Terça-feira, 15 de Dezembro de 2009

O discurso inconveniente

A participação de Al Gore na Cimeira de Copenhaga não começou da melhor maneira. Num discurso proferido ontem na capital dinamarquesa, o antigo vice-presidente dos Estados Unidos afirmou que um novo estudo revela que o Árctico vai deixar de ter gelo, durante os meses de verão, dentro de cinco anos. No entanto, o autor deste estudo, Wieslav Maslowski, nega ter chegado a esta conclusão.

 

Al Gore, um prémio nobel da paz tão merecido quanto o de Obama. Recordo o 1984 de Orwell:

 

Guerra é paz,

Liberdade é escravidão,

Ignorância é força.

publicado por Jorge Assunção às 16:30
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Sexta-feira, 9 de Outubro de 2009

Prémio Nobel da Paz

É certo que aquilo que me levou a torcer por Barack Obama nas eleições presidenciais norte-americanas foi, acima de tudo, a sua perspectiva da política internacional e a visão que tenho dele de que tentará evitar, a todo o custo, novas guerras, como um candidato Republicano, no caso John McCain, contrariamente ao que era habitual, não o faria. Mas entregar-lhe agora um Prémio Nobel da Paz, com menos de um ano a excercer o cargo de Presidente dos EUA e, diga-se, sem que o rumo da sua governação esteja totalmente definido, parece-me manifestamente estúpido. Excepto se o Comité do Nobel pensa que com isto irá influenciar as decisões de Obama no futuro. Ou seja, no Comité do Nobel, nomeadamente no que toca ao da Paz (e da Literatura, espero que não se alargue ao da Economia) faz-se política pura e dura, mas não se atribui prémios pelo mérito das personalidades em causa.

publicado por Jorge Assunção às 10:28
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Quinta-feira, 8 de Outubro de 2009

Nobel da Economia: Previsões

Eugene Fama 2/1

Paul Romer 4/1

Ernst Fehr 6/1

Kenneth R. French 6/1

William Nordhaus 6/1

 

Se o favorito vencer (via Greg Mankiw), adivinho reacções muito interessantes nalguns blogues escritos por economistas. A propósito, recomendo este texto de Eugene Fama:

 

The general message bears repeating. Even when there are lots of idle workers, government bailouts and stimulus plans are not likely to add to employment. The reason is that bailouts and stimulus plans must be financed. The additional government debt means that existing current resources just move from one use to another, from private investment to government investment or from investment to consumption, with no effect on total current resources in the system or on total employment. And stimulus plans only enhance future incomes when they move current resources from less productive private uses to more productive government uses - a daunting challenge, to say the least.

publicado por Jorge Assunção às 13:05
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Dizem-me

Que uma escritora alemã, nascida na Roménia, vai passar brevemente a ser um caso de sucesso e vender muitos livros. Talvez seja essa a lógica do Nobel de Literatura: criar casos de sucesso, talvez por isso outros escritores, como Philip Roth, tenham o acesso ao prémio vedado.

publicado por Jorge Assunção às 12:12
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Quarta-feira, 7 de Outubro de 2009

Prémio Nobel

Química, Física e Medicina, estão entregues os prémios e em todos há, pelo menos, um norte-americano galardoado. Agora só falta o da Economia, sendo que a boa notícia sobre o mesmo é que está garantido que Paul Krugman não o ganhará novamente, e dois prémios essencialmente políticos e altamente subjectivos: Paz e Literatura. O último, aliás, podia ser renomeado para Prémio Nobel da Literatura Não Atribuível a Norte-Americanos e de Preferência Atribuído a Quem Tenha Opiniões Políticas Muito Fortes Desde Que Não Sejam Associadas à Extrema Direita Tipo Jorge Luis Borges.

