20 comentários:
De DD a 20 de Junho de 2008 às 11:32
BE e PCP não têm responsabilidades de poder. Não têm de gerir orçamentos curtos e, menos ainda, confrontarem-se com a alta dos preços do petróleo.
Nunca tiveram de endireitar as finanças públicas e não têm que resolver o problema do défice da balança de pagamentos, cujo incómodo começa a crescer, apesar de reduzido pelo facto de estarmos na zona euro e na UE.
Curiosamente, há uma espécie de conluio entre os proprietários dos orgãos de informação, capitalistas portanto, e a extrema esquerda. Qualquer pequena crítica de um Carvalho da Silva, Jerónimo ou Louça é transmitida e repetida até à exaustão, principalmente pela TSF que oiço frequentemente.
Portugal é um país com uma sustentabilidade reduzida. Necessita de de uns 15% mais no PIB para poder suportar as despesas com educação, saúde, etc. Na falta dessa sustentabilidade económica fazem-se algumas coisas, mas a gestão é sempre curta e todos os dias pode ser noticiado que há falta de verba para isto ou aquilo. Nós os contribuintes não temos mais e o Estado só dá o que nos tirou previamente.
Somos bescadinhas de rabo na boca, mordemos o nosso próprio dinheiro.
De resto, o texto está muito bom, parabéns.
De Jornablog A Luta
De Jorge A. a 20 de Junho de 2008 às 14:08
"BE e PCP não têm responsabilidades de poder."

E esperemos que nunca venham a ter... ;)
De António de Almeida a 20 de Junho de 2008 às 13:36
-Engraçado, a extrema-esquerda em geral e Carvalho da Silva em particular, passam a vida a defender uma série de direitos e garantias para os trabalhadores, com os quais eu estaria incondicionalmente de acordo caso não fossem irrealizaveis, por resultarem inexoravelmente na falência de todas as PME's. Caso estas desaparecessem, sobreviveriam as grandes empresas, nacionais e multinacionais, afinal estarei errado, ou a extrema-esquerda é defensora do grande capital? Ou tal seria apenas uma etapa na luta de classes? Só um pequeno pormenor, liberalismo sei o que é, agora neo-liberalismo quer dizer exactamente o quê? Após a falencia dos regimes socialistas e já que é moda empregar o termo "neo", não será a "esquerda moderna" apenas um grupo de neo-socialistas?
De Jorge A. a 20 de Junho de 2008 às 14:07
"Só um pequeno pormenor, liberalismo sei o que é, agora neo-liberalismo quer dizer exactamente o quê?"

Também estive para referir esse pormenor caro António de Almeida. Mas claro que soa muito melhor dizer qualquer coisa como: "o neoliberalismo selvagem está..." do que somente "o liberalismo"...
De Fulano de Sicrano a 24 de Junho de 2008 às 08:48
Os liberais aceitam alguns constragimentos ao mercado e de modo geral conseguem perceber que no jogo económico também há espaço para comportamentos socialmente orientados que possam distorcer o normal funcionamento do mercado . Para os «neo» o mercado é A SOLUÇÃO, o fim da "istória", o Santo Graal e éticamente falando, acho mesmo que é mesmo uma fusão ética/estética e, a regra nº 1 é: dado que o poder é naturalmente adquirido pelos mais fortes, sua origem sendo divina ou oferecida pela mecânica das coisas, parta-se daí. A ordem natural. A savana africana é talvez a sua melhor metáfora, na selva a caça é demasiado aleatória. Estão errados os que os acusam de pretender a Lei da Selva. Na savana está tudo muito melhor organizado. Os leões sabem onde estão as zebras e as zebras sabem onde estão os leões. Os leões eliminam as zebras mais fracas alimentam os leões "having a hell good time" na caçada. As zebras por sua vez libertam-se dos seus membros mais fracos e doentes mantendo o resto da manada mais saudável e com menos competidores na pastagem. O que concordo está perfeito. Para leões e zebras pelo menos.
Já agora, a esquerda/comunistas/socialistas/sociais democratas/verdes e o que mais vier pretende tranformar o planeta, uns num imenso parque natural tipo National Geographic like, you name it. Há claro os que pretendem um imenso ZOO, (caso dos comunistas portugueses: Uma espécie inteligente mata a zebras consideradas imprestáveis e alimentam os leões.)
Nós, os hippies/freaks/filhos família/esquerda caviar é mais Algarve , Ibiza e hippies ricos brasileiros dos anos 60/70 e muita passa, ópio só natural.
À direita já se sabe, é mais Quinta do Lago, campos de golfe e muitas Quarteiras. As quarteiras é prá malta nova. Os papás é mais D. Pérignon. Pelo menos é o que escorre mais em Luanda.
De Fulano de Sicrano a 24 de Junho de 2008 às 09:51
Já agora acrescento que de todos os tipos aqui descritos há sempre a considerar se forem portugueses a origem aristocrática de todos eles, e do 1º ao último. Geralmente como no meu caso, via patrão engravida criadita. Uma excepção é o bloco de esquerda: criada boazuda engravida patrão. Mas o que une todos MESMO é a cença no tal ditado*, «muito riso pouco sizo!

