Quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

Juventudes partidárias

Se os partidos pretendessem verdadeiramente renovar-se, podiam começar por acabar com estas. Tal como estão, refiro-me sobretudo às dos dois principais partidos, são pouco mais do que espaços ondes alguns jovens aprendem a não raciocinar para além dos interesses e da defesa do partido, bem como a desenvolver uma rede de contactos e amizades que funciona como trampolim para a sua ascensão política, para a sua formação enquanto políticos profissionais. Em boa parte, aquele que entra numa juventude partidária, rapidamente percebe que do bem do partido depende o seu bem pessoal, mesmo porque a actividade política desenvolvida na organização em causa retira-lhe tempo para desenvolver outras actividades fora da política, por outras palavras, acaba de se profissionalizar como politico, e então nada mais ambiciona do que ter no partido quem lhe atribua algum poder e um rendimento com que viver. Ora, como bom político profissional que o jovem é (ou pretende ser), fica dependente de duas coisas para ter um bom emprego, 1) que o seu partido detenha o poder (pelo que a obtenção do poder pelo partido tudo justifica); e 2) que aquele que no seu partido dispõe do poder interno (e que portanto decide quem são os boys partidários que partilharão com ele o poder obtido pelo partido), tenha em boa conta o jovem que quer ascender na carreira, por outras palavras, se o jovem não cair nas boas graças do 'chefe', o jovem não mama nada. É neste ambiente que alguns dos nossos políticos foram formados. Os partidos tornaram-se em agências de emprego e as juventudes partidárias fomentam esse estado de coisas.

publicado por Jorge Assunção às 13:30
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Seguir o exemplo

Armando Vara suspendeu funções como administrador do BCP, o que espera José Penedos, presidente da REN, para fazer o mesmo?

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publicado por Jorge Assunção às 11:49
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Terça-feira, 3 de Novembro de 2009

Minoria Relativa, Negociações e Poder

O governo anterior tinha maioria absoluta na Assembleia da República, este não tem. Dado isto, o governo não pode tirar um coelho da cartola e exigir continuar a governar como se tivesse mantido a maioria absoluta. O governo pretende fingir que o resultado das últimas eleições apenas aumentou a responsabilidade da oposição, sem perceber que esse aumento da responsabilidade só existe se à oposição for dado mais poder, ou seja, se o governo abdicar de parte do poder que tinha no governo anterior. Mais poder à oposição implica que o PS não possa cumprir, obviamente, o programa com que se apresentou a eleições. Logo, o programa de governo agora apresentado é uma farsa.

 

Entretanto, acho também curiosa a posição de alguns socialistas sobre o programa de governo. Dizem eles que ganharam as eleições e por isso foi o seu programa que obteve o apoio maioritário dos portugueses, não fazendo sentido apresentar (e aplicar) outro programa que não o deles. Talvez seja bom explicar a alguns socialistas que numa democracia com um quadro institucional como o nosso, nem sequer é garantido que o partido vencedor tenha o direito a formar governo (veja-se, a título de exemplo, o caso israelita, cujo sistema é semelhante ao nosso: o Kadima venceu, mas está na oposição, uma vez que, por força das coligações possiveis, foi atribuido ao Likud a formação do actual governo). O PS venceu, é certo, mas sem maioria absoluta, o que permite dizer que a maioria dos portugueses preferiu outro programa que não o do PS. Logo, e como para todos os efeitos o PS aceitou a tarefa de formar governo, cabia a este partido apresentar um programa que procurasse incluir algumas propostas constantes nos programas dos restantes partidos. Não o fez.

