26 comentários:
De AP a 23 de Março de 2009 às 07:47
Como o português tem memória curta atira-se um valor para cima da mesa, mas para daqui a 4 ou 5 anos e assim quando chega a data já ninguém se lembra!
Enfim, Portugal no seu melhor...
Já agora, qualquer empresa ou instituição faz o seu orçamento ano a ano, não é? Os nossos sindicatos são muito há frente!
De Jorge Assunção a 23 de Março de 2009 às 21:37
"mas para daqui a 4 ou 5 anos e assim quando chega a data já ninguém se lembra!"

Isso é quando não fica logo estabelecido o valor, se fica nada há a fazer. Em 2009 a subida para 450 euros já era irreversível. Mas os politicos terão tendência para ceder a este tipo de negociação a pensar no curto prazo - estabelecem um aumento num futuro próximo, mas não imediato, conseguindo com isso que no imediato os sindicatos sejam benevolentes para com o governo.
De manuel gouveia a 23 de Março de 2009 às 10:42
Eu proponho um limite para o valor das viaturas atribuídas a administradores e executivos (por exemplo uma redução de 30.000€ em relação ao praticado no último amo)... será também uma proposta realista ou virtual?
De Jorge Assunção a 23 de Março de 2009 às 21:40
Depende. Se refere-se aos administratores executivos de empresas privadas é obviamente uma proposta virtual.
De manuel gouveia a 23 de Março de 2009 às 21:42
Desde que tenham capital do estado ou recebido subsídios ou garantias....
De Jorge Assunção a 23 de Março de 2009 às 21:50
"Desde que tenham capital do estado ou recebido subsídios ou garantias...."

Só compreendo isso nas empresas em que o estado tenha a maior parte do capital ou seja, tão só, o proprietário. Há empresas onde o estado tem capital, mas não tem posição maioritária - nessas os accionistas, sendo o Estado só mais um, devem decidir eles quais as remunerações dos gestores executivos. Na questão dos subsídios, eu proponho o fim dos mesmos. Nas garantias, não faz sentido, porque em último caso levaria a que só as empresas mal geridas tivessem interesse em recorrer às garantias.

As coisas são sempre mais complicada Manuel. Fiquemos, por exemplo, pelas garantias. O Estado dá garantias que estão disponiveis para todos os bancos. Os bancos em maiores dificuldades serão os primeiros a recorrer às garantias e estas, estando disponíveis, têm um beneficio - uma taxa de juro mais baixa no mercado. O banco em dificuldades passa a ter acesso a uma taxa de juro mais baixa no mercado. O banco sem dificuldades passa a estar numa situação de desvantagem para com o banco em dificuldades - porque raio deve o Estado favorecer o banco em dificuldades face ao bem gerido? Não deve. Por isso, de certa forma, o Estado deve permitir que todos os bancos usufruam da garantia.
De manuel gouveia a 24 de Março de 2009 às 10:09
Eu reconheço que é mais simples reduzir os ordenado a quem ganha menos, por exemplo baixar o ordenado mínimo nacional... aí nunca seria uma ingerência do estado na esfera privada.

Eu proponho um imposto de 90% sobre o valor das viaturas atribuídas, para uso pessoal, sem identificação da empresa, a incidir no valor remanescente acima dos 20.000€. E que o valor do leasing ou amortização da viatura seja declarado no IRS de quem a usa. Sem qualquer tipo de excepção .
De Jorge Assunção a 24 de Março de 2009 às 14:04
Manuel,

a existência do salário minimo é uma ingerência do estado na esfera privada. Por mim, o salário minimo não devia existir.
De manuel gouveia a 24 de Março de 2009 às 19:27
Jorge mas tu defendes que os mais desfavorecidos devem ser impunemente explorados por patrões sem escrúpulos, ou defendes que a dignidade humana se sobrepõe à gula do lucro?

O lucro não pode ser o objectivo último da sociedade humana!
De Jorge Assunção a 24 de Março de 2009 às 20:26
Desculpa lá, Manuel, mas que raio de pergunta essa? O que raio tem isso a ver com o debate sobre o salário minimo? Para mim, o salário minimo traz mais maleficios do que beneficios, compreendes isso? E não é uma questão de mais ou menos lucro.
De manuel gouveia a 25 de Março de 2009 às 11:04
Vamos por outra via: os empresários usam infra-estruturas pagas pelo estado, tiram partido do sistema de saúde dos seus funcionários ser pago pelo estado, etc... porque carga de água o estado não lhes deve impor um mínimo de obrigações sociais?
De Jorge Assunção a 25 de Março de 2009 às 13:08
"Vamos por outra via"

Vamos por outra via: porque não somos todos socialistas/comunistas?
De manuel gouveia a 25 de Março de 2009 às 14:11
Não meu caro, o que eu pretendo é que o esforço civilizacional feito pelo estado inclua também os empresários e não seja feito à custa dos mais fracos.
De Jorge Assunção a 25 de Março de 2009 às 22:35
Manuel,

não sei o que é isso dos mais fracos e dos mais fortes. O que sei é isto:

"Cem falências por dia"

http://www.correiomanha.pt/noticia.aspx?contentid=770AD4E2-43B3-4219-BE4D-ABA7EC3C092F&channelid=00000011-0000-0000-0000-000000000011

