Terça-feira, 14 de Agosto de 2007

Não há almoços grátis

Relatório interno sugere a Londres que contorne fracasso do país nas energias renováveis

O Reino Unido, um dos auto-proclamados líderes do movimento europeu pró-climático, afinal não deverá cumprir a meta da União Europeia para as renováveis até 2020. Em vez dos 20 por cento, os britânicos vão ficar-se pelos nove por cento. Para remediar a situação, um relatório interno propôs aos ministros uma nova interpretação estatística para escamotear o fracasso em vez da aplicação de novas medidas, denuncia hoje o jornal “The Guardian”.
Os receios apocalipticos dos eco-fanáticos (expressão retirada directamente do léxico da insurgentologia) levam os governos a traçar planos irrealisticos. Face à impossibilidade de cumprir tais metas, os governos recuam e começam a procurar soluções para o beco em que se encontram. Uma opinião pública que já se deixou envolver pelo mito do fim do mundo, tal como o conhecemos, caso o dióxido de carbono continue a alargar à atmosfera, mas opinião pública essa que, apesar de em maioria, não consegue fazer por ela própria a mudança - diz que precisa da ajuda do poder do estado. Mas a mesma pessoa que advoga as teorias dos eco-fanáticos e que profeticamente diz ser necessário adoptar uma vida mais pró-ambiental, é a mesma pessoa que não muda o seu estilo de vida, e continua a viajar de avião e a usar o carro para ir para o emprego. É a mesma pessoa que consome larga energia para o computador, televisão, aparelhagem, ar-condicionado de que já não abdica, sem os quais já não sabe viver (exemplo acabado no supra-sumo dos defensores da nova religião, Al Gore). Na prática, é a mesma pessoa que recusa - e na minha opinião muito bem - a retroceder . Essa pessoa pensa que o preço por um suposto mundo melhor é barato - mas quando lhe atinge o estilo de vida, protesta. Os governos sabem isso. Sabem que enquanto o custo da mudança estiver indirectamente imputados nos impostos que pagamos ou no preço mais alto dos produtos que consumimos, a maior parte das pessoas lá vai vivendo a sua vida, advogando o "suposto" mundo melhor. Quando verdadeiramente perceberem que a coisa está-lhes a ir à carteira, ou a influenciar o seu estilo de vida, as queixas não tornarão a chegar.

Em 1798 Thomas Malthus advogava o seu famoso principio da população, segundo o qual qualquer melhoria de vida de determinada população seria minado pelo crescimento dessa mesma população. De 1798 até hoje, a população mundial não parou de crescer, e que eu saiba, não me parece que as condições de vida tenham piorado. Estaria tentado a dizer que melhoraram. Malthus cometera o grave erro de não perceber a importância da evolução tecnológica para o progresso da humanidade.

No inicio do século XX estimava-se que por meados do século seria insuportável viver em Lisboa, tal a quantidade de excremento de cavalo que existiria nas ruas. Estariam longe de imaginar o impacto que essa maravilhosa invenção que foi o automóvel iria ter nas nossas vidas.

Os eco-fanáticos, continuam a sua batalha contra o avanço tecnológico e o progresso da humanidade. Basta ver os protestos junto ao aeroporto de Heathrow:

Heathrow protesters 'may stage bomb hoax'
A hard core of anarchist demonstrators are drawing up plans to bring Heathrow to a standstill using an array of tactics including disguising themselves as ordinary holidaymakers to cause havoc in the airport terminals.
Os que fazem estas manifestações buscam o retrocesso. Lutam, portanto, contra aquilo que é a história da humanidade - e a aspiração de todo o ser humano. Estão longe de imaginar que é com o progresso, e não contra ele, que "o mundo pula e avança como bola colorida entre as mãos de uma criança."

PS: por enquanto, e à falta de melhor, prefiro verificar que os governos preferem mentir sobre a impossibilidade de cumprirem metas irreais, do que cumprirem as metas até ao fim, e depois mentirem sobre as causas dos problemas que daí advirão.
publicado por Jorge A. às 00:15
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Segunda-feira, 13 de Agosto de 2007

Dia de Hoje

"Com Gladstone em campo, não tem placar em branco."

As cenas que um gajo aprende a ver o Dia Seguinte na SIC Noticias. Já sobre o Purovic (outro reforço do Sporting) o Dias Ferreira diz que lhe dizeram "não esperem grande coisa dele para marcar golos", Fernando Seara replica com "é para rivalizar com o Djaló e o Derlei". Ao menos um gajo anima-se um bocado da má noticia do dia - até perdi o apetite para o jogo de amanhã contra o Copenhaga.
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publicado por Jorge A. às 23:22
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Sábado, 11 de Agosto de 2007

Mundo a Preto e Branco

"Up until now everything around here has been, well, pleasant. Recently certain things have become unpleasant. Now, it seems to me that the first thing we have to do is to separate out the things that are pleasant from the things that are unpleasant." Big Bob, personagem do filme Pleasantville

Um filme sobre a vida, ou a falta dela. Sobre a mudança, e o medo que a mesma provoca. Sobre a inocência, e a perda desta. Porque a vida não é para ser monótona, repetitiva, segura, parada, perfeita. Sobre o desejo ardente da procura de novas sensações e emoções, novas experiências de vida. Porque há lugares "where the road keeps going" e nós não sabemos o que vem a seguir.

