Sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

E agora, Sporting?

Sporting: Villas Boas fica na Académica, negociações falham

 

Bem, se falhar o último pretendente a novo Mourinho, podem sempre ir buscar o eterno pretendente a novo Mourinho, Carlos Carvalhal. E isto porque sabemos que o outrora dado como arqui-rival do Mourinho, Manuel José, já mostrou não estar disponível para o cargo. Esta novela sportinguista está engraçada. Muito embora, no meu clube, há quem aponte o Jorge Jesus como melhor que o Mourinho. E no FCP, há quem diga que Jesualdo Ferreira é bom, mas está longe do Mourinho. É toda uma obsessão nacional com o Mourinho. Tão nacional que é coisa certa, e o próprio já manifestou interesse nisso, que o Mourinho será, numa data ainda por determinar, seleccionador nacional de futebol.

publicado por Jorge Assunção às 17:00
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Recordações

O primeiro-ministro acusou hoje o semanário "Sol" de o ter "insultado" a propósito das escutas no âmbito do processo Face Oculta e manteve o que afirmou no Parlamento sobre o seu desconhecimento face à compra da TVI.

 

A propósito da notícia acima citada, gostaria de recordar:

 

O PÚBLICO também apurou que as relações entre o "Sol" e um dos seus principais accionistas, o grupo BCP, se têm vindo a alterar desde que os socialistas Santos Teixeira e Armando Vara foram eleitos para a administração do banco fundado por Jardim Gonçalves. Foram canceladas campanhas publicitárias e retirados patrocínios já negociados, o que contribuiu para tornar mais difícil a situação da empresa.

 

Há muito tempo que os socialistas gostariam de ter silenciado o jornal cujo director é José António Saraiva. Vamos ver quanto tempo demora até o conseguirem.

publicado por Jorge Assunção às 14:10
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Quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

Isaltino não diria melhor

Marinho Pinto, na SIC, comentando o caso do momento: "Já chega. Este homem (Sócrates) ganhou duas eleições seguidas".

publicado por Jorge Assunção às 20:50
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Os boys

O Conselho de Ministros aprovou hoje a nomeação do ex-secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro, Filipe Boa Baptista, para o cargo de vogal do conselho de administração da Anacom.

 

Neste momento, a pergunta já nem é quantos socialistas ocupam cargos de relevo na sociedade portuguesa, mas antes: quantas pessoas ligadas a José Sócrates ocupam cargos de relevo na sociedade portuguesa?

publicado por Jorge Assunção às 17:59
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A busca pelo novo Mourinho

André Villas-Boas está em vias de transformar-se no novo treinador do Sporting. O trajeto profissional do jovem técnico português, de 32 anos, sempre ligado a José Mourinho.

 

Desde que o Mourinho apareceu como treinador no futebol nacional, o mundo futebolístico anda ansioso com a expectativa de encontrar um novo Mourinho. Só por isso compreendo as elevadas esperanças criadas em torno de alguém que tem 32 (!) anos e nenhuma outra experiência como treinador que não os poucos meses que já leva em Coimbra. Meus caros amigos sportinguistas: até o Mourinho, quando chegou ao Benfica, já tinha 37 anos. E reparem que o Mourinho foi, em grande medida, uma aposta de um clube desesperado, sem dinheiro. A leitura que faço dos eventos que sucedem-se no actual Sporting é que o clube não estará muito longe de ter uma situação financeira semelhante à do Benfica no tempo de Vale e Azevedo. É certo que, como não tem um Vale e Azevedo ao leme, não contrata jogadores a clubes para posteriormente não pagar as verbas acordadas, mas exceptuando isto, encontro no actual Sporting a mesma degradação que recordo desses tempos do Benfica. Quando Soares Franco abandonou o barco de livre vontade, deu para perceber que as águas navegadas não eram calmas. O desespero evidente nas declarações de José Eduardo Bettencourt foram sinal de um barco a meter água. Dada a dimensão do barco, não será impossível evitar o naufrágio, mas o cabo das tormentas não será fácil de contornar. O Boavista que o diga...

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publicado por Jorge Assunção às 17:30
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Sócrates e Pinto da Costa

O cargo de José Sócrates não é o cargo de Pinto da Costa. Era bom que na abordagem das suspeições que pairam sobre o primeiro-ministro não as tratássemos como se fossem suspeições sobre o presidente de um clube de futebol.

