Domingo, 28 de Junho de 2009

O manifesto do bloco

A lista das assinaturas é quase tão grande como o texto do manifesto, pois inclui não só os nomes, claro, como a classificação profissional. Ele é professor isto, professor aquilo. Para além disso, inclui a filiação institucional. Ora, isso para mim não é legal (no sentido brasileiro do termo).

 

O manifesto de contra-resposta (ou talvez não) ao manifesto dos 28 é muito interessante. Tanto académico e o principal argumento que usam para sustentar o seu texto é o argumento de autoridade. Mas para mim o mais interessante é outra coisa: entre os economistas que assinam o documento está muito académico do ISEG e do ISCTE. Por outro lado não está um único da FEUNL ou da Católica de Lisboa. As tribos académicas no campo da economia expostas de forma clara.

publicado por Jorge A. às 20:35
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12 comentários:
De Carlos Santos a 29 de Junho de 2009 às 04:11
Jorge,

Eu não te aconselhava, a não ser que tenhas um óptimo relacionamento com ele, a dizer ao JPCastro que ele orbita em sobreposição com o BE. O Pedro Adão e Silva está no inner circle do José Sócrates. O que não me parece bem BE.
Sobre mim: vamos lá ver, a minha argumentação económica sobre o investimento público para sair da crise vai do Barack Obama, ao José Sócrates, ao Teixeira dos Santos, ao Pedro Passos Coelho (versão Outubro 2008), ao Hu Jintao, ao Sarkozy (versão pós amiguismo com Merkel), ao Paul Krugman, ao Robert Solow, ao Stiglitz ao Hicks, ao Keynes, e claramente ao Francisco Louçã. Isso para mim sempre foi uma questão académica. Esta crise, com inflação negativa, gera um bonito sistema dinâmico divergente, cuja intuição económica não preciso de te dizer. O debate que me parece sério é apenas entre endividamento e crise. Mas já foi mais sério: a situação da Alemanha caminha para a necessidade de ceder na questão dos Eurobonds e o empréstimo contraído pela UE em 75 mil milhões de euros (para já), apesar de ilegal (porque como sabes a UE não tem personalidade jurídica, só após o tratado de Lisboa teria), são sinais de mudança na tal "restrição orçamental europeia". Não é de hoje nem de há um mês ou dois que sabes que eu defendo o relaxamento do PEC. Mas a ministra das finanças do Sarkozy também.
Custa-me por isso a entender, e isso gostava que me explicasses, em que medida eu estou em sobreposição parcial ao BE. Pelo que disse sobre a AutoEuropa? Honestamente, aquilo não é em tudo idêntico ao que a França quis fazer à República Checa?
Eu não te vou perguntar, porque não tenho esse direito, as tuas convicções religiosas. Mas tu leste um livro em que a dada altura eu me assumo como católico. Isso implica por exemplo a questão da doutrina social da igreja o que nunca podia fazer de mim um liberal. Mas nunca me viste escrever sobre necessidade de nacionalizar "sectores estratégicos nacionais" ou coisa parecida? A propriedade privada e a livre iniciativa nunca foram questionadas. Agora eu posso ter uma noção de redistribuição via impostos progressivos, taxas moderadoras ou coisas parecidas, que me colocam na órbita socialista. Não é muito difícil ser à esquerda do Sócrates. Mas que diabo, o espaço do socialismo democrático é tão pequeno que engloba logo o BE?
O que eu não tenho é medo do BE. Porque se frequentares o arrastão percebes a subtileza com que se começaram a chamar sociais democratas. A entrevista do Louçã ao i, foi um tiro no pé monumental.
Há contudo duas coisas que te dou razão completa:
1) há posts no blogue mais truculentos do que a generalidade. Uma pergunta só: leste o edital do JMF? Eu disse-lhe pessoalmente que debatia com ele quando ele quisesse. Agora, que aquilo é um problema dele com o Louçã parece-me claro....
2) colar a direita ao PSD é errado. Tudo bem. Mas e as pessoas que passaram pelo myzena? É legítima essa associação, não?

