Segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

Depois do muro

E olhando para as diferenças que persistem entre a Alemanha ocidental e oriental, diria que os regimes mudam mais o povo do que o povo muda com a mudança do regime. Enfim, se mesmo na fusão entre duas empresas*, entidades de dimensão e complexidade reduzida quando comparadas a um país, tantos são os problemas que surgem, como esperar que numa fusão do que eram, na altura, dois países completamente distintos, não existissem problemas de difícil resolução? Especialmente quando aquilo não foi propriamente uma fusão entre iguais, mas uma fusão onde um lado, o ocidental, tinha claramente preponderância na escolha do caminho a seguir. Além do mais, a Alemanha é um óptimo exemplo de como, na aplicação de modelos económicos e sociais, não atender e entender a especificidade dos povos a que se destinam tais modelos, é o primeiro passo para o modelo fracassar.

 

* estou a pensar, nomeadamente, em algumas aquisições do BCP no tempo do Jardim Gonçalves. Imaginam o que é impôr o sistema informático de um banco a todos os funcionários do banco adquirido? E impôr a mentalidade do BCP aos quadros altos do banco adquirido? Obviamente, muitos dos funcionários do banco adquirido, especialmente aqueles que estavam lá há mais tempo, sofriam de problemas de adaptação e julgavam-se, muitas vezes com razão, tratados como que funcionários de segunda numa instituição que pretendia-se única e a remar para o mesmo lado.

publicado por Jorge Assunção às 17:00
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Sexta-feira, 9 de Outubro de 2009

Prémio Nobel da Paz

É certo que aquilo que me levou a torcer por Barack Obama nas eleições presidenciais norte-americanas foi, acima de tudo, a sua perspectiva da política internacional e a visão que tenho dele de que tentará evitar, a todo o custo, novas guerras, como um candidato Republicano, no caso John McCain, contrariamente ao que era habitual, não o faria. Mas entregar-lhe agora um Prémio Nobel da Paz, com menos de um ano a excercer o cargo de Presidente dos EUA e, diga-se, sem que o rumo da sua governação esteja totalmente definido, parece-me manifestamente estúpido. Excepto se o Comité do Nobel pensa que com isto irá influenciar as decisões de Obama no futuro. Ou seja, no Comité do Nobel, nomeadamente no que toca ao da Paz (e da Literatura, espero que não se alargue ao da Economia) faz-se política pura e dura, mas não se atribui prémios pelo mérito das personalidades em causa.

publicado por Jorge Assunção às 10:28
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Domingo, 13 de Setembro de 2009

O drama, o horror, a tragédia

Ministro espanhol preocupado com declarações de Ferreira Leite sobre TGV. Até fico comovido com a preocupação que o ministro espanhol revela em "integrar verdadeiramente a Península Ibérica". Como é que é possível, nós provincianos, não sermos sensiveis aos argumentos do ministro espanhol e avançar imediatamente com o TGV?

publicado por Jorge Assunção às 15:16
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Segunda-feira, 31 de Agosto de 2009

Japão

A ideia subjacente neste post do Manuel Gouveia importa ser discutida. Diz ele que "os japoneses optam pela via do socialismo", será mesmo assim? Parecem ter optado por um governo com maior preocupação social, é certo, mas até que ponto optaram os japoneses por algo verdadeiramente diferente do que tinham?

 

