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Despertar da Mente

"Democracy and socialism have nothing in common but one word, equality. But notice the difference: while democracy seeks equality in liberty, socialism seeks equality in restraint and servitude." Alexis de Tocqueville

"Democracy and socialism have nothing in common but one word, equality. But notice the difference: while democracy seeks equality in liberty, socialism seeks equality in restraint and servitude." Alexis de Tocqueville

Despertar da Mente

11
Dez08

Those who cannot remember the past are condemned to repeat it *

Jorge A.

O Nuno Gouveia tem um texto dedicado aos derrotados da história, com o qual eu concordo em traços gerais, mas existem dois pontos que gostava de fazer sobre o mesmo. O primeiro sobre a conclusão:

Quem nunca teve o sentido da história nunca perceberá que foi ultrapassado por ela. Estamos em 2008, não em 1929.

É certo que a grande depressão estará associada à ascenção dos movimentos de extrema-direita ao poder, mas a Revolução de Outubro na Rússia deu-se em 1917, por isso não faria a associação da ascenção do comunismo necessariamente à grande crise do século XX (claro que ajudou a consolidar o poder de Estaline na União Soviética, mas isso é muito diferente de ter-lhe dado origem ou ter permitido a sua ascenção, para isso encontramos melhor explicação na primeira Grande Guerra). Já o que a crise de 1929 deu origem foi a uma cedência das forças de mercado à adopção de alguns principios socialistas na organização da sociedade e dessa situação parece-me que com esta crise também não escapamos. E isso leva-me imediatamente ao segundo ponto, quando no texto é afirmado:

Mas não vejo grandes razões para preocupação. A França também chegou a ter quase 20% da população a votar na extrema-direita, e o país não capitulou perante o radicalismo.

Discordo em absoluto. Em primeiro lugar porque o fenómeno por trás do radicalismo de extrema-direita (mais em concreto o francês) é de natureza diferente daquele que está por trás do radicalismo de extrema-esquerda. A crise será sempre terreno fértil para os extremistas alargarem as suas ambições, sejam eles de esquerda ou de direita, mas os motivos invocados para a crise e o sentimento geral da população perante a crise é neste momento favorável às forças radicais da esquerda. Na década de trinta do século XX era fácil motivar as pessoas para um movimento como o fascismo em Itália ou o nazismo na Alemanha com base num teor claramente patriótico e nacionalista, hoje em dia não me parece ser esse o caso (tirando um ou outro caso muito concreto onde tal pode acontecer, de onde a Áustria se destaca, mas que mesmo aí parece residual e que deverá ter ficado limitado com a morte de Haider). Mas ficando-me por Portugal, quer a retórica anti-mercado e anti-empresas, quer as condições históricas (na europa ocidental deu-se uma crucificação do fascismo que porventura não ocorreu em relação ao comunismo), favorecem que numa situação de dificuldades económicas as pessoas possam voltar-se para os primeiros demagogos que apresentem as propostas mais estapafúrdias rumo a um mundo "melhor". Eu acho que o Nuno Gouveia não vê grandes preocupações porque também não deve imaginar um cenário de crise acentuada prolongada no tempo em que os principais partidos portugueses, entretidos como andam, não consigam responder devidamente (para os distraidos, a nossa crise não começou este ano com a crise "mundial", mas vem desde o ano 2000 e não damos mostras de recuperar dela). Mas se as coisas não melhoram, eu acho que há mesmo razões para nos preocuparmos.

 

* George Santayana (The Life of Reason, Volume 1, 1905)

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