Segunda-feira, 15 de Dezembro de 2008

Pobreza, Definição e Limites

Risco de pobreza estabiliza em 18 por cento entre 2006 e 2007

Há 18 por cento de indivíduos residentes em Portugal que se encontravam em risco de pobreza em 2007, o mesmo valor indicativo observado em 2006, avança hoje o Instituto Nacional de Estatística (INE) no inquérito às Condições de Vida e Rendimento realizado em 2007, com base nos rendimentos de 2006. A taxa de risco de pobreza corresponde à proporção de habitantes com rendimentos anuais por adulto equivalente inferiores a 4544 euros em 2006, valor que corresponde a 379 euros mensais - aumento do limiar de pobreza de quatro por cento face a 2005.

A pobreza é um flagelo que afecta todas as sociedades e a necessidade de combate à mesma é em si um dever. Mas os números são manipuláveis e como tudo que envolve e influencia politicas, a definição de pobreza é tudo menos consensual, jogando cada um com os números que mais lhe dão jeito e com as comparações que mais servem as ideias que pretendem defender. A esse propósito tome-se em atenção o seguinte quadro:

 

(Fonte: Relative or absolute poverty in the US and EU? The battle of the rates)

 

O que os autores do estudo em questão fizeram foi comparar a medida de pobreza (relativa) utilizada na Europa, que colocaria os Estados Unidos como os com maior incidência de pobreza entre o conjunto de países considerado, com a medida de pobreza (absoluta) utilizada nos Estados Unidos, que faria saltar a pobreza em Portugal para um nível quatro vezes superior à dos Estados Unidos no ano 2000. Claro que ambos os indicadores tem os seus criticos e, sejamos sinceros, ambos são facilmente criticáveis porque não há indicador perfeito para este tipo de coisas, mas também fique claro desde já que dou muito mais valor ao segundo. É que com base no primeiro seria, por exemplo, possível a Portugal ter o mesmo nível de pobreza que uma Alemanha, quando nesta alguém que ganha o dobro do que é o limiar de pobreza definido pelo INE para Portugal (379 euros) ainda é considerado pobre. E depois, claro está, há coisas que estas medições não tomam em atenção. Por exemplo que nos Estados Unidos da América a pobreza persistente é quase nula (Dynamics of Economic Well-Being: Poverty 1996-1999 - durante o período em causa apenas 2% da população esteve abaixo do limiar da pobreza durante mais de 2 anos - facto a que a inexistência de persistência de desemprego de longo-prazo, contrariamente ao caso português, não deverá ser alheia). E para terminar, para quem goste mesmo do assunto, pode dar uma vista de olhos por aqui: EU versus USA.

publicado por Jorge A. às 18:57
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Ministério da Verdade

No brilhante 1984 de George Orwell o Ministério da Verdade é responsável por falsificar a história. A verdade é assim não um produto concreto da realidade dos factos, mas a leitura dos acontecimentos tal como o governo pretende. Infelizmente, nos dias que correm a ficção de Orwell há muito que assemelha-se à realidade.

 

Por isso não é de estranhar que quando muitos paises do hemisfério norte são afectados por uma onda de frio como há muito não se via e sabe-se que a temperatura média de 2008 vai ser a mais baixa do século XXI, a Associated Press tenha uma história como esta: Obama left with little time to curb global warming

 

O que mais me custa é ver pessoas minimamente inteligentes afirmarem que a subida de temperatura é notória a cada ano que passa (como se fosse possível fazer ciência com origem num feeling). Reparem que este facto é alheio à discussão da existência da tendência de aquecimento global, das causas da existência do aquecimento global, ou dos efeitos nefastos do aquecimento global - todas coisas muito interessantes de discutir. O que me causa impressão é que por esse feeling muitos aderem facilmente à teoria de que o mundo vai no mau caminho, que o CO2 é o responsável e os politicos precisam de agir (o engraçado é que muita desta gente não consegue, vá-se lá descobrir porquê, agir individualmente - quantos acreditam no aquecimento global e vão de carro para o emprego podendo ir de transporte público?). 

