Domingo, 28 de Junho de 2009

O manifesto do bloco

A lista das assinaturas é quase tão grande como o texto do manifesto, pois inclui não só os nomes, claro, como a classificação profissional. Ele é professor isto, professor aquilo. Para além disso, inclui a filiação institucional. Ora, isso para mim não é legal (no sentido brasileiro do termo).

 

O manifesto de contra-resposta (ou talvez não) ao manifesto dos 28 é muito interessante. Tanto académico e o principal argumento que usam para sustentar o seu texto é o argumento de autoridade. Mas para mim o mais interessante é outra coisa: entre os economistas que assinam o documento está muito académico do ISEG e do ISCTE. Por outro lado não está um único da FEUNL ou da Católica de Lisboa. As tribos académicas no campo da economia expostas de forma clara.

publicado por Jorge A. às 20:35
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12 comentários:
De manuel gouveia a 28 de Junho de 2009 às 21:24
Podemos usar a designação: os do bloco. Mas ai se falamos na direita, para não falar como este discurso de ruptura os deixou em fase de negação!
De Jorge Assunção a 28 de Junho de 2009 às 21:56
Em fase de negação anda a esquerda. Sempre a falar de políticas novas quando o que defendem é velho, já experimentado, e com os resultados péssimos que se conhece.
De manuel gouveia a 29 de Junho de 2009 às 09:39
Este discurso da esquerda, parece-me redutor, em particular vindo de quem não reconhece a direita... Os discursos de ruptura nunca cão fáceis de assimilar.
De Daniel João Santos a 28 de Junho de 2009 às 21:29
Tens razão... fundamental.
De Jorge Assunção a 28 de Junho de 2009 às 21:58
Pois é, Daniel. Fundamental porque o que não se percebe no bloco é que, por um lado, aparenta estar contras grandes obras públicas deste governo Sócrates. Por outro, irrita-se com os que estão contra as grandes obras públicas deste governo (e este manifesto, se não é uma contra-resposta ao outro, teve muito mau timing). Nisso, até o PCP é mais coerente: é contra as grandes obras públicas do governo e defende investimento público localizado. O problema do bloco é que na tentativa de ser tudo, nem é carne, nem é peixe. Como já disse várias vezes, quem quiser comprar isso, que compre. O bloco é, afinal, o partido das ilusões. O bloco ilude tão bem que até finge que o PS é de direita (estes pedem políticas de esquerda, como se as do PS fossem de direita). E pelos vistos há quem compre essa tese.
De commonsense a 28 de Junho de 2009 às 23:19
É uma espécie de PRD recauchutado. HEHEHE :)
De Carlos Santos a 29 de Junho de 2009 às 00:18
Caro Jorge,

Se bem me serve a memória, nunca te ataquei directa ou indirectamente. Discordei de ti e tu de mim, e ficamos por aí. Nunca me constou que tivessemos mais que divergências de opinião.
Quando isolas a Católica de Lisboa é porque sabes que eu estou no Manifesto. Classificá-lo como manifesto do bloco, supõe que o tenha assinado enquanto tal. Acredito que saibas que o João Pinto e Castro, o João Galamba o José Reis e o Pedro Adão e Silva, só para falar de gente da blogosfera não orbitam bem na área do BE. E se leste a crónica do Rui Tavares no Público de Quarta, sabes que ele falou em economistas do Bloco, e economistas de centro esquerda (tendo-me incluído nesse grupo).
Eu, mantenho-me fiel à minha definição: independente de Esquerda. Não tenho cartão partidário. Quem me sugeriu o manifesto foi o João Rodrigues do BE. Mas eu assinei porque li o que lá dizia. E cujos fundamentos económicos expus detalhadamente ontem no meu blogue.
A minha amizade, recíproca ou não, por ti, não me leva a ofender-me com esta designação. Mas se quiseres acreditar, e nota que não me dou ao trabalho de desdizer tudo o que se diz de mim (consta-me que é alguma coisa, o que só mostra quão desocupadas andam as pessoas), eu continuo a não ter cartão partidário. Não renego a amizade do Rachide Abdulmagide, um matemático da NOVA DEMOCRACIA que conheço. Nem renegarei a do João Rodrigues ou a do Rui Tavares.
Um abraço,
Carlos
De Jorge Assunção a 29 de Junho de 2009 às 02:32
"Se bem me serve a memória, nunca te ataquei directa ou indirectamente. Discordei de ti e tu de mim, e ficamos por aí. Nunca me constou que tivessemos mais que divergências de opinião."

Nem eu estou a atacar-te pessoalmente. Estou a atribuir uma conotação política ao manifesto que é notória.

"Quando isolas a Católica de Lisboa é porque sabes que eu estou no Manifesto."

