Sexta-feira, 20 de Junho de 2008

Os fantasmas, esses, são só do lado do "não"

Tratado de Lisboa: UE admite dificuldades de ratificação na República Checa

Os líderes europeus admitiram hoje que, depois do “não” irlandês, também a República Checa poderá ter dificuldades para ratificar o Tratado de Lisboa, mas os 27 sublinham que não vão deixar cair o documento.
Além da República Checa, o processo está também em suspenso na Polónia, já que o Presidente conservador, Lech Kaczynski, tem em mãos há mais de duas semanas o tratado e ainda não o assinou.
O Presidente francês, Nicolas Sarkozy, foi mais longe e avisou os países de Leste que a UE não poderá concretizar os alargamentos previstos, em particular à Croácia, cuja integração deveria ocorrer até ao final da década. “Um certo número de países europeus que têm reservas sobre o Tratado de Lisboa são os mais favoráveis ao alargamento. Ora, sem Tratado de Lisboa, não haverá alargamento”, declarou.

Um misto de demagogia (porque fazer depender do tratado a possibilidade de novo alargamento é pura mentira) com chantagem (o objectivo é pela via do medo forçar países a uma posição contrária à que defendem) . Nicolas Sarkozy pensa que a partir de Paris pode governar a Europa e ameaça, sem medo de repressálias, os restantes estados-membros que em teoria estão em igualdade de circunstâncias com a França. Mas todos sabemos que a igualdade de circunstâncias é coisa que não existe... como diria Orwell: "todos somos iguais, mas há uns mais iguais do que os outros".

publicado por Jorge A. às 20:46
link do post | comentar | ver comentários (6)

A extrema-esquerda

Uma das coisas interessante na extrema-esquerda é a forma como eles falam dos pobres como se só eles se preocupassem com a pobreza. E quando falam da classe operária em oposição à classe burguesa, um must, são eles os grandes representantes do povo trabalhador em geral e da classe operária em particular - claro que nunca tiveram a primazia da escolha entre os eleitores trabalhadores, mas nada lhes demove da cabeça a ideia de que só eles representam como deve ser os interesses dos trabalhadores (eu próprio sendo um, fico grato com tanta preocupação com os meus interesses). Depois há palavras que estão irremediavelmente ligadas ao léxico da extrema esquerda como a do neoliberalismo selvagem, se bem que nunca percebi se há outro neoliberalismo para além do selvagem ou se o neoliberalismo é selvagem por natureza. E o anti-americanismo? Esse então é um odiozinho eterno, tal o desgosto que o rumo da história tomou na derrota do comunismo soviético às mãos do capitalismo americano. E o paraiso cubano? Bem, mesmo eles no fim de contas reconhecem que Cuba não é nenhum paraiso, claro que não sem antes referirem que a culpa é dos americanos e do seu bloqueio e nunca, mas mesmo nunca, deixando passar a oportunidade para referir o sistema de saúde cubano como um dos melhores do mundo (esse mito tantas vezes propagado que já parece verdade).

 

A extrema-esquerda teve o seu periodo de ouro em boa parte do século XX com o redondo fracasso que se conhece, mas a história, como é facilmente comprovável, está cheia de erros repetidos. A avaliar pelo Portugal século XXI é preciso começar a estar atento para não se repetirem os erros do passado, mas parece-me, como a entrevista esta quarta-feira em horário nobre na RTP de Mário Soares a Hugo Chávez de certa forma comprova (ou os 20% que o BE e PCP actualmente representam na sociedade portuguesa), que o socialismo século XXI vai ficando na moda em Portugal.

publicado por Jorge A. às 00:14
link do post | comentar | ver comentários (20)

Ainda sobre o Portugal - Alemanha

O melhor jogador português em campo foi aquele que originou criticas à Federação Portuguesa de Futebol por esta ter autorizado a sua saída temporária do estágio da selecção para ir tratar de assuntos pessoais a Barcelona (supostamente para acertar os detalhes do novo contrato com o Chelsea). A avaliar pelas prestações em campo, mais valia que outros tivessem tido assuntos pessoais a tratar e que tivessem sido autorizados a tratá-los...

Secções: ,
publicado por Jorge A. às 00:00
link do post | comentar
Quinta-feira, 19 de Junho de 2008

Sobre o Portugal - Alemanha

 

Numa final de sonho entre as duas melhores equipas da temporada, os Boston Celtic sagraram-se campeões frente ao LA Lakers por uns incontestáveis 4 jogos a 2. É certo que os Lakers contavam com o melhor jogador ao longo da época regular, Kobe Bryant, mas não é menos verdade que os Celtic contavam com um trio fantástico: Ray Allen, Kevin Garnett e Paul Pierce. 