 

No entanto, o ano mais quente (nas próprias medições dos crentes) continua a ser 1998 (facto que explicam com o El Nino) e também nenhum dos últimos três anos excedeu a temperatura média de 2005. Como se explica assim a crença de tão boa gente que o aquecimento global é palpável? Está à vista de todos e só não vê quem não quer ver (uma frase recorrentemente utilizada que de argumento válido nada tem)? Bem, basta dar uma consulta pelos media tradicionais para o perceber (e a noticia da AP que cito acima é bastante ilustrativa). Quantos já ouviram falar ou leram noticias que davam conta do degelo no Ártico? Ao mesmo tempo, quantas vezes somos informados que o Antártico sobre efeito contrário?

 

Leitura Aconselhada: When looking at data, the environment is a mixed bag pelo Bjorn Lomborg, bem como toda esta sequência de posts do André Azevedo Alves: O aquecimento global não perdoa I, II, III, IV, V e VI.

publicado por Jorge A. às 02:54
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Domingo, 14 de Dezembro de 2008

Despedida

 

Bush chegou ao Iraque para se despedir das tropas

 

Escusava o presidente de ir em pessoa, a bem das tropas, uma simples emissária faria mais e melhor.

 

Adenda: acham que à Alessandra Ambrosio acontecia isto:

 

"Iraq's prime minister, Nuri al-Maliki, tried to block President Bush when a man threw his shoes at the president during a news conference in Baghdad on Sunday." (via: NYT)

publicado por Jorge A. às 18:13
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Auto Bailout

 

White House: No decisions yet on auto bailout

 

Mas a indústria tem bons argumentos do seu lado...

publicado por Jorge A. às 18:03
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Angels

 

More Americans Believe in the Devil, Hell and Angels than in Darwin's Theory of Evolution

 

Pudera...

publicado por Jorge A. às 17:48
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De Manhã Só Estou Bem Na Caminha

 

Marco Fortes recebe Prémio Stromp: Distinguido como Atleta do Ano

 

Não podia estar mais de acordo.

publicado por Jorge A. às 17:37
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Animal Farm

 

"Four legs good, Two legs better!"

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publicado por Jorge A. às 17:10
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Discutir Futebol

 

Taça de Portugal: Beto elimina o Benfica e já faz o Leixões sonhar com final do Jamor

 

Não sei de nada, nem quero saber.

publicado por Jorge A. às 16:50
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Sexta-feira, 12 de Dezembro de 2008

Bernard L. Madoff

No Insurgente é feita referência ao caso de Bernard Madoff, um reputado financeiro de Wall Street que chefiava a empresa Bernard L. Madoff Investment Securities, e que foi apanhado num gigante esquema de Ponzi (em termos gerais, o retorno dos investidores mais antigos era feito com base no dinheiro dos investidores mais recentes). A culpa é da falta de regulação, não é? Bem, talvez não:

According to Charlie Gasparino, the SEC received a letter in 2005 that stated, "Bernie Madoff is running a Ponzi scheme."

Ou melhor ainda, pelo menos desde 2001 que muitas suspeitas se levantavam sobre a forma de actuação de Bernard Madoff, mas vejam a resposta deste:

Madoff, who believes that he deserves “some credibility as a trader for 40 years,” says: “The strategy is the strategy and the returns are the returns.” He suggests that those who believe there is something more to it and are seeking an answer beyond that are wasting their time.

