Quarta-feira, 25 de Abril de 2007

É a globalização, estúpido

(via 25 centímetros de neve)

Em 1970, 38% da população mundial vivia abaixo da linha de pobreza (rendimento menor ou igual a 1 dólar por dia). Em 2000, a percentagem estava reduzida a 19% da população mundial. Apesar do crescimento populacional, o número de pobres foi reduzido de 1,4 biliões em 1970, para 1,2 biliões em 2000. O que permitiu tal facto? Já chego lá.
Em 1970, 86% da população mundial que vivia abaixo da linha de pobreza, residia no continente asiático. Em 2000, a percentagem de pobres asiáticos, havia baixado de 86% para 60%.
O continente africano, que em 1970 tinha 11% dos pobres mundiais, passou a representar 35% da pobreza mundial no ano 2000.
Qual foi o factor preponderante na saida de milhões de pessoas da pobreza? A globalização. E nenhum outro mercado, se não o mercado asiático, soube tão bem aproveitar esse factor para retirar as suas populações da miséria a que estavam sujeitas. O Japão deu o mote muito antes de todos os outros paises da zona, mas o processo iniciou-se efectivamente com os 4 tigres asiáticos (Hing Kong, Singapura, Taiwan e Coreia do Sul). Depois seguiram-se os 4 novos tigres asiáticos (Indónésia, Filipinas, Tailândia e Malásia). Mas acima de tudo, é com o desenvolvimento atingido pelos dois paises mais populosos do mundo (China e India), que a Ásia dá o salto nos gráficos relativos ao nível de pobreza absoluta no mundo.
Por sua vez, África debate-se com um enorme problema. Com as suas caracteristicas, dificilmente poderá usufruir dos beneficios da globalização da mesma forma que os paises do continente asiático - cuja principal vantagem competitiva residia na sua imensa mão de obra. Mão de obra essa que quando qualificada, permitiu-lhes dar o pulo de produtos de baixo valor acrescentado, para produtos de alto valor acrescentado, nomeadamente no campo tecnológico.
O continente africano a esse nível está muito limitado, e só pela via da exportação de produtos agricolas poderia dar o salto rumo a um futuro melhor. Mas nesse campo, sofre com as politicas de apoio à agricultura dos paises desenvolvidos, que impedem um verdadeiro mercado agricola livre a nível mundial - com o pior exemplo de todos a manifestar-se na Politica Agricola Comum da União Europeia.
Curioso será também perceber como é que com resultados positivos tão evidentes no nível de vida das populações, a globalização consiga ser tão amplamente criticada. Mas para isso eu já tinha de vir aqui dar noções do conceito de pobreza absoluta - entendida como a capacidade para adquirir uma quantidade de bens ou serviços - e de pobreza relativa - fixada com base no rendimento mediano de uma dada sociedade - fica para o próximo post.
PS: Recomendo vivamente um saltinho pelo Gapminder, nomeadamente pela ferramenta do Human Development Trend 2005.
publicado por Jorge A. às 12:39
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