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publicado por Jorge Assunção às 16:30
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Confiar na justiça

Três juízes do Tribunal da Relação do Porto que participaram no acórdão que absolveu a empresa O2 - Tratamento e Limpezas Ambientais, SA de pagar 105 mil euros à Refer - Rede Ferroviária Nacional estranham que Manuel José Godinho, preso preventivamente no âmbito da operação Face Oculta, tenha sido apanhado numa escuta telefónica com Armando Vara a dizer que ganhou o caso, quatro dias antes da decisão ter sido assinada por aqueles juízes. E não conseguem explicar a eventual fuga de informação.

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publicado por Jorge Assunção às 14:13
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Quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

Fico agradecido

«Os deputados são a voz da opinião pública. Não é ficando calado, destruindo provas, que se resolvem as dúvidas políticas»

 

Ferreira Leite, hoje, no parlamento, após ter exigido que o primeiro-ministro esclareça tudo o que terá sido dito nas tais conversas escutadas e que alguns pretendem anular e esconder para sempre da opinião pública. Os assuntos políticos não podem ser abafados através de formalismos judiciais. Tanto mais quando o formalismo judicial em causa só existe por decisão do governo anterior do actual primeiro-ministro. Mas temo que, mais uma vez, será Ferreira Leite quem passará pela maluquinha, a velha tonta, aquela que não é merecedora da confiança dos portugueses, e o primeiro-ministro, qual rapazola injustiçado, ainda terá a honra de ver a sua defesa provir dos cantos mais inesperados, e continuará a navegar a onda da vitimização.

publicado por Jorge Assunção às 19:00
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Facto objectivo

Se as escutas a José Sócrates são nulas, tal resulta de uma lei aprovada durante a legislatura anterior, em que José Sócrates era primeiro-ministro. Tivesse este caso acontecido com Durão Barroso, António Guterres ou Santana Lopes, e as escutas não poderiam ser anuladas com o pretexto invocado.

publicado por Jorge Assunção às 17:30
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Mudar para ficar tudo na mesma

Volta e meia surge o discurso contra o actual regime. Nada a opor. Parece-me que o actual regime está, digamos, decadente. O que me parece menos certo é que a alteração do regime promova uma alteração na sociedade capaz de transformar isto para melhor. É a cultura enraizada no povo português que leva o regime, volta e meia, a descambar nisto que temos. Nesse sentido, uma mudança de regime pode até ser coisa perigosa, uma vez que não dará mais do que a simples ilusão de que algo de substancial se alterou. E tal ilusão permite à sociedade continuar mais umas décadas a ignorar que nada mudou e, portanto, a cair nos mesmos erros e condutas de actuação sem procurar renovar-se.

publicado por Jorge Assunção às 17:00
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Terça-feira, 10 de Novembro de 2009

E eu confio que é a decisão correcta

Face Oculta: Supremo diz que escutas a Sócrates são nulas

 

Afinal, só ainda não percebeu quem não quer: Sócrates é intocável. Infelizmente, não é intocável à maneira de Eliot Ness e dos elementos do seu grupo, aos quais a expressão "os intocáveis" derivava do facto de serem homens incorruptíveis. Intocáveis, portanto, porque eram homens íntegros, que não se deixavam tocar pela sujeira. Mas longe disso no caso do nosso primeiro: Sócrates é intocável à maneira de Al Capone. É isso que penso. E Noronha de Nascimento, obviamente, não é nenhum Eliot Ness.

 

publicado por Jorge Assunção às 15:00
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Segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

Cristiano Ronaldo

Se fosse dirigente do Real Madrid, também não veria com bons olhos a chamada de Cristiano Ronaldo à selecção nacional nas condições em causa. Atentendo ao que tenho lido de alguma imprensa da pátria, o Real Madrid parece o malvado nesta história. Perdoem-me, mas não tenho certeza disso. Aliás, tendo em conta a história mal explicada da lesão de Cristiano Ronaldo no jogo anterior, dou completa razão ao Real Madrid. Percebo que a selecção esteja numa fase de tudo ou nada, portanto, de correr riscos - embora, no caso Ronaldo, qual é o risco que a selecção agora corre? Se o jogador agravar a lesão, é expectável que fique fora do Mundial? Nem por isso, já para o clube, se o jogador tornar a lesionar-se, é expectável que perca boa parte da época. O clube, porque a época é longa, tem por isso mais moderação na análise à condição de Ronaldo. Na prática, há aqui um risco, muito maior para o clube do que para a selecção, e, portanto, mesmo porque é o clube que lhe paga a maior parte do salário, devia caber ao clube a decisão final.

