Quinta-feira, 24 de Dezembro de 2009

Vai dar trabalho

Na biblioteca, o 2666 sorri para mim. Existem dois exemplares disponiveis, ocupando pouco mais de 12 centímetros na última prateleira de uma estante. Não recordo se procurava algo específico na letra B, de Bolaño, mas sei que fiquei imediatamente convencido que a leitura para o Natal estava encontrada. O rapaz que regista os livros que entram e saiem da biblioteca, começa por perguntar-me se gostei de Faulkner. Digo-lhe que sim. Depois, acrescento que não gostei do Deus das Moscas (comecei logo por não gostar da tradução alternativa do título), do outro lado recebo a cara de alguém que não percebe como é possível não gostar do livro de Golding. Explico que já conhecia a história, havia visto a adptação cinematográfica e, portanto, o meu gosto pelo livro estava dependente não da história em si, mas da vivacidade, intensidade e fluidez da escrita. Contudo, a natureza altamente descritiva da obra e a inexistência de surpresas face àquilo que recordava do filme, havia provocado em mim nada mais do que aborrecimento. O rapaz finge que fica satisfeito com a minha resposta, pega finalmente no 2666 para dar saida deste nos registos e diz-me que é o livro na moda. Parece que sim, respondo eu. Tendo presente as mais de 1000 páginas do livro, digo-lhe que vai ser um livro que vai dar trabalho. Pondero corrigir a última frase, que sugere a ideia errada, mas limito-me a pegar no livro, soltar um boa tarde e abandonar o edíficio. O livro até pode dar trabalho, mas é um daqueles trabalhos que vem acompanhado de prazer e é feito com gosto. Por trabalho queria apenas dizer que ia demorar tempo, caso gostasse, até tê-lo lido todo. Se não gostasse, iria dar tanto trabalho como qualquer outro livro: o trabalho de devolvê-lo ao lugar de origem. Felizmente, já conclui a primeira das cinco partes que constituem o livro, e podem ter a certeza que este só é devolvido depois de concluida a leitura integral da obra.

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Domingo, 20 de Dezembro de 2009

Ligações

N’O Idiota, de Dostoiévski, o Principe Mishkin descobre o livro de Madame Bovary, de Flaubert, no quarto de Nastássia Filíppovna. Em Anna Karénina, de Tolstoi, no posfácio da autoria de Nabokov, são traçadas várias comparações com a história de Madame Bovary. Madame Bovary tornou-se então, para mim, objecto de leitura obrigatória, como peça de um puzzle que preciso urgentemente de completar. Nos últimos tempos, as minhas leituras têm seguido um caminho como que programado, como que guiado pelas influências entre escritores.

 

No A Sangue Frio, de Truman Capote, é engraçada aquela passagem que aqui assinalei. Antes dela, enquanto lia a cena do tribunal, que acabou com a condenação de Perry e Hickcock, era impossível não pensar no paralelismo com a cena do tribunal d’Os Irmãos Karamazov, de Dostoiévski. Capote faz uma homenagem ao escritor russo e, caso esta tivesse escapado aos seus leitores, naquele excerto confirma essa homenagem.

 

O Som e a Fúria, de Faulkner, foi-me sugerido por Aldous Huxley no seu Admirável Mundo Novo. Na obra de Huxley, o Selvagem responde frequentemente com recurso às obras de Williams Shakespeare. A certa altura faz referência a uma passagem da obra MacBeth: “Life is a tale / Told by an idiot, full of sound and fury, / Signifying nothing.” Presumi logo que era também a esta passagem que Faulkner tinha ido buscar o título do seu livro. Não me enganei. E também não estranhei quando logo no prefácio da obra de Faulkner, da autoria de António Lobo Antunes, descobri que Faulkner foi influenciado por Huxley.

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Sexta-feira, 18 de Dezembro de 2009

A importância de ter nome

José Rodrigues dos Santos já vendeu um milhão de livros

 

No outro dia, Miguel Sousa Tavares, um escritor que aprecio, queixava-se dos criticos que só por uma obra vender muito, logo passam a não gostar dessa obra. Tem razão Sousa Tavares. Mas há algo que é preciso não deixar escapar: até Miguel Sousa Tavares reconhecerá que o seu nome ganhou visibilidade não por ser escritor, mas pelas actividades desenvolvidas antes de se ter dedicado à escrita. E que, por grande escritor que seja, as vendas que alcança não derivam única e exclusivamente da sua escrita, mas também dessa visibilidade obtida previamente. É que está mais do que provado que não basta ser bom escritor para vender muitos livros. E convém não cair no erro contrário dos críticos: quem vende muito, não é necessariamente bom escritor.