Também não faço referência à FE de Coimbra, ou à FEP. A Católica de Lisboa sempre foi separada da Católica do Porto. Aliás, se quiseres podes dar uma vista de olhos pelo que já afirmei aqui ao Paulo Ferreira:
http://www.facebook.com/profile.php?id=1321402009&v=feed&story_fbid=116486527564&ref=mf

É sabido que em Lisboa as diferentes faculdades de economia têm conotação política. Este manifesto dá mais uma ajudinha a demonstrar isso.

"Classificá-lo como manifesto do bloco, supõe que o tenha assinado enquanto tal."

Tu assinaste como bem entendeste e com a avaliação que fizeste do mesmo. Para mim fica clara a ligação ao BE, especialmente quando o documento é maioritariamente político e conta com a assinatura do líder do BE.

"Acredito que saibas que o João Pinto e Castro, o João Galamba o José Reis e o Pedro Adão e Silva, só para falar de gente da blogosfera não orbitam bem na área do BE."

Pois não. Mas orbitam na área dos que concordam com parte do argumentário do BE. Como, do que vou lendo no teu blog, é o teu caso.

"E cujos fundamentos económicos expus detalhadamente ontem no meu blogue."

Bem expostos. Especialmente na parte onde afirmas (a propósito do que afirmou José Manuel Fernandes): "Está um combate entre si e 4 prémios Nobel da Economia, que me lembre. Quer tentar?" Isto é um fundamento económico, Carlos? Isto é um argumento de autoridade.

Confesso que preferia quando o teu blogue era dedicado a promover o que diz o título: "o valor das ideias". De há um tempo para cá tens-te dedicado à luta político-partidária da forma mais agressiva possível. É legítimo que o faças. Mas não esperes que os outros não o percebam.

Por exemplo no que toca a associações, aquela que reservas para ti, "independente de esquerda", não a tens reservada para muita gente que se afirma como independente de direita. Colas essa pessoa imediatamente ao PSD. Ou estou a faltar à verdade?

"A minha amizade, recíproca ou não, por ti, não me leva a ofender-me com esta designação."

A amizade não impede divergências políticas. O problema, tal como demonstraste logo com a abertura do teu comentário, é que levaste para o campo pessoal o meu texto. Quanto a isso nada posso fazer, Carlos.

Um abraço.
De Carlos Santos a 29 de Junho de 2009 às 04:11
Jorge,

Eu não te aconselhava, a não ser que tenhas um óptimo relacionamento com ele, a dizer ao JPCastro que ele orbita em sobreposição com o BE. O Pedro Adão e Silva está no inner circle do José Sócrates. O que não me parece bem BE.
Sobre mim: vamos lá ver, a minha argumentação económica sobre o investimento público para sair da crise vai do Barack Obama, ao José Sócrates, ao Teixeira dos Santos, ao Pedro Passos Coelho (versão Outubro 2008), ao Hu Jintao, ao Sarkozy (versão pós amiguismo com Merkel), ao Paul Krugman, ao Robert Solow, ao Stiglitz ao Hicks, ao Keynes, e claramente ao Francisco Louçã. Isso para mim sempre foi uma questão académica. Esta crise, com inflação negativa, gera um bonito sistema dinâmico divergente, cuja intuição económica não preciso de te dizer. O debate que me parece sério é apenas entre endividamento e crise. Mas já foi mais sério: a situação da Alemanha caminha para a necessidade de ceder na questão dos Eurobonds e o empréstimo contraído pela UE em 75 mil milhões de euros (para já), apesar de ilegal (porque como sabes a UE não tem personalidade jurídica, só após o tratado de Lisboa teria), são sinais de mudança na tal "restrição orçamental europeia". Não é de hoje nem de há um mês ou dois que sabes que eu defendo o relaxamento do PEC. Mas a ministra das finanças do Sarkozy também.
Custa-me por isso a entender, e isso gostava que me explicasses, em que medida eu estou em sobreposição parcial ao BE. Pelo que disse sobre a AutoEuropa? Honestamente, aquilo não é em tudo idêntico ao que a França quis fazer à República Checa?
Eu não te vou perguntar, porque não tenho esse direito, as tuas convicções religiosas. Mas tu leste um livro em que a dada altura eu me assumo como católico. Isso implica por exemplo a questão da doutrina social da igreja o que nunca podia fazer de mim um liberal. Mas nunca me viste escrever sobre necessidade de nacionalizar "sectores estratégicos nacionais" ou coisa parecida? A propriedade privada e a livre iniciativa nunca foram questionadas. Agora eu posso ter uma noção de redistribuição via impostos progressivos, taxas moderadoras ou coisas parecidas, que me colocam na órbita socialista. Não é muito difícil ser à esquerda do Sócrates. Mas que diabo, o espaço do socialismo democrático é tão pequeno que engloba logo o BE?
O que eu não tenho é medo do BE. Porque se frequentares o arrastão percebes a subtileza com que se começaram a chamar sociais democratas. A entrevista do Louçã ao i, foi um tiro no pé monumental.
Há contudo duas coisas que te dou razão completa:
1) há posts no blogue mais truculentos do que a generalidade. Uma pergunta só: leste o edital do JMF? Eu disse-lhe pessoalmente que debatia com ele quando ele quisesse. Agora, que aquilo é um problema dele com o Louçã parece-me claro....
2) colar a direita ao PSD é errado. Tudo bem. Mas e as pessoas que passaram pelo myzena? É legítima essa associação, não?