 

Os veteranos Allen e Garnett chegaram esta época aos Celtic em busca do titulo que lhes faltava e Pierce, que em todas as suas presenças na NBA sempre vestiu a camisola verde dos de Boston, o ano passado andou a penar enquanto os Celtic's não sairam dos últimos lugares da liga.

 

Kobe Bryant é uma espécie de mini-Jordan e é fácil traçar o paralelismo entre o que este representou para os Lakers nos playoffs com aquilo que Cristiano Ronaldo representa para a selecção portuguesa. Certo, os Lakers também têm um Deco na figura do recém contratado Pau Gasol, mas depois aquilo é muita parra e pouca uva - um conjunto de jogadores com potencial, mas com juventude excessiva em que nos momentos chave claudicaram. Mais do que uma grande equipa, os Lakers procuravam ser um conjunto de grandes jogadores.

 

Os Celtic, por seu turno, misturavam um conjunto de jogadores de qualidade com um espirito de equipa e entrega ao jogo inigualável. Ray Allen é assim uma espécie de Schweinsteiger, Karnett de Podolski e Pierce, o capitão, um Michael Ballack em perspectiva.

 

Paul Pierce não é, nem nunca conseguirá ser, um Kobe Bryant, mas nada lhe retira o facto de ter sido o melhor jogador das finais de 2008 e aos Celtic ninguém negará o estatuto de melhor equipa do ano. No basquetebol, tal como no futebol, num e noutro lado do campo cada equipa joga com o mesmo número de jogadores e o talento, só por sí, de pouco serve.

publicado por Jorge A. às 23:23
link do post | comentar

Grandes capas por serem a voz da razão

Just bury it

 

It's time to accept that the Lisbon treaty is dead. The European Union can get along well enough without it

 

Europe's political leaders react to these unwelcome expressions of popular will in three depressingly familiar stages. First they declare portentously that the European club is in deep “crisis” and unable to function. Next, even though treaties have to be ratified by all members to take effect, they put the onus of finding a solution on the country that has said no. Last, they start to hint that the voters in question should think again, and threaten that a second rejection may force the recalcitrant country to leave the EU. The sole exception to this three-stage process was the Franco-Dutch no in 2005. Then, after two years of debate the politicians hit on the cynical wheeze of writing the constitution's main elements into the incomprehensible Lisbon treaty, with the deliberate aim of avoiding the need to consult Europe's voters directly again.

 

The claim that an expanded EU of 27 countries cannot function without Lisbon is simply not true. Indeed, several academic studies have found that the enlarged EU has worked more efficiently than before. Besides, it is not always desirable to speed up decision-making: democracy usually operates by slowing it down.

 

As it happens, a case can be made that EU treaties are too complex to be readily susceptible to a simple yes/no vote. But 11 EU governments grandly promised such referendums on the constitution, and ten of them have been dishonest in pretending that Lisbon is a wholly different document. The Irish constitution requires a vote on any treaty that transfers any power at all to the European level. Even if one believes that referendums are not always desirable, it is both stupefyingly arrogant and anti-democratic to refuse to take no for an answer. Just what kind of democracy is being practised by the EU when the only outcome of a vote that is ever acceptable to Brussels is a yes

 

Needless to say, many of Europe's leaders will instead look for ingenious ways to ignore or reverse the Irish decision. But to come up with a few declarations or protocols and ask the Irish to vote again would not just be contemptuous of democracy: the turnout and margin of defeat also suggest that it might fail. Nor can Ireland, legally or morally, be excluded from the EU. Attempts by diehards to forge a core group of countries that builds a United States of Europe would also founder because, outside Belgium and Luxembourg, there is no longer a serious appetite for a federal Europe.

 

Ireland is a small country, to be sure. But the EU is an inter-governmental organisation that needs a consensus to proceed. It is bogus to claim that 1m voters are thwarting the will of 495m Europeans by blocking this treaty. Referendums would have been lost in many other countries had their people been given a say. Voters have thrice said no to this mess of pottage. It is time their verdict was respected.

publicado por Jorge A. às 22:39
link do post | comentar

União Europeia e Euro 2008

No A Fistful of Euros (via Andrew Sullivan):

Nothing unites Europeans like football, and this year’s Euro 2008 tournament is turning out to be one of the best in a long time, maybe ever. What else could have us feeling sorry for Switzerland and cheering for Austria? Isn’t Europe a more harmonious entity without the English? Would Brussels be paralysed by protests today if Belgium had qualified? And would Ireland have voted No if they were in the tournament?