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Terça-feira, 15 de Dezembro de 2009

O discurso inconveniente

A participação de Al Gore na Cimeira de Copenhaga não começou da melhor maneira. Num discurso proferido ontem na capital dinamarquesa, o antigo vice-presidente dos Estados Unidos afirmou que um novo estudo revela que o Árctico vai deixar de ter gelo, durante os meses de verão, dentro de cinco anos. No entanto, o autor deste estudo, Wieslav Maslowski, nega ter chegado a esta conclusão.

 

Al Gore, um prémio nobel da paz tão merecido quanto o de Obama. Recordo o 1984 de Orwell:

 

Guerra é paz,

Liberdade é escravidão,

Ignorância é força.

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Frases Literárias

   Na noite de 28 de Novembro, perto das sete horas, Jennie Marie estava com os pais, na sala, a ver televisão; Lowell Lee encontrava-se fechado no quarto a ler o último capítulo de Os Irmãos Karamazov. Terminado o livro, fez a barba, vestiu o melhor fato que tinha e começou a carregar uma carabina semiautomática 22 e um revólver Ruger do mesmo calibre. Meteu este num coldre preso ao ombro, pôs a carabina no braço e atravessou o átrio em direcção à sala, imersa em trevas, com excepção do ecrã de televisão. Acendeu um comutador, apontou a carabina, puxou o gatilho e atingiu a irmã entre os olhos, matando-a instantaneamente. Disparou três vezes contra a mãe e duas contra o pai. A mãe, de olhos arregalados e braços estendidos, avançou para ele, aos tropeções; tentava falar, abria e fechava a boca, mas Lowell Lee exclamou:

   -Cale-se!

   E, para ter a certeza de ser obedecido, disparou contra ela mais três tiros.

 

A Sangue Frio, Truman Capote, Publicações Dom Quixote, Tradução de Maria Isabel Braga

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Quarta-feira, 9 de Dezembro de 2009

Frases Literárias

- Bem, sobre essa unidade de pensamento pode dizer-se ainda outra coisa – disse o príncipe. – Eu tenho um genro, Stepan Arkáditch, vocês conhecem-no. Ele vai agora obter o lugar de membro do comité da comissão e não sei que mais, não me lembro. Mas não há lá nada que fazer [...], e são oito mil rublos de ordenado. Experimentem perguntar-lhe se o seu serviço é útil – ele mostrará que é muito útil e necessário. E ele é um homem sincero, mas é impossível não acreditar na utilidade dos oito mil.

 

Anna Karénina, Lev Tolstoi, Relógio D’Água, Tradução de António Pescada

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Domingo, 6 de Dezembro de 2009

Frases literárias

A nossa mesa de jantar, ou provavelmente qualquer outra do nosso quarteirão, jamais fora palco de um manancial de frases tão esclarecidas como estas, e foi por isso surpreendente – quando o rabi concluiu o discurso perguntando mansamente, quase intimamente, «Diga-me, Herman, o que expliquei começou a dissipar os seus temores?» - ouvir o meu pai responder terminantemente: «Não. Não. Nem por um momento.» E depois, sem se importar com a possibilidade de fazer uma afronta que não só despertaria o desagrado do rabi como também insultaria a sua dignidade e provocaria o seu desdém rancoroso, acrescentou: «Ouvir uma pessoa como o senhor falar dessa maneira... francamente, assusta-me ainda mais.»

 

A Conspiração Contra a América, Philip Roth, Publicações Dom Quixote, Tradução de Fernanda Pinto Rodrigues

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Sábado, 5 de Dezembro de 2009

Frases literárias

Ele virou-se e olhou-o. Parecia ter estado a chorar.

Diz-me só o que é.

Nós nunca seríamos capazes de comer uma pessoa, pois não?

Não. É claro que não.

Mesmo que estivéssemos a morrer de fome?