 

No nosso quadro institucional, uma maioria relativa obriga a negociações. Dirão que as cedências terão de vir dos dois lados, mas aqui há um factor que explica a teimosia socialista em perceber o óbvio: as negociações obrigam a cedências, é um facto, mas o ponto de partida para as negociações não é igual (realço que é a primeira vez na nossa democracia que um partido passa de maioria absoluta para minoria relativa). O PS entra a negociar quanto poder perde, a oposição entra a negociar quanto poder ganha. Um, certamente, perde. O outro, na pior das hipótese, ganha menos do que esperava ganhar. Isto é uma espinha entalada na garganta do animal feroz. Por isso o animal feroz não se conseguirá conter e irá, nem que seja pela calada, provocar a queda do seu governo o mais cedo possível. O programa agora apresentado, de que mais tarde dirá não ter tido condições para o cumprir, como se agora que o apresenta já não o soubesse, é apenas o primeiro sinal do que ai vem.

publicado por Jorge Assunção às 13:30
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Público

Nos últimos tempos, já só comprava o jornal de forma intermitente. Gostava (ou deverei dizer: estava habituado) à estrutura do jornal. Contudo, há muito que a maior parte dos conteúdos não me interessavam. Recentemente, a crónica diária do Miguel Esteves Cardoso era das poucas coisas no jornal que lia sempre com prazer. Mas se comprava, ainda que intermitentemente, o jornal, era porque José Manuel Fernandes era o seu editor e, no panorama da imprensa portuguesa, era dos poucos que atrevia-se a não alinhar com o governo. Tendo em conta o editorial que se seguiu à saida de José Manuel Fernandes do jornal, acho que é desta que deixo de comprar jornais.

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publicado por Jorge Assunção às 11:00
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Segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

Marcelo Rebelo de Sousa

Marcelo quer passadeira vermelha ou não é candidato. Marcelo não quer ser associado à facção de Manuela Ferreira Leite. Marcelo sabe que as eleições são daqui a alguns meses. Marcelo não quer ver o seu nome discutido no imediato. Marcelo quer deixar Passos a queimar em lume brando (ele próprio, no comentário de domingo, contribuiu para isso, voltando a apontar uma inconsistência no eterno jovem). Marcelo não quer ser mais um nome, mas antes quer ver discutidas ideias. Marcelo pode muito bem, daqui a algum tempo, declarar que dadas as condições (ele tratará de explicar quais as condições), é candidato a líder do partido.

publicado por Jorge Assunção às 21:00
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Meia dúzia de linhas que contam muito

Paulo Penedos: o homem que correu para líder do PS: É amigo do secretário de Estado Marcos Perestrello e de Sérgio Sousa Pinto, uma geração que fez percurso político na 'jota'. [...] Paulo esteve ao lado de José Sócrates quando este se candidatou a secretário geral do PS.

publicado por Jorge Assunção às 15:30
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Paulo Bento e o Sporting

A direcção do Sporting continua a insistir que afastar o treinador não trará nada de novo ao clube. Discordo. Poderei concordar com muitos sportinguistas que afirmam que, dadas as condições financeiras do clube e o mercado de treinadores nesta altura da época, será impossível encontrar alguém melhor habilitado para treinar que Paulo Bento, mas isto é não perceber o problema essencial, que já passou em muito o debate sobre a (in)capacidade do actual técnico leonino. O problema é psicológico, quer dos jogadores que actuam sobre uma pressão exagerada para obter resultados, quer dos adeptos que não confiam na equipa e, portanto, ou não vão ao estádio, ou ao primeiro falhanço assobiam a equipa, acentuando a pressão que esta sente. Esta intranquilidade é bem notória na forma como o Sporting não consegue segurar vantagens no marcador e a alteração desse estado de coisas, que funciona em espiral, já não está ao alcance de Paulo Bento. Além do mais, o técnico leonino teve um grande defeito: atacou vezes sem conta a arbitragem. Ora, uma das coisas que reconheço nos tempos mais recentes é que o Sporting tem razão para queixas, mas o constante ataque de Paulo Bento à arbitragem, muitas vezes sem razão para isso, tira-lhe credibilidade para agora voltar a queixar-se. Dado isto, parece-me urgente que Paulo Bento seja demitido, embora tal seja o reconhecimento do primeiro grande erro da actual direcção. Contudo, se decidirem continuar a restante época com Paulo Bento, também não me parece mal, é que, enquanto adepto benfiquista, tal poderá traduzir-se em alguns momentos de felicidade pela restante temporada.

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publicado por Jorge Assunção às 15:01
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