Terça-feira, 17 de Março de 2009

Isto não vai ser bonito

“Duvido que o PIB possa não descer pelo menos 3%”

 

Diz Silva Lopes, que não tarda é afastado para a prateleira onde colocam Medina Carreira. Ninguém gosta de pessimistas e pessimismo, mas temo que só faziam bem em prestar atenção ao que dizem.

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publicado por Jorge A. às 13:06
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62 comentários:
De manuel gouveia a 17 de Março de 2009 às 17:55
Só pessimam e deixam o nosso Sócrates sozinho a fazer tudo! Também não é justo!
De Jorge Assunção a 18 de Março de 2009 às 12:15
Manuel,

a inacção dos críticos é uma falsa questão.
De manuel gouveia a 18 de Março de 2009 às 13:10
Desta vez confesso que estava a ser irónico...
De Jorge Assunção a 18 de Março de 2009 às 18:33
Ok. Percebi. :)
De Daniel João Santos a 17 de Março de 2009 às 20:09
os números são aquilo que o leitor interpreta.
De Jorge Assunção a 18 de Março de 2009 às 12:16
No que toca as números em causa, não. Eles estão cheios de razão, os politicos é que ligam aos números errados: os das sondagens e do que cai bem ao povo.
De António de Almeida a 17 de Março de 2009 às 21:16
Com esse número as hipóteses são:
1-Diminui o peso do Estado
2-Aumento de impostos
3-Aumento exponencial da dívida pública

Claro está que se seguirá a hipótese 3, só que as dívidas têm de ser pagas, adivinhem como e por quem?
De Jorge Assunção a 18 de Março de 2009 às 12:18
Correcto António, mas há outra questão que se levanta à priori, com esse números o aumento do desemprego ou a diminuição dos salários vai ser uma realidade. Esconder isso é não perceber o essencial.
De manuel gouveia a 18 de Março de 2009 às 10:00
Felizmente Silva Lopes tem a solução: baixar os ordenados (dos outros, bem entendido)!
De Jorge Assunção a 18 de Março de 2009 às 12:20
Silva Lopes, tal como Vitor Bento e qualquer economista que perceba minimamento do assunto, diz outra coisa: não se baixe os salários e o desemprego dispara porque os custos laborais são insustentáveis. Desde o inicio da década que temos este problema, na altura ninguém teve a coragem de tomar as decisões que se impunham, mas o que não vai a bem, vai a mal, sendo que o adiar do problema só aumentam os custos no futuro da adaptação à realidade com que temos de viver.
De manuel gouveia a 18 de Março de 2009 às 13:08
Deve haver aqui uma pequena confusão. O Belmiro vende nos supermercados espanhóis artigos ao mesmo preço que em Portugal e paga o dobro aos seus funcionários... e que eu saiba não perde dinheiro!
De Jorge Assunção a 18 de Março de 2009 às 13:42
Manuel,

"O Belmiro vende nos supermercados espanhóis artigos ao mesmo preço que em Portugal e paga o dobro aos seus funcionários..."

Alguns pontos sobre o assunto:
1. o preço dos bens não é definido pelos custos de produção.
2. os custos salariais não são o único custo, nem sequer o mais importante, num negócio como o dos supermercados.
3. o preço dos bens nos supermercados espanhóis, em média, é superior aos portugueses. Mas como ressalva do meu ponto número 1, isso nem sequer é muito importante para o caso.

"e que eu saiba não perde dinheiro!"

Já agora uma pergunta: o Manuel, por essa lógica, acha que a rentabilidade da Sonae distribuição em Espanha é metade da de Portugal? Se não, porquê?
De manuel gouveia a 18 de Março de 2009 às 14:01
Devolvo a pergunta de outra forma, porque é que então não paga o Belmiro melhores salários em Portugal?
De Jorge Assunção a 18 de Março de 2009 às 18:57
Porque havia o Belmiro de pagar mais se as pessoas aceitam trabalhar por aquele valor? Solidariedade social?

