Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

Economistas

O manifesto de 28 economistas a apelar à reavaliação do investimento público irritou algumas almas. Alguns, fazendo jus à cultura muito portuguesa de atacar o mensageiro e não a mensagem, logo trataram de atacar o curriculo das pessoas envolvidas no manifesto, diminuindo-lhes a credibilidade. Esse é um dos principais motivos pelo qual em Portugal tanta gente opta por não dar a cara, de uma forma ou de outra, existirá sempre quem tente denegrir pessoalmente quem tem visão diferente à sua. Mas o manifesto tem uma grande vantagem: alguns tentaram passar a ideia, através de argumento económicos e com algumas referências a Keynes pelo meio, que a aposta em grandes obras públicas era quase inatacável. Ainda na entrevista que o ex-animal feroz deu a Ana Lourenço, na SIC, o nosso primeiro mais uma vez tratou de referir Keynes e a grande depressão para justificar as suas políticas. Pena é para o nosso primeiro que o economista Keynes, cumprindo a sua teoria mais que provada de que "no longo prazo estamos todos mortos", não esteja vivo para poder manifestar a sua concordância com Sócrates, concordância hipotética essa sobre a qual manifesto as mais sinceras dúvidas, mas no entanto existe um conjunto de economistas portugueses, atreveria-me a dizer a maioria, que manifesta muitas dúvidas sobre esses mesmos projectos. Não podendo sondar os mortos, talvez fizessemos bem em escutar os vivos e demonstrar preocupação pelos que ainda estão por nascer.

publicado por Jorge A. às 00:57
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13 comentários:
De manuel gouveia a 22 de Junho de 2009 às 10:17
Os 28 escolheram um momento de viragem, como quem não quer perder o combóio to tempo. A mão do dono vai mudar de personagem. Há que avaliar o reposicionamento táctico...

Se o resultado das europeias fosse outro, se Cavaco não tivesse falado, provavelmente estes senhores não teriam tido a necessidade de se vir opor ao TGV...
De Jorge Assunção a 22 de Junho de 2009 às 20:44
Manuel,

o timing pouco importa. Fosse qual fosse existiria sempre alguém a discutir as motivações. E sinceramente, agora é o melhor momento: uma vez que as europeias, onde isso não era assunto, já eram, e nas legislativas esse assunto deve ter prioridade máxima. Para mais, muitos dos 28 já falam sobre o assunto há muito tempo. Para referir dois, Luís Campos e Cunha e Medina Carreira, por exemplo.
De manuel gouveia a 22 de Junho de 2009 às 21:03
É o meu feitio, detesto ver rebanhos e odeio coincidências...
De Jorge Assunção a 22 de Junho de 2009 às 22:51
Tendo em conta alguns dos nomes que constam no documento, estamos na presença de tudo menos de um rebanho.
De manuel gouveia a 22 de Junho de 2009 às 22:55
Um grupo de ovelhas balindo em uníssono, assim muito juntinhas?
De Jorge Assunção a 23 de Junho de 2009 às 18:38
Pois, Manuel. É por isso que não é rebanho. Há muita gente ali que já deu provas de não ser ovelha.
De Daniel João Santos a 22 de Junho de 2009 às 10:30
Eu até que concordo com as ideias destes senhores, mas não percebo o porquê de ser agora que falam?

Presumo que seja por preocupação com o país.

Por alguém dizer algo contra aqueles que eu não aprecio, não faz com que eu os passe imediatamente a apreciar.
De Jorge Assunção a 22 de Junho de 2009 às 20:50
Acho que respondi mais ou menos isso ao Manuel. O timing parece-me bom e muitos deles já falavam de forma individual contra o projecto há muito tempo. Quanto às motivações, olhando para o nome dos 28, calculo que sejam várias, mas isso é independente do valor dos argumentos que usam para contestar as duas obras em questão.

"Por alguém dizer algo contra aqueles que eu não aprecio, não faz com que eu os passe imediatamente a apreciar."

O meu ponto é que tanto faz se aprecias ou não as pessoas em causa. Não é essa a discussão que devia estar em causa.
De Daniel João Santos a 22 de Junho de 2009 às 21:38
Sabes, li por ai, pela blogosfera que estes são os novos salvadores da pátria.

Reforço que a mensagem é importante, mas interessa saber as motivações para tal mensagem.
De Jorge Assunção a 22 de Junho de 2009 às 22:58
"Sabes, li por ai, pela blogosfera que estes são os novos salvadores da pátria."

Mas o que alguns da blogosfera dizem ou deixam de dizer não me interessa. A quem aproveita o manifesto, ao ponto de lhes atribuir um estatuto que não é claramente o deles, é que não é difícil perceber as motivações.

"Reforço que a mensagem é importante, mas interessa saber as motivações para tal mensagem."

Dado que são 28 pessoas e alguma com reconhecida independência, não vejo qual o interesse disso. Há uma motivação que me parece óbvia e que me deixa mais do que satisfeito: querem, pelo menos, atrasar o avanço do TGV.
De commonsense a 22 de Junho de 2009 às 22:29
É verdade que têm razão, mas também é verdade, por uma lado que alguns deles não são inocentes no que aconteceu até agora e, pergunto eu, COMO É QUE DEMORARAM TANTO TEMPO A DAR POR ISTO?

E quand outros já tinham antes ditos istso sob o olhar de desprezo destes?

Este people do mainstream tem mesmo de andar sempre no mainstream.

São só um bocadinho muito oportunistas
De Jorge Assunção a 22 de Junho de 2009 às 23:03
Commonsense,

está lá o Luís Campos e Cunha, o Medina Carreira, o Vitor Bento, o Miguel Cadilhe... quais são os outros que tinham dito isto sob o olhar de desprezo destes? Bem pelo contrário, muitos destes passaram a título individual por esse desprezo. E foram violentamente atacados do ponto de vista individual. Há quanto tempo é que o Rui Moreira é uma das vozes contra a forma como se vai fazer avançar o TGV e o aeroporto de Lisboa? Há quanto tempo?

É certo que estarão lá alguns que são, como diz, oportunistas. Mas em boa parte as pessoas que lá estão são daquelas que mais, contra a corrente, têm tentado avisar para os perigos que o país corre. E não é propriamente de agora...
De commonsense a 24 de Junho de 2009 às 21:47
Tem razão. Mas Marques Mendes fartou-se de dizer isto mesmo, perante uma quase chacota geral. E já podiam ter feito este manifesto há mais tempo, esperar pelo desastre eleitoral ... enfim.
É claro que é bom que o tenham feito, mas a ideia que fica é de que entes da eleição outro galo cantava.
Para não ser rabugento: mais vale tarde que nunca.

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