Sexta-feira, 8 de Junho de 2007

Estado Maldito

Um excelente post no Combustões, que desmonta alguns dos mitos sobre um dos episódios do conflito israelo-palestiniano.

A guerra de Junho de 1967 não foi uma guerra de agressão: foi uma campanha preventiva. A guerra de 1967 não foi a causa do actual impasse no Médio Oriente, mas apenas confirmou a prevalência israelita num conflito que se iniciara em 1948, quando os países árabes circunvizinhos não aceitaram as disposições da ONU e atacaram o novo Estado hebraico. A guerra de 1967 ditou o início da contestação a regimes laicos socializantes satelizados pela URSS, implicou a radicalização do fanatismo e do integrismo islâmicos e veio confirmar o profundo corte existente entre o Ocidente e o mundo árabe. O mundo árabe escolhera o bloco de Leste. Derrotado e frustrado, virou-se para um passado glorioso mas morto. O mundo árabe fez e continua a fazer as piores escolhas: quis ser socialista quando não devia; quer ser anti-ocidental quando não pode.

Outro mito que tem-se vindo a espalhar é sobre a origem da criação do estado de Israel. A argumentação muitas vezes utilizada sobre a preponderância dos Estados Unidos na criação do novo estado e, especialmente, os seus propósitos, são totalmente contrários à realidade - o que não invalida que os americanos tenham sido um dos maiores apoiantes da causa do estado hebraico, mas esse apoio já vinha de há muito tempo atrás. Se houve país que tentou tirar proveito dum novo estado na região foi a União Soviética - apesar desta sempre ter seguido uma politica anti-sionista - mas que via naquele novo país uma forma de retirar rapidamente a influência do Reino Unido na região do médio oriente, e ambicionava tornar o estado hebraico numa nova república socialista. Só quando a União Soviética percebe que o estado recém formado adopta o modelo ocidental de sociedade, é que muda de lado, passando a apoiar o lado árabe. Já sobre as escolhas do mundo árabe, as más escolhas já vinham de trás. Desde o tempo em que os lideres religiosos palestinianos decidiram dar apoio ao regime nazi alemão, em troca da garantia de um estado palestiniano, tendo como contrapartida o exterminio do povo judeu da região. De facto, sempre se colocaram do lado errado da barricada.

publicado por Jorge A. às 11:36
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