This is one European project that will go ahead without France, and, quite possibly, Germany. France are decidedly Out, having been too loyal to ageing stars, a policy that nearly also cost Italy a place in the next round.


In the quarter-finals Germany may not be able to cope with the vibrant Cristiano Ronaldo, still only 23, while Spain can count on 22-year-old attacking midfielder David Silva and the creative skills of the even younger Cesc Fabregas. Whoever wins out of Russia and Sweden will struggle to cope with Holland’s youthful exuberance. In this European project at least, if not the now stalling wider one, it’s youth and new ideas that bring success.

publicado por Jorge A. às 00:27
link do post | comentar | ver comentários (4)
Quarta-feira, 18 de Junho de 2008

10%

PCP propõe sete medidas urgentes para enfrentar a crise 

Os comunistas defendem que bens como o pão, o leite e produtos de higiene deveriam ter um preço máximo este ano, ao mesmo tempo que sustentam uma subida do salário mínimo nacional e um aumento intercalar dos salários dos funcionários públicos. Quanto às pensões, as mais baixas deveriam crescer quatro por cento, segundo o PCP.

O PCP tem uma visão do dinheiro como um bem inesgotável... assim à primeira vista só se esqueceram de propôr a subida do subsidio de desemprego, mas tenho a certeza que apoiam tal medida. Sobre os preços máximos, o PCP anda a estudar as tácticas do Chávez e do Mugabe, só falta explicar o que acontece quando o preço máximo possível é inferior ao preço a que os fornecedores estão dispostos a vender o pão, o leite e os produtos de higiene... pois é, esses produtos começam a desaparecer das montras... malditos estes capitalistas, pá...

Para limitar os efeitos da crise dos combustíveis, os comunistas propõem a criação de um imposto sobre os lucros das petrolíferas...

Para limitar os efeitos? Para quem pensa o PCP que as petroliferas iriam passar o custo do novo imposto? Para os accionistas? 

...e a utilização do gasóleo profissional nos transportes públicos já anunciada pelo Governo, mas que “tarda a concretizar-se”. É também proposto o congelamento dos preços dos títulos de transporte, para lá do já prometido congelamento dos preços dos passes sociais.

O dinheiro para o PCP cai mesmo das árvores... eles devem pensar que aquilo é só pegar na máquina e pôr a imprimir verdinhas...

Num dos maiores encargos das famílias portuguesas, os empréstimos à habitação, o PCP quer que o Estado dê uma orientação à Caixa Geral de Depósitos para praticar um “spread” máximo de 0,5 por cento naqueles créditos.

O PCP deve pensar que o spread também cai do céu, que não há um cálculo económico por trás do mesmo. A partir do momento que o spread da CGD não correspondesse ao do mercado e fosse, como pretende o PCP, mais baixo, para onde correriam as pessoas a solicitar empréstimos? Mas se o spread fosse calculado assim por alto ao sabor do que o PCP acha que deve ser, o que aconteceria à viabilidade económica da CGD? O PCP anda pelo menos atento aos mercados financeiros actuais? Para citar esse grande mito dos mercados bolsistas nacionais, Joe Berardo: Subprime? Hello?!? 

Apesar de conscientes da rejeição do primeiro-ministro a algumas destas propostas, o líder da bancada parlamentar do PCP quer “obrigar o Governo a repensar em relação a propostas necessárias para aliviar os efeitos da crise e recomenda que o Executivo “aproveite a margem no défice público”.

"Apesar de conscientes"? Ah, ah!!! Estes tipos são é uns completos irresponsáveis e inconscientes, mas de comunistas melhor não há que esperar. Triste é que este partido representa um décimo do eleitorado nacional...

publicado por Jorge A. às 22:31
link do post | comentar | ver comentários (17)

O novo Matrix

Aqui.

Secções:
publicado por Jorge A. às 22:30
link do post | comentar

Décimo Quarto

 

“probably the greatest tournament I’ve ever had.”

