Dizer-se que Pedro Passos Coelho não tem substância é um manifesto exagero, quanto muito não será um académico com doutrina política. Mas tem à sua volta pessoas no mínimo bem preparadas, desde quando Miguel Relvas não o é? JPP terá sido dos principais defensores da purga nas listas, que ao incluirem António Preto e Helena Lopes da Costa dispensaram mais apresentações. Não é por acaso que Rui Rio, vice-presidente da actual direcção há muito que está afastado da líder. E Paulo Rangel que todos falam? Não se lembrava de ter preenchido a ficha de inscrição no CDS, há um ano nem se sabia ao certo há quanto tempo era militante. José Luíz Arnaut, José Eduardo Martins, qual é a sua importância política? Não misturo Paulo Mota Pinto que considero a mais valia da actual direcção, mas sempre me pareceu ali algo deslocado. Ou me engano ou irás assistir ao aproximar de Morais Sarmento a PPC nos próximos tempos...
De Jorge Assunção a 3 de Novembro de 2009 às 13:53
"Também estou de acordo com JPP em relação ao Tratado de Lisboa."

Não é a questão do concordar (acho que mesmo para quem discorde da posição de Pacheco Pereira, aceitará o ponto que quero marcar): é o facto de ser uma posição política não comum à maioria dos políticos que temos e de Pacheco Pereira não só ter convicção para a defender, como insistentemente o faz. Quanto políticos em Portugal conheces que teriam a coragem de citar textos de Vaclav Klaus a concordar expressamente com tudo o que este diz? Logo a começar, tal político ganhava a antipatia de boa parte dos jornalistas, que detestam Klaus. É isso que eu entendo por consistência. E foi isso, a título de exemplo, que reconheci em Passos quando disse o que disse sobre a CGD. Quando demonstrou recuar na posição, percebi logo o barro de que era feito. De lá para cá, outros sinais claros existiram que me convenceram da sua falta de consistência (a defesa da construção do TGV como projecto estratégico é mortal).

"acusando de situacionismo todos os que ousam pensar de forma diferente."

Não me parece isso que ele faz. A questão não é outros pensarem de forma diferente, mas os meios pelos quais um certo poder se perpetua e a opinião publica e as notícias divulgadas servem para manter esse estado de coisas. Não é o pensamento que está em causa, mas a forma como o pensamento se propaga.

"quanto muito não será um académico com doutrina política."

Não é um académico (o que até pode ser uma mais valia), como não tem qualquer obra feita, nem na política, nem fora dela. Por exemplo, no mundo empresarial, Passos Coelho não é ninguém, e conseguiu o cargo que ocupava sabemos com o apoio de quem: daquele que agora o lançou como seu estratega para as lides políticas.

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