Na notícia do Público é dito alguma coisas importante sobre o assunto. 1) Os japoneses parecem simultaneamente decididos e cépticos. A grande maioria deseja uma "mudança de regime", mas apenas 24 por cento acreditam nela, contra 56 que manifestam cepticismo: não sabem aonde um governo do PDJ irá buscar fundos para financiar as políticas sociais. O que traduzido por mim dará qualquer coisa como: se o PDJ tentar mudar muito, os japoneses cortam-lhe as pernas. É isso que denota o receio com o dinheiro gasto. Se quiserem, é parecido com a falta de apoio dos americano à reforma na área da saúde de Obama. É o velho lema do 'mudar para tudo ficar na mesma'. 2) Para "rejuvenescer a política", o PDJ lançou um grande número de candidatos jovens contra os veteranos do PLD. Mas os líderes que encarnam a mudança vêm da velha escola do PLD. O PDJ é um partido recente, com pouco mais de 13 anos de existência, e parte dos seus quadros deriva do próprio PLD, dúvido que venha daqui grande mudança. 3) Para alguns analistas, mais do que uma vaga de entusiasmo pelo PDJ, há a vontade de punir o PLD. Não me admira que assim seja, e acho que os japoneses nisso fazem bem. Dificilmente um partido que está há 54 anos no poder não criou tentáculos pela sociedade japonesa. Mas isso para mim diz muito mais sobre a necessidade que os japoneses revelaram por substituir as caras e os interesses, do que por substituir as ideias típicas do PLD. 4) "Alguns japoneses comparam o colapso do PLD à queda do Muro de Berlim", escrevia em Junho de 1993 o correspondente da Economist no Japão, após uma cisão do partido, que levou a um interregno de 10 meses, o único período em que os liberais-democratas não governaram. Foi assim que terminou em 1993, o PLD só esteve afastado do poder durante 10 meses. Desta vez deverá demorar mais tempo, mas não me admira nada que nas próximas eleições, caso façam uma renovação de caras, voltem ao poder. 5) A ascensão do PDJ é indissociável da ruptura do contrato social e do modelo paternalista que acompanharam o "milagre económico". Ou seja, os japoneses estão descontentes porque a sociedade mudou. Infelizmente, o modelo paternalista desapareceu porque não era sustentável. Mas isto demonstra o quanto a sociedade japonesa é conservadora e dificilmente aceitará qualquer mudança radical. Resumindo, aquilo que alguns denominam por mudança é, afinal, uma última tentativa dos japoneses para nada mudar.

 

Basicamente, a minha ideia sobre o que se passa no Japão é que o PDJ será tão diferente do PLD quanto o PS é diferente do PSD. Ou seja, não existirão grandes diferenças. Uma sociedade que andou durante 54 anos a votar no mesmo partido e nas mesmas ideias revela um conservadorismo acentuado que não muda de um dia para o outro. Claro que esse conservadorismo também ajudou a paralizar o Japão durante a década de noventa, quando o país necessitava de reformas e os líderes do PLD mostraram-se incapazes de as realizar. Apesar disso, e tirando aquele período de dez meses, os japoneses continuaram a votar nestes, em boa parte numa demonstração de gratidão por um partido que havia pegado num Japão devastado pela guerra e transformou-o na segunda maior economia mundial.

publicado por Jorge Assunção às 15:47
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Sábado, 13 de Junho de 2009

Imaginem

O clima de tensão em Teerão tem-se vindo a agravar, com novas manifestações de protesto e confrontos entre os apoiantes de Moussavi e de Ahmadinejad, relatam as agências.

Milhares de apoiantes de Moussavi estão reunidos no centro de Teerão, desafiando o dispositivo policial instalado nas ruas da cidade. Os manifestantes estão a lançar palavras de ordem como “ditadura, ditadura”, “demissão do Governo” e “golpe de Estado”.


Os manifestantes pró-Moussavi concentrados junto ao Ministério do Interior foram dispersados pela polícia, mas reuniram-se de novo posteriormente. Mais tarde, envolveram-se em confrontos com apoiantes de Ahmadinejad.

Este país com armas nucleares.

publicado por Jorge A. às 17:07
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Sábado, 30 de Maio de 2009

Indignações selectivas

Segundo documentos confidenciais da Organização das Nações Unidas (ONU), o número de civis mortos na zona de cessar-fogo aumentou desde o final de Abril. Estima-se que até ao dia 19 de Maio cerca de 1000 civis morreram diariamente.