Certamente que não seria a Securities and Exchange Commission (um agente regulador norte-americano que tem as suas origens ainda na crise de 1929) a questionar a credibilidade do homem. Lá como cá.

publicado por Jorge A. às 21:25
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Medina Carreira

Medina Carreira anda à anos com a mesma conversa, estava o PSD no poder e o discurso dele era o mesmo. E era o mesmo porque o que o move não é a politica, não é a ambição por um cargo aqui ou ali, não é a manutenção no poder deste ou daquele partido - é simplesmente falar uma verdade com base em factos que todos com minimo conhecimento de economia conhecem, mas muitos fazem por ignorar. Mas o que recebe invariavelmente é retribuições como esta do Eduardo Pitta - ou manifestações de solidariedade sem que depois não venha a ladainha de que é demasiado pessimista. E assim desvaloriza-se o homem, mas não os números. E na desvalorização do homem vem o fingimento que os números também podem ser desvalorizados - e os que estão no poder mantém uma politica económica baseada simplesmente na fé de que dias melhores virão, mas desfasada do que é hoje a realidade económica do país. O que diz Medina Carreira pode ser ignorado, mas mais cedo ou mais tarde os números, que tanto desprezo provocam, terão de ser confrontados. Quanto mais tarde, pior, depois ninguém diga é que não foi avisado.

 

Ler: Emoções básicas (39)

 

Adenda: a última entrevista em causa pode ser vista aqui.

publicado por Jorge A. às 12:33
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Quinta-feira, 11 de Dezembro de 2008

40 Discursos em 2 Minutos

(via: The Confabulum)

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publicado por Jorge A. às 22:00
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Manoel Oliveira

Cem anos de Manoel de Oliveira: "Não existem cinco cineastas tão livres assim"

 

A verdade é que Oliveira é um realizador mediocre, cujos filmes (Aniki Bóbó pode ser uma excepção, mas falamos de um filme de 1942) a maior parte das pessoas não conseguiriam aguentar assistir muito além da primeira meia hora e cuja fama restringe-se a um nicho de cinéfilos intelectuais que vivem num pequeno circulo fechado. Pior que isso, é um tipo que fez carreira nos últimos anos muito à custa do contribuinte português. Não contem comigo para grandes homenagens ao homem enquanto realizador (e tinha muito interesse em saber quantos dos que agora dizem maravilhas sobre Oliveira vão ao cinema ver os seus filmes).

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publicado por Jorge A. às 19:40
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Parar a Democracia por 6 Meses

Tratado de Lisboa: 27 chegam a acordo de princípio para repetição de referendo na Irlanda

 

Para os lideres europeus fica evidente que também lhes dava jeito poderem parar a democracia por um determinado período de tempo.

publicado por Jorge A. às 19:36
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Those who cannot remember the past are condemned to repeat it *

O Nuno Gouveia tem um texto dedicado aos derrotados da história, com o qual eu concordo em traços gerais, mas existem dois pontos que gostava de fazer sobre o mesmo. O primeiro sobre a conclusão:

Quem nunca teve o sentido da história nunca perceberá que foi ultrapassado por ela. Estamos em 2008, não em 1929.

É certo que a grande depressão estará associada à ascenção dos movimentos de extrema-direita ao poder, mas a Revolução de Outubro na Rússia deu-se em 1917, por isso não faria a associação da ascenção do comunismo necessariamente à grande crise do século XX (claro que ajudou a consolidar o poder de Estaline na União Soviética, mas isso é muito diferente de ter-lhe dado origem ou ter permitido a sua ascenção, para isso encontramos melhor explicação na primeira Grande Guerra). Já o que a crise de 1929 deu origem foi a uma cedência das forças de mercado à adopção de alguns principios socialistas na organização da sociedade e dessa situação parece-me que com esta crise também não escapamos. E isso leva-me imediatamente ao segundo ponto, quando no texto é afirmado:

Mas não vejo grandes razões para preocupação. A França também chegou a ter quase 20% da população a votar na extrema-direita, e o país não capitulou perante o radicalismo.

