Quarta-feira, 18 de Junho de 2008

10%

PCP propõe sete medidas urgentes para enfrentar a crise 

Os comunistas defendem que bens como o pão, o leite e produtos de higiene deveriam ter um preço máximo este ano, ao mesmo tempo que sustentam uma subida do salário mínimo nacional e um aumento intercalar dos salários dos funcionários públicos. Quanto às pensões, as mais baixas deveriam crescer quatro por cento, segundo o PCP.

O PCP tem uma visão do dinheiro como um bem inesgotável... assim à primeira vista só se esqueceram de propôr a subida do subsidio de desemprego, mas tenho a certeza que apoiam tal medida. Sobre os preços máximos, o PCP anda a estudar as tácticas do Chávez e do Mugabe, só falta explicar o que acontece quando o preço máximo possível é inferior ao preço a que os fornecedores estão dispostos a vender o pão, o leite e os produtos de higiene... pois é, esses produtos começam a desaparecer das montras... malditos estes capitalistas, pá...

Para limitar os efeitos da crise dos combustíveis, os comunistas propõem a criação de um imposto sobre os lucros das petrolíferas...

Para limitar os efeitos? Para quem pensa o PCP que as petroliferas iriam passar o custo do novo imposto? Para os accionistas? 

...e a utilização do gasóleo profissional nos transportes públicos já anunciada pelo Governo, mas que “tarda a concretizar-se”. É também proposto o congelamento dos preços dos títulos de transporte, para lá do já prometido congelamento dos preços dos passes sociais.

O dinheiro para o PCP cai mesmo das árvores... eles devem pensar que aquilo é só pegar na máquina e pôr a imprimir verdinhas...

Num dos maiores encargos das famílias portuguesas, os empréstimos à habitação, o PCP quer que o Estado dê uma orientação à Caixa Geral de Depósitos para praticar um “spread” máximo de 0,5 por cento naqueles créditos.

O PCP deve pensar que o spread também cai do céu, que não há um cálculo económico por trás do mesmo. A partir do momento que o spread da CGD não correspondesse ao do mercado e fosse, como pretende o PCP, mais baixo, para onde correriam as pessoas a solicitar empréstimos? Mas se o spread fosse calculado assim por alto ao sabor do que o PCP acha que deve ser, o que aconteceria à viabilidade económica da CGD? O PCP anda pelo menos atento aos mercados financeiros actuais? Para citar esse grande mito dos mercados bolsistas nacionais, Joe Berardo: Subprime? Hello?!? 

Apesar de conscientes da rejeição do primeiro-ministro a algumas destas propostas, o líder da bancada parlamentar do PCP quer “obrigar o Governo a repensar em relação a propostas necessárias para aliviar os efeitos da crise e recomenda que o Executivo “aproveite a margem no défice público”.

"Apesar de conscientes"? Ah, ah!!! Estes tipos são é uns completos irresponsáveis e inconscientes, mas de comunistas melhor não há que esperar. Triste é que este partido representa um décimo do eleitorado nacional...

publicado por Jorge A. às 22:31
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17 comentários:
De vasco a 19 de Junho de 2008 às 00:45
"A parte dos salários no rendimento nacional, que atingiu os 59% em 1975, era de 40% em 2004." Explique-me como é que é possível que todos os anos o sector bancário e petrolífero apresente lucros à volta dos 20%, e relacione com o dado apresentado em 1º lugar. Se me responder a esta questão sem recurso a chavões, argumentos falaciosos, e com um pouco de respeito por toda a gente a quem realmente o preço dos passes e do leite e do pão faz muita diferença, então terá pelo menos algum fundamento razoável na sua opinião, em vez de um conjunto de atoardas ignorantes e desrespeitosas.
De Jorge A. a 19 de Junho de 2008 às 01:19
ora caro Vasco, muito bem vindo aos comentários neste blogue, e estreia-se muito bem:

"A parte dos salários no rendimento nacional, que atingiu os 59% em 1975, era de 40% em 2004."