Para mais, em Portugal os salários são baixos porque a produtividade é baixa e produzimos poucos produtos de grande valor acrescentado. Pior que isso, o tipico problema crónico português, andamos a viver à custa do que outros produzem no exterior sem que no exterior consumam igual quantidade de produtos produzidos em Portugal. É como se costuma dizer, queremos viver acima das nossas possibilidades.
De manuel gouveia a 18 de Março de 2009 às 20:32
A produtividade do caixa português é o dobro do caixa espanhol, porque os produtos em Espanha são tendencialmente mais baratos e o caixa espanhol ganha o dobro. A baixa produtividade do português é um problema de má gestão. As empresas geridas por estrangeiros, Auto-europa, atingem produtividades elevadas. E o que se vê é aumentarem o ordenado dos gestores em detrimento dos trabalhadores!
De Jorge Assunção a 18 de Março de 2009 às 20:38
"As empresas geridas por estrangeiros, Auto-europa, atingem produtividades elevadas."

A auto-europa produz um bem de valor acrescentado. Mas será interessante perceber porquê que o empresário português não tem os mesmos beneficios da parte do Estado que são dados à auto-europa.
De manuel gouveia a 18 de Março de 2009 às 20:56
A produtividade do português lá fora também é de alta produtividade... pergunto-me porque exportamos mais trabalhadores do que gestores?
De Jorge Assunção a 18 de Março de 2009 às 21:01
"A produtividade do português lá fora também é de alta produtividade..."

E? Também existem empresários portugueses em França e nos EUA a ganharem mais do que alguma vez ganhariam em Portugal na área de negócios em que trabalham. E daí?

"pergunto-me porque exportamos mais trabalhadores do que gestores?"

Não sei se não exportamos gestores. Conheço alguns que foram para Inglaterra e para Espanha e Angola então não se fala.
De manuel gouveia a 18 de Março de 2009 às 21:05
Pratiquemos salários de miséria para os trabalhadores e compensemos os gestores que vêm nisso a solução!

Curiosamente em França Sarkosy negoceia com a restauração a subida dos ordenados...
De Jorge Assunção a 18 de Março de 2009 às 21:20
"Pratiquemos salários de miséria para os trabalhadores e compensemos os gestores que vêm nisso a solução!"

Como a Sonae é exemplo perfeito, nas empresas de sucesso portuguesas não é isso que se verifica.

"Curiosamente em França Sarkosy negoceia com a restauração a subida dos ordenados..."

Só faltava o exemplo francês. Se é para exemplos vá buscar os nórdicos, que sempre têm um nível de vida como deve ser. Mas tenha atenção à cultura do povo nórdico comparada com a cultura do povo português.
De manuel gouveia a 18 de Março de 2009 às 22:57
Bem, concedo que a falta de cultura torna os povos mais tolerantes com a exploração do homem pelo homem... curiosamente no exemplo nórdico não existe uma decalagem tão grande entre os ordenados.
De Jorge Assunção a 18 de Março de 2009 às 23:16
"a exploração do homem pelo homem"

caro Manuel, vejo em sí um potencial Jerónimo de Sousa. :)

"curiosamente no exemplo nórdico não existe uma decalagem tão grande entre os ordenados."

Pois não, mas têm coisinhas boas como a Nokia. Conhece alguma empresa que dê melhores condições aos seus trabalhadores do que, por exemplo, uma Google ou uma Microsoft? Ou a japonesa Sony? O que têm estas empresas em comum? O valor acrescentado dos seus produtos. Sobre a decalagem de ordenados, tem razão, mas o grau de qualificação da maioria dos suecos também é muito maior do que a dos portugueses e isso tende a originar as desigualdades da nossa sociedade.
De manuel gouveia a 19 de Março de 2009 às 09:57
Os exemplos que aponta são ideias brilhantes de empresários empreendedores, que inovaram e criaram produtos de grande valor incorporado. É isso que permite aos seus funcionários ter uma alta produtividade. O foco está no lado do patrão.

A outra opção, são produtos baseados na exploração da mão de obra barata.
De Jorge Assunção a 19 de Março de 2009 às 13:21
"O foco está no lado do patrão."

Não. O empreendedor teve condições para criar essas empresas nos países em questão. Em Portugal não tem as mesmas condições. O foco está no lado organizacional da sociedade.
De manuel gouveia a 19 de Março de 2009 às 13:52
A Chip Idea refuta esta sua argumentação, ou então podemos considerá-la como a (das poucas) excepções que confirmam a regra...
De Jorge Assunção a 19 de Março de 2009 às 14:12
Como é que refuta a minha argumentação? O Manuel não pode ficar-se por um único caso concreto. Também na Suécia, nos EUA ou no Japão existem empresas a trabalhar com mão-de-obra barata. Para além do mais, a ChipIdea foi vendida a americanos.
De manuel gouveia a 19 de Março de 2009 às 14:19
Poderia acrescentar o FLIP e tantas outras...

