Quarta-feira, 10 de Dezembro de 2008

Por muito que queiram evitar a questão... (II)

... existe um caso a fazer contra a vitória de Wall-E como o melhor filme nos óscares. Tentarei em poucas linhas explicar porquê. Embora o Wall-E também tenha admiradores que fazem pequenas maravilhas como esta (via:cineblog):

 

 

Mas o que me leva a questionar uma vitória do excelente filme de animação da Pixar na categoria de melhor filme? Será preconceito meu para com filmes de animação? Talvez, eu julgo é não encaixar os contras de um filme de animação como preconceito, mas simplesmente como dados factuais. É certo que o argumento é brilhante, cativante e atinge as pessoas num sitio onde todo o bom cinema deve atingir: no coração. Mas, e este é um grande mas, porque razão se o filme é tão bom ninguém se lembra de apontar Andrew Stanton como favorito ao prémio de melhor realizador? Porque a realização no campo da animação reduz o realizador a um papel menor, ali não há humanos para dirigir, quanto muito existem técnicos de informática num estúdio que fazem o melhor na humanização do robot que figura no grande ecrã, mas representar não é aplicar bits e bytes através de um teclado numa tela. E esta falta de actores (exceptuando, claro, nas falas) é só em si gritante, aquilo é tudo efeitos, é tudo virtual. Claro que o robot animado pode ser com um bom argumento, uma boa música e uns excelentes efeitos humanizado, mas não é isso que o torna humano e muito menos o torna real. Se a partir de agora podemos assumir animação como o expoente máximo do cinema, o que se segue? O E.T. melhor actor principal? O Gollum melhor actor secundário.

 

De qualquer forma não me admiro que o considerem para o prémio, será até justo, mas alguma separação de águas tem de ser feita e no peditório para o Wall-E como melhor filme do ano não contem comigo, mais para mais, quer a Pixar já fez melhores filmes (podia era não contar com a máquina em peso da Walt Disney a promovê-los), quer os japoneses nisto do cinema de animação batem os americanos aos pontos, dúvidas houvesse e estão aí a Princess Mononoke, Spirited Away e Howl's Moving Castle para o provar.

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publicado por Jorge A. às 20:50
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2 comentários:
De Nuno Gouveia a 10 de Dezembro de 2008 às 23:29
É curioso (ou será deliberado?) o timing deste post. Afinal de contas, Wall-E surpreendeu ontem ao ganhar o prémio de melhor filme da associação de críticos de Los Angeles. É óbvio que isto é um prémio quase insignificante, mas no mínimo quer dizer que o filme consegue juntar um grupo de opiniões muito positivas (já agora, o The Dark Knight foi o runner-up nestes prémios).
Lá porque um filme de animação não tem um foco na realização tão grande como um filme "normal" não quer dizer que deixe de ser um filme. Um filme não é feito só de actores, o princípio-base do filme é transmitir uma ideia, seja por que meio for. Daí que Wall-E saia a ganhar por conseguir ser tão eficaz a transmitir a sua mensagem sem que as suas personagens principais façam mais que grunhidos que se assemelham a palavras. Obviamente um filme de animação não há de ganhar prémios de representação (embora nas regras da Academia seja possível nomear um actor simplesmente por fazer a voz dum personagem animado), mas raros não são os grandes filmes cujo grande valor está no nível mais técnico, sem representações por aí além (vejam-se os filmes do Lord of the Rings, onde só escapa Ian McKellen) e não deixam de ser grandes obras do cinema. Por oposição também existem filmes com optimas representações e um trabalho técnico que não vai por aí além e também são vistos como grandes filmes.
Se para a criação de um filme de animação não é necessário a presença "física" de actores, toda a animação, escolha de comportamentos para as personagens também são um trabalho reconhecível. Podes argumentar "mas eles podem desenhar o que quiserem!" mas afinal a própria escolha dos desenhos, de todas as expressões de todos os bonecos tem um impacto final semelhante a cada olhar que um actor faça, a cada sorriso que uma actriz nos faz. Do mesmo modo podem funcionar extremamente bem ou extremamente mal. Sim, não podes premiar o "boneco" pela representação, mas podes ter isso em conta para a avaliação final do filme. E, bem, mesmo as vozes têm um impacto no filme - no ano passado a voz de Peter O'Toole para o crítico culinário que surgia em Ratatouille era uma cereja no topo do bolo.
Concordo contigo, Wall-E não é o melhor filme da Pixar (prefiro quer Ratatouille, quer o The Incredibles a este) mas tendo em conta que este ano está mais fraquinho a nível de número de candidatos ao óscar será um ano mais ideal para que a dita nomeação se justifique.

PS: Nos poucos prémios já atribuídos até agora, parece que quem se está a destacar a nível de Melhor Actriz é a Sally Hawkins pelo Happy-Go-Lucky (ganhou o prémio dos críticos de NY e dos de LA também). Achas que isto quer dizer alguma coisa? E já agora, que expectativa tens deste filme?
De Jorge A. a 11 de Dezembro de 2008 às 00:08
"É curioso (ou será deliberado?) o timing deste post."

Totalmente deliberado - foi curioso porque tu fizeste referência que torcias pelo Wall-E para melhor filme e logo a seguir venceu o prémio da critica de Los Angeles - daí ter-me lembrado de o escrever.

"mas raros não são os grandes filmes cujo grande valor está no nível mais técnico, sem representações por aí além (vejam-se os filmes do Lord of the Rings, onde só escapa Ian McKellen) e não deixam de ser grandes obras do cinema."

O Lord of the Rings tem um grande realizador: Peter Jackson (com óscar no bolso e tudo). E foi um filme onde não fizeram justiça aos actores que lá participaram (nomeadamente ao Viggo Mortensen - da mesma forma que no The Dark Knight muito poucos prestam a atenção devida ao Christian Bale). Mas é curioso que fales no Lord of the Rings, porque na critica ao mesmo foram feitas enormes referências ao Gollum como um grande progresso no cinema (parecia mesmo que era o melhor actor da triologia), coisa que nunca percebi - e esse é um caminho que prefiro não ver trilhado pelo cinema.

"Concordo contigo, Wall-E não é o melhor filme da Pixar (prefiro quer Ratatouille, quer o The Incredibles a este) mas tendo em conta que este ano está mais fraquinho a nível de número de candidatos ao óscar será um ano mais ideal para que a dita nomeação se justifique."

Sabes que eu não acho necessariamente que este ano esteja fraco a nível de óscares, para mim o que se passa é que o Wall-E e o The Dark Knight como têm duas grandes máquinas a promoverem-no alteraram um pouco as regras do jogo (houve um artigo no New York Times sobre o assunto que achei particularmente relevante - dava conta que os estúdios desses filmes iam avançar com a campanha para o óscar de melhor filme, porque a concorrência era mais fraca do que era habitual - achei-lhe graça porque classificava a concorrência como fraca, sem que a concorrência tivesse sequer ainda feito os primeiros screenings).

"Achas que isto quer dizer alguma coisa? E já agora, que expectativa tens deste filme?"

Sabes que como o campo está em aberto e ainda indefinido, pode dar-se o caso de um nicho de mercado estar a sobrepôr-se às restantes opções. As coisas mudarão quanto as cinco nomeadas forem escolhidas pela Academia. De qualquer forma o meu interesse pelo filme é baixo.

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