Mostre-me lá onde arranjou estes dados? É que se não me escapa a percentagem dos salários (por contra própria e por contra de outrém) no PIB português anda acima dos 70% (dados do Eurostat). A propósito recomendo-lhe:
http://www.ordemeconomistas.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=10437&Itemid=685

"respeito por toda a gente a quem realmente o preço dos passes e do leite e do pão faz muita diferença, então terá pelo menos algum fundamento razoável na sua opinião"

É por respeito a toda essa gente que as ideias comunistas me repugnam caro Vasco, tão repletas de iliteracia económica elas estão - não sei se percebe, mas o meu ponto é que aquilo que defende o PCP só virá piorar a situação para toda essa gente.

"algum fundamento razoável na sua opinião, em vez de um conjunto de atoardas ignorantes e desrespeitosas."

Comece então o Vasco por dar o exemplo, demonstrando onde está o erro no que afirmo, qual a teoria económica que está por trás da sua opinião, e já agora, acrescentando alguns exemplos do mundo real.
De Jorge A. a 19 de Junho de 2008 às 01:38
camarada Vasco,

peço desculpa pá... quando vi o seu comentário não percebi onde tinha ido buscar tal informação do peso dos salários no PIB. Foi ao camarada António Vilarigues, que por sua vez parece-me que os foi buscar ao site do PCP:
http://ocastendo.blogs.sapo.pt/310815.html

peço desculpa camarada, perante tal instituição de transparência e fiabilidade não me oponho mais. Avante camarada, avante... e penitencio-me por recorrer a chavões e argumentos falaciosos.
De Livia Borges a 19 de Junho de 2008 às 09:35
Triste é saber que 10% do eleitorado nacional - ou talvez mais... - sente na pele as desigualdades, as diferenças, as discriminações, o peso do custo de vida. Triste é saber que neste país ainda há tanta miséria e é por isso que apesar de economicamente falíveis, certas teorias passam, porque existem necessidades.
De Liliana a 19 de Junho de 2008 às 10:41
Fossem apenas 10% das pessoas neste país que não percebem que o dinheiro do Estado não é dinheiro de um grupo privado.
De vasco a 19 de Junho de 2008 às 11:00
Mais uma vez voltamos à arrogância habitual...

deixo-lhe um link, e se calhar se aprender a ler os dados do eurostat, em vez dos dados do Miguel Frasquilho, aprenda a ter discussões produtivas.

http://resistir.info/e_rosa/imagens/carta_nao_publicada_1.gif

Bom dia para si.
De Jorge A. a 19 de Junho de 2008 às 11:46
Caro Vasco,

aprender a ler os dados do eurostat... ah... ah... ah... o que você quer dizer é aprender a desmontar os dados de forma a coincidirem com aquilo em que queremos acreditar. Os números que cito não são retirados do artigo do Miguel Frasquilho, são retirados directamente do eurostat (que é também a fonte onde certamento o Miguel Frasquilho foi buscar a informação que apresenta), o camarada Vasco é que tem de ir ao site do eurostat e mostrar-me que os dados que apresenta são verdadeiros.

E arrogância camarada, é vir para aqui criticar o que digo, sem apresentar uma tese que seja a contrariar os argumentos que uso para criticar o PCP.
De vasco a 19 de Junho de 2008 às 12:46
Em primeiro lugar, não sou seu camarada.

Em segundo lugar, não tenho que lhe mostrar que o quadro q apresentei é verdadeiro, tanto mais que você me tem que mostrar que o primeiro artigo do google que lhe apareceu o é. Está lá escrito FONTE EUROSTAT/ JP- ESRI. (acho interessante que não tenha o mesmo rigor para o seu link, aí fica-se por um "certamente")

Deixo-lhe mais um link para ver a tendência dos últimos anos no que respeita a peso dos salários no PIB, além do outras consequências da situação económica actual na generalidade da população. (Espero que este seja mais merecedor da sua credibilidade, apesar de desconfiar que não)

http://www.etuc.org/IMG/pdf_Extract_-_Chapter_on_Wages_-_ETUI-REHS_Benchmarking_2008-4.pdf

Já agora um outro link interessante com dados (erróneos, mas bem diferentes dos ridículos 70% de que falou) de outro perigoso comunista, Daniel Amaral.

http://resistir.info/e_rosa/imagens/carta_nao_publicada_2.gif

O problema das reservas mentais é o de que não permitem nenhuma leitura que não a que já se tem. Você já sabe que os comunistas são despesistas, que não querem saber das pessoas, que não percebem nada de economia, que gostam é de manifs e escarcéu. Você até já sabe que eu sou comunista, veja lá!

