Sexta-feira, 2 de Janeiro de 2009

Noticias Não Relacionadas

Gazprom recorre a ajuda do Kremlin

O gigante russo do gás natural, Gazprom, está a negociar com o Governo uma ajuda de 5,5 mil milhões de dólares, garante o diário New York Times [aqui], na sua edição de hoje. Ao contrário das declarações públicas dos seus dirigentes a garantirem que a empresa está a passar ao lado da crise financeira, o jornal norte-americano dá conta das dificuldades da companhia que se transformou num estratégico braço económico do Kremlin.

Gazprom acusa Ucrânia de roubar gás destinado aos países da UE 

A russa Gazprom acusou hoje a Ucrânia de estar a “roubar” gás natural que transita pelo país com destino aos clientes da União Europeia – uma acusação que foi imediatamente desmentida por Kiev. A UE diz que, até ao momento, não detectou qualquer diminuição no volume de abastecimento. [...] A Gazprom cortou ontem o abastecimento de gás à Ucrânia, por falta de acordo quanto ao pagamento de juros de mora relativos às entregas dos últimos meses de 2008 e quanto ao preço por tonelada cúbica de gás para este ano.

A Gazprom, que faz parte do braço económico do poder politico russo, é exemplo concreto da Rússia no seu pior e do trágico retorno russo a práticas soviéticas. Claro que, sendo a actuação da empresa muitas vezes motivada por interesses politicos e não empresariais, não é de estranhar a existência de problemas de gestão na mesma, a que o Kremlin não deixará de responder (quer com ajuda financeira, quer com distracções politicas para desviar a atenção do essencial). Pena é que parte da Europa tenha hipotecado alguma da sua margem negocial com cedências consecutivas aos interesses russos, originando uma dependência excessiva em relação ao seu gás natural. Cedências essas que, espelhadas nos governos alemães de Gerhard Schroder (que detém neste momento cargo de alto relevo na Gazprom), foram também elas motivadas por interesses politicos (e pessoais) e não nas práticas da boa gestão. O actual preço das matérias energéticas constitui um entrave às pretensões internacionais da Rússia (bem como do Irão ou da Venezuela), mas só os russos, por clara inépcia europeia, mantém neste momento mecanismos para exercerem pressão sobre a comunidade internacional e, é certo, não serão brandos a demonstrarem-no.

publicado por Jorge A. às 17:37
link | comentar
4 comentários:
De Salgueirista a 2 de Janeiro de 2009
Apesar de não estar a gostar muito da atitude dos russos ultimamente, essa história dos ucranianos andarem a atrofiar-lhes o gas não é nova.
Mas a boca do Putin em relação ao gas barato diz tudo.
Não sei quanto custaia fazer gasodutos para a europa central a passar pelo Bielorrussia que é mais cooperante, mas aí a ameaça seria menor e não existiria pressão sobre o preço do gas.
De Jorge A. a 3 de Janeiro de 2009
"Não sei quanto custaia fazer gasodutos para a europa"

Mas os russos já procuram alternativa à muito:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2009/01/090102_russia_gas_ue_cq.shtml

"Entre essas alternativas estão dois gasodutos que a Rússia planeja construir e que não passarão pela Ucrânia. Um deles sairia da Rússia, passando pelo Báltico, e chegando à Alemanha, outro passaria por baixo do mar Negro."
De Carlos Santos a 3 de Janeiro de 2009
Caro Jorge,

O Leon Aron diz que o sultanato corporativista de Putin contém em si mesmo os elementos da sua queda. Porque com a crise mundial, o fluxo de petrodólares está fraco e como Putin disse há uma semana, a energia barata acabou. Pode este regime de fachada sobreviver sem dinheiro?

Abraço,
Carlos
De Jorge A. a 3 de Janeiro de 2009
Caro Carlos,

"Pode este regime de fachada sobreviver sem dinheiro?"

Estou absolutamente convencido que sim. Assumindo, como parece certo neste momento, que é objectivo de Putin retornar novamente de forma clara à liderança na Rússia, este não perderá o poder só pela falta de petrodólares. Os petrodólares serviram mais como factor de retorno russo à cena internacional do que como factor de consolidação do poder de Putin internamente (pelo menos como factor essencial). No circuito interno, Putin consolidou o poder com recurso ao prestigio que a intervenção militar na Chechénia garantiu (e temo que possa usar coisa semelhante se for preciso voltar a distrair o povo russo - a Ossétia em parte assim se justifica) e porque criou um conjunto complexo de dependências dos sectores influentes russos para com o governo. Certo que os petrodólares ajudaram na criação desse sistema complexo de dependência, numa sociedade com alto grau de máfia, existir dinheiro a fluir facilita as coisas e reduz a agitação social, mas antes dos petrodólares serem factor importante, já Putin tinha descoberto forma de exercer o seu poder - utilizar o poder repressivo do Estado para colocar na cadeia quem se lhe opunha (isto para não falar noutros casos mais obscuros de assassinatos).

A questão que se coloca é, com a manutenção do preço das matérias energéticas em baixa, como lidará a Rússia com a perda de força na cena internacional que tal obrigará? A resposta a essa pergunta é que me preocupa...

Cumprimentos.

Comentar post

Mais sobre mim

Contacto

jorgeassuncao@europe.com

Subscrever feeds

Pesquisar neste blog

Links

Arquivos

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Julho 2006

Secções

desporto(383)

politica nacional(373)

cinema(291)

economia(191)

música(136)

ténis(132)

humor(131)

futebol(130)

eleições eua(118)

estados unidos(115)

portugal(115)

blogs(109)

miúdas giras(93)

jornalismo(88)

politica internacional(87)

governo(79)

televisão(74)

blogosfera(69)

oscares(68)

pessoal(55)

todas as tags

blogs SAPO