8 comentários:
De Eduardo Fernandes a 23 de Outubro de 2008 às 23:38
Acho que o Jorge está a confundir o que a Sra. Avoila disse... estava a referir-se que apenas um aumento de 2,9 é insuficiente para os trabalhadores da FP que há anos têm os salários e carreiras "congeladas". É que não percebo, o Jorge acha muito ou pouco? não é claro... Bem haja. Liberdade Sempre.
De Jorge A. a 24 de Outubro de 2008 às 01:05
"É que não percebo, o Jorge acha muito ou pouco?"

Acho, obviamente, muito. Num ano em que o crescimento previsto implicará recessão ou, na melhor das hipóteses, estagnação da economia portuguesa, garantir um aumento de 2,9% à custa do dinheiro dos impostos dos restantes portugueses, tendo como objectivo máximo comprar uma vitória eleitoral, é vergonhoso. E com os sindicatos há muito que perdi a paciência - dado que o nível de seriedade e bom senso dos senhores é tendencialmente zero. Se o Eduardo quiser, posso desenvolver os meus motivos para achar errado o aumento de 2,9% para os funcionários públicos no próximo ano, mas já agora uma pergunta: se eu lhe garantir que para o próximo ano as probabilidade de aumento do desemprego são maiores do que o inverso, o que você diria se na segunda quinzena de Novembro o povo que sai à rua é aquele que tem garantido o emprego e um aumento salarial de "apenas" 2,9%?
De Eduardo Fernandes a 25 de Outubro de 2008 às 02:22
Jorge, obrigado pela resposta. Deixo algumas questões que até hoje ninguém me soube responder: 1) Qual é o limite para a diminuição das condições dos trabalhadores (sejam eles quais forem)? quando estivermos ao nível de uma China, uma Índia? trabalha-se por tuta e meia porque estamos "em crise"? parece haver sempre uma razão "à mão"... mais, uma grande parte das empresas em Portugal acompanha os aumentos da função pública, que é como quem diz as diminuições de salário... Eu se estiver mal na vida provavelmente terei mais com que me preocupar do que aumentos salariais ou questões ambientais (pior ainda se tiver uma familia)... Mas isso é impeditivo das pessoas que podem (e devem) manifestar-se por melhores condições? O Jorge parece dar alguma razão ao que costumo dizer: para quem está bem não se passa nada, é problema dos outros... A questão é que mais cedo ou mais tarde (provavelmente tarde de mais como os professores e outros...) tudo isto passa a afectar muito mais gente e muito mais danosamente. Tenho uma visão pessimista porque tudo aponta nessa direcção e ao contrário de muitos não acredito que a economia seja uma questão de "confiança" ou de "medo" (até já há quem tenha medo do "medo")... é bem real e não é uma questão de fé ou crença... Bem haja. Liberdade Sempre. PS - não sou sindicalista, não sou comunista, não tenho nenhuma filiação partidária, acredito na Liberdade.
De Jorge A. a 25 de Outubro de 2008 às 14:02
Caro Eduardo,

"Qual é o limite para a diminuição das condições dos trabalhadores (sejam eles quais forem)?"

Sabe que as condições dos trabalhadores estão normalmente associadas à produtividade dos mesmos e à situação económica local. Se pensar no que eram as condições dos trabalhadores em inicios do século XX e o que são agora percebe que houve uma evolução brutal. Pode pensar que tal deveu-se à acção dos sindicatos, e eles assim o quererão fazer pensar, mas a verdade é que tal deveu-se à evolução económica das sociedades. Se você não conseguir desenvolver a actividade económica e aumentar a produtividade, não pense que pode estabelecer limites às condições dos trabalhadores com base em decisões administrativas.

"quando estivermos ao nível de uma China, uma Índia?"

Na India e na China as condições dos trabalhadores tem evoluido para melhor a uma velocidade fantástica, fruto de uma abertura da economia destes países ao mundo - que tem vindo a possibilitar taxas de crescimento muito acima da média. A questão é sempre económica caro Eduardo, você não pode querer ter trabalhadores com condições excepcionais (assim tipo ao nível das que os trabalhadores da Google têm) e ter uma economia a derrapar constantemente - a nossa economia em praticamente todo o século XXI tem crescido menos que a média europeia, queria que isso não se sentisse nas condições dos trabalhadores? E a continuar assim irá ainda sentir-se mais fortemente no futuro... agora vá perguntar aos eslovenos, aos checos, etc... qual tem sido a evolução das condições no trabalho para eles.

"trabalha-se por tuta e meia porque estamos "em crise"?"

O quê que é isso de trabalhar por "tuta e meia"? O pior da crise não é o trabalhar por "tuta e meia", o pior da crise é para aqueles que não trabalham. E alguns dos que trabalham por "tuta e meia" podiam trabalhar por mais algum, não fosse o Estado ir ao seu bolso com os impostos que cobra.

"Mas isso é impeditivo das pessoas que podem (e devem) manifestar-se por melhores condições?"