A mão-de-obra barata na Suécia, fazia-nos corar a todos. O que não existe na Suécia é gestores a ganharem 10 vezes mais que o ordenado médio praticado na empresa...
De Jorge Assunção a 19 de Março de 2009 às 14:24
Estás a falar de empresas que actuam em nichos de mercado. Diz-me uma da dimensão da Nokia?

"A mão-de-obra barata na Suécia, fazia-nos corar a todos."

Pois, fazia-nos. Mas a Suécia pode pagar salários altos a trabalhadores não qualificados porque a produção de bens de valor acrescentado é elevada.
De manuel gouveia a 19 de Março de 2009 às 14:29
Já agora, porque não pagam salários mais baixos? Ficariam ainda mais ricos... ou talvez não. Ou talvez a Suécia seja rica exactamente porque paga esses salários e criou condições para os sustentar.

A redução dos bónus pagos aos gestores portugueses permitiria subir os salários mais baixos, como explico no 2711, sem encargos para as empresas.
De Jorge A. a 19 de Março de 2009 às 14:35
"Já agora, porque não pagam salários mais baixos?"

Porque o primeiro a querer pagar mais baixo não arranjava ninguém para trabalhar.

"Ou talvez a Suécia seja rica exactamente porque paga esses salários e criou condições para os sustentar."

Criou condições para os sustentar, certamente. De resto, o Manuel continua a querer cair no mesmo erro, o de que o aumento dos salários se sustenta a si próprio.
De Jorge Assunção a 19 de Março de 2009 às 14:39
Se quer pagar bem, primeiro produza. A Suécia paga bem porque produz (o que o Manuel quer me dizer é que a Suécia produz porque paga bem - essa discussão já tive ontem com o Joshua).
De manuel gouveia a 19 de Março de 2009 às 14:49
Sustenta-se, basta para isso reduzir em 10 % os salários dos exeutivos de topo, para que os restantes trabalhadores sejam aumentados e a empresa reduza os seus encargos...
De Jorge Assunção a 18 de Março de 2009 às 13:49
Mais outros pontos:

1. a Espanha tem, neste momento, o mesmo problema que Portugal: custos unitários laborais demasiado elevados.
2. a Sonae Distribuição não actua na melhor actividade de negócio para discutir este assunto. Mas nas indústrias exportadoras, este problema é muito acentuado e notado, com graves custos para a economia nacional que não é competitiva face ao exterior.
De manuel gouveia a 18 de Março de 2009 às 14:04
E quem compra os carros, os electrodomésticos , as casas, quando 95% da população activa ganhar 200€ mês? Aí pelo menos e seguramente seriamos competitivos...
De António de Almeida a 18 de Março de 2009 às 14:15
A rentabilidade da SONAE distribuição é obtida mediante as margens de comercialização (à custa do esmagamento de preços na produção), prazos de pagamento e condições comerciais que obtém junto dos fornecedores, por sinal a conjectura neste momento até os favorece. O mesmo não acontecerá certamente com os grandes grupos ligados à produção, que até podem diminuir receitas mesmo que o consumo aumente, o que é duplamente trágico, porque aumentam também os custos de produção/fabrico.
De manuel gouveia a 18 de Março de 2009 às 14:39
António eu não contesto isso, mas então porque é que não paga em Portugal melhores salários?
De António de Almeida a 18 de Março de 2009 às 18:46
mas então porque é que não paga em Portugal melhores salários?


-Desconheço quanto pagará a Sonae em Portugal, mas será certamente o necessário para contratar os trabalhadores que necessita, e candidatos não faltam, mas também não vemos muitos a sairem, até por ser uma das empresas que possibilita progredir na carreira, também não os ouvimos metidos em protestos laborais ou outros, é um sinal que não será das piores, mas não quero falar muito do que não sei.
De joshua a 18 de Março de 2009 às 19:47
António, em empresas sólidas e bem geridas. como a Sonae, não se pagam melhores salários porque o oportunismo empresarial português é uma cultura.