 

Onde andam aqueles que por estas alturas fazem barulho? Não há manifestações pela Europa e mundo fora? Ou o que se passa na República Democrática Socialista do Sri Lanka é menos relevante do que o que se passa na Palestina? Não há jornalistas que queiram acompanhar o que se passa no Sri-Lanka? Deputados europeus que queiram ir conhecer a região? É que assim arriscam-se a fazer passar a ideia de que as motivações de alguns actos de indignação são maioritariamente políticas e nunca actos de verdadeira e sincera solidariedade para com outro ser humano em sofrimento.

publicado por Jorge A. às 15:25
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Quinta-feira, 21 de Maio de 2009

Guantánamo

Funds to Close Guantánamo Denied. O Senado não aprova o fecho de Guantánamo, obviamente. E se não aprova é porque Obama não tem solução para os actuais residentes da prisão. Mais, não sei se alguma vez pensou que viria a ter ou se o objectivo desde o ínicio não era mesmo deixar a prisão a funcionar e, portanto, prometia o que sabia não ir concretizar. Entretanto, aqui está uma notícia que ajuda a explicar a situação com que o actual presidente norte-americano se confronta: 1 in 7 Freed Detainees Rejoins Fight, Report Finds. Mais, o presidente tem, muito provavelmente, a maioria do povo americano contra a decisão de fechar a prisão. Se em 2008 a economia foi o tema central da campanha eleitoral, nada garante que em 2012 o terrorismo não voltará a dominar as preocupações dos norte-americanos. E, como se sabe, o homem ainda agora foi eleito, mas já anda a fazer campanha para segundo mandato.

publicado por Jorge A. às 01:47
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Segunda-feira, 4 de Maio de 2009

A grande líder

Faz hoje 30 anos que o Reino Unido mudou. Para melhor.
publicado por Jorge A. às 18:39
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Domingo, 26 de Abril de 2009

Socialistas

João Gomes Cravinho diz que Portugal não conseguirá atingir meta da UE de ajuda ao desenvolvimento. Pois é, no entanto, Sócrates anuncia intenção de reforçar tropas no Afeganistão.

 

Prioridades, que muito dizem sobre o actual governo que temos...

publicado por Jorge A. às 16:57
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Sábado, 18 de Abril de 2009

Brasil

Sobre a emergência do Brasil enquando potência regional, um excelente artigo na Newsweek: The Crafty Superpower.

publicado por Jorge A. às 23:14
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Segunda-feira, 6 de Abril de 2009

Free

Sobre a declaração da cimeira do G20 em Londres e a de Novembro de 2008: “… a commitment to free market principles …” has been replaced by “… based on market principles …”. Note that the word “free” is nowhere in the document.

 

Mais aqui.

publicado por Jorge A. às 21:01
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Quarta-feira, 1 de Abril de 2009

Se esta gente tivesse poder...

 

Em Londres, os parvalhões do costume.

publicado por Jorge A. às 21:20
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Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2009

Tolerância

 

Shahar Peer, de Israel, é impedida de jogar no Torneio de Dubai

 

Noticias que passam relativamente despercebidas na imprensa nacional.

publicado por Jorge A. às 21:16
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Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2009

Mau Jornalismo

Livni vence legislativas mas Netanyahu declara-se «o próximo primeiro-ministro»

 

Eu já não posso com a má fé jornalistica na elaboração dos titulos sensacionalistas de que o que cito acima é exemplo evidente.

A líder do partido centrista Kadima, Tzipi Livni, é apontada como vencedora das eleições legislativas israelitas, segundo projecções dos principais canais de televisão. No entanto, a margem é demasiado curta e Benjamin Netanyahu afirma que será «o próximo primeiro-ministro»

Afinal a Tzipi Livni não vence, apenas é apontada nas projecções como provável vencedora. E não é dificil perceber que Netanyahu não se declarou «o próximo primeiro-ministro», mas tão só que mostrou fé que ainda será o novo primeiro ministro (mesmo porque o jogo de coligações assim o favorece). Coisa tipica nestas coisas em que o vencedor ainda não é certo e muito longe do que o titulo do artigo dá a entender. Aproveito também para dizer que a confirmar-se a vitória de Livni, será uma boa noticia.