Nós não estamos a morrer de fome.

Tu disseste que já estávamos.

Morrer de fome é uma maneira de dizer. Nós estamos cheios de fome, mas não estamos mesmo a morrer.

Mas nunca faríamos isso.

Não. Nunca. Aconteça o que acontecer.

Porque nós somos os bons.

Sim.

E transportamos o fogo.

E transportamos o fogo. Sim.

Está bem.

 

A Estrada, Cormac McCarthy, Relógio D’Água, Tradução de Paulo Faria

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Quinta-feira, 3 de Dezembro de 2009

Frases literárias

Mas pode um homem executar ordens impossíveis, quando sabe o resultado a que conduzirão? Sim, devia executá-las, porque é a única maneira de poder provar a sua impossibilidade. Como verificar isso antes da prova? Se cada um se pusesse a dizer que as ordens não poderiam ser executadas, aonde iríamos parar? Que seria de todos nós, se respondêssemos «impossível» ao recebermos ordens?

 

Por Quem os Sinos Dobram, Ernest Hemingway, Companhia Editora Nacional, Tradução de Monteiro Lobato

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Domingo, 29 de Novembro de 2009

Frases literárias

Agora, meus senhores, vou contar-vos, seja ou não do vosso agrado, por que não consegui tornar-me nem sequer um insecto. Solenamente vos digo: eu quis ser insecto, reiteradas vezes. E nem disso tive a honra.

 

Cadernos do Subterrâneo, Fiódor Dostoiévski, Assírio & Alvim, Tradução de Nina Guerra e Filipe Guerra

 

Certa manhã, ao acordar após sonhos agitados, Gregor Samsa viu-se na sua cama, metamorfoseado num monstruoso insecto.

 

Metamorfose, Franz Kafka, Público (colecção Mil Folhas), Tradução de João Crisóstomo Gasco

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Domingo, 22 de Novembro de 2009

Frases literárias

Em qualquer caso, a civilização tornou o homem, senão mais sanguinário, de certeza sanguinário da maneira mais feia, mais ignóbil do que antes. Antes, ele via no derramamento de sangue uma justiça e exterminava a quem devia de consciência tranquila; ora, actualmente, embora consideremos o derramamento de sangue uma sujeira, continuamos a fazê-lo, e ainda mais do que outrora. O que é pior? – decidi sozinhos.

 

Cadernos do Subterrâneo, Fiódor Dostoiévski, Assírio & Alvim, Tradução de Nina Guerra e Filipe Guerra

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Sábado, 21 de Novembro de 2009

Frases literárias

-Eu penso - disse Anna, brincando com a luva que descalçara -, penso... que se para cada cabeça sua sentença, para cada coração a sua maneira de amar.

 

Anna Karénina, Lev Tolstói, Relógio D’Água Editores, Tradução de António Pescada

 

Embora tenha apreciado, não morri de amores pelo livro de Tolstói. No posfácio, Vladimir Nabokov lista os maiores escritores russos de ficção em prosa. Tolstói emerge no primeiro lugar destacado. Dostoiévski nem entra no top quatro. Eu que ando aqui a tentar compensar o tempo perdido com a leitura desenfreada de livro atrás de livro (refiro-me àqueles que são marcos da literatura mundial), acho que vou deixar o Lolita do Nabokov lá bem para o fim da lista de prioridades.

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Sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

Frases literárias

Nenhum homem deveria passar a sua vida sem experimentar ao menos uma vez a salutar e até enfadonha solidão de um ermo, exclusivamente dependente de si próprio e assim aprendendo, portanto, a conhecer a sua força verdadeira e oculta.

 

Viajante Solitário, Jack Kerouak, Editorial Minerva

 

Murakami utiliza esta citação em Sputnik, meu amor. Uma frase de Kerouak que traz consigo uma sabedoria que Murakami reserva para muitas das personagens dos seus livros.

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Terça-feira, 17 de Novembro de 2009

Maledicência

Leio o Ana Karenina, de Tolstói. Num dos jantares da alta sociedade de São Petersburgo, formam-se dois grupos de conversa, em ambos, para animar a conversa, recorre-se à maledicência. Era assim há mais de uma centena de anos, é assim agora.

