De Joao Fontes a 24 de Julho de 2008 às 10:07
Caro Jorge A.

Por falar em argumentos ad nauseam, o(s) argumento(s) que usa para contradizer ou simplesmente ignorar o texto de opinião de Mário Soares, é, para lhe ser sincero, um sinal de um certo limite de raciocínio. O que infelizmente tem vindo a ser um traço característico da direita portuguesa.
Não, meu caro Jorge, nem tudo é explicado pelo "fabuloso" crescimento económico de 1.x% nos países desenvolvidos e de 6% na China, por exemplo. Lamento, mas nem todos partilham do seu entusiasmo por esses factos.
É de facto positivo, aliás, muito positivo, trará benefícios para muitos, mas cria demasiadas desigualdades, demasiadas injustiças e exclusões sociais para nada ser feito. Chega a ser ridículo hoje em dia pensar que o mercado resolve, que o mercado conduz o mundo. Não. O mercado não é perfeito, os mecanismos de mercado não funcionam por vezes (não lhe faltarão exemplos concerteza), demoram a actuar noutras, estão feitos a beneficiar os que já estão no poder, e isso é algo que não devemos, aliás, não podemos, pactuar.
Há, hoje, uma necessidade de alteração das ideologias de funcionamento de sociedades. Necessitamos de um Estado mais forte, capaz de actuar onde o mercado falhou, e, tendencialmente irá falhar: acção social e ambiental. Se não o fizermos em breve, iremos, possivelmente comprometer os tão almejados 1,7% de crescimento nos países desenvolvidos, que a Direita tão gosta de referenciar para defender o sistema neoliberal.
Bem haja.
De Jorge A. a 24 de Julho de 2008 às 13:00
"Chega a ser ridículo hoje em dia pensar que o mercado resolve, que o mercado conduz o mundo."

Tão ridiculo quando pensar que o Estado resolve, que os Estados conduzem o mundo.

"O mercado não é perfeito, os mecanismos de mercado não funcionam por vezes (não lhe faltarão exemplos concerteza), demoram a actuar noutras, estão feitos a beneficiar os que já estão no poder, e isso é algo que não devemos, aliás, não podemos, pactuar."

O Estado não é perfeito, os mercanismos do Estado não funcionam por vezes (não lhe faltarão exemplos concerteza), demoram a actuar noutras, estão feitos a beneficiar os que já estão no poder, e isso é algo que não devemos, aliás, não podemos pactuar.

"Há, hoje, uma necessidade de alteração das ideologias de funcionamento de sociedades. Necessitamos de um Estado mais forte, capaz de actuar onde o mercado falhou, e, tendencialmente irá falhar"

Há, hoje, uma necessidade de alteração das ideologias de funcionamento de sociedades. Necessitamos de um mercado mais forte, capaz de actuar onde o Estado falhou, e, tendencialmente irá falhar.

"Se não o fizermos em breve, iremos, possivelmente comprometer os tão almejados 1,7% de crescimento nos países desenvolvidos, que a Direita tão gosta de referenciar para defender o sistema neoliberal."

A direita gosta de referenciar um crescimento de 1,7% para defender qualquer que seja o modelo? De 1,7%? Acha que um modelo que garante crescimento de 1,7% ao ano pode ser defensável?

Gostava que me apontasse é por onde pára, nomeadamente, a direita portuguesa que defende um modelo neoliberal. O PSD de Ferreira Leite? O PP de Paulo Portas? Devia começar por aqui, para rapidamente perceber que não há nenhum modelo neoliberal a actuar em Portugal - onde só o Estado consome perto de 50% da produção total nacional de um dado ano.

Mas numa coisa concordo consigo, a direita, nomeadamente a portuguesa, muitas vezes demonstra um certo limite de raciocinio. Mas quando quiser debater a sério, em vez de se ficar por frases feitas, recorra mais a dados e a factos concretos.

É que a crise actual, que bem gostam de atribuir ao modelo neoliberal (coisa que eu nunca percebi o que significa, especialmente quando apontado a sociedades profundamente estatistas como a portuguesa, a francesa, etc...), é sobretudo uma crise dos países ocidentais e da sua incapacidade (convém perceber qual a origem de tal incapacidade) para concorrerem com os novos países que abriram os seus mercados. O mundo, esse, nunca esteve tão bem quanto agora. Quer melhor? Muito bem, também eu quero melhor, mas diga-me é como é que o consegue.
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