Discordo em absoluto. Em primeiro lugar porque o fenómeno por trás do radicalismo de extrema-direita (mais em concreto o francês) é de natureza diferente daquele que está por trás do radicalismo de extrema-esquerda. A crise será sempre terreno fértil para os extremistas alargarem as suas ambições, sejam eles de esquerda ou de direita, mas os motivos invocados para a crise e o sentimento geral da população perante a crise é neste momento favorável às forças radicais da esquerda. Na década de trinta do século XX era fácil motivar as pessoas para um movimento como o fascismo em Itália ou o nazismo na Alemanha com base num teor claramente patriótico e nacionalista, hoje em dia não me parece ser esse o caso (tirando um ou outro caso muito concreto onde tal pode acontecer, de onde a Áustria se destaca, mas que mesmo aí parece residual e que deverá ter ficado limitado com a morte de Haider). Mas ficando-me por Portugal, quer a retórica anti-mercado e anti-empresas, quer as condições históricas (na europa ocidental deu-se uma crucificação do fascismo que porventura não ocorreu em relação ao comunismo), favorecem que numa situação de dificuldades económicas as pessoas possam voltar-se para os primeiros demagogos que apresentem as propostas mais estapafúrdias rumo a um mundo "melhor". Eu acho que o Nuno Gouveia não vê grandes preocupações porque também não deve imaginar um cenário de crise acentuada prolongada no tempo em que os principais partidos portugueses, entretidos como andam, não consigam responder devidamente (para os distraidos, a nossa crise não começou este ano com a crise "mundial", mas vem desde o ano 2000 e não damos mostras de recuperar dela). Mas se as coisas não melhoram, eu acho que há mesmo razões para nos preocuparmos.

 

* George Santayana (The Life of Reason, Volume 1, 1905)

publicado por Jorge A. às 02:00
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Gostava de ter escrito isto

"I can smell the sunlight on your skin"

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publicado por Jorge A. às 01:53
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Quarta-feira, 10 de Dezembro de 2008

Por muito que queiram evitar a questão... (II)

... existe um caso a fazer contra a vitória de Wall-E como o melhor filme nos óscares. Tentarei em poucas linhas explicar porquê. Embora o Wall-E também tenha admiradores que fazem pequenas maravilhas como esta (via:cineblog):

 

 

Mas o que me leva a questionar uma vitória do excelente filme de animação da Pixar na categoria de melhor filme? Será preconceito meu para com filmes de animação? Talvez, eu julgo é não encaixar os contras de um filme de animação como preconceito, mas simplesmente como dados factuais. É certo que o argumento é brilhante, cativante e atinge as pessoas num sitio onde todo o bom cinema deve atingir: no coração. Mas, e este é um grande mas, porque razão se o filme é tão bom ninguém se lembra de apontar Andrew Stanton como favorito ao prémio de melhor realizador? Porque a realização no campo da animação reduz o realizador a um papel menor, ali não há humanos para dirigir, quanto muito existem técnicos de informática num estúdio que fazem o melhor na humanização do robot que figura no grande ecrã, mas representar não é aplicar bits e bytes através de um teclado numa tela. E esta falta de actores (exceptuando, claro, nas falas) é só em si gritante, aquilo é tudo efeitos, é tudo virtual. Claro que o robot animado pode ser com um bom argumento, uma boa música e uns excelentes efeitos humanizado, mas não é isso que o torna humano e muito menos o torna real. Se a partir de agora podemos assumir animação como o expoente máximo do cinema, o que se segue? O E.T. melhor actor principal? O Gollum melhor actor secundário.

 

De qualquer forma não me admiro que o considerem para o prémio, será até justo, mas alguma separação de águas tem de ser feita e no peditório para o Wall-E como melhor filme do ano não contem comigo, mais para mais, quer a Pixar já fez melhores filmes (podia era não contar com a máquina em peso da Walt Disney a promovê-los), quer os japoneses nisto do cinema de animação batem os americanos aos pontos, dúvidas houvesse e estão aí a Princess Mononoke, Spirited Away e Howl's Moving Castle para o provar.