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publicado por Jorge Assunção às 11:15
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Terça-feira, 6 de Outubro de 2009

Aquela altura do ano

Em que somos recordados como boa parte do progresso científico no mundo deve-se a um único país.

publicado por Jorge Assunção às 11:06
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Domingo, 26 de Outubro de 2008

Great Originality

Voltando ao prémio nobel da economia, encontrado na The Economist:

In neither contribution did Mr Krugman claim great originality for his ideas or great realism. His achievement was to formalise insights that many people had previously had informally. Ideas that had fluttered in and out of people’s grasp for decades, he pinned down like a butterfly on display. Sometimes a good economist, like a good columnist, succeeds not by making a point before everyone else, but by making it better than anyone else.

E não foi assim, sem grande originalidade, mas com grande capacidade de exposição das ideias discutidas à época, que Adam Smith ganhou o estatuto de pai fundador da ciência económica moderna?

publicado por Jorge A. às 00:12
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Terça-feira, 14 de Outubro de 2008

Previsões

Para quem quer adivinhar futuros vencedores do Nobel da Economia, pode sempre começar pela John Bates Clark Medal - mérito atribuido "a economista americano com menos de quarenta anos de idade a quem se reconhece ter feito progresso significativo no dominio do conhecimento e ensino económico". Foram até hoje trinta os premiados com a John Bates Clark Medal. De entre os vencedores, Paul Samuelson; Milton Friedman; Kenneth Arrow; Lawrence Klein; Robert Solow; Gary Becker; Daniel McFadden; Joseph Stiglitz; A.Michael Spence; James Heckman; e Paul Krugman, venceram o Nobel também.

publicado por Jorge A. às 00:58
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Segunda-feira, 13 de Outubro de 2008

Paul Krugman

O mais recente Nobel da Economia pode ter motivações politicas, mas parece-me neste caso inteiramente merecido. Para mais, Krugman tem um dos melhores blogs económicos de toda a blogosfera - mesmo que seja para ir lá e discordar com o autor. De resto, no Marginal Revolution, o Alex Tabarrok aqui e o Tyler Cowen aqui, fazem um óptimo trabalho no resumo da obra de Krugman. E o Bryan Caplan em velhinho texto datado de 30 de Julho de 2004 já havia explicado porquê que ter em Krugman o mais famoso economista da esquerda podia ser encarado com optimismo (este texto do caro João Rodrigues fez-me esboçar um sorriso).

publicado por Jorge A. às 22:50
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Sábado, 11 de Outubro de 2008

Sobre Ingrid Betancourt

Frustrada, ONG de Ingrid critica escolha de Nobel da Paz. Frustrados, todos aqueles que achavam que o facto de se estar desaparecido é caminho para se chegar ao nobel. Fala-se até num recuo da candidatura ‘maddie 2009′.

A frase infeliz é de Pedro Vieira no Arrastão. E é infeliz porque Betancourt não estava propriamente só desaparecida e faz por ignorar, na comparação com o caso Maddie, os motivos que levaram ao "desaparecimento" de Ingrid Betancourt, o movimento que se gerou em sua defesa e a oposição que tal gerou ao grupo terrorista que opera na Colombia. Por outro lado, talvez Pedro Vieira tenha razão, e assim explica-se a inexistência do nome Mahatma Ghandi entre os vencedores do Nobel da Paz, afinal de contas, premiá-lo, seria mostrar que o caminho para se chegar ao nobel passa por uma greve de fome. Mas daqui a seis meses, ou mesmo agora, perguntem quem é Martti Ahtisaari, o que fez, ou o que representa, perceberão facilmente como o nobel deste ano foi um desperdício.

publicado por Jorge A. às 18:36
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Realidade Alternativa

Ainda sobre o meu post anterior: The Nobel Prize in Literature from an Alternative Universe (via: Maradona)

publicado por Jorge A. às 12:03
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Sexta-feira, 10 de Outubro de 2008