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publicado por Jorge Assunção às 20:00
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Depois do muro

E olhando para as diferenças que persistem entre a Alemanha ocidental e oriental, diria que os regimes mudam mais o povo do que o povo muda com a mudança do regime. Enfim, se mesmo na fusão entre duas empresas*, entidades de dimensão e complexidade reduzida quando comparadas a um país, tantos são os problemas que surgem, como esperar que numa fusão do que eram, na altura, dois países completamente distintos, não existissem problemas de difícil resolução? Especialmente quando aquilo não foi propriamente uma fusão entre iguais, mas uma fusão onde um lado, o ocidental, tinha claramente preponderância na escolha do caminho a seguir. Além do mais, a Alemanha é um óptimo exemplo de como, na aplicação de modelos económicos e sociais, não atender e entender a especificidade dos povos a que se destinam tais modelos, é o primeiro passo para o modelo fracassar.

 

* estou a pensar, nomeadamente, em algumas aquisições do BCP no tempo do Jardim Gonçalves. Imaginam o que é impôr o sistema informático de um banco a todos os funcionários do banco adquirido? E impôr a mentalidade do BCP aos quadros altos do banco adquirido? Obviamente, muitos dos funcionários do banco adquirido, especialmente aqueles que estavam lá há mais tempo, sofriam de problemas de adaptação e julgavam-se, muitas vezes com razão, tratados como que funcionários de segunda numa instituição que pretendia-se única e a remar para o mesmo lado.

publicado por Jorge Assunção às 17:00
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Ainda a propósito do meu post anterior

Um dos deputados com uma intervenção que não apreciei foi Miguel Frasquilho. Tal facto surpreendeu-me, porque até tinha boa ideia de Frasquilho, famoso pela defesa do 'choque fiscal' e por constantemente apelar à redução da carga fiscal. Mas Frasquilho teve uma intervenção fraca e, no dia seguinte, sexta-feira, acentuou-se a má impressão com que fiquei dele. Este participou no Expresso da Meia Noite, o programa da Sic Noticias, e, na sua intervenção inicial, decidiu afirmar que o TGV não se justificava, sendo mais correcto apostar na ferrovia tradicional, para o transporte de mercadorias. Ora, a ideia não é nova, nem original. É muito antiga, aliás, e não é difícil encontrar quem a defenda nos mais variados cantos da blogosfera. Mas não foi, certamente, a não novidade da ideia que me surpreendeu pela negativa, mal seria se sempre que nos expressamos tivéssemos que ser originais. Este próprio blogue, se há coisa que está repleto, para não dizer que só disso existe, é de banalidade e pensamentos nada originais. Mas, o que me deixou negativamente surpreendido, dizia eu, foi a forma como Frasquilho, após expressar a sua ideia, ficou extraordinariamente contente, de tal forma que não o conseguiu esconder, quando Henrique Neto, numa intervenção posterior, viria a defender o mesmo. Henrique Neto defendia a mesma tese e ouvia-se Frasquilho empolgado, em voz de fundo, a afirmar: "tal como eu disse",  "precisamente o que defendi", e outras considerações do género. O homem parecia uma criança feliz por alguém concordar com ele. Digamos que, deste episódio, em primeiro lugar, não gostei da felicidade incontida, em segundo lugar, não percebi qual o motivo da felicidade por alguém concordar com Frasquilho quando a ideia não é propriamente uma originalidade do deputado do PSD, nem pode ser imputada a este. Talvez num post futuro volte a este assunto, até porque, para já, e conforme o que digo neste texto, não sei se ficará imediatamente claro o que me desagradou na atitude de Frasquilho.

publicado por Jorge Assunção às 16:00
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Domingo, 8 de Novembro de 2009

A Assembleia da República

No debate do programa de governo, foi-me possível ouvir as intervenções de várias deputados que normalmente não intervêm nos debates parlamentares. A maioria, ainda ia na segunda frase da sua exposição argumentativa e já era custoso escutar o que diziam. Por dois motivos: 1) fraca capacidade oratória; 2) conteúdo sem qualquer interesse e relevância. Alguns, cometiam mesmo a imprudência de cometer erros grosseiros no que afirmavam. Os ministros, mais experientes e conhecedores, facilmente replicavam o que havia sido dito pelos deputados da oposição. Uma cena deprimente. Percebe-se que no futuro muitos deles raramente voltem a ter protagonismo para falar em momentos decisivos. É que fossem esses os soldados com que a oposição se apresenta na batalha e a guerra estaria mais que perdida.