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publicado por Jorge A. às 20:50
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Simply the Best

É certo que com a garra com que Tina Turner cantava o seu verso e agarrava-se à canção qualquer que fosse o "you" a quem ela faz referência não teria dúvidas que seria simplesmente o melhor (já a Bonnie Tyler era menos convicente, dai de nada lhe ter servido a canção ser primeiramente interpretada por ela). Mas não há nada simples no apuramento do melhor, começando logo na relatividade do conceito.

 

Eu já estou naquela fase do ano em que começo a discutir os possiveis vencedores dos óscares, mas sempre que o faço também gosto de dizer que independentemente de quem o ganha, aquilo de muito pouco avalia o melhor do ano. Aquilo é uma pura votação de membros de uma organização que entre cinco filmes escolhidos previamente (e a escolha desses cinco filmes obedece a outra votação ainda com menos participantes) dá o voto maioritário a um deles.

 

Reparem que, em teoria, o filme vencedor podia inclusive, se fossem outros cinco os nomeados, devido a diferença de dinâmicas, perder. Ainda outra hipótese, fossem quatro os nomeados em vez de cinco, e também o vencedor na situação original poderia perder. São aliás as dinâmicas do voto que provocam muitas vezes aquelas vitórias inesperadas.

 

Vamos imaginar que o filme A era daqueles de gostar ou não gostar, sem meio termo. Nesse sentido teria 25% de preferência dos votantes entre os cinco nomeados. 25% dos votantes daria o seu voto a este, os restantes 75% prefeririam sempre dar o voto a qualquer outro dos quatro nomeados em relação a A. Aceitando que a opinião daquelas pessoas é suficiente para avaliar o melhor do ano, alguma vez este filme podia ser considerado o melhor? Não. No entanto, se a votação fosse equilibrada entre os restantes 4 filmes em questão (digamos, por exemplo, 18.75% para cada um), o filme A ganhava.

 

Reparem que eu com isto já nem preciso argumentar (no ambito de discussão por mim preferido) que aquele conjunto de "sábios" que vota nos óscares no conjunto da sua opinião tem tanto valor (ou ainda menos, para mim, obviamente) que a minha opinião pessoal - porque mesmo que o tenham, podem acabar por escolher um filme cuja maioria não consideria de longe o melhor em concurso.

 

Uma das coisas que pode ser dita sobre a avaliação dos "sábios" da academia é que eles fazem parte do meio, daí terem uma opinião mais fundamentada do que a de um leigo como o eu, que não é mais do que um consumidor de cinema. Este argumento é duvidoso se percebermos que a maior parte dos membros da elite de "sábios" não vê os filmes todos produzido no ano (muitos nem vêem todos os filmes nomeados) e, talvez pior, por serem do meio tem muitas vezes relações pessoais entre alguns dos possiveis vencedores - o que leva a um enviezamento a favor dos da casa (nota: Clint Eastwood, e mais não digo).

 

Porque gosto de debater sobre os óscares se aponto tantos defeitos aos mesmos? Bem, existem os seus motivos. O primeiro pelo simples gosto do debate e da descoberta de novos filmes (esta é a altura do ano em que mais procuro e consumo cinema), o que também se deve a um efeito pernecioso dos óscares que leva muitos dos melhores filmes a só estrearem por estas datas. O segundo porque aquilo é tanto um processo para a eleição do "melhor", como é um concurso de popularidade - e sendo isto ao mesmo tempo uma critica, é também por sí algo que me desperta interesse - mesmo porque torço que o reconhecimento que aquela cerimónia permite aos seus vencedores, seja dado às pessoas e filmes que prefiro. O terceiro porque o percurso para os óscares é também em sí um percurso politico e de marketing (inclusive com as suas primárias, representadas nos restantes prémios que antecedem os óscares). E o quarto e último motivo pelo simples gozo, aquele de chegar ao dia da cerimónia e tentar adivinhar quem ganha o quê.