Os empresários são os que criam empresas que dão postos de trabalho. As tuas ideias só levariam a mais falências e ao desincentivo ao surgimento de novos empresários. O que tu defendes, apesar das boas intenções, teria o efeito de prejudicar os mais "fracos".
De manuel gouveia a 25 de Março de 2009 às 23:32
Olhe que não, olhe que não.
De Livia Borges a 23 de Março de 2009 às 11:44
E eu proponho que o Benfica seja campeão.
Com o Benfica campeão acaba-se a crise e o falatório da crise em Portugal num instantinho!
De Jorge Assunção a 23 de Março de 2009 às 21:42
Ora ai está, o Benfica campeão, esta parece-me uma boa proposta.
De António de Almeida a 23 de Março de 2009 às 12:17
Pelos vistos mil Euros em 2020. Mas, caso Portugal venha a ser auxiliado pela Alemanha para se manter no Euro e escapar à bancarrota, recebendo um bailout pago por contribuintes alemães, até quando existirá política económica portuguesa?
De Jorge Assunção a 23 de Março de 2009 às 21:52
Pois é. E pelo que tenho visto já estivemos mais longe de necessitar de ajuda externa para resolver os nossos problemas. Foi assim com o FMI na década de 80, quando temos uma entidade externa a quem apontar as culpas pelas decisões impopulares torna-se mais fácil fazer o que é preciso.
De Daniel João Santos a 23 de Março de 2009 às 20:53
Dão muito trabalho.
De Jorge Assunção a 23 de Março de 2009 às 21:53
Antes muito trabalho que maus resultados.
De AP a 24 de Março de 2009 às 17:15
"a existência do salário minimo é uma ingerência do estado na esfera privada"
O Neo-liberalismo no seu melhor. Gostava de ver isso na prática (com empresas a pagar 200 ou 300 euros por mês). Que grande incentivo ao consumo...
De Jorge Assunção a 24 de Março de 2009 às 18:33
AP,

Já existe sitios onde isso é prática - a inexistência de salário minimo imposto pelo Estado. E nem por isso acontece o que o AP teme. A Suiça e a Áustria são bons exemplos (os EUA, embora de forma diferente porque têm um salário mínimo para cada hora de trabalho imposto a nível federal, também são um bom exemplo para o caso).

"com empresas a pagar 200 ou 300 euros por mês"

E o trabalhador aceitava? O AP ganha o salário minimo na sua empresa, porquê?

"Que grande incentivo ao consumo..."

Esse é um tema que nada têm a ver com o salário minimo, mas essa insistência no incentivo ao consumo escapa-me. Eu achava que eramos uma sociedade excessivamente consumista e super endividada, pelo que o AP diz o que é preciso é ainda incentivar mais o consumo. Confesso que fico baralhado.
De Jorge Assunção a 24 de Março de 2009 às 18:37
Só mais um aparte:

"O Neo-liberalismo no seu melhor."

Já não bastava o neoliberalismo, agora há o "Neo-liberalismo", com direito a letra capital (obrigado pela importância). AP, é tão só liberalismo, de liberdade como o nome indica. Não há nada de novo em defender a liberdade.
De AP a 25 de Março de 2009 às 06:57
Ok, peço desculpa pelo "Neo", tem razão...
Com o desemprego galopante não tenho dúvidas que haveriam pessoas a sujeitar-se a receber 300 euros por mês. Que outras não aceitassem e as entidades patronais reflectissem sobre isso é outra coisa, mas acha que os nossos patrões reflectem? Acredita mesmo que não conseguissem trabalhadores com esses salários?
Por favor não nos compare com a Áustria ou a Suíça, porque não há medida de comparação possível. Estamos quantos anos atrasados em relação a eles? 30? 40? Para não falar das diferenças culturais e estruturais.
Para não existir a falta de regulação que o Jorge defende, teríamos que ter melhores práticas de gestão, onde se substituísse o valor accionista pelo valor para o cliente, onde em vez de recursos humanos tivéssemos valores humanos, onde o CEO fosse mais um trabalhador em vez de um "Deus", etc... Mintzberg já explicou muitas destas coisas.
De Jorge Assunção a 25 de Março de 2009 às 12:50
AP,

"Com o desemprego galopante não tenho dúvidas que haveriam pessoas a sujeitar-se a receber 300 euros por mês."

Para isso era preciso acabar também com os subsidios que o Estado garante. De resto, se existem pessoas a aceitar trabalhar por 300 euros e patrões dispostos a oferecer isso, o AP consegue imaginar o que isso significa para os niveis de desemprego dessa sociedade a existência de salário minimo nos 450 euros?

"Por favor não nos compare com a Áustria ou a Suíça, porque não há medida de comparação possível. Estamos quantos anos atrasados em relação a eles? 30? 40? Para não falar das diferenças culturais e estruturais."

A primeira coisa que eu não nos comparo é nos níveis de rendimento. Esse é um problema português: queremos ter regulamentações iguais às nórdicas, mas sem termos o nível de rendimento deles. Isso tem sido mortifero para a nossa competitividade.

Outro ponto, nos EUA, sabes quem defende afincadamente a existência de salário minimo mais elevado? A Wal-Mart. Porquê? Porque isso eliminava-lhe a concorrência dos pequenos.

Para além disso, a Suiça e a Áustria são óptimos exemplos, porque a não existência de salário minimo não impediu que em muitos sectores os sindicatos (que lá não são politizados como os de cá) e as associações patronais tenham chegado a acordo sobre valores minimos de pagamento para esses sectores.

Nos EUA os sindicatos também têm um papel importante na definição de remunerações para os seus trabalhadores - lembra-te, por exemplo, da última greve dos argumentistas.

O trabalhador, contrariamente ao que o AP parece pensar, pode numa sociedade, sem recorrer ao poder coercivo do Estado, ter poder para reinvindicar melhores condições às associações patronais. Eu valorizo mais este entendimento na esfera privada, do que um entendimento com o carimbo estatal.

"Mintzberg já explicou muitas destas coisas."´

Confesso que nunca li nada dele.

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