Terça-feira, 19 de Maio de 2009

A Estrada

Nós nunca seríamos capazes de comer uma pessoa, pois não? Não. É claro que não. Mesmo que estivéssemos a morrer de fome? Nós já estamos a morrer de fome. Tu disseste que não estávamos. Morrer de fome é uma maneira de dizer. Nós estamos cheios de fome, mas não estamos mesmo a morrer. Mas nunca faríamos isso. Não. Nunca. Aconteça o que acontecer. Sim. Aconteça o que acontecer. Porque nós somos os bons. Sim. E transportamos o fogo. E transportamos o fogo. Sim. Está bem.

 

A Estrada, Cormac McCarthy, Relógio d'Água, Página 87

 

De um dos meus livros favoritos. Sobre a procura do bem, sobre o que nos torna humanos, uma das mais belas histórias sobre o amor entre um pai e o filho. Agora terá direito a adaptação cinematográfica [trailer]. Tom Chiarella da Esquire chama-lhe o mais importante filme do ano. Confesso que a crónica na Esquire e o trailer deixam-me de certa forma de pé atrás. A Estrada é tudo menos uma história de acção (como o trailer sugere) e o rótulo de "mais importante do ano" cheira-me a golpe publicitário. Mas é, neste momento, um filme muito aguardado por estas bandas.

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publicado por Jorge A. às 17:34
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2 comentários:
De António de Almeida a 19 de Maio de 2009 às 18:53
Nós nunca seríamos capazes de comer uma pessoa, pois não? Não. É claro que não. Mesmo que estivéssemos a morrer de fome?

-Houve um acidente de aviação nos anos 50 ou 60, não posso precisar, e não estou com tempo para pesquisar, envolvendo uns uruguaios, julgo que do râguebi, estiveram perdidos em sítio inacessivel às busca, e chegaram a alimentar-se dos que morreram. Vi no História ou Discovery...
De Jorge Assunção a 19 de Maio de 2009 às 19:23
Sim, conheço bem essa história. E existem muitos outros casos relatados. Mas o livro em questão vai mais longe do que pôr humanos a comer outros humanos já mortos. Existem grupos que capturam humanos para depois comerem-nos. E o pai e o filho (de quem nunca saberemos o nome), que seguem numa estrada rumo a sul (e o fogo aqui é uma metáfora para o que resta de uma civilidade esquecida), evitam ser capturado por estes grupos de humanos sem alma que habitam num mundo pós-apocalíptico. Não só procuram não ser capturados, como recusam adoptar o seu modo de vida.

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