 

Vencedor do US Open 2008, o seu décimo quarto torneio de grand slam e certamente um dos mais emocionantes de sempre. Por sorte minha, decidi começar a acompanhar um torneio de golfe (coisa que eu tinha a ideia de ser algo de absolutamente monótono) à 2ªronda do US Open (sexta-feira). Mas foi naquela 3ªronda de 18 buracos (sábado) que um Tiger Woods a sofrer de dores na perna esquerda após uma operação faz menos de um mês, e com uns último nove buracos (coisa que em termos técnicos e em inglês parece apelidar-se de back nine) fantásticos deixou-me fascinado pela modalidade (que pratiquei uma vez num tee algures junto a Alvor). A quarta ronda (domingo) foi morna à excepção do 18ºburaco onde Tiger com um birdie (uma pancada abaixo do par) conseguiu levar o encontro para playoff contra um Rocco Mediate que até ontem não figurava em nenhum livro de história de golfe e que esteve a uma tacada de sagrar-se vencedor de um grand slam. Na segunda-feira, e após um playoff de 18 buracos, Tiger conseguiu no último buraco mais uma vez um birdie o que lhe permitiu levar o encontro para morte-súbita. No primeiro buraco da morte súbita Tiger ganhou o seu décimo quarto grand slam em golfe e aproximou-se dos dezoito de Jack Nicklaus - o homem que até ao aparecimento de Tiger era visto como o Deus da modalidade. De qualquer forma, foi aquela terceira ronda que me deixou fascinado:

 

Secções: ,
publicado por Jorge A. às 00:01
link do post | comentar | ver comentários (2)
Segunda-feira, 16 de Junho de 2008

It is a disgrace

The motivations behind the No vote were complicated, I agree. But one widely held justification for a "no" was inarguable: quite simply no-one could understand a single word of the treaty on which they were supposed to be voting. Under the circumstances (where few had read the treaty and where those few who had found it incomprehensible) it is a disgrace that anyone felt able to vote "Yes".

Nos comentários a esta posta do Tyler Cowen.

 

Secções:
publicado por Jorge A. às 16:07
link do post | comentar | ver comentários (9)
Domingo, 15 de Junho de 2008

Cartelização

Rebocos do sul voltam à estrada mas impõem nova tabela de preços às seguradoras

Os rebocadores do Alentejo e Algarve decidiram hoje voltar segunda-feira ao trabalho, passando a cobrar os valores já propostos às companhias como base negocial, mas poderão ser os condutores segurados a ter que adiantar esse pagamento.

Muito se falou sobre as práticas de cartelização das petroliferas, quando outros actuam às claras sem que as práticas da livre concorrência sejam tidas em conta, ninguém protesta. Neste caso não é o contribuinte que perde, mas é o consumidor. Mas, como digo, este é o país do faz de conta. No pasa nada.

publicado por Jorge A. às 13:16
link do post | comentar | ver comentários (5)
Sábado, 14 de Junho de 2008

Fuga em frente

Hipótese de forçar novo referendo na Irlanda ganha força

 

O objectivo dos lideres europeus (ou para ser mais claro, do eixo franco-alemão) é seguir em frente no matter what. A lider alemã empenhou-se até à raiz dos cabelos no novo tratado e o presidente francês (aquele flop que dá pelo nome de Sarkozy) achou que estava feito o brilharete quando, para evitar a pressão politica do seu próprio povo, negociou com todos os outros governantes europeus a ratificação deste tratado pelos parlamentos nacionais. O argumento propagandistico de que o tratado é demasiado complexo e nunca deveria ser deixado à sorte de um referendo começou então a ganhar força - o problema é que mesmo aceitando tal argumento como válido, o que ninguém apaga da memória é a promessa de boa parte dos lideres europeus em referendarem a então chamada constituição europeia (coisa em tudo semelhante ao tratado de Lisboa - e o simples facto de os lideres europeus fugirem ao seu compromisso dizendo que a então constituição nada tem a ver a com o actual tratado é também exemplificativa de como eles nos tomam por parvos).

 

Para azar de quem governa a Europa, a Irlanda por imposição constitucional era obrigada a referendar a constituição o tratado de Lisboa. Ora, embora muitos critiquem a abordagem dos defensores do "não" na Irlanda como demagógica (como se a do "sim" não utilizasse também os seus fantasmas...), a verdade é que num ambiente em que os lideres europeus fogem de ouvir a opinião dos seus povos a sete pés, não é de estranhar que o povo, independentemente das ideias serem boas ou más, dêem-lhes a resposta que merecem: não, não, não...