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Sábado, 24 de Outubro de 2009

Frases literárias

O socialismo não é só o problema do operariado, ou seja, do assim chamado quarto estado, mas, em primeiro lugar, uma questão ateísta, uma questão da encarnação moderna do ateísmo, a questão da Torre de Babel sem Deus e sem pretender atingir os céus a partir da terra, mas para fazer descer os céus à terra.

 

Fiódor Dostoiévski, Os Irmãos Karamazov

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Sexta-feira, 23 de Outubro de 2009

O pior cego

"O pior cego é aquele que não quer ver", terá dito Passos Coelho, ontem, no Conselho Nacional do PSD, quando Ferreira Leite anunciou que só convocará directas depois da aprovação do Orçamento de Estado. Infelizmente, o ditado aplica-se que nem uma luva ao 'eterno jovem', que ainda não percebeu que a sua atitude de permanente confrontação e a pressa que aparenta em chegar ao poder são sinais claros de cegueira. Há um ditado que diz que "o poder cega", o que dizer então daquele que se deixa cegar antes de ter o poder. É como se n'O Senhor dos Anéis, de Tolkien, existisse um personagem que, antes de ter possuido o anel, já o tomasse como o seu precioso.

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Quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

O disparate

Eurodeputado exorta Saramago a renunciar à cidadania. Escreve Mário David:

 

José Saramago, há uns anos, fez a ameaça de renunciar à cidadania portuguesa. Na altura, pensei quão ignóbil era esta atitude. Hoje, peço-lhe que a concretize... E depressa! Tenho vergonha de o ter como compatriota!

 

Imaginem que a moda pega, existirá por ai muita gente a exortar outros a renunciarem à cidadania portuguesa por vergonha dos actos desses seus compatriotas. Esperemos, pois, que ninguém tenha vergonha de ter Mário David como compatriota. Mas, enfim, podia ser que a coisa resultasse. É que se Saramago não fosse português, talvez escrevessem mais sobre o mérito, ou falta dele, da sua obra, do que sobre considerações marginais e provocadoras do autor que nem me aquecem, nem arrefecem. Mas, ao contrário do que por ai se afirma, dúvido que Saramago tenha proferido aquelas palavras como campanha de marketing. Qualquer dos seus livros é sempre um sucesso de vendas. Não é o sucesso comercial que ele procura, esse é garantido, mas antes o gozo pessoal de ver o incómodo que a sua opinião causa em tanta e boa gente. A avaliar pelo infindável número de reacções que provocou na blogosfera e fora dela, Saramago deve estar particularmente satisfeito e nada preocupado sobre se vai vender mais ou menos livros. Diria mais, a reacção de Mário David permite a Saramago um home-run, para recorrer a linguagem basebolista. Nada lhe dará mais gozo do que aparecer um aprendiz do Sousa Lara. E, convenhamos, Saramago, por muito disparate que diga, ficará na história pela sua obra, já Sousa Lara, e quem lhe siga os passos, por muita obra que deixe, ficará conhecido por um disparate.

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Terça-feira, 20 de Outubro de 2009

Febre de Leitura

Voltou, gosto sempre destas fases, leio sem parar. Consumo livro atrás de livro, afasto-me da televisão, do cinema, do computador, da actualidade, e dedico-me à leitura: os livros tornam-se o meu mundo. Procuro o silêncio, a paz, ficar a sós com o livro. Opto pela obra de um escritor e leio livro atrás de livro. Ler o mesmo autor é o ideal para mim nestas alturas, quando acabo uma obra, se gosto, fico sempre abatido por ter chegado ao fim. Ler outro livro do mesmo autor acaba por dar uma sensação de conforto, como se continuasse a navegar em águas conhecidas.

 

Leio Dostoiévski, Tolstói, Roth, McCarthy, Murakami. Gosto especialmente deste último, quem lê este blogue sabe que assim é. Leio Norwegian Wood e dou por mim continuamente a escutar Beatles. Leio a Sul da Fronteira, a Oeste do Sol, e começo a ouvir Nat King Cole. Absorvido que estou pelo universo do escritor japonês. Reparo como vários detalhes repetem-se história após história, é como se muitos livros fossem simples variações de uma composição brilhante. Nos livros de Murakami, surge muitas vezes um personagem que só gosta de ler os clássicos, pois esses são os que sobreviveram ao teste do tempo. Já pensei assim, também só lia obras com muitos anos de existência. Como se comprova agora, com os autores citados acima, há muito que abandonei essa regra. Ainda bem, há assuntos que só os contemporâneos conseguem abordar convenientemente.

