26 comentários:
De AP a 25 de Março de 2009 às 06:57
Ok, peço desculpa pelo "Neo", tem razão...
Com o desemprego galopante não tenho dúvidas que haveriam pessoas a sujeitar-se a receber 300 euros por mês. Que outras não aceitassem e as entidades patronais reflectissem sobre isso é outra coisa, mas acha que os nossos patrões reflectem? Acredita mesmo que não conseguissem trabalhadores com esses salários?
Por favor não nos compare com a Áustria ou a Suíça, porque não há medida de comparação possível. Estamos quantos anos atrasados em relação a eles? 30? 40? Para não falar das diferenças culturais e estruturais.
Para não existir a falta de regulação que o Jorge defende, teríamos que ter melhores práticas de gestão, onde se substituísse o valor accionista pelo valor para o cliente, onde em vez de recursos humanos tivéssemos valores humanos, onde o CEO fosse mais um trabalhador em vez de um "Deus", etc... Mintzberg já explicou muitas destas coisas.
De Jorge Assunção a 25 de Março de 2009 às 12:50
AP,

"Com o desemprego galopante não tenho dúvidas que haveriam pessoas a sujeitar-se a receber 300 euros por mês."

Para isso era preciso acabar também com os subsidios que o Estado garante. De resto, se existem pessoas a aceitar trabalhar por 300 euros e patrões dispostos a oferecer isso, o AP consegue imaginar o que isso significa para os niveis de desemprego dessa sociedade a existência de salário minimo nos 450 euros?

"Por favor não nos compare com a Áustria ou a Suíça, porque não há medida de comparação possível. Estamos quantos anos atrasados em relação a eles? 30? 40? Para não falar das diferenças culturais e estruturais."

A primeira coisa que eu não nos comparo é nos níveis de rendimento. Esse é um problema português: queremos ter regulamentações iguais às nórdicas, mas sem termos o nível de rendimento deles. Isso tem sido mortifero para a nossa competitividade.

Outro ponto, nos EUA, sabes quem defende afincadamente a existência de salário minimo mais elevado? A Wal-Mart. Porquê? Porque isso eliminava-lhe a concorrência dos pequenos.

Para além disso, a Suiça e a Áustria são óptimos exemplos, porque a não existência de salário minimo não impediu que em muitos sectores os sindicatos (que lá não são politizados como os de cá) e as associações patronais tenham chegado a acordo sobre valores minimos de pagamento para esses sectores.

Nos EUA os sindicatos também têm um papel importante na definição de remunerações para os seus trabalhadores - lembra-te, por exemplo, da última greve dos argumentistas.

O trabalhador, contrariamente ao que o AP parece pensar, pode numa sociedade, sem recorrer ao poder coercivo do Estado, ter poder para reinvindicar melhores condições às associações patronais. Eu valorizo mais este entendimento na esfera privada, do que um entendimento com o carimbo estatal.

"Mintzberg já explicou muitas destas coisas."´

Confesso que nunca li nada dele.

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