publicado por Jorge Assunção às 14:09
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Sábado, 7 de Novembro de 2009

Muros

A propósito da queda do muro de Berlim, há sempre quem confunda muros erguidos para que os habitantes não fujam de determinado país, com os que constroem muros para que o seu país não seja invadido por outros povos. Embora condene todos os muros, não têm, nem de perto, nem de longe, o mesmo significado e relevância. Num caso, o país é tão pouco atractivo e mal governado, que os seus habitantes de lá querem fugir, no outro caso, o país é tão atractivo e bem governado, que habitantes de outros países lá querem entrar. É toda uma diferença.

publicado por Jorge Assunção às 14:35
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Sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Nem carne, nem peixe

Ontem, José Sócrates e vários outros elementos do partido socialista, notaram que a oposição que se queixa que o programa do governo é igual ao programa com que o PS concorreu às eleições, também não tem, ela própria, um programa compacto e homogéneo. Ou seja, e a título de exemplo, o PCP quer políticas de esquerda, enquanto o CDS/PP quer políticas de direita. Por isso, quando a oposição solicitava que o governo apresentasse um programa com algumas cedências, o governo e Sócrates não podiam ceder porque as cedências pretendidas diferiam conforme o lado a que o governo prestasse atenção. Ora, escolher um lado é aquilo a que um governo responsável, em posição de minoria, será necessariametne obrigado, e o PS porta-se mal quando adia tal decisão. Percebo, escolher governar mais à direita, retira votos à esquerda, escolher governar mais à esquerda, retira votos ao centro, mas a posição actual do partido socialista, não escolher, é que é paralisante para o país. Esperemos que no Orçamento de Estado este PS tenha mais sentido de responsabilidade.

publicado por Jorge Assunção às 19:39
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Paulo Bento Forever

Paulo Bento demite-se do Sporting

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publicado por Jorge Assunção às 13:21
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Talvez

José Sócrates foi escutado pela Judiciária em conversas com Armando Vara

 

Talvez, mais cedo do que espera, o primeiro-ministro seja obrigado a dar uma palavrinha aos portugueses sobre a sua posição quanto ao processo Face Oculta. Reparem, tal como a notícia está dada, que as meras conversas sobre o caso TVI podem ser irrelevantes, e não vale, ainda, fazer grande alarido disso, mas há uma coisa que fica clara, como já era, mas neste país é sempre bom confirmar o óbvio: o primeiro-ministro e Armando Vara são amigos pessoais e, portanto, o nosso primeiro é um homem que conversava habitualmente com Vara. O teor dessas conversas é fundamental para perceber duas coisas: 1) se Vara, enquanto amigo pessoal, era capaz de influenciar as decisões políticas de Sócrates; 2) se Sócrates, enquanto amigo pessoal, revelava a Vara factos que permitiriam a este último obter favores noutro lado. É que Armando Vara era precioso para o empresário da sucata porque tinha boas relações junto do poder e conseguia influenciar as decisões tomadas. Ora, entre os contactos pessoais de Vara, nenhum era mais importante e influente que o primeiro-ministro. Mas deixem-me fazer outra constatação: já sabiamos que José Sócrates era um homem com azar na familia que lhe calhou, agora, constatamos também, que talvez seja um homem com azar nos amigos que escolhe. Sócrates é um homem que atrai o azar, a tal ponto que até atraiu uma crise financeira internacional que impediu o país de atingir o paraíso almejado pelas políticas socialistas. Sócrates é um homem com azar, mas nunca é, nem nunca será, um homem com culpa. Ele passa com impunidade por tudo. Sócrates é um chico esperto à portuguesa.

publicado por Jorge Assunção às 12:00
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Quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