O problema está na diferença entre aquilo que você sabe e a verdade... A verdade é que os portugueses são mais mal pagos hoje do que eram, que há mais portugueses pobres ou em risco de se tornarem pobres, que a classe média está a desaparecer para dar lugar ou a ricos ou a pobres (até o vermelhíssimo editor de economia da SIC o afirma), que os gestores de empresa em Portugal ganham em média (mais coisa menos coisa) 40 vezes mais que o empregado mais mal pago das suas empresas, que há pessoas que tem que viver com 300 euros por mês(estou a ser generoso), e que nesses 300 euros têm que fazer caber tudo, desde a alimentação à habitação, percebe? Essa é a verdade, apesar das suas "teorias económicas selectivas", e dos seus dados de fonte "certamente" segura.

A verdade é que a situação em que estamos é excepcionalmente má, porque tem vindo a existir um aumento generalizado do custo de vida (combustíveis, juros, alimentos) que afectam sobretudo os mais desprotegidos em termos económicos.

Criar situações temporárias de protecção, como congelar os preços do pão e do leite durante menos de 6 meses, parece-me de elementar justiça. Aplicar uma medida já anunciada, para permitir uma contenção de custos com os combustíveis aos transportes públicos, também merece alguma reflexão não acha?

Parece-lhe mais justo taxar o lucro crescente, ou o sobrecarregar o rendimento minguante?

Já reparou que se olhar mais para o que se propõe, em vez de para quem propõe, as coisas ganham uma outra perspectiva?




De Jorge A. a 19 de Junho de 2008 às 13:20
Camarada Vasco,

em primeiro lugar os mais de 70% são um facto concreto, os camaradas é que quando se referem aos 40% só estão a incluir os salários por conta de outrém. Como digo, é como convém...

depois, o camarada vasco tem de perceber que o rendimento das pessoas não advém só do factor trabalho, advém também do factor capital (e ainda bem que assim é - não é por acaso que lhe chamam capitalismo, camarada!) - bem podia o camarada ler o artigo do Miguel Frasquilho, que eu recomendo não para ir buscar números (esses, como eu lhe disse, são correctos e são do eurostat), mas para aprender alguma coisinha. Se os salários estivessem de facto a diminuir no peso do PIB eu dava-me por satisfeito, pena é que assim não seja.

"A verdade é que os portugueses são mais mal pagos hoje do que eram, que há mais portugueses pobres ou em risco de se tornarem pobres, que a classe média está a desaparecer para dar lugar ou a ricos ou a pobres (até o vermelhíssimo editor de economia da SIC o afirma)"

Camarada, sobre isto, nunca disse o contrário. O meu ponto é que tal acontece exactamente dado o carácter socializante das medidas adoptadas - ou o camarada acredita que este país é um paraiso neoliberal?

De Jorge A. a 19 de Junho de 2008 às 13:30
"Já reparou que se olhar mais para o que se propõe, em vez de para quem propõe, as coisas ganham uma outra perspectiva?"

Já, é por isso que fico à espera da sua resposta para isto:

"o que acontece quando o preço máximo possível é inferior ao preço a que os fornecedores estão dispostos a vender o pão, o leite e os produtos de higiene... pois é, esses produtos começam a desaparecer das montras... malditos estes capitalistas, pá..."

ou para isto:

"A partir do momento que o spread da CGD não correspondesse ao do mercado e fosse, como pretende o PCP, mais baixo, para onde correriam as pessoas a solicitar empréstimos? Mas se o spread fosse calculado assim por alto ao sabor do que o PCP acha que deve ser, o que aconteceria à viabilidade económica da CGD?"
De Jorge A. a 19 de Junho de 2008 às 13:24
"Criar situações temporárias de protecção, como congelar os preços do pão e do leite durante menos de 6 meses, parece-me de elementar justiça."