A truculência tem outras razões de ser também. Mas essas precisam de tempo em cima. Antes de eu conseguir falar nelas.
Só uma pergunta final: eu conheço as divisões políticas das 4 principais escolas de Lisboa. Mas isso põe em causa o mérito dos catedráticos do ISEG por exemplo? Como o Louçã?

Carlos
De Jorge Assunção a 29 de Junho de 2009 às 06:17
"Eu não te aconselhava, a não ser que tenhas um óptimo relacionamento com ele, a dizer ao JPCastro que ele orbita em sobreposição com o BE. O Pedro Adão e Silva está no inner circle do José Sócrates. O que não me parece bem BE."

Assinar um documento com linhas orientadoras que Francisco Louçã também assina, implica sobreposição de ideias em algum lugar. Mas a JPCastro faça-se a justiça que quando fala do Louçã até é normalmente para criticar. Não devia ter ido por ai. O meu ponto é mais o seguinte: a partir do momento que assinam um documento que o líder do bloco também assina (e muita mais gente associada ao BE), o documento fica associado a um partido. Pode ser incorrecto, tal como pode ser incorrecto que este documento seja uma resposta ao manifesto dos 28, mas é essa a ideia que passa. A partir desse momento o facto de contarem com nomes do PS+Independentes ainda é mais benéfico para o BE que consegue aumentar a sua credibilidade e entrar num eleitorado tipicamente do PS. Tu próprio afirmaste, no rescaldo das eleições europeias, que não só não devia existir medo para com o BE, como consideravas que o BE podia estabelecer pontes com o PS. Sendo essa ou não a intenção, também é isso que se pode inferir do manifesto.

"há posts no blogue mais truculentos do que a generalidade. Uma pergunta só: leste o edital do JMF?"

Eu não acho mal que JMF seja criticado. Afinal, fez um editorial a criticar um manifesto que depois não aparecia em parte alguma do jornal. Só não concordo com parte do conteúdo.

"colar a direita ao PSD é errado. Tudo bem. Mas e as pessoas que passaram pelo myzena? É legítima essa associação, não?"

Se é legítima, então também é legítimo que quem escreve aqui:

http://igualdade.bloco.org/index.php?option=com_content&task=view&id=86&Itemid=1

Possa ser associado ao bloco, ou não? A independência não implica neutralidade.

"Só uma pergunta final: eu conheço as divisões políticas das 4 principais escolas de Lisboa. Mas isso põe em causa o mérito dos catedráticos do ISEG por exemplo? Como o Louçã?"

Não, de modo algum. É, aliás, bom que exista alguma pluralidade no pensamento económico. Nesse sentido, a única coisa que lamento é que não exista uma George Mason University em Portugal. Mas eu sei distinguir entre o trabalho que Louçã realizou no campo económico e aquele que é o seu pensamento político.
De Carlos Santos a 29 de Junho de 2009 às 14:45
Jorge,

Eu distinguria participar com um texto ´num fórum sobre igualdade, onde aliás está o José Reis (militante do PS e ex-Secretário de Estado do Guterres) do que a escrita regular num blogue enquanto ele existiu para apoiar um partido numas eleições, com posts que implicam extrapolação para outras.

Em todo o caso, aceitar pontes com o BE é a meu ver tentar ultrapassar o mito da ingovernabilidade que se o PSD ou o PS tivessem os resultados da última sondagem marktest por exemplo. Mesmo dando mais ao CDS, imagina 6% em vez de 4% (não tenho as décimas de cabeça) o PSD não consegue formar maioria. O que sucede? Governa em minoria (o que é possível) ou o PR, mediante uma não confiança do parlamento convida o PS? E aí se o BE valer 10% (e a sondagem diz 13) não era uma solução? A alternativa é convocar novas eleições para Novembro ou quando o calendário permitir.
E em tempo de crise, essa suposta ingovernabilidade parece-me pouco recomendável.
Uma nota: quando eu assinei o manifesto não perguntei se o Francisco Louçã o ia assinar ou não. Eu acho que as coisas se assinam pelo que lá diz.
Carlos
De Ana Gabriela A. S. Fernandes a 29 de Junho de 2009 às 13:23
Olá, Jorge!
Gostei sobretudo do termo "legal" no sentido brasileiro...

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