Eduardo, eles querem manifestar-se, força com isso. Por melhores condições? Óptimo. A partir do momento em que as melhores condições deles obriguem a piores condições para mim (sabe que em Portugal os impostos não são baixos, não sabe...), não espere que eu fique muito agradado com tais manifestações.

"A questão é que mais cedo ou mais tarde (provavelmente tarde de mais como os professores e outros...) tudo isto passa a afectar muito mais gente e muito mais danosamente."

Os professores? Mas você acha que o sistema de ensino funciona? Não vou defender as medidas do governo porque tenho dúvidas que iam no melhor caminho, mas a educação em Portugal é uma vergonha e parte dessa vergonha passa pela forma como o sistema ajudou ao conformismo e à incapacidade de distinguir entre os bons e os maus professores (todos vão sobrevivendo no sistema de igual forma). Qualquer alteração do ensino para melhor (não digo que a reforma da ministra fosse nesse sentido) implica pôr muita gente a perder (ou, pelo menos, com perspectivas piores do que as que tem agora). Agora, é um dado adquirido que perante a alteração de paradigma muitos virão sempre para a rua queixar-se que as condições estão a piorar. Ah! Sem esquecer que um sistema melhor passe por indices de competitividade entre professores e escolas maiores, o que implica menor peso dos sindicatos, acha que os sindicatos alguma vez vão aceitar isso a bem?

"não sou sindicalista, não sou comunista, não tenho nenhuma filiação partidária, acredito na Liberdade."

Caro Eduardo, a Liberdade pode ter várias interpretações conforme a pessoa que a profere.
De António de Almeida a 24 de Outubro de 2008 às 13:42
-A darem ouvidos aos sindicatos, em particular à CGTP, o passo seguinte seria encerrar o país. Falido! É que nem dá para começar a argumentar, não tem ponta por onde pegar.
De Jorge A. a 24 de Outubro de 2008 às 19:47
"A darem ouvidos aos sindicatos, em particular à CGTP, o passo seguinte seria encerrar o país. Falido!"

Falido, ou caro António Almeida, vê-se logo que não está por dentro da teoria económica invertida dos sindicatos. Maior salário implica maior satisfação dos trabalhadores, o que por sua vez implica mais produção dos trabalhadores. Caminhariamos para o paraíso. O que eu não dava para ver a srª Ana Avoila a gerir uma empresa.
De PALAVROSSAVRVS REX a 24 de Outubro de 2008 às 19:04
Caríssimo Jorge, é fácil estar de acordo consigo. Mas mereceria a pena compreender por que motivo está a CGTP a trilhar um caminho populista e utópico, não será porque se perfilha um cenário retributivo dual na nossa sociedade?

A fraqueza dos regimes democráticos apanhados pela armadilha da crise e logo pressurosos a alavancar a Banca expôs uma fragilidade moral que não pode agora ser escamoteada. Havia algo a apodrecer nas nossas democracias. Uma estrutura produtiva cada vez mais mecanizada e alijada para o Oriente, taxas de desemprego acomodaticiamente altas como preço.

Algo vai mal com este modelo. Não sei por onde se poderá conter uma bolha de rebelião generalizada nos tempos que se aproximam. Porque provavelmente perante o que aí se aproxima a conversa doutoral sobre economia não escapará a uma diarreia prolongada e intratável.
De Jorge A. a 24 de Outubro de 2008 às 19:36
Caro Palavrossavrvs Rex,

"Mas mereceria a pena compreender por que motivo está a CGTP a trilhar um caminho populista e utópico, não será porque se perfilha um cenário retributivo dual na nossa sociedade?"

Percebo qual o seu ponto (não o chamaria dual) e em parte julgo estar de acordo consigo. A minha visão do Estado é deste enquanto entidade que serve como intermediário dos interesses de vários agentes (sectores) da sociedade. Aqueles que mais pressão conseguem exercer sobre o Estado, mais beneficios obtém deste. A redistribuição justa, com que alguns sonham, é neste momento pura miragem em Portugal (e repare que eu não estou a defender a redistribuição da riqueza, tenho aliás todas as dúvidas sobre qualquer sucesso que possa advir quando o Estado se compromete a desempenhar tal processo) - quanto do bolo gigante que o Estado arrecada em contribuições e impostos do zé povinho vão parar aos efectivamente pobres? Como é que anos após anos a desempenhar esta função redistributiva a pobreza ainda existe? Claro que os sindicatos não são o único cancro do regime, também os empresários que vivem encostados à mama do estado o são. E os vários processos de bailout, como você refere, foram em parte prova evidente disso.

"Não sei por onde se poderá conter uma bolha de rebelião generalizada nos tempos que se aproximam."

Aqui discordo consigo. E discordo porque aqueles que mais motivos tem para se queixar, vão deixar as coisas correr e não estão organizados (os outros, os mamistas de sempre, continuarão a sua pressão para sacar o mais possível do cada vez menor bolo dos governos com que se deparem). No longo prazo seremos em média todos mais pobres, mas como as coisas vão correr a um ritmo lento (propiciado pelas medidinhas que os governos vão tomando de tempos em tempos), ninguém sentirá de imediato a necessidade da rebelião - o deixa andar virá ao de cima.

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