O filme deu ontem na RTP (eu já o havia visto há alguns anos atrás), para quem não o viu o trailer pode ser visto aqui.

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publicado por Jorge A. às 14:32
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Quinta-feira, 9 de Agosto de 2007

Ficção

O presidente do fêcêpê, o srº Jorge Nuno Pinto da Costa, dá uma entrevista na SIC Noticias. Reduz o processo apito dourado em relação à sua pessoa como uma cabala do presidente do ésselbê, o srº Luis Filipe Vieira, que tem como objectivo abafar os maus resultados desportivos do glorioso.

Pelos lados do clube de azul e branco - nomeadamente na cabecinha do seu presidente - nada de novo. Da mesma forma que os anti-americanos primários culpam os americanos de todos os problemas do mundo, os anti-benfiquistas primários culpam o Benfica por tudo e por nada.

Curiosas as partes em que o srº presidente falou da srª Carolina Salgado... razão tinha o José Veiga.

Mas como sempre, no principio, no meio e no fim, Benfica, Benfica, Benfica... somos muito grandes, carago!!!
publicado por Jorge A. às 22:21
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Eight Wonder

John Trever, New Mexico, The Albuquerque Journal

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publicado por Jorge A. às 00:21
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Quarta-feira, 8 de Agosto de 2007

Maravilhas a Assobiar


Monumento ao presidente Laurent Kabila, na Rep.Democrática do Congo (antigo Zaire)

Via A Arte da Fuga chego às Sete Maravilhas do Mundo Totalitário. Segundo a Esquire estas são:
  1. Monumento ao presidente Laurent Kabila, Rep. Democrática do Congo (Kinshasa)
  2. Mausoléu de Lenine, Rússia (Moscovo)
  3. As Mãos da Vitória, Iraque (Bagdade)
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publicado por Jorge A. às 22:16
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Terça-feira, 7 de Agosto de 2007

Belo dia em que os comprei

"Tivesse ele sabido do sofrimento mortal de todos os homens e mulheres que por acaso tinha conhecido durante todos os seus anos de vida profissional, da história penosa de desgosto, sofrimento e estoicismo, de medo, pânico, isolamento e pavor de cada uma dessas pessoas, tivesse ele sabido de todas as coisas, até à mais insignificante, que elas tinham deixado para trás depois de em tempos terem sido estruturalmente suas, e da forma sistemática como estavam a ser destruídas, e teria sido obrigado a ficar ao telefone o resto do dia e pela noite fora, fazendo pelo menos mais cem chamadas. A velhice não é uma batalha; a velhice é um massacre."

Philip Roth, Todo-o-Mundo, Publicações D.Quixote, pp. 154-155, tradução de Francisco Agarez.

Já lido, e altamente recomendado. Quando neste post disse que ia devorar os dois livros no fim de semana, menti. Menti porque o tempo não me permitiu tal feito. Fiquei-me pelo livro de Roth. Podia também ter mentido na parte do "devorar" - qualquer um dos autores é novidade para mim (leitor mais assíduo de clássicos), e embora as criticas fossem boas, já me desiludi frequentemente com obras que cometeram a proeza de sobreviver ao passar do tempo. Lembro-me de começar a ler um dos Trópicos (Capricórnio ou Câncer, não me recordo) de Henry Miller e ter desisitido logo nas primeiras páginas. Mas com Everyman (titulo original) de Roth verificou-se aquele click que torna a leitura mágica -o começar a ler e não mais querer parar. De tal forma que o A Conspiração contra a América já está na lista para ler a seguir (sim, é defeito, se gosto de um autor tenho de ler mais do mesmo - se bem que pelo que li este Todo-o-Mundo fugia um bocado ao habitual em Roth - logo descubro). Mas entretanto há uma caminhada entre um pai e um filho num mundo algures entre o Mad Max e o Dawn of the Dead para acompanhar:

"Vamos, disse. O rapaz voltou a cabeça e olhou para o carrinho pela derradeira vez e depois seguiu-o em direcção à estrada."

Cormac McCarthy, A Estrada, Relógio d'Água, pp. 69-70, tradução de Paulo Faria

Sim... não duvidem... também é para "devorar"...
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publicado por Jorge A. às 23:12
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Segunda-feira, 6 de Agosto de 2007

Fala... fala...

Besugo não fica no Bonfim

O jovem Besugo, produto das escolas do Vitória de Setúbal, não vai chegar a assinar contrato, apesar de tudo ter ficado acertado entre as partes nos últimos dias. O presidente da Comissão de Gestão do clube, Carlos Costa, não terá gostado da atitude do jogador antes da assinatura do vínculo, de tal forma que, ontem, após o jogo com o Sevilha, em Marbella, o dirigente teceu duras críticas a “jogadores formados no clube que preferem colocar interesses materiais à frente dos do Vitória”, sem, no entanto, dizer o nome do futebolista em questão.
É assim que um gajo descobre os podres do pessoal da blogosfera.
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publicado por Jorge A. às 12:27
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Domingo, 5 de Agosto de 2007

Ao Rubro

Julgo, pelas muitas horas revistas de videos sobre a história da fórmula 1, que houve um período no tempo que pode ser considerado o melhor na história da modalidade. Esse período é aquele que ficou marcado pela rivalidade Prost vs Senna - em parte pela rivalidade, em parte porque Senna só por sí foi o melhor (ou pelo menos o mais mediático) piloto que alguma vez passou pela modalidade.