 

Adenda: o Sol podia aprender com o New York Times: Israeli Election Appears Tight

publicado por Jorge A. às 21:01
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Quarta-feira, 4 de Fevereiro de 2009

Trade Wars

Obama Wants "Buy American" Out Of Stimulus Bill

CHARLES GIBSON: A couple of quick questions. There are "Buy America" provisions in this bill. A lot of people think that could set up a trade war, cost American jobs. You want them out?

PRESIDENT OBAMA: I want provisions that are going to be a violation of World Trade Organization agreements or in other ways signal protectionism. I think that would be a mistake right now. That is a potential source of trade wars that we can't afford at a time when trade is sinking all across the globe.

 

CHARLES GIBSON: What's in there now? Do you think that does that? Do you want it out?

 

PRESIDENT OBAMA: I think we need to make sure that any provisions that are in there are not going to trigger a trade war.

A verificar-se, uma boa noticia.

publicado por Jorge A. às 08:54
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Quinta-feira, 15 de Janeiro de 2009

Cessar-Fogo

Gaza: Hamas oferece trégua de um ano se Israel se retirar dentro de uma semana

O Hamas terá dito ao Egipto que concorda com um cessar-fogo de um ano na Faixa de Gaza se Israel retirar as suas tropas no espaço de uma semana e reabrir as passagens fronteiriças imediatamente, indicou hoje a organização islamista e fontes diplomáticas. [...] O grupo islamista terá igualmente proposto que a trégua de um ano possa ser renovada após o seu fim. [...] O Hamas pede igualmente ajuda financeira internacional para debelar os custos de guerra.

Contrato por um ano, direito de renovação e, com algum jeitinho, ainda conseguem um prémio por objectivos.

publicado por Jorge A. às 22:20
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Terça-feira, 6 de Janeiro de 2009

Custos Elevados

A partir do momento em que Israel decidiu invadir a faixa de gaza por via terrestre devia saber que coisas como estas tornariam-se quase inevitáveis, quer pela pequenez do território face à quantidade de pessoas que lá habitam, quer porque o Hamas não evita combater em zonas fortemente ocupadas por civis. No momento actual, em que a referência a um cessar-fogo iminente são cada vez mais intensas (embora ainda por provar), a pergunta que se impõe fazer é quais os ganhos efectivos para Israel com esta acção militar? Temo que o apanhado final seja manifestamente negativo, quer a nível da credibilidade internacional, quer na batalha contra o Hamas, que verá o seu apoio popular reforçado.

 

Enquanto o parceiro de negociações de Israel for o Hamas, o conflito pode parecer irresolúvel, mas Israel já devia ter aprendido a lição no Libano, invasões terrestres contra grupos de guerrilha armados em zonas ocupadas em larga escala por civis não é solução para nada. Quanto mais tempo demorarem a apreender tal facto, mais perdem. E mais perdem também os que compreendem a posição israelita, que tem cada vez mais dificuldade a explicar a sua posição. Por mim falo.

publicado por Jorge A. às 20:59
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Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2009

Outras Guerras

Um grande video, um grande beat, uma mensagem errada. Em Sunshowers, M.I.A. faz a defesa da luta dos trigres Tâmil (há aqui uma questão pessoal, uma vez que o pai desta foi pioneiro na revolta dos tigres Tâmil contra o governo do Sri-Lanka, o que forçou a sua ida ainda muito jovem para a India), um grupo independentista e terrorista muçulmano do Sri-Lanka, que força numa guerra civil de mais de 25 anos a independência do norte e este do país, guerra essa que ceifou oficialmente cerca de setenta mil vidas até hoje. A certa altura diz mesmo, "you wanna win a war? like P.L.O. [O.L.P, Organização para a Libertação da Palestina] I don't surrendo", frase que levou a MTV a proibir a sua exibição nos canais da respeitada cadeia televisiva musical. Curiosamente, ou então não, na mesma altura em que o estado de Israel é criticado por forçar uma ofensiva contra o grupo terrorista Hamas, desenrola-se uma ofensiva do governo cingalês que pode pôr fim ao conflito armado no Sri-Lanka: The Tigers' last stand.

publicado por Jorge A. às 22:23
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Domingo, 4 de Janeiro de 2009

Sobre Israel

Escreve Ethan Bronner:

Implicit in Mr. Benn’s argument, however, is that the only way to stop Hamas from gaining legitimacy is for Israel to occupy Gaza again, more than three years after removing its soldiers and settlers. That is a prospect practically no one in Israel or abroad is advocating. [...] It may take weeks or months, they assert, but it can work. If true, the questions still remain: At what human cost? And who will be in charge when it is all over?

