11 comentários:
De André Antunes a 5 de Junho de 2009 às 00:30
Quanto à ERC. É uma entidade reguladora autónoma, à luz do direito vigente (e sou estudante de Direito, falo com mínimo conhecimento de causa), o que significa que, apesar de criação do governo, este não pode interferir com as suas decisões. Ela vincula, inclusivamente, alguns membros do governo como Santos Silva. Noto ainda que a sua angústia começou por ser o facto de a ERC não ter ouvido a TVI antes da "decisão" (tal como, aliás, a TVI não ouve as pessoas antes do "julgamento"...quando as convida a pronunciarem-se é depois do seu nome já estar exposto), tendo dito eu que não havia lugar a audições porque se trata de um processo de natureza não disciplinar e não sancionatória, vi que a sua preocupação vai para os timmings... E quanto a eles queria perguntar-lhe: o timming do Caso FreePort? Aparecer de 4 em 4 anos, sempre em ano eleitoral? Não estranha, esse? É que o BPN foi um caso que surgiu há cerca de um ano e que está a ser investigado desde aí, inclusivamente pelas comissoes de inquerito parlamentar... o Freeport já tinha surgido há 4 anos e nunca mais se tinha ouvido falar dele... porque terá sido? (lembro as declaraçoes da Procuradora Candida Almeida que, sobre o timming em que o caso aparece disse (em entrevista à RTP): "se fosse o visado (Sócrates) desconfiava porque acho que tem razoes para o fazer..."

Convido-o, de forma sincera, e porque gosto do debate de ideias da forma como o estamos a protagonizar (civilizadamente), a passar pelo meu blog a a expressar as suas opiniões sobre o que lá está em: http://neorema.blogspot.com
De Jorge Assunção a 5 de Junho de 2009 às 00:54
Caro André,

"Convido-o, de forma sincera, e porque gosto do debate de ideias da forma como o estamos a protagonizar (civilizadamente), a passar pelo meu blog a a expressar as suas opiniões sobre o que lá está em"

Ainda farei por dar resposta a todo o seu extenso comentário, especialmente a primeira parte, nesta caixa de comentários (não para hoje, mas tentarei responder amanhã assim que possa). E porque gosto também do debate de ideias, o seu blogue já foi adicionado à minha barra lateral. :)

Mas, numa breve contra-argumentação, quando diz:

"Eu não afirmo que tudo o que seja noticiado nesse jornal seja mau e congratulo pelo caso dos médicos que referiu. Mas aí é um caso provado"

Repare que o caso não está provado. A única coisa que está provada é a viagem, mas as insinuações, que não lhe agradam, estão todas lá. Para ser coerente, tem também de estar contra aquele tipo de jornalismo. ;)

"Noto ainda que a sua angústia começou por ser o facto de a ERC não ter ouvido a TVI"

Não. A minha angústia começou no dia de criação da ERC, contra a qual sempre estive. Exactamente porque na altura não era difícil prever em que sentido iriam as suas deliberações.

"E quanto a eles queria perguntar-lhe: o timming do Caso FreePort?"

Quanto a isso tem de questionar as autoridades inglesas, uma vez que não fossem estas e o caso não tinha voltado à baila. :)

Mas deixo-lhe a pergunta: o trabalho do jornalista não pode deixar margem para insinuações (sejamos claros, isso é praticamente acabar com o jornalismo - Watergate, por exemplo, não teria existido. E uma sociedade ao seu modo não permitiria certamente uma Fox News ou uma MSNBC nos Estados Unidos). E as declarações de um primeiro-ministro, podem? Pode o primeiro-ministro ou o ministro Santos Silva fazer uso de insinuações para combater outras supostas insinuações? Como digo: ao poder, tudo é permitido.

Um abraço.
De Jorge Assunção a 5 de Junho de 2009 às 19:07
Continuando o debate de ontem:

"aconselho-o a ler o código deontológico da profissão"

Em vez de aconselhar-me a ler, devia dizer o que faz Manuela Moura Guedes que viole o código (mesmo porque quando manda-me ler, está a assumir que já não o li). Depois, deve admitir que, independentemente do que diz ou deixa de dizer o código, quando avalio a sua prestação à sexta-feira, não o faço à luz de tal código.

"O problema não é só a falta de imparcialidade, mas sim os julgamentos em praça pública."

O julgamento em praça pública não é problema de MMG. Se o povo, erradamente, assim pretende julgar alguém é um problema do povo. O jornalista quando divulga informação não pode preocupar-se com isso. E os julgamentos em praça pública como sabe, são um problema grave português muito por culpa de um sistema de justiça que não funciona.