As margens de lucro são de ano para ano recordistas, mas o empobrecimento da classe média também, o que, por simples e despreconceituosa intuição, nos permite antecipar que uma economia assente em baixos salários não tem nenhum efeito chinês: resulta em emigração, desmoralização laboral, enfraquecimento aquisitivo generalizado. A ganância, quando é cega, conjuntural e cultural da parte de um empresariado geneticamente ligado ao nosso antigo pessoal negreiro e esclavagista, é garantia fatal para o próprio colapso da sua árvore das patacas.

Outra visão têm muitos empresários espanhóis que estabelecem as suas indústrias aqui e praticam salários exactamente ao nível dos de Espanha e poderia dar um belíssimo exemplo. E por que o fazem? Porque não são burros, não pensam exclusivamente no lucro, mas na sustentabilidade a longo prazo e nos efeitos sociais do que pagam; porque não são socialmente irresponsáveis e muito hipócritas. Esses conjugam um liberalismo empreendedor e estado-independente com aquele traço cultural que é a chamada sensibilidade social.

Nesta matéria, defendo que os posicionamentos de Vítor Bento escamoteiam o lado imediato que deveria estar já (há pelo menos dez anos) a ganhar 40 por cento menos: gestores da Galp, gestores da CGD, gestores em geral. Em Portugal, gado comestível e regurgitável, os Vítor Bentos querem vender a sua versão da realidade e manter a falácia.

Pensem: Portugal anda a divergir da Europa há dez anos, apesar dos baixos salários. Não nos fodam. Portugal anda a divergir da Europa há dez anos, apesar dos baixos salários. Não nos fodam.Portugal anda a divergir da Europa há dez anos, apesar dos baixos salários. Não nos fodam.Portugal anda a divergir da Europa há dez anos, apesar dos baixos salários. Não nos fodam.Portugal anda a divergir da Europa há dez anos, apesar dos baixos salários. Não nos fodam.Portugal anda a divergir da Europa há dez anos, apesar dos baixos salários. Não nos fodam.Portugal anda a divergir da Europa há dez anos, apesar dos baixos salários. Não nos fodam.Portugal anda a divergir da Europa há dez anos, apesar dos baixos salários. Não nos fodam.Portugal anda a divergir da Europa há dez anos, apesar dos baixos salários. Não nos fodam.
De Jorge Assunção a 18 de Março de 2009 às 20:12
"em empresas sólidas e bem geridas. como a Sonae, não se pagam melhores salários porque o oportunismo empresarial português é uma cultura."

Primeiro, em empresas como a Sonae dão-se melhores condições salariais que noutras empresas do sector. E se não pagam mais é para serem competitivas. Tendo em conta aquilo que se propõem a fazer agora: aumentar os salários só dos pior remunerados e ainda comprometem-se a empregar mais gente, dúvido que a Sonae seja um bom exemplo para falar dos problemas do empresário típico português. Bem pelo contrário, a Sonae é o exemplo que todo o empresário português deveria querer seguir.

"Portugal anda a divergir da Europa há dez anos, apesar dos baixos salários."

Porque no inicio da década ficou visivel que parte da subida dos salários até então era insustentável e não baseada na realidade produtiva portuguesa. Desde então temos vindo a adaptar-nos aos poucos porque falta coragem politica para fazer o que é preciso.
De manuel gouveia a 18 de Março de 2009 às 20:16
Referi o Belmiro apenas para ilustrar a minha linha de pensamento, não referi o Berardo porque esse pura e simplesmente não gera riqueza para o país dando emprego a outros!
De Jorge Assunção a 18 de Março de 2009 às 18:47
Não se paga mais em Portugal porque não se produz o suficiente para garantir outros salários.
De Jorge Assunção a 18 de Março de 2009 às 18:45
Manuel,

Não percebo o que quer dizer.
De manuel gouveia a 18 de Março de 2009 às 20:12
Se a esmagadora maioria da população activa ganhar uma miséria,a economia retrai!
De Jorge Assunção a 18 de Março de 2009 às 20:31
Não, é o contrário: se a economia retrai, parte da população activa tem de ganhar menos (ou aumenta o desemprego). O ciclo é o inverso. E o problema português foi que durante o período do Guterres a nossa economia expandiu, com consequente aumento do nível salarial, mas como se veio a constatar era uma ilusão. Quando confrontados com a ilusão, tinhamos de recuar no nível de alguma forma.
De manuel gouveia a 18 de Março de 2009 às 20:35
Não subam-se os salário mais baixos e cortem-se nas regalias dos gestores e nos salários destes!