* Meu Deus, como sou parôlo!
De Jorge A. a 24 de Junho de 2008 às 14:08
Meu caro,

comentários duplicados é que não...
De Tiago R Cardoso a 20 de Junho de 2008 às 19:10
O que eu mais gosto é quando os ouço falar em nome do trabalhador...

raios, eu que sou um não me lembro de ter passado procuração a nenhum deles.
De restelo a 20 de Junho de 2008 às 23:49
Então e o Capitalismo não está falido? Ou será que é culpa do socialismo as actuais crises mundiais? Chegamos ao ponto de querer criar taxas para se entrar nas cidades, Voltamos à Idade Média em que para se atravessar um porta, uma ponte ou um rio se pagava um tributo ao Senhor
De Jorge A. a 21 de Junho de 2008 às 00:33
"Então e o Capitalismo não está falido?"

O capitalismo está falido faz muito tempo, mas invariavelmente sobrevive sempre... olhe, são mistérios que só a natureza sabe explicar - já outras doutrinas, apesar de enterradas, teimam em querer levantar-se da cova.

"Ou será que é culpa do socialismo as actuais crises mundiais?"

Não sei se é do socialismo, mas é certamente fruto de intervenção artificial no mercado (quer na vertente das politicas governamentais, quer na vertente das politicas monetárias).

"Chegamos ao ponto de querer criar taxas para se entrar nas cidades, Voltamos à Idade Média em que para se atravessar um porta, uma ponte ou um rio se pagava um tributo ao Senhor"

O tributo ao Senhor que é uma coisa muito parecida com aquilo a que designamos chamar de impostos. Como deve imaginar eu sou a favor de um nível de impostos muito mais baixos do que o actual da sociedade portuguesa - mas claro que para isso é preciso que deixemos de esperar que o Senhor olhe por todos nós... acho que o caro restelo é que não estará disposto a isso. E se reparar, o comunismo, é terra de um Senhor só. Consegue imaginar algo pior do que isso? Eu não consigo...
De restelo a 21 de Junho de 2008 às 23:13
Meu caro Jorge quem falou em comunismo? será que só existe o preto e o branco?capitalismo ou socialismo? já agora só para simples informação eu também sou a favor do pagamento de impostos e não estou à espera de "Senhor" pelo contrário.
De facto o Capitalismo vai sobrevivendo, mas à custa de quê? se não consegue descobrir aconselho-o a analisar as sociedades em que ele predomina, repare que eu digo as sociedades e não as elites.
cumprimentos
De Jorge A. a 22 de Junho de 2008 às 00:00
Caro restelo,

"Meu caro Jorge quem falou em comunismo?"

O post é sobre a extrema-esquerda, e apesar de existirem várias correntes, todas elas são dominadas pelo pensamento marxista - quer que eu nas minhas resposta tenha em atenção o quê? E já agora, quem é que falou em capitalismo? Você tem um duplo critério interessante.

"será que só existe o preto e o branco?"

Só, o cinzento como deve saber é feito da mistura entre o preto e o branco.

"De facto o Capitalismo vai sobrevivendo, mas à custa de quê? se não consegue descobrir aconselho-o a analisar"

Não, não consigo descobrir. Dê-me exemplos caro restelo para ver se eu chego lá... e depois sim, podemos começar a discussão.

"também sou a favor do pagamento de impostos"

mas de que nível de impostos? É que pareceu-me que no primeiro comentário queixou-se de taxas excessivas...
De Miguel Madeira a 22 de Junho de 2008 às 00:55
"A extrema-esquerda teve o seu periodo de ouro em boa parte do século XX"

Qual extrema-esquerda? A "extrema-esquerda BE" parece-me estar (relativamente) a ter o seu período de ouro é agora (e não apenas em Portugal) - sobretudo os companheiros ideológicos do Louça, a nível mundial, devem ter muito mais força hoje em dia do que alguma vez tiveram em qualquer momento do século XX.
De Jorge A. a 22 de Junho de 2008 às 01:27
Caro Miguel Madeira,

ao período de ouro refiro-me como é óbvio à União Soviética e países sobre o seu protectorado. Não que discorde do seu ponto, é um facto que uma certa corrente tem agora o seu período áureo, mas ainda está longe de poder ser comparado ao período pós segunda guerra mundial e aos tempos da guerra fria.
De Fulano de Sicrano a 24 de Junho de 2008 às 04:37
Alguns dados sobre mortalidade infantil na América do Sul. Mortes por 1000 nascimentos.

