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Despertar da Mente

"Democracy and socialism have nothing in common but one word, equality. But notice the difference: while democracy seeks equality in liberty, socialism seeks equality in restraint and servitude." Alexis de Tocqueville

"Democracy and socialism have nothing in common but one word, equality. But notice the difference: while democracy seeks equality in liberty, socialism seeks equality in restraint and servitude." Alexis de Tocqueville

Despertar da Mente

03
Jan09

Sobre o Hamas

Jorge A.

Diz Charles Krauthammer:

Since its raison d'etre is the eradication of Israel, there are only two possible outcomes: the defeat of Hamas or the extinction of Israel.

Claro que o problema que se coloca aqui é que a politica dos últimos anos levada a cabo para o conflito israelo-palestiniano originou que mais palestinianos tenham adoptado a razão da existência do Hamas como o caminho certo (e aqui a culpa reparte-se por todas as entidades envolvidas no processo, desde os israeltias aos palestinianos, passando pelos intermediários no processo de onde os Estados Unidos se destacam). O Movimento de Resistência Islâmico (Hamas), com origem em 1987, distinguiu-se na década de noventa pelos atentados de bombistas suicidas que levou a cabo, mas na altura era algo marginal na sociedade palestiniana, que via em Yasser Arafat e na Fatah o seu máximo representante. Com a morte de Arafat abriu-se um vazio na liderança do povo palestiniano e antes que a liderança de Mahmoud Abbas consolidasse a sua posição, a adopção de eleições foi forçada pelo ocidente (sempre na sua ânsia de espalhar a democracia). Se no inicio o Hamas afastou-se do processo democrático, pouco depois percebeu o potencial que daí adivinha. O ocidente é que desvalorizou o potencial de mobilização do Hamas e o descrédito da Fatah junto do povo palestiniano. A vitória do Hamas nas eleições parlamentares palestinianas, por larga maioria, caiu assim que nem uma bomba no processo de paz que se ambicionava facilitado com a morte de Arafat. Depois, tipico dos politicos com grandes ideias que vêem os resultados falhar, a importância da democracia para o ocidente sofreu um retrocesso, e a politica para a região forçou a todo o custo a queda do governo eleito do Hamas e a promoção da Fatah, numa escolha curiosa pelo menor de dois males - a Fatah aproveitou, e tipico da organização não democrática que sempre foi (tal como o Hamas), reconquistou o poder de forma forçada na Cisjordânia, relegando o dominio da faixa de Gaza ao Hamas (uma divisão de poder que teve custo penoso no número de vidas humanas perdidas).

 

Chegados a este ponto, o argumento de Krauthammer que cito em cima é, no minimo, preocupante. E é preocupante porque percebendo a lógica subjacente ao mesmo, temo as consequências do que se entende por derrota do Hamas. E o problema está tanto no entendimento do que é e como se atinge propriamente a derrota, como no que se entende por Hamas. O Hamas hoje, no seu todo, não me parece que seja só um conjunto de maluquinhos fanáticos que pretende a extinção do povo de Israel, a não ser que se entenda por conjunto de maluquinhos a maioria do povo palestiniano que, relembro, votou maioritariamente nestes (e que suspeito não têm pesadelos com a extinção dos israelitas da face da terra, de tão extremadas que estão as posições).

 

Aceitemos então que o Hamas é tanto representado pelos seus lideres como pelos seus apoiantes, como pode ser derrotado? Numa guerra militar? Dúvido, a não ser que a guerra tenha como objectivo o exterminio do povo palestiniano, o que não é minimamente aceitável. Claro que percebo a resposta actual israelita (e até certo grau concordo com ela), mas estou absolutamente convencido que não é solução final para o conflito e, paradoxalmente, poderá ter o efeito temporário de aumentar o número de apoiantes do Hamas. A derrota do Hamas terá de passar assim por uma batalha pela consciência do povo palestiniano, pela diminuição do extremismo vigente na sua sociedade e entre os seus lideres, factor endémico aquele povo em toda a história do conflito israelo-palestiniano e que, com o passar do tempo, naturalmente também foi contagiando o povo israelita.

 

Mas temo que nos últimos anos a única coisa conquistada por aquelas bandas foi um aumento da agressividade e desconfiança entre os dois povos, para não falar num novo foco de rivalidade entre o próprio povo palestiniano na luta pelo poder entre o Hamas e a Fatah. Se me perguntarem como é que se luta pela consciência de um povo tão obviamente cegado pelo ódio, não tenho resposta. Sei é o que não é solução (o exterminio de um ou de outro povo) e sei também que o equilibrio actual na região é insustentável. E pelo andar das coisas dificilmente se relegará tão cedo o Hamas para uma posição marginal na região, por isso, tanto quanto andar preocupado em derrotar definitivamente o Hamas, o caminho que deve ser trilhado é também o da tentativa de utilização do processo politico para alterar a razão de ser deste - sem que isso implique, obviamente, colocar de parte intervenções militares israelitas para corrigir os desvios fundamentalistas dos palestinianos mais extremistas.

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