De PALAVROSSAVRVS REX a 24 de Outubro de 2008 às 19:04
Caríssimo Jorge, é fácil estar de acordo consigo. Mas mereceria a pena compreender por que motivo está a CGTP a trilhar um caminho populista e utópico, não será porque se perfilha um cenário retributivo dual na nossa sociedade?

A fraqueza dos regimes democráticos apanhados pela armadilha da crise e logo pressurosos a alavancar a Banca expôs uma fragilidade moral que não pode agora ser escamoteada. Havia algo a apodrecer nas nossas democracias. Uma estrutura produtiva cada vez mais mecanizada e alijada para o Oriente, taxas de desemprego acomodaticiamente altas como preço.

Algo vai mal com este modelo. Não sei por onde se poderá conter uma bolha de rebelião generalizada nos tempos que se aproximam. Porque provavelmente perante o que aí se aproxima a conversa doutoral sobre economia não escapará a uma diarreia prolongada e intratável.
De Jorge A. a 24 de Outubro de 2008 às 19:36
Caro Palavrossavrvs Rex,

"Mas mereceria a pena compreender por que motivo está a CGTP a trilhar um caminho populista e utópico, não será porque se perfilha um cenário retributivo dual na nossa sociedade?"

Percebo qual o seu ponto (não o chamaria dual) e em parte julgo estar de acordo consigo. A minha visão do Estado é deste enquanto entidade que serve como intermediário dos interesses de vários agentes (sectores) da sociedade. Aqueles que mais pressão conseguem exercer sobre o Estado, mais beneficios obtém deste. A redistribuição justa, com que alguns sonham, é neste momento pura miragem em Portugal (e repare que eu não estou a defender a redistribuição da riqueza, tenho aliás todas as dúvidas sobre qualquer sucesso que possa advir quando o Estado se compromete a desempenhar tal processo) - quanto do bolo gigante que o Estado arrecada em contribuições e impostos do zé povinho vão parar aos efectivamente pobres? Como é que anos após anos a desempenhar esta função redistributiva a pobreza ainda existe? Claro que os sindicatos não são o único cancro do regime, também os empresários que vivem encostados à mama do estado o são. E os vários processos de bailout, como você refere, foram em parte prova evidente disso.

"Não sei por onde se poderá conter uma bolha de rebelião generalizada nos tempos que se aproximam."

Aqui discordo consigo. E discordo porque aqueles que mais motivos tem para se queixar, vão deixar as coisas correr e não estão organizados (os outros, os mamistas de sempre, continuarão a sua pressão para sacar o mais possível do cada vez menor bolo dos governos com que se deparem). No longo prazo seremos em média todos mais pobres, mas como as coisas vão correr a um ritmo lento (propiciado pelas medidinhas que os governos vão tomando de tempos em tempos), ninguém sentirá de imediato a necessidade da rebelião - o deixa andar virá ao de cima.
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