Os anos que se seguiram, dominados por Schumacher sem rival à altura, ou ganhos por pilotos mediocres, cujo exito advinha de correrem com o melhor carro da prova, tiraram (pelo menos no que a mim diz respeito) algum encanto à modalidade. O ano passado a coisa já foi diferente. Alonso, venceu, mas só no último grande prémio confirmou tal triunfo sobre um Schumacher renascido que buscava o seu oitavo titulo.

Curiosamente, este ano eu esperava uma batalha entre o melhor piloto, Alonso (ao serviço da McLaren), e o melhor carro, Ferrari (o guiado por Raikonnen, pois a Massa falta-lhe o que se costuma chamar de estofo de campeão). Nada mais errado. A batalha deste ano, tal como aquela que animou a modalidade entre 1988 e 1989 é entre os dois colegas de equipa da McLaren. Fernando Alonso e Lewis Hamilton. E tal como há quase 20 anos atrás a rivalidade não está isenta de controvérsias. Isto promete, e eu torço sem sombra de dúvidas pelo inglês...
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publicado por Jorge A. às 02:01
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Sábado, 4 de Agosto de 2007

Estado em que se encontra a blogosfera

É verão, meio mundo de férias (e eu que só lá para meados de Setembro... inveja), um calor insuportável, o algarve (com um "l" apenas...) a abarrotar de turistas, o regresso dos noticiário com falta de noticias (se é que não é assim o ano inteiro...), e a blogosfera não está muito diferente - para além do pessoal em férias, o tempo não é o mais propício a grandes escritas... os blogs estão a meio gás, e o meu sitemeter resente-se... mas isto agora o que está a dar é outra coisa. Recorrendo às palavras de Paula Moura Pinheiro (no programa Câmara Clara da RTP2) para caracterizar Sam the Kid, também eu tenho um "poetas urbano" que explica facilmente o que se passa nos dias que correm:

(I said)
Its gettin hot in here (so hot)
So take off all your clothes

[woman's voice]
I am gettin So hot, I wanna take my clothes off



Nelly - Hot in Here
publicado por Jorge A. às 22:33
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Quinta-feira, 2 de Agosto de 2007

Why Humans Have Sex? *

Foi à procura da resposta à pergunta formulada no titulo do post que Cindy Meston e David Buss dedicaram parte do seu tempo, o que levou-os à brilhante descoberta (pasme-se) de 237 desculpas para ter sexo. E entre as 10 razões mais frequentes para fazer sexo - embora não se encontra nenhum motivo de espanto - após uma breve reflexão verifiquei que é nos homens que surge o "queria dar prazer à outra pessoa" como desculpa. Isto leva-me à brilhante conclusão que é entre os homens que há mais espirito altruista (e elas que se queixam que só pensamos em nós... mentira... tomem lá meninas, embrulhem). Para além disso, só mesmo numa gaja para o "percebi que estava apaixonada" aparecer no top 10 - coisas da vida...

Já agora, entre todas as razões/desculpas estudadas para ter sexo, a que apresenta mais discrepância como motivo válido entre homens e mulheres é?... não adivinham?... é isso aí... "the person wore revealing clothes"... motivo muito válido para os homens e pouco válido para as mulheres. Na guerra da sedução há armas que nós, sexo mais forte, ainda não dispomos... não há nada como uma mini-saia e um bom decote - talvez daí venha a justificação para o "queria dar prazer à outra pessoa" no top 10 masculino: por muito fortes que sejamos, há coisas que revelam toda a nossa fraqueza.

* versão integral do estudo publicado aqui
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publicado por Jorge A. às 22:06
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Quarta-feira, 1 de Agosto de 2007

Para mostrar que sou um gajo que lê muito












Hoje, numa breve passagem pela FNAC do Algarve Shopping, desembolsei míseros 27,45€ pelos dois livrinhos acima expostos, valor este distribuido em 14,85€ para o livro de Philip Roth e 12,60€ para o de Cormac McCarthy. No fim de semana conto devorar os dois. Por enquanto, a leitura do Da Democracia na América continua a um ritmo lento e com pausas grandes entre um capitulo aqui e outro capitulo acolá... mas as mais de oitocentas páginas do livro assim o exigem. É uma pena que o tempo livre para ler seja pouco - às vezes nem é falta de tempo, é falta de vontade - e maior pena tenho que quando tinha tempo livre para dar e vender não lesse tanto quanto devia... agora, que remédio, à que compensar o tempo perdido... mesmo que sem tempo para...
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publicado por Jorge A. às 22:24
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