Terça-feira, 16 de Setembro de 2008

Partido das Ideias

Em 2004 esboçei um sorriso com a vitória de George Bush sobre John Kerry, nos States sempre preferi o partido Republicano ao partido Democrata. Nestas eleições não tenho problemas em preferir os democratas aos republicanos. Porquê? Bem, em parte porque as politicas de Bush foram tudo menos liberais, no que mais importa as suas politicas representaram um alargamento do peso do estado sobre a sociedade norte-americana, peso esse ampliado com a guerra, que possibilitou o alargar do polvo a um nível não imaginado. Os republicanos não só aumentaram a despesa, como restringiram a liberdade individual dos seus cidadãos e usaram do poder do Estado para praticar actos de tortura em Guantanamo, o que só por si seria motivo mais que suficiente para eu ficar de pé atrás perante o governo Bush. Para acrescentar ao legado mais do que negativo, fizeram desenvolver muitas das suas politicas e práticas através de narrativas fantasiosas e do medo - por falar nele, não consigo imaginar governo americano que possa inspirar mais receio a qualquer amante da liberdade do que este.

 

Em parte McCain podia ser uma última esperança face ao pesadelo que foi George W.Bush. Mas em nada o tem sido e a nomeação de Palin representou o fim da minha já curta paciência para com os republicanos. A forma como McCain vem fazendo campanha indica claramente que não terá problemas em seguir a mesma lógica de Bush (não quer dizer que a siga, mas permite perceber que não terá problemas em fazé-lo). O objectivo tem sido muito pouco o de afirmar McCain pelo que este vale, mas muito mais o de usar do medo para afastar os eleitores de Obama - claro que parte do medo só consegue ser induzido com o recurso a mentiras (sim, parte dos apoiantes de Obama também usaram do medo e de mentiras para com a escolha de Palin, mas nada disso veio directamente da campanha de Obama, pelo contrário, McCain tem permitido que do seu lado as mentiras e o recurso ao medo partam da própria campanha). Eu gosto de pensar no partido republicano como o partido das ideias, designação a que ganharam merecidamente direito durante os governos de Reagan, mas vale a pena ler o que diz agora o Ross Douthat: 

Instead, the McCain campaign decided that they didn't want to take the kind of risks that real ideological experimentation would entail - that despite the difficulties, short and long-term, facing the GOP as a whole, there's was too much potential downside in trying to imitate Bill Clinton in 1992 and George W. Bush in 2000 (both of whom ran genuinely creative campaigns at a time when their parties desperately needed them). I had hoped that the Sarah Palin pick was a sign that they were open to rolling the dice a bit more on policy; at the moment, though, it looks like Palin herself was the roll of the dice, and it's just going to be down-and-dirty politics from here on out. There's no question that anti-Obama hardball makes sense as a strategy given the limitations of McCain's message; it's just that a lot of those limitations are self-imposed.

A minha opinião? A esperança é deixar o partido republicano cair, talvez assim seja permitida a renovação das ideias do partido, hoje totalmente corrompidas pelo poder. Por outro lado, se Obama for um novo Carter, como alguns o acusam, é preciso lembrar que a seguir a Carter sucedeu Reagan, daí que não veja nenhum problema no facto. Mas pode também dar-se o caso de Obama ser um novo Clinton, e nesse caso poderemos dar-nos por satisfeitos, será um enorme progresso face ao que é hoje Bush.

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publicado por Jorge A. às 22:17
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