O problema aqui está no que uma nova ocupação por parte de Israel da faixa de Gaza representaria - e se, desde o inicio do processo foi esse o objectivo, põe em causa de que forma pode ser encarada esta guerra israelita como uma guerra defensiva (para já, aceite por mim enquanto tal e pelos vistos também pela União Europeia). Enquanto o objectivo de Israel concentrar-se em enfraquecer o poderio militar e organizativo do Hamas, tendo em conta a posição deste no conflito, compreende-se (embora tenha sérias dúvidas sobre se os resultados serão positivos). Agora, partir para uma táctica de reocupação da faixa de Gaza é um erro e utilizar tal recurso para não perder a face frente ao Hamas, recorrendo à sabedoria popular, é pior a emenda que o soneto (a promessa que a guerra terrestre vai durar "muitos longos dias" não é bom sinal).

 

É certo que a maioria do povo israelita está de acordo com o seu governo e, como está provado pela história, qualquer que seja a cor politica do governo eleito em Israel terá sempre uma politica agressiva para a região e para com os seus opositores. Há quem diga que tal politica tem resultado em fracasso, discordo. Pode ter apresentado custos humanos pesados, sobretudo para os seus opositores, mas para um país rodeado desde a primeira hora por inimigos, a sua sobrevivência só pode ser sinal de politica de sucesso e parece-me que é também essa a análise do povo e lideres israelitas. Claro que o insucesso a que se referem os opositores da politica tipica de Israel relaciona-se com o extremismo crescente entre os adversários de Israel e o notório complicar do processo para a criação de dois Estados na região.

 

Mas quem conhece as raizes históricas do processo sabe perfeitamente que o lado extremista e intolerante desde a primeira hora sempre esteve bem identificado. O plano de partição acordado na ONU em 1947 teve oposição imediata das forças árabes e palestinianas, que identificaram logo ali o futuro estado de Israel como um seu inimigo e forçaram a guerra israelo-árabe de 1948. De lá para cá poucas vezes os palestinianos abandonaram a sua posição extremada e das raras vezes que aceitaram negociar sobre condição de cessar fogo, nunca conseguiram cumprir tal promessa.

 

Mais recentemente os israelitas fizeram concessões, desocuparam a faixa de Gaza e desmantelaram alguns dos famosos colonatos, a esperança de reiniciar um processo de paz efectivo com uma Organização para a Libertação da Palestina menos radical e mais moderada era real. Os palestinianos para credibilizarem a sua liderança deram inicio a um processo democrático. Tendo sido dada voz ao povo palestiniano a escolha deste recaiu no Hamas. Foi tanto um murro no estomago da comunidade internacional que forçou o processo democrático, como foi um rude golpe para os israelitas que esperavam ter um parceiro mais moderado com quem negociar.

 

Dado isto, não me admira a pespectiva israelita que a coisa só lá vai mesmo à bomba e ao tiro. Mas, mesmo partindo de uma posição que é a minha de apoio a Israel no conflito em causa e reconhecendo razão aos israelitas quando afirmam que muitos dos que os criticam fariam igual ou pior em situação semelhante, não é menos verdade que aqueles que estão fora do conflito também podem apresentar uma visão menos apaixonada e mais racional sobre o mesmo (outras vezes nem por isso). Dito isto, julgo que seja altura da comunidade internacional, sem o espalhafato das declarações pacifistas (muitas delas hipócritas) que caracterizam alguns lideres internacionais, moverem a sua diplomacia em força no sentido de recomendarem a Israel a não promoção da escalada de violência na faixa de Gaza.