 

E o caminho a seguir por estes lideres mediocres que querem governar a Europa é - após evitarem ouvir os restantes povos europeus - dizer também ao povo irlandês que o seu voto não conta para nada.

publicado por Jorge A. às 23:32
link do post | comentar

Jornalismo

A reacção jornalistica em Portugal à rejeição do tratado de Lisboa por parte dos irlandeses é das coisas mais descaradamente parciais que é possível assistir, de tal forma que dificilmente se poderá apelidar tal de jornalismo - é, muito simplesmente, propaganda pura e dura. António Esteves Martins, na RTP, e Fernando de Sousa, na SIC, como não poderia deixar de ser, lideram nas criticas ao não irlandês - ontem eram os polacos os maus da fita, hoje são os irlandeses, e assim por diante - no caso do jornalismo português, e parafraseando Jorge Coelho, quem se mete com a UE leva.

publicado por Jorge A. às 00:18
link do post | comentar | ver comentários (2)
Sexta-feira, 13 de Junho de 2008

Kiss Kiss Bang Bang

 Um grande, mas mesmo um grande filme.

Secções:
publicado por Jorge A. às 23:03
link do post | comentar | ver comentários (3)

Tratado de Lisboa

O tratado é demasiado complicado dizem alguns dos seus apoiantes, por esse motivo não deve ser referendado dado que o povo é ignorante e não percebe o que está em causa. O que dúvido é que sejam aqueles iluminados que temos no parlamento português que percebam melhor o conteúdo do tratado que o restante povo. Tenho menos dúvidas é que aqueles seres que habitam nas salas do parlamento português são marionetas muito mais fáceis de controlar do que a opinião pública.

 

Outro argumento é o de que o avanço do tratado não pode ser parado só pela decisão do povo irlandês - é fantástico, logo porque em primeiro lugar, de facto, só o povo irlandês teve direito a pronunciar-se, em segundo lugar porque outros que tiveram oportunidade de pronunciar-se antes dos irlandeses e perante uma então chamada constituição europeia (que em nada de substancial diferia deste tratado), também responderam com um inequívoco não - claro que na altura entre o povo que escolheu o "não" estava o iluminado povo francês, e a esse não há espaço para ser marginalizado como agora alguns bem gostariam de fazer ao povo irlandês.

 

O problema dos politicos europeus é que gostam de olhar para a UE como um dos últimos redutos onde poderão alcançar protagonismo internacional - daí o esforço tão grande que fazem para o aprofundamento politico das suas instituições. Eu cá por mim tudo o que vá no sentido de uma maior integração económica, muito bem, tudo o que vá de encontro a uma maior integração politica, muito mau.

 

E crise? Bem, só há crise na medida do sentido em que os politicos europeus querem forçar a imposição de um caminho que claramente não é pretendido pelo povo.

Secções:
publicado por Jorge A. às 22:38
link do post | comentar

Assim Sim

UE: Irlanda rejeitou Tratado de Lisboa

 

Porreiro pá! Claro que a corja politica que impulsionou este tratado não se dará por vencida, procurarão certamente encontrar outras formas para levar a sua vontade adiante - julgam-se investidos de uma qualquer sabedoria superior que só a eles permite perceber o caminho certo. A guerra está longe de estar vencida, mas fica mais uma vitória nesta batalha pelo direito do destino dos povos ser decidido por esse mesmo povo e não por meia dúzia de eurocratas.

publicado por Jorge A. às 19:38
link do post | comentar
Quinta-feira, 12 de Junho de 2008

O Timing de Scolari

Foi o melhor possível dadas as circunstâncias. Estou convencido que Scolari acredita que tem alí equipa para ganhar o europeu de futebol e que ele próprio deseja mais que tudo essa vitória para uma despedida em grande de um cargo de seleccionador nacional que certamente o marcou. Assim que Portugal apurou-se para os quartos de final o Chelsea fez sair o anuncio da sua contratação, o timing parece o errado, mas basta imaginar as futuras conferências de imprensa de Scolari e as perguntas mais que esperadas da sua renovação com a selecção para perceber o porquê de Scolari largar a bomba neste preciso momento. Assim, ficamos ao menos com esse assunto resolvido e não foi por já ter contrato com o Chelsea que José Mourinho deixou de ganhar a Liga dos Campeões com o Futebol Clube do Porto.

Secções: ,
publicado por Jorge A. às 22:45
link do post | comentar | ver comentários (2)

Gosto disto...

