Quarta-feira, 10 de Outubro de 2007

Um Mercado à Parte

É fantástico, não é? Em média, um português aguenta mais de 12 anos na mesma empresa (na Europa só a Grécia faz melhor - ou pior, conforme a perspectiva). Nos Estados Unidos aguentam 4 anitos apenas. É a teoria do emprego para a vida que alimenta o sonho de parte do povo trabalhador. Em parte o medo de arriscar, o desejo da segurança. Mas em muito maior parte isto deve-se à impossibilidade de arriscar. Com as leis laborais que temos, uma empresa pensa duas vezes antes de contratar quem quer que seja, e o trabalhador pensa duas (para não dizer três ou quatro) vezes antes de deixar a sua empresa. Ou isso, ou o trabalhador português contenta-se com pouco, e rapidamente descobre o emprego que o deixa feliz...

Curiosamente (embora sem nada de curioso), a facilidade de despedir não promove taxas de desemprego elevadas. E mesmo sem gráfico, garanto-vos desde já que não promove salários baixos... Mais, boa parte da taxa de desemprego verificada nos EUA não é devido a desemprego de longo prazo (como em Portugal o é), mas por pessoas em situação de desemprego temporário enquanto acabaram de mandar um patrão à fava e procuram outro melhor.
O gráfico em cima é sobre o efeito do salário minimo no desemprego dos mais jovens. O que se constata é que quanto maior o salário minimo, maior o desemprego junto das classes mais jovens. Normal, um jovem sem habilitações e no inicio de actividade dificilmente terá um nível de produtividade que corresponda ao salário minimo...

Os estados a azul escuro, são estados norte americanos onde não existe salário minimo. Em Portugal nem se imagina o que isso é ou sequer que isso seja possível num país economicamente desenvolvido - há quem peça um salário mínimo tipo 426,5 euros. São curiosamente os mesmos que depois atacam o governo pelo desemprego elevado. Um dia, ainda me vão explicar de onde retiram estes valores. Qual o mecanismo e a forma de cálcular o salário minimo? Não há. De onde vem esta precisão dos 426,5? Podiam dizer qualquer coisa como à volta dos 425 euros, mas não, aquela merda é precisa: eles querem um salário minimo de 426,5 (atente-se no virgula cinco) euros. É um espectáculo. Mas em Portugal, acabar com o salário minimo seria o fim de qualquer governo.

Mas há sinais de mudança na sociedade portuguesa. No sector ao qual estou ligado, há várias pessoas a trabalharem no Algarve vindas de outras regiões do país (o que implica uma mobilidade não caracteristica do mercado de trabalho português), e boa parte do pessoal qualificado troca de empresa em busca de condições melhores a partir de certo ponto. Claro que continuam a existir pontos negros: há muito boa gente com qualidade para continuar a desempenhar funções na empresa que é posta de parte porque a empresa não pode arriscar ter mais um funcionário com contrato efectivo. Ao mesmo tempo que nessa empresa há pessoal efectivo que poderia muito bem ser posto de parte...

publicado por Jorge A. às 21:50
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