8 comentários:
De Livia Borges a 21 de Março de 2009 às 10:38
Mais uma das noticias que se publicam por ai sem fundamento, para inglês ver. Ou melhor, para acicatar os animos contra a função pública, que é o que se faz neste pais de há uns anos a esta parte.
Repara que a palavra é a "possibilidade de aumento".
Como sempre, os que estão no topo da carreira. E quem são esses, pergunta-te lá.

Posso dar-te tambem uma explicação simplória para o aumento da massa salarial da função pública (para além dos aumentos que têm sido dados, isso não nego): a função pública está envelhecida, muita gente velha que passa mais tempo de baixa e de licença por doença do que a trabalhar. E, ao contrário do que se passa nas contabilidades das empresas privadas, nas Despesas com o Pessoal da função pública entra inclusivé os vencimentos que se pagam aos funcionários, mesmo eles estando de baixa - no privado, esse encargo reflecte-se nas despesas da Segurança Social.
Explicação simplória, repito. E uma delas.
De Jorge Assunção a 21 de Março de 2009 às 11:38
Livia,

"para acicatar os animos contra a função pública, que é o que se faz neste pais de há uns anos a esta parte."

o que acicata os ânimos é o aumento salarial de 2,9% este ano e os sindicatos dos funcionários públicos ainda terem a lata de pedir mais. O problema é que os funcionários públicos enquanto grupo tem um poder negocial que outros não têm - e quando perdem poder de compra queixam-se de forma notada pelos governos e comunicação social, mas quando avaliamos a evolução dos salários de todos os portugueses desde o inicio da década percebemos que em média todos perderam poder de compra (quanto mais não seja pelo aumento dos desempregados). Eu não peço aos funcionários públicos que compreendam isso, pelo que podem manifestar-se à vontade por aumentos salariais, mas contesto que os governantes façam de conta que não percebem isso. De resto, não sou a favor do congelamento dos salários para toda a função pública, porque para quem ganha ordenados miseráveis, acho que aumentos, pelo menos ao nível da inflação, podem ser justificados.

E os 2,9%, como devia ser facilmente percebido, foram garantidos num momento em que a inflação esperada era de 2,5% - pelo que o governo só pretendia atribuir um aumento real de 0,4% (coisa que mesmo assim, já ao tempo eu contestei). Agora, que sabemos que a inflação esperada anda na casa do 1%, a medida ainda é mais injustificada. Dado que estamos em ano eleitoral, é certo que o governo Sócrates não vai voltar com a palavra atrás. Mas, estou certo, arranjará forma de compensar o problema - temo é que não será à custa dos funcionários públicos, mas sim de outros que não têm poder para protestar.

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