 

Claro que o Hamas vai continuar a ser um problema e só fará bem à comunidade internacional reconhecé-lo enquanto tal, em vez de fazerem de conta que são uma coisa menor e que o desbloquear da situação está maioritariamente no lado de Israel, mas no que toca à guerra agora em curso e à dimensão que ameaça tomar, tendo em conta as perspectivas reduzidas de acabar com o problema Hamas, quando mais cedo acabar melhor.

 

Como última nota, convém frisar que Israel continua com um grande problema de relações públicas (nesta guerra é notório que tentou contrariar isso com uma politica para os meios de comunicação social mais influentes extremamente activa). Mas se o poder militar está maioritariamente do lado israelita, no poder mediático os palestinianos batem-nos aos pontos.

publicado por Jorge A. às 02:10
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Sábado, 3 de Janeiro de 2009

Checo-Mate

União Europeia considera ataque terrestre de Israel “defensivo”

O Conselho da União Europeia, presidido pelo primeiro-ministro da República Checa, Mirek Topolánek disse que a ofensiva de Israel por terra na Faixa de Gaza era defensiva e não ofensiva.

A presidência checa vai dar muita dor de cabeça aos lideres mediocres desta União Europeia...

publicado por Jorge A. às 23:33
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Sobre o Hamas

Diz Charles Krauthammer:

Since its raison d'etre is the eradication of Israel, there are only two possible outcomes: the defeat of Hamas or the extinction of Israel.

Claro que o problema que se coloca aqui é que a politica dos últimos anos levada a cabo para o conflito israelo-palestiniano originou que mais palestinianos tenham adoptado a razão da existência do Hamas como o caminho certo (e aqui a culpa reparte-se por todas as entidades envolvidas no processo, desde os israeltias aos palestinianos, passando pelos intermediários no processo de onde os Estados Unidos se destacam). O Movimento de Resistência Islâmico (Hamas), com origem em 1987, distinguiu-se na década de noventa pelos atentados de bombistas suicidas que levou a cabo, mas na altura era algo marginal na sociedade palestiniana, que via em Yasser Arafat e na Fatah o seu máximo representante. Com a morte de Arafat abriu-se um vazio na liderança do povo palestiniano e antes que a liderança de Mahmoud Abbas consolidasse a sua posição, a adopção de eleições foi forçada pelo ocidente (sempre na sua ânsia de espalhar a democracia). Se no inicio o Hamas afastou-se do processo democrático, pouco depois percebeu o potencial que daí adivinha. O ocidente é que desvalorizou o potencial de mobilização do Hamas e o descrédito da Fatah junto do povo palestiniano. A vitória do Hamas nas eleições parlamentares palestinianas, por larga maioria, caiu assim que nem uma bomba no processo de paz que se ambicionava facilitado com a morte de Arafat. Depois, tipico dos politicos com grandes ideias que vêem os resultados falhar, a importância da democracia para o ocidente sofreu um retrocesso, e a politica para a região forçou a todo o custo a queda do governo eleito do Hamas e a promoção da Fatah, numa escolha curiosa pelo menor de dois males - a Fatah aproveitou, e tipico da organização não democrática que sempre foi (tal como o Hamas), reconquistou o poder de forma forçada na Cisjordânia, relegando o dominio da faixa de Gaza ao Hamas (uma divisão de poder que teve custo penoso no número de vidas humanas perdidas).

 

Chegados a este ponto, o argumento de Krauthammer que cito em cima é, no minimo, preocupante. E é preocupante porque percebendo a lógica subjacente ao mesmo, temo as consequências do que se entende por derrota do Hamas. E o problema está tanto no entendimento do que é e como se atinge propriamente a derrota, como no que se entende por Hamas. O Hamas hoje, no seu todo, não me parece que seja só um conjunto de maluquinhos fanáticos que pretende a extinção do povo de Israel, a não ser que se entenda por conjunto de maluquinhos a maioria do povo palestiniano que, relembro, votou maioritariamente nestes (e que suspeito não têm pesadelos com a extinção dos israelitas da face da terra, de tão extremadas que estão as posições).