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publicado por Jorge A. às 01:30
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Terça-feira, 9 de Dezembro de 2008

Pergunta

Mugabe regime renews crackdown, rights group says

President Robert Mugabe's regime has renewed assaults on dissidents, a human rights group said Tuesday, even as he faced more international pressure to step down amid a cholera outbreak that has killed nearly 600 people.

Passado que está um ano desse "sucesso" que foi a cimeira UE-África, o que mudou nas relações afro-europeias?

publicado por Jorge A. às 21:19
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Por muito que queiram evitar a questão...

... é mais que evidente que o The Dark Knight merece ganhar o óscar de melhor filme, quanto mais não seja porque tem os melhores apoiantes nessa missão. Um deles lembrou-se de fazer esta pequena maravilha (que remete para toda a campanha viral de marketing levada a cabo em nome do Joker):

 

 

Entretanto, aproveito e faço algumas rectificações a coisas que fui escrevendo. A primeira não é bem uma rectificação, mas é só para dizer que a banda sonora do The Dark Knight após explicações por parte dos autores da mesma, foi aceite a concurso. A segunda para, tendo em atenção que disse algures neste blogue que a Kate Winslet não devia ganhar o óscar de melhor actriz, retirar o que disse - deve ser das poucas grandes actrizes que ainda não recebeu nenhum, o que torna-se mais vergonhoso quando tantas tão mediocres o tem ganho nos últimos anos. E a terceira para dizer que Slumdong Millionaire talvez não seja tão underdog como eu ponderei, será mesmo um dos grandes favoritos.

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publicado por Jorge A. às 02:47
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Sábado, 6 de Dezembro de 2008

Sangue, Socialização e Sexo

Não posso dizer que foi por falta de aviso, mas acabei por ir ver o Twilight ao cinema. É certo que o público alvo daquilo para além de ser adolescente é também feminino (dúvidas houvesse e está aí a votação no imdb para o provar), mas o problema da coisa não é só o público a que se dirige ora bolas. Por vezes a realização atinge pontos de amadorismo que em qualquer série do panorama televisivo teenager português não são cometidos (senti-me profundamente desconfortável por estar a pagar um bilhete para ver aquilo). O argumento é oco, banal e simplório - certo que a autora faz ali uma defesa da abstinência sexual adolescente e aquilo vai de encontro aos suspiros femininos das adolescentes (a rapariga inocente, insegura, que se entrega ao risco e ao prazer do primeiro amor, mas cujo homem, na tentativa de não a ferir, não se dá ao acto), mas na originalidade fica-se por aí. O sucesso também passa pela forma como as mães hão de rever-se na coisa, quer porque já foram adolescentes, quer porque dá-lhes conforto pensar na relação das suas filhas adolescentes com os seus namorados daquela forma. Para concluir, para mim aquilo está para o cinema como os D'ZRT estavam para a música. A pior coisa que vi no cinema este ano.

 

Por outro lado, existe por aí uma coisinha na televisão chamada True Blood, cujo argumentista é Alan Ball, o homem por trás de American Beauty e Six Feet Under. É certo que a série pode não estar à altura das outras duas obras primas de Ball, mas é boa, e se comparada com Twilight deixa de ser só boa para passar a ser incomensuravelmente melhor. Existe também uma rapariga numa small town e um vampiro que partilham uma relação de amor, mas o sexo (como em tudo com Ball) é peça activa e não peca por estar ausente - se peca, é por estar excessivamente presente. Existem personagens verdadeiramente hilariantes e aquele mundo onde humanos coexistem mutuamente com vampiros sabendo da sua existência tem um potencial de exploração gigante.

 

Bem sei, comparo o incomparável, um filme para jovens imaturas com uma série para um público mais adulto. Mas olhem, fiquem lá com o fantástico genérico de True Blood:

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publicado por Jorge A. às 23:36
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Culpa II

Não basta apenas rejeitar, ainda que claramente, as vias oferecidas pelo neocapitalismo e pelo neoliberalismo, por incapazes de resolverem as contradições da sociedade portuguesa e de evitarem a inflação, o desemprego, a insegurança e a alienação nas sociedades que constróem.