Credibilidade

Deixem-me confessar que tenho muita dificuldade em olhar para esta lista e atribuir-lhe uma credibilidade por aí além. Como é normal nestas coisas, quando Franz Kafka era vivo ninguém previu que fosse tornar-se num dos maiores escritores do século XX, logo não teve direito a Nobel. Mas o que dizer por exemplo de Leo Tolstoi? A fama já tinha batido à porta quando o Nobel da Literatura começou a ser atribuido, teve o grande escritor russo direito ao seu momento de glória? Não. Atribuir um Nobel à norte-americana Pearl S.Buck em 1938 e deixar Virginia Wolf sem o seu, que morreu em 1941, devia ser só por si capaz de retirar qualquer credibilidade ao prémio. O argentino Jorge Luis Borges também não podia receber nenhum porque estava politicamente demasiado à direita. E Vladimir Nabokov é só por si um ensaio à cegueira, quando pensamos naqueles pelo qual o grande autor americano foi preterido. Por falar em ensaio à cegueira, alguém no seu perfeito juizo acha que em pleno século XX o melhor que Portugal teve para oferecer a nivel literário foi José Saramago? O século do grande Fernando Pessoa? Mas a lista dos não vencedores prolonga-se quase até ao infinito, incluindo nomes como Mark Twain,  James Joyce ou Graham Greene, certamente longe desse génio literário que foi Winston Churchill.

 

No século XXI, e por muito que Jean-Marie Gustave Le Clézio merecesse o prémio, a insistência em deixar os grandes nomes americanos como Philip Roth, Comarc McCarthy ou Don DeLillo de fora dos possíveis vencedores não é só errada, é absolutamente cancerigena para o estatuto do prémio, mas a olhar à história do mesmo, faz jus a esta.

publicado por Jorge A. às 23:52
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Quarta-feira, 8 de Outubro de 2008

Obikwelu

Ontem alguns teimavam em referir-se ao prémio Nobel da Fisica Yoichiro Nambu como japonês, hoje voltam a fazé-lo em relação ao prémio Nobel da Quimica Osamu Shimomura. Ambos são naturalizados norte-americanos, convém identificá-los como cidadãos do país que os acolheu e pelo qual quiseram ser acolhidos - o prémio Nobel no seu site assim o faz, só fazia bem aos jornalistas seguiram o mesmo caminho.

 

Por outro lado, amanhã é divulgado o prémio nobel da literatura - o norte-americano Philip Roth há muito que merecia ganhar o prémio, mas com o enviezamento demonstrado nas declarações públicas feitas contra os norte-americanos pelo presidente do comité da academia sueca (ler isto, isto e isto), numa sobreposição clara da politica ao mérito, tenho muitas dúvidas que seja desta que se faz justiça.

 

Adenda: Depois de alguma pesquisa, apesar de no site do Nobel fazerem referência aos Estados Unidos e no Público referirem-se ao "japonês naturalizado americano", estou absolutamente convencido que Osamu Shimomura, ao contrário de Yoichiro Nambu, nunca abdicou da cidadania japonesa (apenas reside, portanto, nos Estados Unidos). A bem da verdade, fica aqui resposta a mesma.

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publicado por Jorge A. às 13:27
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Segunda-feira, 6 de Outubro de 2008

Nobel da Medicina

Nobel da Medicina para o alemão Harald zur Hausen e os franceses Françoise Barré-Sinoussi e Luc Montagnier 

Harald zur Hausen foi distinguido pela "sua descoberta do papiloma vírus causador do cancro do colo do útero" (VPH), o segundo tipo de cancro que mais atinge as mulheres. [...] Françoise Barré-Sinoussi e Luc Montagnier foram distinguidos pela descoberta do Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH).

Ambos merecidos, mas o que pode ser estranho aqui é que o Karolinska Institutet tenha demorado tanto tempo a reconhecer a identificação do HIV como virus causador da SIDA como uma descoberta merecedora do Nobel. Claro que a disputa entre Luc Montagnier e Robert Gallo sobre qual dos dois tinha feito a descoberta primeiro não é alheia a isso. Politicamente, a coisa foi decidida entre a França e os Estados Unidos com um reconhecimento de que ambos os cientistas partilhavam crédito em tal descoberta. Hoje, foi feita uma escolha, a meu ver, a escolha certa.