 

Aceitemos então que o Hamas é tanto representado pelos seus lideres como pelos seus apoiantes, como pode ser derrotado? Numa guerra militar? Dúvido, a não ser que a guerra tenha como objectivo o exterminio do povo palestiniano, o que não é minimamente aceitável. Claro que percebo a resposta actual israelita (e até certo grau concordo com ela), mas estou absolutamente convencido que não é solução final para o conflito e, paradoxalmente, poderá ter o efeito temporário de aumentar o número de apoiantes do Hamas. A derrota do Hamas terá de passar assim por uma batalha pela consciência do povo palestiniano, pela diminuição do extremismo vigente na sua sociedade e entre os seus lideres, factor endémico aquele povo em toda a história do conflito israelo-palestiniano e que, com o passar do tempo, naturalmente também foi contagiando o povo israelita.

 

Mas temo que nos últimos anos a única coisa conquistada por aquelas bandas foi um aumento da agressividade e desconfiança entre os dois povos, para não falar num novo foco de rivalidade entre o próprio povo palestiniano na luta pelo poder entre o Hamas e a Fatah. Se me perguntarem como é que se luta pela consciência de um povo tão obviamente cegado pelo ódio, não tenho resposta. Sei é o que não é solução (o exterminio de um ou de outro povo) e sei também que o equilibrio actual na região é insustentável. E pelo andar das coisas dificilmente se relegará tão cedo o Hamas para uma posição marginal na região, por isso, tanto quanto andar preocupado em derrotar definitivamente o Hamas, o caminho que deve ser trilhado é também o da tentativa de utilização do processo politico para alterar a razão de ser deste - sem que isso implique, obviamente, colocar de parte intervenções militares israelitas para corrigir os desvios fundamentalistas dos palestinianos mais extremistas.

publicado por Jorge A. às 12:45
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Sexta-feira, 2 de Janeiro de 2009

Noticias Não Relacionadas

Gazprom recorre a ajuda do Kremlin

O gigante russo do gás natural, Gazprom, está a negociar com o Governo uma ajuda de 5,5 mil milhões de dólares, garante o diário New York Times [aqui], na sua edição de hoje. Ao contrário das declarações públicas dos seus dirigentes a garantirem que a empresa está a passar ao lado da crise financeira, o jornal norte-americano dá conta das dificuldades da companhia que se transformou num estratégico braço económico do Kremlin.

Gazprom acusa Ucrânia de roubar gás destinado aos países da UE 

A russa Gazprom acusou hoje a Ucrânia de estar a “roubar” gás natural que transita pelo país com destino aos clientes da União Europeia – uma acusação que foi imediatamente desmentida por Kiev. A UE diz que, até ao momento, não detectou qualquer diminuição no volume de abastecimento. [...] A Gazprom cortou ontem o abastecimento de gás à Ucrânia, por falta de acordo quanto ao pagamento de juros de mora relativos às entregas dos últimos meses de 2008 e quanto ao preço por tonelada cúbica de gás para este ano.

A Gazprom, que faz parte do braço económico do poder politico russo, é exemplo concreto da Rússia no seu pior e do trágico retorno russo a práticas soviéticas. Claro que, sendo a actuação da empresa muitas vezes motivada por interesses politicos e não empresariais, não é de estranhar a existência de problemas de gestão na mesma, a que o Kremlin não deixará de responder (quer com ajuda financeira, quer com distracções politicas para desviar a atenção do essencial). Pena é que parte da Europa tenha hipotecado alguma da sua margem negocial com cedências consecutivas aos interesses russos, originando uma dependência excessiva em relação ao seu gás natural. Cedências essas que, espelhadas nos governos alemães de Gerhard Schroder (que detém neste momento cargo de alto relevo na Gazprom), foram também elas motivadas por interesses politicos (e pessoais) e não nas práticas da boa gestão. O actual preço das matérias energéticas constitui um entrave às pretensões internacionais da Rússia (bem como do Irão ou da Venezuela), mas só os russos, por clara inépcia europeia, mantém neste momento mecanismos para exercerem pressão sobre a comunidade internacional e, é certo, não serão brandos a demonstrarem-no.

publicado por Jorge A. às 17:37
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