Imagine que passados 6 meses a situação piorou, o preço de mercado do pão, leite e produtos de higiene aumentou, o que acontece?
De Jorge A. a 19 de Junho de 2008 às 13:28
"Parece-lhe mais justo taxar o lucro crescente, ou o sobrecarregar o rendimento minguante?"

É a taxar o lucro crescente que você garante rendimentos minguantes... pena que não perceba isso, mas não tenho tempo para o explicar.

Mas quando se fazem os tops das empresas onde os trabalhadores mais gostam de trabalhar, invariavelmente nos primeiros lugares aparecem aquelas com lucros crescentes... funny.
De vasco a 19 de Junho de 2008 às 14:05
Já percebi que não lhe interessa o rigor nas argumentações. O Daniel Amaral é um camarada? Onde foi buscar essa de que só estão incluídos os TCO? (e mesmo que estivessem só incluídos estes, seriam ainda assim a esmagadora maioria).

Mais uma vez OS SALÁRIOS NÃO ESTÃO A CRESCER EM PERCENTAGEM DO PIB, isso é absolutamente FALSO. Ninguém com um mínimo de senso comum, deixa de ver esses 70% como ABSURDOS. Mais uma vez, e para não ter muito trabalho:

http://www.etuc.org/IMG/pdf_Extract_-_Chapter_on_Wages_-_ETUI-REHS_Benchmarking_2008-4.pdf

PÁGINA 5. (Portugal é PT).

Argumentação selectiva, previsões de caos, a crise é culpa das medidas socializantes, as mesmas que não se podem aplicar porque iam piorar a situação por elas criadas... hmm belo paradoxo. Também deve achar este Governo de esquerda. Não me parece que esteja interessado em ter uma discussão séria.

Passe bem.




De Jorge A. a 19 de Junho de 2008 às 14:24
"Ninguém com um mínimo de senso comum, deixa de ver esses 70% como ABSURDOS."

A primeira coisa que nos ensinam, caro Vasco, é que o senso comum é das primeiras coisas que devemos pôr de parte quando queremos fazer uma análise séria, mas os gráficos deste link:
http://www.etuc.org/IMG/pdf_Extract_-_Chapter_on_Wages_-_ETUI-REHS_Benchmarking_2008-4.pdf

Batem todos certo com o gráfico deste:
http://www.ordemeconomistas.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=10437&Itemid=685

"Também deve achar este Governo de esquerda. Não me parece que esteja interessado em ter uma discussão séria."

Não, é de extrema-direita. Uma discussão séria, consigo, que continua sem apresentar um único argumento contra aquilo que defendo?!?
De Jorge A. a 19 de Junho de 2008 às 14:27
Sobre os dados, pode ir buscar aqui:

http://ec.europa.eu/economy_finance/indicators/annual_macro_economic_database/ameco_applet.htm

Depois na primeira opção seleccione: Original data

E na selecção mais abaixo procure por:

Adjusted wage share... blá... blá... blá...

tem duas opções, uma medida em função dos preços de mercado outra medida em função do custo corrente dos factores.

Na primeira opção, para Portugal, o valor é de 63%. Na segunda opção é de 73%. Valores absurdos? Pois, pois... vá explicar isso ao eurostat.
De Fulano de Cicrano a 24 de Junho de 2008 às 05:31
Acerca do assunto em questão não posso botar discurso. Agora sobre como se arranja pão e leite mais baratos até tenho uma ideia : ocupam-se de novo as grandes propriedades agrícolas e reverte para o povo o que o povo produzir. O chato é o Calvin Klein abandonar o país.
De Jorge A. a 24 de Junho de 2008 às 14:21
"O chato é o Calvin Klein abandonar o país."

É chato por isso e porque o pão e o leite disponível diminuiria... ou pensa que a parte do povo que ocupasse as propriedades agrícolas estaria cheia de vontade de trabalhar para a outra parte do povo que não tivesse ocupado a propriedade agrícola? Como digo, o amigo é um poeta...

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