Os pobres não são os que geram as crises, apenas sofrem com elas!
De Jorge Assunção a 18 de Março de 2009 às 20:40
"Não subam-se os salário mais baixos e cortem-se nas regalias dos gestores e nos salários destes!"

Mas o que é isso de subir os salários mais baixos? Quer definir salários por via administrativa? Já não basta a existência de um salário minimo? De resto, se acha que isso é um modelo de negócio sustentado, porque acha que nenhum empresário pegou ainda nessa ideia?
De manuel gouveia a 18 de Março de 2009 às 20:59
Para já porque os empresários são aconselhados por gestores, que percebem que têm mais ganhos explorando a mão de obra do que inovando, mais seguro e mais fácil!

Depois, porque é que em Espanha o salário mínimo é o dobro do português?
De Jorge Assunção a 18 de Março de 2009 às 21:14
"percebem que têm mais ganhos explorando a mão de obra do que inovando, mais seguro e mais fácil!"

Falta o Manuel para dar conselhos aos empresários como devem gerir as suas empresas. Melhor ainda, se acha que em Portugal os empresário gerem mal as empresas, sempre pode criar uma. Vai ver que no meio de tanto gestor com maus conselhos vai ser fácil triunfar.

"Depois, porque é que em Espanha o salário mínimo é o dobro do português?"

Mas o Manuel só conhece Espanha? Porquê que o salário minimo português é maior que o do Brasil? Porquê que o salário médio português é muito menor que o salário médio de países onde nem existe salário mínimo? Espanha produz mais e melhor que Portugal, logo ganham mais. O salário minimo depois é um artificio politico, que apesar de tudo é sempre fixado tendo em conta os salários praticados no países em causa, sob pena de ter efeito altamente negativo.
De manuel gouveia a 18 de Março de 2009 às 22:55
Bem aí concedo que se compararmos Portugal com o Brasil, Angola e mesmo o Burkina Faso esatremos mais em pé de igualdade...
De Jorge Assunção a 18 de Março de 2009 às 23:00
Hehe... bem, o Burkina Faso não conheço, mas Angola e o Brasil não tarda e a continuar assim ainda batem-nos no nível de vida.
De manuel gouveia a 18 de Março de 2009 às 23:14
Estivemos de acordo? Pelo menos na ironia? Bem, sendo assim vou-me deitar, até amanhã, talvez com outro tema. Lá no 2711 não faltam (também) boas sugestões.
De Jorge Assunção a 18 de Março de 2009 às 23:20
Digamos que sim. Entretanto, acho que podemos concordar em discordar... ;)

PS: sobre o 2711, bem sei que não faltam boas sugestões, vou tentar comentar mais vezes (bem sei que comento pouco), mas leitor diário já sou desde o primeiro dia. :)
De manuel gouveia a 19 de Março de 2009 às 09:58
Ora bem, também só conseguíamos alimentar uma discussão destas de cada vez...
De joshua a 18 de Março de 2009 às 19:32
Eu também gostaria de ver respondida essa questão. Infelizmente, há muitos que ainda não compreenderam que a nossa produtividade é baixa porque é baixíssima a nossa capacidade aquisitiva. Produzir para quem se não é ampla a base populacional com músculo consumidor?
De Jorge A. a 18 de Março de 2009 às 19:41
Isso é uma falácia. Para não me ficar por mais, segundo essa teoria estaria encontrada a solução para todos os males da economia nacional - os aumentos salariais aumentariam a produtividade e voilá, tudo resolvido (já agora qual era o limite?). Quem lhe garante Joshua que aumentando os salários dos trabalhadores nacionais estes gastam o dinheiro em bens nacionais? Não gastando em bens nacionais, o que lhe garante que as empresas aumentam a produção? Pelo contrário, no que toca às exportações ainda ficavam menos competitivas e fechavam portas.

"Produzir para quem se não é ampla a base populacional com músculo consumidor?"

É por isso que é preciso produzir para o exterior. Mas parece que não somos competitivos...
De joshua a 18 de Março de 2009 às 20:06
Meu caro Jorge A, essa dúvida metódica sobre o que compraria o português (nacional ou estrangeiro) tem sido respondida pela cultura dominante: tem comprado estrangeiro, emigrando, e tem comprado o produto espanhol que por cá chega em dumpping, cujos custos de produção do lado laboral têm sido o que sabemos.