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publicado por Jorge A. às 23:57
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Sexta-feira, 12 de Outubro de 2007

Um post que gostava de ser eu a escrever

Ouvido pelo Público acerca do Nobel 2007, Urbano Tavares Rodrigues diz que Doris Lessing foi premiada pelos seus «valores» e pelo seu «empenhamento». Até aqui nada de novo: há muitas décadas que muita gente critica a agenda política do Nobel. Urbano, pelos vistos, aprova essa agenda.

[...]

O caso de Philip Roth é muito mais curioso. Ninguém pode acusar Roth de ter simpatias políticas de direita. O direitismo americano, de Lindbergh e Bush, tem sido regularmente vergastado nos seus romances e entrevistas. Mas ainda assim Roth é, pecado dos pecados, um homem «cínico» e «desencantado», sem grandes ilusões sobre a espécie humana. E isso é mais importante, e mais grave, que o seu crurrículo esquerdista e que a sua «grandeza». «Grande» que ele seja, nada de prémios suecos.

O verdadeiro escritor «de esquerda», para os jdanovistas funcionais, é ainda o optimista profissional. A literatura «socialista» é (cito Jdanov) «(...) optimista na sua essência, porque é a literatura da classe em ascensão que é o proletariado, a única classe progressista e avançada». Disse.

Senhores Llosa e Roth: não sejam «cínicos» e «desencantados», sff. Aprendam com o camarada Jdanov.
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publicado por Jorge A. às 22:04
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Nobel

IF THE Nobel Peace Prize were awarded for making the world a more peaceful place, then this year’s winners—Al Gore and the Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC)—would be a bizarre choice.

Evidently the committee has decided to redefine the award as the Nobel Prize for Making the World a Better Place in Some Unspecified Way.

O Nobel da Paz já não é o Nobel da Paz, e o Nobel da Literatura há muito que deixou de ser um prémio para pessoas que sabem simplesmente escrever e contar boas histórias - passou a incorporar também uma componente politica. É o primeiro passo para descredibilizar o Prémio Nobel...
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publicado por Jorge A. às 21:49
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Entretanto...

...por terras nórdicas: Nobel da Paz para Al Gore e Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas. Al Gore ganha por passar uma mensagem que agrada à comissão nomeada pelo parlamento norueguês para avaliar quem merecia ser o vencedor. Isto independentemente da mensagem passar fazendo uso de mentiras, embora seja de considerar que o cheque atribuido seja útil para Gore pagar a conta de electricidade da sua casa.
publicado por Jorge A. às 21:23
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Segunda-feira, 8 de Outubro de 2007

Prémio Nobel

Nobel da Medicina distingue estudos na área da genética

O prémio Nobel da Medicina foi hoje entregue aos norte-americanos Mario Capecchi e Oliver Smithies e ao britânico Martin Evans, pelos estudos desenvolvidos na área da genética. [...] Mario Capecchi nasceu em Verona (Itália), em 1937. Licenciou-se em química e física pelo Antioch College, em 1961, e doutorou-se em biofísica, em 1967, na Universidade de Harvard. [...] Oliver Smithies nasceu na Grã-Bretanha, em 1925, e, mais tarde, naturalizou-se nos Estados Unidos. Doutorado em bioquímica pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, em 1951, é actualmente professor de patologia e medicina laboratorial na Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos.

O que torna os Estados Unidos um país tão extraordinário não é o seu ranking no IDH, ou o seu PIB per capita, etc..., mas sim a sua capacidade para acolher pessoas de todos os cantos do mundo, de tal forma que essas mesmas pessoas são vistas pelos naturais como americanos, e sentem-se elas próprias mais americanos do que qualquer que fosse a sua naturalidade anterior. É aquela magnifica transformação que torna dificil distinguir entre Arnold Schwarzenegger e George W. Bush júnior. Na Noruega vive-se bem, mas não há muita gente que queira ser norueguês...
publicado por Jorge A. às 21:55
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