2 comentários:
De Nuno Gouveia a 30 de Novembro de 2008 às 23:15
Bem, quanto às questões burocráticas do The Dark Knight, de facto é a academia a fazer das suas, as usual. Já no ano passado não consideraram válida a banda sonora do Into the Wild por outra burocracia qualquer, e tantas são as vezes em que em outras áreas não aceitam certos filmes por picuinhices. É uma pena, não fica uma decisão a sério no final de contas.
Quanto ao Religulous já não acho assim tão mau não o terem nomeado. Ainda não vi o filme mas tenho uma certa curiosidade por o ver. Mesmo assim, não acho que um filme por ser polémico seja automaticamente bom. Isto lembra-me toda a situação à volta do Brokeback Mountain. Nunca foi muito claro porque é que o filme era considerado o frontrunner daquele ano, apenas se ouvia que era polémico e que se a Academia não o premiasse, seria sinal de homofobia etc, etc. É uma situação de faca de dois gumes, porque torna inaceitável que o filme pudesse ser pior efectivamente que algum dos restantes e tenho hoje muita pena que se considere a vitória do Crash nesse ano um sinal de que a academia estivesse contra o Brokeback Mountain e não um prémio à qualidade do filme Crash em si. (Um aparte, pessoalmente, detestei o Brokeback Mountain pelo argumento extremamente monótono, preferi o Crash a esse, e considero o Good Night and Good Luck o melhor filme desse ano).
Obviamente em menor escala, a omissão do Religulous dos 15 finalistas da categoria de melhor documentário não é assim tanto um sinal de conservadorismo da academia. Simplesmente não acham o filme assim tão bom quanto isso, ou pelo menos consideram que os 15 filmes referidos são melhores peças de cinema documentário.
Polémica não faz um bom filme, faz é que toda a gente fale nele. É pena que os media gostem de forçar tanto a ideia que não gostar dum filme polémico é sinal de preconceito.
De Jorge A. a 1 de Dezembro de 2008 às 00:23
"a banda sonora do Into the Wild por outra burocracia qualquer"

é engraçado que fales nisso... é das coisinhas boas que ando a ouvir por estes dias (nesse caso foi porque era demasiado baseada em canções e não em composições musicais).

"Isto lembra-me toda a situação à volta do Brokeback Mountain. Nunca foi muito claro porque é que o filme era considerado o frontrunner daquele ano"

Não é assim que recordo a situação. O filme só em prémios pré-óscares ganhou mais do que o "Good Night, and GoodLuck" e o "Crash" juntos. Daí ter sido facilmente apontado como o frontrunner. Só que quando o Crash foi nomeado para melhor filme pela academia, ganhou uma visibilidade que até aí não tinha - e teve uma ponta final de promoção fantástica, à medida que o favoritismo do Brockeback Mountain também ia desaparecendo. O que eu nunca percebi foi porquê que o favoritismo do Brockeback desapareceu de um dia para o outro (e apesar de tudo o filme sempre ganhou o óscar de melhor director).

"Mesmo assim, não acho que um filme por ser polémico seja automaticamente bom."

Só para marcar um ponto, o Brockeback Mountain foi considerado muito bom pela critica antes de ser polémico. Só depois veio a polémica. E essa polémica foi, na minha opinião, prejudicial para o filme junto da academia. A motivação para a polémia era a homofobia, mas não foi necessariamente a homofobia a retirar-lhe o prémio, mas tão só a polémica (independentemente da sua causa).

"Polémica não faz um bom filme, faz é que toda a gente fale nele."

Mas o Religulous não é só um documentário polémico, não é só um documentário muito falado. É também o documentário que, de longe, este ano mais gente atraiu ao cinema (dirás que as pessoas foram atraidas pela polémica, mas dado o assunto em questão era impossível não haver polémica - e estou convencido que mesmo perante uma pessoa totalmente isolada da restante sociedade a curiosidade de ver este filme do Bill Maher viria ao de cima). Depois, claro, a quantidade de pessoas que foram ao cinema ver não o classifica como um bom documentário, mas já a quantidade de pessoas que tendo visto gostou do mesmo devia qualificar - e foram muitas as que gostaram. De resto, o filme não é pior que as tretas do Michael Moore (Bill Maher é apesar de tudo um tipo mais inteligente) e estes ganhou um óscar com Bowling for Columbine e foi nomeado por Sicko (o Fahrenheit 9/11 ficou de fora porque ele auto excluiu-se). Só consigo compreender a atitude da academia (estamos a falar de pôr o documentário em consideração entre um lote de 15), perante o assunto do filme em questão. Troçar do Bush demagogicamente muito bem, da religião (mesmo que também demagogicamente) ainda não.

Disclaimer: não gosto nadinha do Brockeback Mountain.

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