 

Ontem, li o último livro de Murakami traduzido para português que me faltava. Ou deverei dizer hoje? Foi de madrugada, não consegui adormecer antes de desvendar o que constava na última página. Ainda hoje parto para outro. É nesta fase em que troco de autor que a febre se cura: é só apanhar alguém de quem não gosto. Milan Kundera aguarda-me, espero manter a febre por mais uns dias...

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Segunda-feira, 19 de Outubro de 2009

O que aconteceria

"A Bíblia é um manual de maus costumes e um catálogo do pior da natureza humana". Se Saramago afirmasse coisas destas em início de carreira? Talvez a carreira não passasse do início. O Memorial do Convento foi um dos livros de escritores portugueses que mais gostei e O Evangelho Segundo Jesus Cristo, não tendo gostado particularmente, ainda hoje recordo as linhas iniciais com que começa a história. Há muito tempo que não leio um livro de Saramago, acho que vou voltar a ler livros do autor com este Caim.

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Quinta-feira, 8 de Outubro de 2009

Dizem-me

Que uma escritora alemã, nascida na Roménia, vai passar brevemente a ser um caso de sucesso e vender muitos livros. Talvez seja essa a lógica do Nobel de Literatura: criar casos de sucesso, talvez por isso outros escritores, como Philip Roth, tenham o acesso ao prémio vedado.

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Terça-feira, 8 de Setembro de 2009

Imperador de Hollywood

De tempos a tempos regresso a este livro. Howard Fast não será um génio da literatura contemporânea norte-americana (as suas opções políticas, demasiado encostadas à esquerda, também não o terão ajudado), nem Max, Imperador de Hollywood, será considerada uma obra prima pelos críticos literários, mas é um dos meus livros favoritos.

A história gira em torno de um garoto pobres de Nova Iorque que, na passagem do século XIX para o século XX, está na origem, numa visão mais economicista, da indústria do cinema, numa visão mais artística, da sétima arte.

A ideia de Fast, cativante, é proporcionar ao leitor, através de um miúdo imaginário, Max Britsky, judeu, filho de imigrantes, uma visão da forma como o cinema inicialmente teve a sua origem e como evoluiu nos seus primórdios.

Desde os primeiros animatógrafos até ao surgimento do cinema propriamente dito. Desde o cinema como um entretenimento para as classes mais baixas até à elevação do cinema a sétima arte, o qual as elites passaram a frequentar tal como já faziam com o teatro. Desde as fitas que corriam sem nexo, cujo único interesse era a capacidade de uma máquina retratar a vida real, até à construção de argumentos complexos, que envolviam o espectador psicologicamente. Desde os estúdios iniciais em pequenos armazéns até à deslocação da produção de filmes para Hollywood, onde o espaço era imenso e favorável a um género muito na moda, os filmes de cowboys. Tudo em Max, Imperador de Hollywood é apresentado a um ritmo alucinante, fazendo que o leitor deseje regressar àquela época onde a novidade, o empreendedorismo e a criatividade andavam de mãos dadas. Um livro que recomendo.

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Terça-feira, 14 de Julho de 2009

1Q84

É com expectativa elevada que aguardo pela tradução de 1Q84, o novo livro de Haruki Murakami, um sucesso de vendas no Japão. Já dei conta aqui do meu primeiro contacto com a obra do autor, paixão à primeira leitura. De lá para cá devorei boa parte do trabalho deste. E se, por exemplo, em Kafka à beira mar existia a notória homenagem a Kafka, em 1Q84 existe a homenagem à obra máxima de George Orwell, 1984. A propósito disso, lia alguns comentários neste artigo, e reparei nas queixas que as obras de Murakami são muitas vezes repetitivas o que, supostamente, cansa. Não vou discutir, o autor tem um estilo próprio. Muitas vezes o ambiente, a escrita e os temas são os mesmos? Sim. Mas é sempre único, é sempre Murakami, é sempre cativante, é, acima de tudo, sempre fiel a si mesmo e aos seus leitores. Eu gosto que assim seja.

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