Pacheco Pereira

Muito bem na intervenção da Assembleia da República. Curiosa, embora nada de espantar, a resposta do primeiro-ministro. Foi, em primeiro lugar, uma não resposta, uma vez que decidiu não abordar nada do que foi dito por Pacheco Pereira, em segundo lugar, foi um ataque pessoal, atacou o mensageiro e não a mensagem. Pacheco Pereira é uma pessoa incómoda para poderes de vária ordem, por isso há tantos que não gostam dele. Mas demonstrou, para quem duvidasse, como é uma mais valia como deputado face à mediocridade lá instalada. Os socialistas rangeram os dentes, num misto de felicidade e raiva, com as 'bocas' do primeiro-ministro ao deputado social-democrata. Imagino até que, de forma mais incompreensível para mim, alguns não socialistas aprovem parte das 'bocas'. Dada a intervenção de Pacheco Pereira, é pena que o PSD tenha como líder da bancada parlamentar Aguiar-Branco. Mas tendo em conta os anti-corpos existentes contra Pacheco Pereira, compreendo que fosse difícil este assumir o cargo: as pessoas concentrariam-se sempre mais no mensageiro do que na mensagem.

publicado por Jorge Assunção às 15:30
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Um retrato da sociedade

A aprovação no exame de condução era passível de ser comprada (bastava dar uma palavrinha ao instrutor uns dias antes, e no próprio dia do exame, levávamos o envelope com determinda importância, colocava-se o envelope no porta luvas do carro e estava garantida a aprovação - instrutor e examinador tinham mais um rendimento extra). Na aquisição de habitação era (quase) sempre declarado um valor inferior ao efectivamente pago (o construtor tinha menos lucro para apresentar ao fisco e o comprador pagava menos taxas). Não era dificil, quando apanhados pela brigada de trânsito a cometer uma infracção, assinalar com determinado valor monetário e sair impune (o polícia obtia um rendimento extra e o infractor poupava a diferença entre o valor utilizado para corromper o polícia e o valor da multa e as consequência que dai podiam advir). Boa parte das pessoas tem isto bem presente na memória e se, entretanto, algumas destas coisas mudaram, não é menos verdade que existiram e muitas das pessoas não só têm estas coisas na memória, como terão usufruido uma ou outra vez destas. É por isso que muitos aceitam perdoar o político corrompido e o empresário que corrompe, é por isso que não desejam que estes sejam julgados de forma dura. Na sua consciência, pesa o facto de que, se estes agora merecem pena dura, também eles, outrora, não agiram melhor (à escala do que lhes era possível, é certo) e mereciam igual sorte.

 

Há uma história, aqui das redondezas da zona onde vivo, que ilustra bem o tipo de justiça que temos: existe um elemento da brigada de trânsito que enriqueceu como que do dia para a noite. Os sinais exteriores de riqueza substanciavam-se, entre outras coisas, numa vivenda que havia construido e nos carros que possuia. Na povoação, falava-se constantemente, com surpresa, da proveniência do dinheiro que teria permitido aquela nova vida. Suspeitavam que a profissão do sujeito não era alheia ao estilo de vida, mas as coisas não passavam da suspeita. Mais tarde, existiram fortes indicios, descobertos pela própria instituição, de que o sujeito era corrupto. Qual foi o castigo do homem? Foi remetido para trabalho de secretaria e ainda lá está. Foi esta a pena dura do homem.

 

Ou as gerações mais novas começam a ser criadas num ambiente diferente, ou arriscamos prolongar esta sociedade que convive bem com a corrupção durante longos anos. É que o primeiro passo para mudar este estado de coisas é através da censura social. Maria José Nogueira Pinto lamentava, na Sic Noticias, que essa censura social fosse praticamente inexistente na nossa sociedade. Pois ela é inexistente porque aquele que não se sente limpo, não se atreve a julgar e condenar de forma dura o sujo. Mas tratem, ao menos, e a bem da evolução da nossa sociedade, de não sujar as gerações mais novas.

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publicado por Jorge Assunção às 13:42
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Quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

Subscrevo

As pessoas inteligentes que acham que, apesar de a legalização do casamento homossexual ser importante e necessária, não podem ser descuradas as questões essenciais da governação têm o dever quase moral de não alinhar com a manipulação da máquina. Porque se é certo que a legalização já vem tarde, não se pode dar àquela gente o gostinho de usar de forma tão descarada e desprezível algo que mexe com a sensibilidade de tantos para poder caminhar entre a chuva

 

Tiago Moreira Ramalho, no Corta-Fitas.

 

Há quem queira transformar o instituto do referendo numa espécie de último reduto da defesa de causas que de outro modo estarão perdidas. Na impossibilidade de as bloquear de outra forma — no Parlamento — resta o referendo. Mais do que o recurso ao referendo por convicção, estamos perante um recurso instrumental.

 

Paulo Gorjão, no Vox Pop.

publicado por Jorge Assunção às 19:00
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