Psicologicamente, o empresariado terá de reposicionar-se e questionar-se sobre se gostará de ver deprimidas as suas vendas em geral por trazer deprimidos aqueles que lhe geram e possibilitam a riqueza e aos quais porém ele paga o mínimo segundo o espírito preventivo que evita, pensa, gastos em artigo importado.

De resto, o Estado tem feito tudo ao contrário.
De Jorge Assunção a 18 de Março de 2009 às 20:22
Joshua,

"Psicologicamente, o empresariado terá de reposicionar-se e questionar-se"

Isso de falar do empresariado português é fácil. Torne-se então empresário e tenta sobreviver com tudo o que o Estado lhe impõe: salário minimo, impostos, mercado laboral inflexível, etc...

Quanto ao resto já lhe disse que está errado: o ciclo não é aumento dos salários -> aumento da produtividade. É o inverso: aumento da produtividade -> aumento dos salários. Acho que é fácil perceber que fosse como você diz e tinhamos encontrado a fórmula mágica.
De Jorge Assunção a 18 de Março de 2009 às 20:27
Joshua,

só mais um ponto: se quer culpar o empresário culpe-o por não encontrar formas de aumentar a produtividade, não o culpe por não aumentar os salários. Repare que a remuneração dos trabalhadores até pode ser o incentivo ao aumento da produtividade (bónus associados a objectivos de vendas, etc...), mas a chave está sempre na produtividade e não no salário.
De joshua a 18 de Março de 2009 às 20:41
Se o dizes, Jorge, parece que devo tomá-lo como lei. Mas não tomo. A competitividade dos outros países passa também por ser aliciante no que paga e na inteligência com que se promove e faz vender. É conhecido o assédio aos melhores e mais promissores profissionais, alunos universitários, pelas empresas, como cultura dominante nos Estados Unidos, assediados aos quais se paga bem, antes que a concorrência os arrebate. Por que motivo se antecipa a SONAE ao Estado nos sinais dados com o congelamento dos vencimentos dos gestores? Será suficiente congelá-los? Não urgirá reduzi-los.

A fórmula mágica dos outros deveria ser a nossa. A nossa fórmula mágica, segundo o que preconizas, de mágica nada tem e os resultados da divergência com a UE estão á vista. O compadrio de Estado permite que haja altos gestores a mais ganhando de mais na Galp e metidos em sinecuras na Galp por compadrio. Tem-se falado há dois anos do fosso abissal entre os melhor pagos e os pior pagos.

Governo e Galp aos costumes disseram nada. A produtividade tem sido, quanto a mim, o bordão de conveniência para a cultura miserável e miserabilizante que é praticada cá pelo empresariado que eu conheço e de que posso falar como amostra da cultura negreira dominante em Portugal. Pontualmente, lá surgem algumas empresas com uma mentalidade mais arejada e menos pestífera: a peste consiste em explorar os trabalhadores, fugir ao fisco com a compra de Mercedes, fechar a empresa por insolvência, vender a maquinaria. Abrir negócio noutro lugar e assim sucessivamente. Claro que com trezentos inspectores do trabalho estas e outras como estas sempre ficaram na penumbra.

O tempo provará que haveria um outro caminho antes do derradeiro colapso: remunerar bem, respeitar o que trabalha, socializar o lucro, evitar as aventuras especulativas.
De Jorge Assunção a 18 de Março de 2009 às 20:55
"É conhecido o assédio aos melhores e mais promissores profissionais, alunos universitários, pelas empresas, como cultura dominante nos Estados Unidos, assediados aos quais se paga bem, antes que a concorrência os arrebate."

Nos EUA paga-se bem aos melhores, paga-se mal aos quadros inferiores - o mercado para trabalhadores qualificados é muito diferente do mercado de trabalhadores não qualificados. É isso que o Joshua defende para Portugal? É que da conversa que temos tido dúvido que defenda o modelo americano para Portugal.

"A nossa fórmula mágica, segundo o que preconizas"

Eu não acredito em fórmulas mágicas. Mas como o Joshua depreende, aumentar os salários não tem mistério nenhum, aumentar a produtividade tem. É por isso que as coisas não são simples. Se o ciclo funcionasse como o Joshua disse estava encontrada a resposta para todos os problemas.