Quem disse isto? Francisco Louçã? Jerónimo de Sousa? Mário Soares? Longe disso. Foi esse icon do partido laranjinha português muito celebrado que dá pelo nome de Francisco Sá Carneiro (via: Carlos Guimarães Pinto). Mas tão importante quanto o quem é o quando, para perceber que passado mais de um quarto de século o discurso que vinga é o mesmo e as pessoas, quais ovelhas numa fábula de Orwell, vão atrás. Mas sem um inimigo (imaginário) a quem apontar o dedo o sistema há muito teria ruido.

publicado por Jorge A. às 12:08
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Culpa

A propósito da crise financeira não há gente que apareça na televisão, da esquerda à direita, que não venha com a treta que a crise prova que os fundamentalistas do mercado estavam errados, que o neo-liberalismo morreu, e coisa e tal. Eu acho particularmente engraçada a coisa. Olhemos por exemplo para o caso português, digam-me um, um só politico português cuja escola de pensamento económica fosse liberal? Um só ministro das Finanças cujo fundamento da governação fosse o laissez-faire? Não há. A coisa chega a atingir contornos ridiculos quando alguns lideres fazem de conta que o poder não foi seu nos últimos anos e vão agora, qual dom quixote, resgatar a economia das malhas do neo-liberalismo e impôr uma nova ordem mundial - exemplo máximo nesse fantástico ser que é Durão Barroso que procura salvar a Europa de uma crise que certamente, nem questionem tal facto, não tem em nada culpa dele. Isto é cómico, não fosse trágico.

 

Na Europa tivemos no poder das três maiores nações europeias lideres como Tony Blair, Gordon Brown, Jacques Chirac, Nicolas Sarkozy, Gerard Schroder e Angela Merkel. Nem um estadista e todos liberais como se sabe - para melhorar a coisa, três deles estão inclusivamente na linha da frente do restabelecimento da economia mundial, cujo caos nada tem de culpa deles ou dos que os antecederam. Ponto assente. Não discuto.

 

Talvez a verdade seja outra, quando atiram as culpas para os neo-liberais querem simplesmente atirar a culpa para a potência económica mundial a que associam essas prática: os Estados Unidos. Mas a pergunta mais uma vez coloca-se: em tom sério, alguém é capaz de apontar George Bush como um liberal? Um defensor do mercado livre e desregulado? Do estado pequeno e com pouca interferência na vida económica do país? Com base em que politica? Na que não existiu? Não foi por acaso que Obama, um democrata com uma visão politica social-democrata, obteve em várias sondagens a vantagem no voto liberal norte-americano (ou libertário, se preferirem, para que não fiquem dúvidas).

 

Os liberais tornaram-se o tubo de escape que todas as culpas suportam e de todos os males são responsáveis. O facto de a maior parte dos orgãos de poder e do mainstream económico nunca ter cedido ao liberalismo (contrariamente ao que alguns fazem por crer) pouco importa. O que importa é perpetuar o poder e para o perpetuar nada melhor do que atribuir a culpa aos outros - com um pouco de sorte e habilidade politica ainda vêem o seu poder reforçado.

 

Os mesmos politicos de sempre vão continuar a governar-nos e os mesmos economistas de sempre vão continuar a mandar os seus bitaites na televisão. É aquilo que se chama, plagiando a campanha de Obama, mudança em que se pode acreditar. Entretanto, um pouco à semelhança da mão de Adam Smith, os invisiveis dos neo-liberais que dominavam o mundo e impunham a sua ideologia são dados como vencidos.

 

A sociedade pode deleitar-se de contente com o caminho escolhido, os inimigos derrotados, um novo mundo renasce, rumo à próxima crise...

publicado por Jorge A. às 03:08
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