(via: David Fonseca)
Secções:
publicado por Jorge A. às 22:24
link do post | comentar

Missing in Action

Aquela senhora que foi eleita lider do maior partido da oposição tem dito muita coisa interessante acerca do clima que afecta o país. Nomeadamente que... isso mesmo, e que... muito bem. Não há dúvidas que estamos bem servidos.

publicado por Jorge A. às 00:11
link do post | comentar
Quarta-feira, 11 de Junho de 2008

Esquizofrenia

Acho sempre uma certa graça aqueles que vêem no protesto dos camionistas um protesto contra o elevado peso dos impostos sobre os combustiveis (lembraram-se agora do elevado peso dos impostos nos combustiveis, foi?). Até pode ser verdade, mas não é menos verdade que esses mesmos camionistas também querem pagar um valor inferior de portagem. Querem uma coisa e o seu contrário, querem pagar menos ao Estado e ao mesmo tempo querem que o Estado lhes ofereça bens e serviços sem custo.

 

É o Estado paternalista no seu melhor. Os camionistas, os homens da pesca, os professores, os utentes dos centros de saúde, queixam-se dos governos e das suas politicas, mas proponham a esses mesmos grupos a diminuição da influência do Estado nos seus sectores e é o fim do mundo. Lá vem o papão do neoliberalismo, das injustiças do mercado. O Estado é mau, mas antes ser tutelado pelo Estado do que ser deixado à livre concorrência.

 

Deixamo-nos então arrastar na corrente. Enquanto povo, falamos mal do Estado e dos seus impostos, mas ao mesmo tempo mostramo-nos incapazes de nos libertarmos das teias deste. Estamos lixados.

publicado por Jorge A. às 23:33
link do post | comentar
Terça-feira, 10 de Junho de 2008

Do reino do fantástico

Da mesma forma que muita gente solidarizou-se com os pescadores, agora há os que se solidarizam com os camionistas. Eu acho sempre fantástico estas reacções de apoio a grupos que procuram usar da sua influência para sacar dinheiro à restante sociedade, mas, enfim, o que se há de fazer. Acho que há aqui uma certa identificação entre a restante sociedade e o grupinho que agora se queixa. O povo sente-se infeliz com o valor que tem de pagar pelo combustível na bomba e considera-se vingado por aqueles que fazem a vida negra ao governo (como se fosse culpa do governo a subida do preço dos combustiveis...).

 

No entanto, quais são invariavelmente as reinvidicações dos grupinhos do costume (penso não ser preciso relembrar outras manifestações nos sectores da pesca e dos transportes)? As reinvidicações passam sempre por medidas que levem ou à perda de receita para o Estado ou ao aumento da despesa do Estado - em ambos os casos, e a pergunta é para os solidários, quem é que acham que paga a diferença?

 

Os solidários do costume (que também são sempre os mesmos), bem podiam pagar a diferença única e exclusivamente do bolso deles. Que eu, bem... eu... ando farto desta merda.

publicado por Jorge A. às 00:41
link do post | comentar
Segunda-feira, 9 de Junho de 2008

No país do faz de conta

Enquanto o nosso presidente anda muito ocupado com as celebrações do "dia da raça", os camionistas copiam os gajos da pesca - e porque não haviam de copiar, no fim de contas os pescadores sempre ganharam alguma coisa. Quando o maior partido da oposição dá uma ajudinha, pedindo ao governo que seja sensível e procure entendimento com sector dos transportes, não sobra muito mais para dizer. Claro que quando questionado sobre que tipo de entendimento deve o governo ter com o sector dos transportes, a resposta é um: "a solução é o governo que tem de encontrar". Cada vez fico mais convicto que este PSD dará um óptimo governo, tão cheio de propostas inovadoras ele está. Por outro lado o nosso primeiro anda refugiado numa cimeira pela Argélia (não tarda e este primeiro foge como dois dos três que o antecederam, vontade não lhe deve faltar). O ambiente de ingovernabilidade começa a pairar no ar.

publicado por Jorge A. às 22:31
link do post | comentar
Web Pages referring to this page
Link to this page and get a link back!

Mais sobre mim

Contacto

jorgeassuncao@europe.com

Subscrever feeds

Pesquisar neste blog

Links

Arquivos

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Julho 2006

Secções

desporto(383)

politica nacional(373)

cinema(291)

economia(191)

música(136)

ténis(132)

humor(131)

futebol(130)

eleições eua(118)

estados unidos(115)

portugal(115)

blogs(109)

miúdas giras(93)

jornalismo(88)

politica internacional(87)

governo(79)

televisão(74)

blogosfera(69)

oscares(68)

pessoal(55)

todas as tags

blogs SAPO