"nada tem e os resultados da divergência com a UE estão á vista"

A nossa divergência com a UE é porque no inicio da década ficou claro que não éramos competitivos. Aumentar os salários não nos torna mais competitivos de certeza.

"a peste consiste em explorar os trabalhadores, fugir ao fisco com a compra de Mercedes, fechar a empresa por insolvência, vender a maquinaria."

Só discordo do Joshua num ponto: a cultura do empresário português deriva da cultura do próprio povo, da mesma forma que os maus politicos que temos não são mais do que um reflexo do povo. E depois é um problema da forma como está organizada a sociedade, com meio mundo a viver à custa do Estado e o outro meio mundo a sustentá-los.

"O tempo provará que haveria um outro caminho antes do derradeiro colapso: remunerar bem, respeitar o que trabalha, socializar o lucro, evitar as aventuras especulativas."

O tempo provará que o caminho que escolhemos está errado - como é exemplo o aumento do salário minimo e dos salários da função pública nos tempos que correm por este governo. Sobre o caminho certo a seguir, gostava de saber como é que o Joshua se propõe a alcançar o seu caminho.
De António de Almeida a 18 de Março de 2009 às 23:59
Só agora aqui cheguei e este post está interessantíssimo.

-Caros Joshua e Manuel

O problema do nosso país é querermos sol na eira e chuva no nabal .
-Para começarmos ninguém quer pagar impostos, (para quem duvida não precisam de responder, mas pensem bem se na hora de chamar o canalizador ou electricista lá a casa querem com factura, ou sem factura, sabendo que na 1ª hipótese pagam IVA, na 2ª não).
-Em 2º lugar vamos aos vencimentos, de facto estamos abaixo da média europeia, mas não tanto quanto me querem fazer crer, ou julgam que todos os países pagam 14 meses de ordenado? É que na realidade o salário mínimo nacional ultrapassa em Portugal os 500 Euros mensais, e tal equação raramente é referida.
-Como o Jorge A. bem apontou a ordem é produtividade - salários, e não o inverso, imagine o caro Joshua , sei que é professor, resolve iniciar uma empresa para dar explicações a alunos com dificuldade na aprendizagem, pretende pagar uma remuneração justa aos seus colaboradores, mas alguns dos seus clientes (alunos, se preferir) não lhe pagam, ou fazem-no tarde e a más horas, o Estado não lhe perdoa a TSU sobre o vencimento que paga, mais o IVA sobre o que factura mas não recebe. Como pretenderá o meu caro honrar os seus compromissos? Mas falemos em produtividade, saiba que se contratar uns colegas para o ajudarem nas explicações, terá de lhes assegurar o vencimento durante as férias do Natal, mais a pausa Carnavalesca, férias da Páscoa, férias de Verão, feriados, sabe quem terá de pagar todos esses custos? Se respondeu o aluno, acertou, mas dificilmente conseguirá fazê-lo e continuar a funcionar, mas o Estado não lhe perdoará um cêntimo, e se pretender contratar professores a recibo verde para pagar as horas que efectivamente necessita, espero que não tenha a infelicidade de lhe aparecer à frente a inspecção de trabalho, o melhor mesmo é funcionar em casa de forma clandestina, e lá se vai a produtividade do país, mas talvez lhe sobre algum para o Mercedes de que falou ao Jorge A.
-Mais, além da TSU , IRC ou IRS, PEC , não se esqueça de contabilizar os gastos com higiene e segurança no trabalho, formação profissional, seguros obrigatórios, medicina no trabalho, e não sei se me esqueci de algo mais.
-Não pretendo passar um atestado a todos os empresários, há competentes e incompetentes, certamente que existe quem não saiba dirigir empresas, já vi por teimosia alguns perderem empregados que valiam muito para além do ordenado e depois falirem, os bons safam-se sempre, não falta quem os queira, principalmente nos sectores onde o Estado não existe, restauração por exemplo, algum bom empregado de mesa ou cozinheiro sabe o que é desemprego? O problema é quando nos metemos com salários mínimos, contratação colectiva, sindicatos e afins...
De Jorge Assunção a 19 de Março de 2009 às 13:28
António, concordo em boa parte com o que diz. O que temos é um problema muito vasto de má organização da sociedade.

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