Argentina 13.87

Brasil 26.67

Bolívia 49.09

Chile 7.9

Cuba 5.93
«
Costa Rica 9.01

México 19.01

Asseguro-lhe a minha antipatia por Fidel e pelo tom iluminado da esquerda mas os números são como o algodão. Já agora refiro que estes foram retirados de «CIA world factbook».
De Fulano de Sicrano a 24 de Junho de 2008 às 04:55
Já que estou aqui agradecia que se debruçassem sobre a nova proposta que se fala por aí: a das 65 (sessenta e cinco) horas semanais de trabalho. E se botarem a mão na massa comentem também o facto de os gestores portugueses ganharem em média (salvo erro) 270 mil euros anuais, contra os 250 mil dos espanhóis e os 180 mil alemães. Já agora comentem também o facto do governador do Banco de Portugal ganhar 280 mil euros anuais (mais coisa menos coisa, não lembro o nº exacto) e Alan Greenspan quando no cargo correspondente nos EUA ganhar 155 mil (dólares).
De Fulano de Sicrano a 24 de Junho de 2008 às 12:50
Como já vi que estou entre entendidos será que alguém explica o que haveria de errado se TODOS os membros de uma empresa fossem remunerados segundo percentagens estabelecidas sobre os lucros da mesma? O facto de o patrão ter menos hipótese de lucros gigantescos?
Pois. Os gajos que conseguem grandes lucros são geniais e portanto devem poder expandir o seu talento e assim alimentar mais famílias realizando mais lucros que alimentem as famílias que vivem da indústria do luxo que por sua vez alimentarão muitas mulheres a dias e pedreiros que se desunharão para pagar as prestações do carrito cuja construção alimentará mais uma caterva de outras famílias para pagarem as prestações das viagens, e os dentistas. Parece uma ilustração dos livros de escola do Estado Novo. Tudo muito lindo, cada um ordeiramente no seu lugar, uns pobrezinhos mas muito limpinhos e outros muito poupadinhos e outros ricos e muito caridosos. Enfim, a Anita na praia.
É que li que nos anos 40 em França um quadro de empresa ganhava 4 vezes mais que um operário e que actualmente esse nº é 40 vezes superior. Que percentagem da despesa deve representar o salário dos trabalhadores? E dos quadros técnicos? A meu ver este é que deveria ser o debate.
Presumo que os contabilistas mais talentosos fossem pagos no seu peso em ouro!
Ah, ainda não vos falei da empresa tomada como objecto de intervenção artística!
De Jorge A. a 24 de Junho de 2008 às 14:18
"Como já vi que estou entre entendidos será que alguém explica o que haveria de errado se TODOS os membros de uma empresa fossem remunerados segundo percentagens estabelecidas sobre os lucros da mesma?"

Para além do lucro ser a remuneração do capital que os trabalhadores não metem lá nenhum? O amigo tem solução fácil para os seus problema, arranje um negócio, torne-se patrão e aplique as suas regras de remuneração aos seus trabalhadores... iria longe de certeza. Mas confesso que os seus comentários tem piada, aquele ali mais acima sobre a selva, os leões, as zebras, o zoo é de matar a rir...
De Miguel Madeira a 24 de Junho de 2008 às 16:18
"O amigo tem solução fácil para os seus problema, arranje um negócio, torne-se patrão e aplique as suas regras de remuneração aos seus trabalhadores... iria longe de certeza. "

Em principio, a empresa do Fulano seria de esperar que a empresa de Fulano fosse longe, já que os trabalhadores, recebendo um percentagem dos lucros, teriam mais incentivo para trabalhar.

Poderia ser é que fossem os próprios trabalhadores a querer ter só o salário fixo.
De Jorge A. a 24 de Junho de 2008 às 17:05
Caro Miguel,

"já que os trabalhadores, recebendo um percentagem dos lucros, teriam mais incentivo para trabalhar."

Dúvido. Em primeiro lugar porque tal como refere os trabalhadores teriam preferência por salário fixo. Em segundo lugar porque há variados incentivos que uma empresa pode oferecer aos seus funcionários, e dar como incentivo uma parcela do lucro só faz sentido quando o quadro em causa está bem no topo da pirâmide da empresa (para quadros mais baixos, será melhor qualquer coisa como um prémio de desempenho ou prémio por objectivo quando possível). Depois porque se a ideia fosse boa há muito que as empresas já a teriam replicado, ou o fulano acabou de descobrir a pólvora?

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