A truculência tem outras razões de ser também. Mas essas precisam de tempo em cima. Antes de eu conseguir falar nelas.
Só uma pergunta final: eu conheço as divisões políticas das 4 principais escolas de Lisboa. Mas isso põe em causa o mérito dos catedráticos do ISEG por exemplo? Como o Louçã?

Carlos
De Jorge Assunção a 29 de Junho de 2009 às 06:17
"Eu não te aconselhava, a não ser que tenhas um óptimo relacionamento com ele, a dizer ao JPCastro que ele orbita em sobreposição com o BE. O Pedro Adão e Silva está no inner circle do José Sócrates. O que não me parece bem BE."

Assinar um documento com linhas orientadoras que Francisco Louçã também assina, implica sobreposição de ideias em algum lugar. Mas a JPCastro faça-se a justiça que quando fala do Louçã até é normalmente para criticar. Não devia ter ido por ai. O meu ponto é mais o seguinte: a partir do momento que assinam um documento que o líder do bloco também assina (e muita mais gente associada ao BE), o documento fica associado a um partido. Pode ser incorrecto, tal como pode ser incorrecto que este documento seja uma resposta ao manifesto dos 28, mas é essa a ideia que passa. A partir desse momento o facto de contarem com nomes do PS+Independentes ainda é mais benéfico para o BE que consegue aumentar a sua credibilidade e entrar num eleitorado tipicamente do PS. Tu próprio afirmaste, no rescaldo das eleições europeias, que não só não devia existir medo para com o BE, como consideravas que o BE podia estabelecer pontes com o PS. Sendo essa ou não a intenção, também é isso que se pode inferir do manifesto.

"há posts no blogue mais truculentos do que a generalidade. Uma pergunta só: leste o edital do JMF?"

Eu não acho mal que JMF seja criticado. Afinal, fez um editorial a criticar um manifesto que depois não aparecia em parte alguma do jornal. Só não concordo com parte do conteúdo.

"colar a direita ao PSD é errado. Tudo bem. Mas e as pessoas que passaram pelo myzena? É legítima essa associação, não?"

Se é legítima, então também é legítimo que quem escreve aqui:

http://igualdade.bloco.org/index.php?option=com_content&task=view&id=86&Itemid=1

Possa ser associado ao bloco, ou não? A independência não implica neutralidade.

"Só uma pergunta final: eu conheço as divisões políticas das 4 principais escolas de Lisboa. Mas isso põe em causa o mérito dos catedráticos do ISEG por exemplo? Como o Louçã?"

Não, de modo algum. É, aliás, bom que exista alguma pluralidade no pensamento económico. Nesse sentido, a única coisa que lamento é que não exista uma George Mason University em Portugal. Mas eu sei distinguir entre o trabalho que Louçã realizou no campo económico e aquele que é o seu pensamento político.
De Carlos Santos a 29 de Junho de 2009 às 14:45
Jorge,

Eu distinguria participar com um texto ´num fórum sobre igualdade, onde aliás está o José Reis (militante do PS e ex-Secretário de Estado do Guterres) do que a escrita regular num blogue enquanto ele existiu para apoiar um partido numas eleições, com posts que implicam extrapolação para outras.

Em todo o caso, aceitar pontes com o BE é a meu ver tentar ultrapassar o mito da ingovernabilidade que se o PSD ou o PS tivessem os resultados da última sondagem marktest por exemplo. Mesmo dando mais ao CDS, imagina 6% em vez de 4% (não tenho as décimas de cabeça) o PSD não consegue formar maioria. O que sucede? Governa em minoria (o que é possível) ou o PR, mediante uma não confiança do parlamento convida o PS? E aí se o BE valer 10% (e a sondagem diz 13) não era uma solução? A alternativa é convocar novas eleições para Novembro ou quando o calendário permitir.
E em tempo de crise, essa suposta ingovernabilidade parece-me pouco recomendável.
Uma nota: quando eu assinei o manifesto não perguntei se o Francisco Louçã o ia assinar ou não. Eu acho que as coisas se assinam pelo que lá diz.
Carlos

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