"incomoda-me a completa irresponsabilidade da jornalista ao levantar certos casos sem que verifique a sua factualidade"

Dê-me exemplos. Posso-lhe dizer que de tudo o que vi no processo Freeport, foi tudo factual. Se aceito que é imparcial é porque apresenta jornal após jornal, muitas vezes os mesmos factos.

"é da responsabilidade do jornalista garantir a veracidade da notícia?"

Mas houve alguma notícia da TVI que esta tivesse de desmentir? Não conheço.

"no exemplo que eu pus, enviesadamente, de forma propositada."

Qual exemplo?

"Quanto ao caso dos financiamentos... a notícia foi dada, ponto final. Foram apresentados os factos por todas as TV's."

Foi dada como se de uma coisa menor se tratasse. E os jornalistas não indagaram convenientemente os intervenientes no processo. Quem, dentro do PSD sabia que o partido estava a ser financiado assim? O que tinha a Somague a ganhar a financiar o PSD assim? Etc... etc... é inacreditável como o jornalismo em Portugal parece achar estas perguntas coisas menores que podem passar sem resposta.

"a que as pessoas às tantas já não vejam o que é especulação e o que é verdade."

E o que é a Verdade?

"e é especulação, de seu nome"

É investigação jornalistica. No caso Casa Pia foi assim, no caso Watergate foi assim, no caso etc... etc... foi assim.

"quando os visados ficam indignados e perdem a paciência..."

Pois, mas aquilo foi uma indignação premeditada. Tal coom a expressão "campanha negra" foi lançada para o ar para poluir ainda mais o ambiente.

"Antes de lançar as peças para o ar devem averiguar as veracidade e devem ouvir as duas partes."

Há uma parte que não quer ser ouvida. Mais uma vez, esse ponto não lhe cedo.

"Quem é visado deve ser ouvido e dar a sua versão dos factos porque uma justificação é pressuposto de já lhe ter sido imputada alguma coisa."

Não deve ser ouvido. Devem tentar ouvi-lo. Se ele não quer se ouvido, nada a fazer.

"E nao cabe aos serviços noticiosos imputar nada, cabe aos tribunais."

Não vi a TVI dizer que, por exemplo, Sócrates era culpado. A culpa é que cabe aos tribunais decidir. Toda a informação relevante, cabe às agências noticiosas transmitir.

"O facto de se ser PM faz com que tenha mais responsabilidades, mas nao dá o direito seja a quem for de o julgar em praça pública."

Mas existe o dever de o escrutinar ainda mais do que a outros cidadãos.

"é outra e é crime: difamação"

Para isso há solução: meta MMG em tribunal.

Cumprimentos.
De André Antunes a 5 de Junho de 2009 às 20:11
Tentando ser mais sintetico do que ontem:

Na minha perspectiva a TVI parece querer substituir-se aos órgãos com competência de investigação em certos casos, de tal forma que divulga (reitero) irresponsavelmente factos que estão em segredo de justiça (logo compactua com um crime), podendo comprometer as investigações

Quando o jornalista manda a notícia para o ar deve preocupar-se, caso ela não esteja provada, com o impacto que possa ter na vida pessoal das pessoas visadas, nomeadamente com a sua exposição pública e com os julgamentos populares. Os jornalistas sabem que têm um importante poder de manipulação da opinião pública e, se lançarem notícias falsas que possam interferir negativamente com a vida do visado, seja, inclusivamente, pelos julgamentos populares, devem ser responsabilizadas... Não podem causar estragos a um cidadão, indo contra um Direito Fundamental (constitucionalmente garantido e que, como tal, goza de aplicabilidade directa, ou seja, impoe-se sobre qualquer norma que esteja em conflito com ela) como é o caso do direito ao bom nome

Especulação é diferente de investigação jornalística: estando os jornalistas cientes do poder dos media sobre a opinião das pessoas, devem garantir que os factos que vão para o ar sejam verdadeiros... É que na investigação há uma fase de filtragem de informação que consiste em relevar a verdadeira e comprovavel factualmente e colocar de lado a outra. Ora, a TVI não faz isso

Jorge, a difamação é crime logo os visados que coloquem o jornalista em tribunal: verdade, mas ambos sabemos que, na óptica de MMG, por exemplo, se isso acontecesse ela veria aí uma tentativa de limitar o direito de informar e o direito à liberdade de expressão. Adianto ainda que o direito ao bom nome, sendo directamente aplicável na ordem jurídica nacional, se sobrepoe a quaisquer outros direitos hierarquicamente "inferiores"

Cumprimentos

PS: agradeço os comentários no meu blog, adiantando que já coloquei o seu na minha lista lateral

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