Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2009

Na Terra dos Cangurus IX

 

Há uns tempos que estou para escrever este post, porque no ténis as vitória de uns são alicerçadas nas derrotas de outros e pouco ser é mais representante do grupo de derrotados que Andy Roddick. Não que ele seja o que mais perde, longe disso, quem dera muita gente ter no bolso um grand slam como Roddick tem ou chegar às fases finais das grandes competições regularmente como ele chega - afinal de contas estamos a falar de um tipo que a par de Federer apresenta a maior duração de anos no top 10 mundial a cada fim de ano. Mas entre os derrotados, Roddick é o que mais sobressai, e assim é porque toda a sua mediocridade fica revelada perante o parcial negativo de 2 jogos ganhos para 16 perdidos que tem contra Federer. Podia aqui falar no suor do esforço que corre da cara de Roddick a cada humilhação que leva do relógio suiço, sem que em Federer sobressaia a mais pequena pinga de esforço e tudo aparente uma calma natural só ao alcance dos deuses do Olimpo, mas não é só o suor ou falta deste que torna os confrontos entre ambos memoráveis.

 

Memoráveis aqui, entenda-se, do meu ponto de vista, porque a história não tardará em fazer esquecer quem era o opositor de Federer. Mas é ao esquecimento a que Roddick será relegado pela história que está o molho da questão. É que nunca, em momento algum, um jogador como Roddick seria completamente eclipsado como o tem sido nos últimos cinco anos. Foram três finais (duas em Wimbledon e uma no US Open), duas semi-finais (ambas no Australian Open) e uns quartos-de-final (US Open) em que o carrasco teve o mesmo nome. E perante a dureza destes factos, é incompreensível como Roddick ainda não se enfiou num buraco e desapareceu. Pelo contrário, insiste em esforçar-se cada vez mais no campo, sabendo de antemão que quando chega a altura, é massacre que o espera.

 

Recorda-me a obra prima de Milos Forman, Amadeus. Salieri sempre foi um compositor dotado, mas perante o génio de Mozart, até ele foi reduzido à sua mediocridade. Não há melhor analogia para descrever a relação de Federer com Roddick do que a relação entre Mozart e Salieri.

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publicado por Jorge A. às 14:19
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